the sweet taste of your lips | MATZ
4 the way our lips are sweet together
Pode ser que eu tenha passado a aula inteira pensando nos meus últimos momentos com Hongjoong — e, principalmente, no fato de que eu tinha concordado em ir até a casa dele. Talvez fosse um território perigoso demais, afinal, eu nunca havia ido à casa de ninguém que não fosse da minha família.
E, bom, Kim era quase como...
Como...
Como meu namorado?
Minhas bochechas queimavam só com o pensamento.
Não que ele fosse — mas era quase isso, não era? Estávamos nos aproximando cada vez mais, plenamente conscientes de que, no fim, algo poderia resultar dali, fosse bom ou ruim. Por enquanto, tudo caminhava para coisas boas. Era confortável estar com ele, passar horas conversando, seja pessoalmente ou por mensagem. Eu não sentia medo do que poderia acontecer; muito pelo contrário, ficava ansioso toda vez que deixava minha imaginação fértil trabalhar.
Além do mais, acho que eu nunca mais conseguiria ser apenas amigo de Hongjoong depois de perceber que realmente queria beijá-lo. Esse pensamento vinha me assombrando há dias, levando-me a passar tempo demais encarando aqueles lábios bonitos sempre que ele se distraía. Às vezes a impulsividade tomava conta de mim — e já tive muitos problemas por causa disso. Eu costumava guardar as coisas por tempo demais e, quando finalmente fazia ou dizia algo, era sempre nos piores momentos. Por isso, tinha medo de estar desejando tanto aquilo a ponto de, um dia, simplesmente puxá-lo para mim sem pensar duas vezes.
Minha atenção foi despertada pelo vibrar da notificação do celular, que tremeu sobre a mesa da sala de aula. Me ajeitei no lugar, peguei o aparelho e o desbloqueei com o reconhecimento facial — travando no mesmo instante ao ver o nome do contato da mensagem.
Era Hongjoong.
Joong ☕️
📲 você realmente...
Por favor, não vamos falar disso. Estou envergonhado... 📱
Joong ☕️
📲 VOCÊ ME DEU UM BEIJO NA BOCHECHA!!
📲 E ME CHAMOU DE "JOONG"
🤦 📱
Hongjoong... 📱
Joong ☕️
📲 EU PARALISEI
📲 quase dei um grito
📲 meu deus, esse é o dia mais feliz da minha vida. voltei saltitando de felicidade pra casa.
Para com isso, não foi nada demais... 📱
Não consegui controlar o sorriso bobo que se formou em meu rosto. Toquei minhas bochechas só para confirmar o que já sabia: estavam pegando fogo. Eu gostaria tanto de ter visto a reação dele — aquele sorriso lindo quando percebeu o que eu fiz.
📲 Se não foi nada demais, então você pode me dar outros.
📲 😏
Eu tenho que ir, o professor chegou. Tchau 📱
📲 KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Guardei o celular no bolso rapidamente, olhando em volta para ver se alguém tinha notado o quão eufórico eu estava naquele momento. Suspirei aliviado ao perceber que todos pareciam distraídos demais com suas próprias vidas para prestar atenção em um garoto idiota surtando porque o cara de quem gostava o tinha deixado tímido por mensagem.
Obviamente, a desculpa que eu dei era mentira, mas, para minha surpresa, o professor realmente entrou na sala poucos minutos depois — me dando algo em que focar que não fossem meus pensamentos sobre Hongjoong e seus lábios perfeitos.
[ • • • ]
Depois da aula, chequei as mensagens uma última vez e vi que o Kim havia mandado a localização de sua casa. Não era muito longe dali, mas ainda assim precisaria pegar um ônibus, que, por sorte, passava no ponto perto da cafeteria onde ele trabalhava.
Ao chegar em casa, tomei um banho quente e coloquei meu pijama, em seguida correndo para o guarda-roupa para escolher o que usaria amanhã. Eu não queria nada muito arrumado, para ele não pensar que eu estava superansioso, mas também nada desleixado demais, porque precisava estar bonito. Optei por uma de minhas calças de alfaiataria marrom-escuro, uma blusa branca simples por baixo e um cardigan cor de creme. Nada muito fora do que eu já costumava usar no dia a dia.
Deixei tudo cuidadosamente passado e organizado no cabide. Hongjoong disse que eu poderia ir a hora que quisesse, bastava avisá-lo, então combinei de chegar depois das dez da manhã, pois assim ainda teria tempo de tomar um bom banho e lavar o cabelo quando acordasse.
