this is the road to ruin
2 I don’t know where you’re going but do you got room for one more troubled soul?
Notas iniciais
(como você pode ser tão sem coração? — the fray, heartless)
Arthur não sabia o que deveria fazer. Não é como se seu coração já tivesse sido quebrado muitas vezes, certo? Alfred era o único que ele já deixara próximo o bastante para isso, o único que ele acreditava que jamais o faria. Por que ele juntava os pedaços partidos de quem ele era e tentava fingir que nada acontecera?
Não era justo. Era cruel, e errado e traiçoeiro (ainda assim, se lhe perguntassem, ele nunca saberia dizer onde encontrou coragem o suficiente para perguntar).
“Você não me ama mais?”
(quer dizer, depois de todas aquelas coisas por que passamos — the fray, heartless)
Alfred tinha os olhos frios naquele dia, mas eles derreteram como gelo fino no momento em que as palavras deixaram a boca de Arthur.
“O quê?”
E foi a vez de Alfred quebrar.
“Você não me ama mais?”
[é tão injusto, quando alguém entra na sua vida só para fazer uma bagunça maior; eu acreditei que não precisava ser assim e que tudo ia melhorar, mas são apenas mentiras que eu gosto de contar por elas fazerem com que eu me sinta melhor]
[onde está você, América? Onde está o meu soldadinho num cavalo branco? Onde está o país dos sonhos e esperanças, o país que eu costumava amar como se fosse parte de mim? Você foi embora e me deixou caindo aos pedaços, você me deixou sangrando para curar minhas feridas sozinho]
[ninguém deveria poder me machucar. Eu falei para você, não falei? Você é o único próximo o bastante. Você é o único a quem eu confiei meu coração de olhos fechados. Sem reservas. Sem medo de me ferir. Sem receio]
(eu nunca pensei que estaria dizendo estas palavras)
(eu nunca pensei que precisaria dizer)
(outro dia sozinho é mais do que posso suportar)
(você não vai me salvar? Porque salvação é o que eu preciso)
(eu só quero estar ao seu lado — hanson, save me)
“Eu sei que eu não fui o que você esperava que eu fosse. Eu sei que eu não sou mais o pirata que roubou seu coração. Mas eu pensei que estava fazendo isso certo? Eu achei que significava alguma coisa. Para você. Para nós? Se é que algum dia existiu um nós. Talvez eu só esteja com medo de admitir que você nunca foi meu, mas eu queria que tivesse sido. Todas aquelas noites que passamos conversando? Eu revivi todas elas para fingir que você ainda estava lá. Eu me segurei nas memórias, porque elas são tudo que eu tenho agora, Alfred. Eu poderia tentar, não poderia? Fazer você se apaixonar mais uma vez. Mas se você disser que isso nunca significou nada eu poderia deixar de lado também. Só me promete uma coisa? Promete que vai pensar sobre isso? Eu não quero ser uma estrela solitária. Eu quero você. Com seus planos sem sentido e as besteiras que você diz, e seus olhos de safira, e seu sorriso brilhante.”
(de alguma forma, o sol se foi — trading yesterday, shattered)
[Eu quero meu soldadinho de volta. Aquele que se escondia comigo quando começava a trovejar. Aquele que contava histórias de monstros embaixo da cama, e que inventava coisas impossíveis. Aquele que tinha espírito de aventureiro, de pirata, e um coração do tamanho do mundo. Você amava todo mundo, então, por que não pode me amar também?]
(e eu perdi quem eu sou, e eu não posso entender — trading yesterday, shattered)
Alfred tinha os olhos rasos d’água, mas era Arthur quem sangrava. Por que aquilo não funcionava? Era certo. Eles pertenciam um ao outro.
“Por que você não entende, Artie? É você. Sempre foi, sempre vai ser você. Não tem mais ninguém, nunca vai ter ninguém além de você.”
“Você é meu?”
“Eu sou. Seu, Artie. Eu fui seu, era seu, eu sou seu.”
“Ontem você não era. Nem antes.”
“Porque eu não podia ser. É confuso. É confuso, eu sei. Mas eu nunca quis quebrar você, eu nunca quis machucar você, eu nunca quis fazer você sangrar. Meu “para sempre” é longo, Artie, mas ele nunca foi uma mentira com você. Ele só é cheio de falhas, cheio de pausas. Ele foi para sempre até ontem. E será até amanhã.”
(porque meu coração está tão quebrado, rejeitando seu amor — trading yesterday, shattered)
“Um dia ele vai acabar?”
“Não. Ele é infinito. Até amanhã. E depois. E no outro dia também. Talvez deixe de ser, mas não vai acabar.”
“Isso significa que você me ama?”
“Isso significa que eu não posso viver sem você. Não é uma boa resposta. Mas é o que eu tenho. É o que eu sou.”
“... Eu acho que posso entender.”
“Você me perdoa? Você me perdoa por quebrar seu coração, por te fazer em pedaços quando tudo que eu queria era fazer você feliz?”
“... Está tudo bem, Alfred.”
Não estava. Eles sabiam disso. Mas, um dia, estaria.
E enquanto não estivesse, Alfred suspirava.
{“Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você, eu amo você, eu…”}
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