verde/prata
7 Início, III: Amortentia
Notas iniciais
Scorpius/Dominique
Dominique dedicou-se para trabalhar com atenção máxima durante vários minutos. Escolheu os melhores ingredientes que conseguiu no armário. Além deles, Scorpius havia trazido poeira de pérola, que não estava disponível no inventário das masmorras. Ela mediu e pesou tudo, então usou sua varinha para acertar a temperatura exata do caldeirão.
As instruções para preparo não eram tão complexas quanto outras que ela já havia feito, como as duas partes da Poção Polissuco, por exemplo; ainda assim, era a primeira vez que ela executava aquela receita, então fez questão de verificar tudo o que era indicado duas vezes.
— Olha — Scorpius pôs o dedo no rodapé da página, apontando uma passagem específica, e leu em voz alta: — “Após adicionar a pétala de damiana, mexa a mistura em sentido horário. A poção desprenderá um vapor em espirais.”
O garoto observou sua poção aproximou-se dela. Levou os dedos à mão que Dominique usava para revolver o líquido, e segurou seu pulso com delicadeza. Os pêlos do braço dela se arrepiaram com o toque inesperado, e ela torceu para que ele não tivesse reparado naquela reação.
— Está vendo como a fumaça aqui tem formato ovalado? É porque você está mexendo muito rápido. — Com firmeza no aperto, Malfoy desacelerou o movimento que ela fazia — Isso. Assim está melhor.
Dominique confirmou com a cabeça. O caldeirão agora exalava um aroma maravilhoso, uma mistura improvável e perfeitamente equilibrada dos cheiros que costumavam trazer-lhe conforto: o pumpkin spice latte que seu pai lhe preparava; as ervas do jardim d’A Toca, que cresciam até a janela e perfumavam a cozinha da avó Molly; o couro macio dos sofás negros do Salão Comunal da Sonserina.
— Está perfeita. — Scorpius avaliou, não conseguindo evitar o sorriso de orgulho que surgiu em seus lábios. Largou o pulso dela e encarou-a. — Você conseguiu.
Dominique se sentia cansada e aliviada, como se a tensão das últimas semanas estivesse se esvaindo e dando espaço a uma centelha de confiança. Seu progresso era inegável; a chance de um retorno positivo no novo exame dos N.O.M.s era alta.
— Obrigada, Malfoy. — a cor que tingiu as bochechas dela era quase imperceptível. — Eu não teria aprendido tanto se você não ajudasse. Isso é muito importante, porque…
Ela vacilou, como se hesitasse antes de contar-lhe, pela primeira vez, um pensamento pessoal. Scorpius cortou rapidamente, tentando evitar que ela dissesse algo que fosse deixar os dois constrangidos. Ele estava se sentindo bem naquele momento, e não queria ficar novamente sem saber o que dizer ou como agir.
— Eu sei. — garantiu. — Mas foi você quem fez tudo, lembre-se disso.
Os dois sonserinos sustentaram os olhares um do outro por alguns segundos. Em volta deles, o mundo silenciou. Scorpius foi o primeiro a quebrar o contato visual. Dominique teve a impressão que os olhos dele se demoraram os lábios dela por um segundo a mais antes de focar a atenção no caldeirão.
— Vamos jogar isto fora.
A ruiva concordou com a cabeça.
— É uma pena. — comentou — Essa poção tem um cheiro maravilhoso. Parece uma mistura de boas memórias.
Apesar de não terem o costume de falar sobre assuntos íntimos, Scorpius arriscou, porque adorava saber as variações que a mais forte poção do amor era capaz de assumir:
— Quais são elas?
— Momentos em família. — ela retrucou, dando de ombros. — E o Salão Comunal da Sonserina.
— Os sofás perto da lareira?
— Exatamente. — Os cantos da boca de Dominique se curvaram para cima. — E você?
Scorpius inspirou, absorvendo o vapor que o caldeirão ainda emanava.
— Sinto o cheiro da brisa do campo de quadribol quando estou voando na vassoura. E das balas azedas que compro na Dedosdemel. — ele passou a língua pelos lábios, que por um segundo ficaram muito secos. Girou o corpo para ficar de frente à garota. — E cravo.
Ela parou por um instante, sentindo-se alerta. Escutou sua própria pulsação intensificar nos ouvidos e virou a cabeça para encarar Scorpius.
— Cravo?
Na falta de algo inteligente para responder, Scorpius avançou para perto. Encaixou a palma da mão no pescoço dela, logo abaixo da linha do cabelo ruivo, e a encarou com firmeza. Ela retribuiu o olhar, sem encorajar nem afastá-lo, cheia de expectativa. O garoto sentiu seu coração bombear uma dose de adrenalina por suas veias, para dar-lhe a coragem que ele precisava para tomar a atitude, e a beijou.
O cérebro de Dominique parecia estar derretendo, então ela deixou seu corpo reagir espontaneamente. Juntou seu peito com o dele, aprofundando o contato entre os dois. Sentiu seus braços envolvendo a nuca de Malfoy, para trazê-lo para mais perto, e as mãos dele percorrendo com interesse sua cintura. Após alguns segundos pausaram o contato para respirar, mas só quebraram o abraço um par de minutos mais tarde.
Dominique abriu os olhos e o encontrou mirando-a de volta, apenas alguns poucos centímetros mais alto e ainda perto o suficiente para que ela pudesse sentir seu cheiro de menta misturando-se com o ar viciado de Amortentia. Pôde enxergar o claro desejo no olhar que ele sustentava em sua direção.
— Uau. — gemeu — O que foi isso?
— Eu não sei. — retrucou Scorpius.
Ela piscou e respirou fundo, tentando ordenar o turbilhão de pensamentos e emoções que agora estavam tomando sua mente de volta.
— E o que fazemos agora?
— Agora vamos descansar. É Natal. — o loiro respondeu de forma despreocupada, como se fosse óbvio, ou como se o que acabara de acontecer fosse corriqueiro. — E, na volta, podemos falar sobre isso.
— Parece bom. — Dominique concordou, ainda um pouco atordoada.
Ele passou as costas dos dedos na bochecha dela, para afastar um fio de cabelo que estava preso em sua boca.
— Boas festas, Delacour.
Scorpius deixou a sala confiante, mas ainda sentia o coração martelar no peito.
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