No dia seguinte, a ansiedade me fez acordar bem cedo, em um pulo animado, correndo para o banheiro com a toalha em mãos. Eu tentei parar para pensar se algum dia já tinha me sentido tão feliz assim, mas acho que a única vez foi quando passei na faculdade dos meus sonhos e fui para o primeiro dia de aula. Antes de dormir, pensei em todas as coisas possíveis que poderiam acontecer na casa do Kim e me senti horrível ao perceber que todas elas terminavam nos lábios de Hongjoong nos meus.
Eu nem ao menos sabia como beijar, muito menos sentia que teria coragem para isso em primeiro lugar, mas, por algum motivo, aquela boca bonita estava ocupando mais tempo nos meus pensamentos do que deveria ser permitido.
Como será que ele beijava? Algo me dizia que era carinhoso como sempre, doce como tudo que fazia. As borboletas no meu estômago voavam como loucas só de pensar.
Percebi apenas muito depois que eu já estava há um bom tempo olhando para o nada, com cara de bobo, enquanto a água morna do chuveiro caía em minhas costas. Buscando afastar os pensamentos, molhei a cabeça para começar a lavar o cabelo; em seguida, terminei todo o restante do processo do banho, fazendo questão de usar meu hidratante favorito quando saí. E esqueça aquilo de não me arrumar muito, porque eu já tinha passado até maquiagem — coisa que raramente fazia.
Queria que Hongjoong me achasse bonito, que não conseguisse tirar os olhos de mim, apesar de isso não ser algo muito difícil. Ele normalmente já me sondava o tempo inteiro como uma águia, mas eu, sinceramente, nunca vi nada de tão interessante em mim que o cativasse tanto.
Quando finalmente terminei, arrumei as coisas rapidamente do jeito que pude — pois odiava deixar tudo bagunçado — e saí de casa.
Passei tanto tempo em transe me arrumando que, somente enquanto andava pela calçada no caminho até o ponto de ônibus, comecei a sentir o nervosismo bater com força.
Quando consegui pegar a condução, dei graças a Deus que meu banco favorito estava vazio e, assim que sentei, aproveitei para mandar uma mensagem para Hongjoong, avisando que já estava indo. Surpreendentemente, ele respondeu no mesmo exato momento em que eu mandei, o que me levou a pensar que talvez alguém estivesse tão absurdamente ansioso quanto eu. Embora Kim fosse o mais seguro e direto de nós dois, em alguns poucos momentos eu conseguia notar o quanto minha presença o balançava — quase tanto quanto o próprio fazia comigo. Seus olhos não sabiam onde focar, e ele cutucava os dedinhos nervosamente, tentando disfarçar; obviamente, não tão discreto ao ponto de meus olhos atentos não notarem.
O caminho até a casa dele foi rápido e, como Hongjoong havia citado anteriormente, o ônibus parava bem na esquina de sua casa, então não precisei andar muito até ver sua porta de cor vermelho-escuro. Respirei fundo e sequei as mãos suadas na calça antes de me aproximar e bater três vezes na madeira, quase explodindo de nervoso.
Ele abriu a porta com uma rapidez que me deixou totalmente surpreso, e não sei se foi o susto ou sua aparência extremamente adorável que fizeram meu coração quase rasgar o peito de tão rápido que passou a bater.
- Seonghwa...
- Por que você parece tão surpreso?
- Confesso que não esperava que você fosse realmente vir.
- Mas você me convidou, e eu disse que viria. Fazer isso seria muito mal-educado da minha parte. — Ri ao notar que sua expressão ainda mostrava o choque.
- Tem razão, eu só... — Coçou a nuca, deixando uma risada envergonhada sair. — Entra. Fiz algumas coisas pra gente comer enquanto o bolo assa. — Afastou-se da entrada, me dando espaço para passar.
- Obrigado. — Caminhei para dentro, mas não sem antes me abaixar um pouco e deixar um selar tímido em sua bochecha.
Não escutando movimentação atrás de mim, virei e o encontrei parado no mesmo lugar, encarando-me com os lábios entreabertos.
- Vai ficar parado aí?
Pude ver um leve rubor florescer nas bochechas do Kim, mas ele foi rápido em pigarrear e fechar a porta com pressa, vindo andar à minha frente com passos ligeiros e robóticos. Ele era tão fofo.
Somente quando Hongjoong se afastou eu pude soltar a respiração. Era muito bom desestabilizá-lo, porém impossível esquecer o quão novo tudo isso era para mim e o quanto me deixava igualmente constrangido. Eu apenas queria mostrá-lo, de algum jeito, que não era algo unilateral.
- Acabei esquecendo de perguntar antes o que você gosta de comer, então só fiz coisas simples pra não ter erro.
