verde/prata
6 Início, II: Técnicas
Scorpius/Dominique
À medida que as semanas iam passando nas masmorras, Dominique mostrava um desempenho cada vez melhor. O progresso que havia feito com a ajuda de Scorpius era muito maior do que apresentara quanto tinha somente a orientação de Slughorn. Ela havia aprendido a atentar para os sinais que Scorpius lhe indicava: o aroma dos ingredientes, a cor da fumaça, as bolhas do líquido quando fervia. Ela baseava-se nestes parâmetros e frequentemente estava um passo à frente, garantindo que todos os pontos de possíveis falhas na poção estava cobertos.
Nenhum dos dois demonstrava interesse nem fazia a sugestão de ir embora daquela sala até que o objetivo do dia estivesse cumprido. Por vezes, conseguiam terminar dentro do planejamento de cerca de uma hora e meia. Outros dias, chegavam a ficar três ou quatro horas em volta das misturas e livros. Os erros de Dominique eram cada vez menores e menos frequentes, mas ainda foram várias as vezes em que ambos decidiram que o resultado poderia ser melhor, então jogavam tudo fora e começavam de novo, do zero, com toda a paciência e foco necessário para o aprendizado de Poções.
Nestes dias, Dominique voltava para o Salão Comunal com a cabeça latejando. Esforçava para lembrar-se das listas e das técnicas, e chegava a sonhar com a sala de aula em que passava tanto tempo. Eram estas também as ocasiões em que Scorpius chegava atrasado para o jantar, e Albus pressionava para saber o que ele estava fazendo. Para saciar a curiosidade indomável do amigo, Scorpius acabou confessando que estava fazendo um favor a Slughorn e ajudando alunos que estavam tendo complicações com a matéria do professor. Porém, mentiu que os estudantes eram alunos do primeiro e segundo ano.
Os dois não deram trégua nem na chegada de Dezembro, quando o clima de Natal se instaurou na escola. Continuavam se encontrando todas às terças-feiras à tarde e, já que não precisava mais ficar monitorando de forma rígida o caldeirão, Scorpius se permitia gastar seu tempo olhando enquanto Dominique trabalhava. Pela primeira vez, ele teve a oportunidade de enxergá-la de verdade.
Ela tinha as os dedos longos e delicados, e suas mãos eram ágeis cortando ingredientes e delicadas mexendo o caldeirão. Na maioria dos dias ela enrolava os cabelos e os prendia atrás da cabeça em um coque desalinhado, mas algumas mechas sempre conseguiam se soltar e atrapalhá-la quando ela estava concentrada em alguma tarefa, que tinha que interromper para colocar de volta atrás da orelha. Scorpius podia ficar hipnotizado por minutos a fio observando aquele par de mãos.
Dominique franzia a sobrancelha quando algo não saía de acordo com o esperado e, nos dias em que estava de bom humor, se estivessem em silêncio, ele conseguia ouvi-la cantarolar uma música com a boca fechada, tão baixo que ele duvidava que ela mesma percebesse o que estava fazendo.
Em pouco tempo, Scorpius passou a ansiar pelas terças-feiras à tarde, onde ele podia estar perto e respirar o aroma de cravo que ela exalava, tão suave que ele só sentia quando se aproximava no pretexto de validar o que estava fazendo. Como não se falavam fora daquele contexto, tanto para preservar o segredo de seus encontros quanto porque não tinham mais nada em comum, aquele era o único momento que dividiam juntos.
***
As férias estavam chegando. Na última semana antes do recesso, Scorpius chegou na sala carregando um pergaminho. Ao chegar ao balcão, fechou com um baque o livro de Poções que Dominique estava consultando.
— Não vamos usar isto hoje. — ele decretou, com um sorriso torto.
Entregou o pergaminho que trazia para ela. Ela desenrolou o rolo. No topo, Scorpius havia escrito “Amortentia” com uma caligrafia cursiva. Em seguida havia uma lista de ingredientes e instruções detalhadas do processo de preparação desta poção.
— A poção do amor. — ela reconheceu — Elas estão proibidas, Malfoy.
Já faziam alguns anos que grupos da comunidade mágica faziam protestos contra a fabricação e comercialização das poções do amor, já que muito foi discutido sobre os efeitos negativos da coerção causada por elas. Por todos os lugares e vilarejos, em Hogwarts e no Ministério, os ativistas usavam broches ou camisetas com as palavras “Poção do amor não é consentimento”, inclusive sua tia Hermione Granger, que tinha alta posição no governo bruxo. Há cerca de um ano, foi decretada a proibição destas poções, e Dominique se lembrava de tio George contando que os aurores confiscaram todos os produtos à venda nas Gemialidades Weasley.
Scorpius concordou com a cabeça.
— Estão. Foi quase impossível encontrar um livro que ainda trouxesse as instruções de como fazê-las. Quase todos foram retirados da biblioteca ou tiveram as páginas arrancadas.
— E você está propondo que a gente faça uma?
Ele levantou as sobrancelhas. Os cantos de sua boca se levantaram, mas ele segurou a expressão tão séria quanto pôde.
— Não precisa ficar com medo, Delacour. Só vamos praticar as técnicas. — explicou — Depois jogamos tudo fora.
Ela sentiu um frio na barriga, sem saber com certeza se a causa era a expectativa de fazer algo proibido ou o sorriso travesso que Scorpius que lançou.
— Está bem, vamos nessa. — Dominique cedeu. Dobrou as mangas da camisa branca que usava e caminhou até o armário onde ficavam os itens para o preparo de poções. — Quais são os ingredientes?
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