Observei a mesa, podendo ver uma panela elétrica de arroz, uma salada de pepino, cenoura, cebola e maionese, e um bowl de frango frito picante.
- Você fez isso tudo?
- Sim. Gostou?
- Muito. Tudo parece estar tão gostoso. — Sorri, inclinando a cabeça para sentir o cheiro. — Então, pelo visto, você não é bom só com doces.
- Vim morar sozinho muito cedo. Precisei aprender a cozinhar de uma forma ou de outra — explicou, abrindo brevemente o forno a fim de conferir a situação do bolo. — Ou isso, ou comer ramen de loja de conveniência pelo resto da vida.
- Compreensível.
- Mas e você? Também mora sozinho?
- Oh, sim. A casa foi meu presente por passar em primeiro lugar na faculdade.
- Um belo presente.
- Sim... — Ri, um pouco tímido de repente. — Eu já te falei que minha família nunca me apoiou na moda, mas meus pais sempre incentivaram muito.
- Eu me lembro bem. Foi a primeira conversa com mais de dez palavras que tivemos.
- Você contou?
- Mas é claro!
- Idiota...
- Você adora esse idiota aqui. Não é, Seonghwa? — Ele me mostrou um daqueles sorrisos sacanas que faziam meu coração errar as batidas.
- P-Para com isso e tira logo esse bolo daí.
Hongjoong gargalhou dessa vez, achando graça da minha reação costumeira, como sempre.
- Já tá pronto. Vou deixar esfriar em cima da pia enquanto a gente come.
O menor colocou as luvas felpudas nas mãos e as usou para segurar os dois tabuleiros redondos, puxando-os para fora e colocando-os sobre o mármore. Guardando de volta os utensílios de pano no lugar, ele pegou duas cumbucas pequenas, deixando uma em frente à cadeira onde eu deveria me sentar e a outra em seu próprio assento.
Correu até a geladeira e tirou dela uma jarra de suco, que parecia ser natural, além de bastante fresco.
Nós nos sentamos à mesa.
- Pode servir à vontade. Espero que goste da comida.
"Você quem fez, é óbvio que eu vou gostar."
Foi o que meu cérebro formulou para responder, mas a vergonha me impediu. No entanto, a esse ponto, Kim já devia estar mais do que ciente de que tudo o que ele fazia surtia efeitos em mim.
Do outro lado da mesa, Hongjoong me olhava com expectativa, esperando ansiosamente pela minha reação a respeito do almoço. Com isso, não demorei a pegar a colher de arroz e colocar um pouco na minha cumbuca, seguido da salada e de três pedaços de frango frito. Tudo estava tão cheiroso que fez meu estômago roncar de forma audível. Paralisei no mesmo momento, mas Kim apenas riu soprado, com a bochecha apoiada em uma das mãos.
- Para de me olhar assim, tá me deixando nervoso!
- É que você é tão fofo! Como consegue ser adorável fazendo qualquer coisa que seja?
Exibi um bico sem nem perceber, notei apenas quando ele se esticou um pouco em minha direção para apertar minhas bochechas. O afastei fracamente com as mãos, lhe mostrando uma expressão de falsa raiva que, inclusive, ele parecia gostar.
- Para com isso!
- Para você de ser desse jeito!
Nós dois rimos depois do curto minuto de silêncio. Momentos assim com ele eram os meus favoritos.
Sem mais demora, juntei um pouquinho de cada coisa com os pauzinhos e levei até minha boca, finalmente provando. E, como já era de se esperar, estava uma delícia.
- Como você consegue ser tão bom em tudo?
A tensão em seu rosto se dissipou, e aquele sorriso largo que eu tanto amava tomou o lugar.
- Tá muito bom, Joong.
- Eu sabia que você ia gostar!
Reviro os olhos, rindo discretamente junto a ele. Uma das coisas que mais me divertia na personalidade de Hongjoong era o fato de ele ser tão confiante, de reconhecer o quanto trabalhou duro na vida e saber o quanto era bom e dedicado em absolutamente tudo que faz. Porque, durante muitas vezes em que me sentia desmotivado e frustrado com meus trabalhos, eram as palavras dele que me faziam parar um pouco e pensar: "Caralho, eu realmente fiz isso aqui do zero com minhas próprias habilidades, e ficou incrível." Ele me ensinou que tudo, independente de ficar perfeito ou não, ainda era um grande esforço a ser considerado — e que eu não deveria me comparar ou me diminuir.
Minha percepção sobre muitas coisas mudou após conhecê-lo, e eu seria eternamente grato por isso.
- Você, por acaso, andou bisbilhotando meu Instagram?
- Oh, não! Me descobriram! — dramatizou.
- Espertinho...
Kim parecia não conseguir tirar o sorriso do rosto enquanto comia, e era fofo ver o quanto ele parecia genuinamente feliz com minha presença ali. Se eu soubesse que tudo ia ser assim com ele, teria dado uma chance há muito tempo.
Conforme o tempo foi passando, os pratos foram ficando vazios. Precisei me esforçar muito para não comer tanto, pois ainda queria guardar espaço para o bolo.
Hongjoong recolheu as coisas da mesa com minha ajuda e, quando disse que ia começar a preparar os recheios, me ofereci para lavar as louças. Terminei pouco tempo depois, indo secar minhas mãos em um dos panos que estavam pendurados próximos dali.
No instante em que olhei para trás, pude vê-lo mexendo nas panelas — o cheiro doce e gostoso passeando por toda a cozinha. Sem querer assustá-lo, me aproximei devagar por trás, reunindo coragem e impulso para rodear os braços em sua cintura e apoiar meu queixo em seu ombro.
- Parece delicioso. — O senti paralisar em meus braços. — Joong, toma cuidado, isso vai queimar! — Segurei ao máximo o riso quando ele voltou a mexer o doce em desespero evidente.
- N-não estou acostumado com isso. O que deu em você?
- Eu tô tentando, tá bom? — Esfreguei meu rosto no seu. — Você é sempre tão carinhoso comigo... só quero dar meu melhor pra retribuir do jeito certo.
Ele permaneceu em silêncio, mas eu pude sentir o calor da sua bochecha na minha.
Decidido a deixá-lo terminar, afastei-me e encostei o quadril na bancada, observando-o cuidadosamente. Kim ficava muito fofo cozinhando, pois era pequeno e o cabelinho balançava toda vez que se virava para pegar ou olhar algo. Sempre que estava distraído, eu me permitia reparar em seus detalhes — e não foi diferente naquele momento.
Seu bumbum era naturalmente empinado, e, junto com as costas retas e os ombros esticados, resultava em uma postura perfeita. A pequena pinta na parte de trás do pescoço me fazia precisar conter a vontade de beijá-la, e os dedinhos delicados só serviam para completar a fofura.
Às vezes, me perguntava por que eu tinha alguém como ele apaixonado por mim — e já até pensei em perguntar diretamente ao Kim. Entretanto, como se lesse meus pensamentos, ele soltava, de repente, coisas que eu nunca tinha notado, mas que me ajudavam a compreender os motivos.
Despertei dos meus pensamentos quando ouvi o som da batedeira. Ele havia pego, na geladeira, uma caixa de chantilly já pronto para bater e colocar em cima do bolo. Hongjoong veio em minha direção, e eu, inocente, deixei que ele se aproximasse sem perceber as mãos propositalmente sujas com o creme. Arregalei os olhos quando dois de seus dedos vieram em direção ao meu rosto, sujando-o antes que eu tivesse a chance de reagir.
- Seu...! — Mais uma vez, agora em meus lábios. — Hongjoong!
- Agora sim você é um docinho de verdade. — Gargalhou, segurando meus braços para que eu não o sujasse de volta.
- Idiota! — Esbravejei, porém isso só contribuiu para que ele risse mais.
Kim afrouxou o aperto quando percebeu que desisti de lutar. Ainda emburrado e preso em suas mãos, estiquei a língua para limpar minha boca, tentando pegar tudo que eu conseguia.
Me assustei minimamente quando seu polegar tocou meu lábio inferior, arrastando o que sobrou do chantilly para o lado. Meu coração pulou algumas batidas, nervoso.
- Não faz isso comigo...
- O q-que?
- Seonghwa, me desculpa... eu não aguento mais.
Paralisei no lugar no momento em que ele se aproximou, os lábios fechando-se nos meus para chupar o doce. Apertei sua camisa com dedos afoitos, fechando os olhos ao sentir a língua quente dele passando por ali.
- Me diz que eu posso fazer isso...
- Joong, eu... eu nunca-
- Eu não me importo. Só me fala que sim, hum?
Meu balançar de cabeça foi tão sutil que ele deve ter percebido somente porque estava prestando total atenção em mim.
Findando a distância de uma vez, sua boca grudou na minha com pressa, e o suspiro dele foi capaz de ser ouvido. Rapidamente, a língua empurrou para dentro, puxando a minha para entrar no beijo. Senti meu estômago gelar e meus joelhos falharem, porém Hongjoong me segurou antes que eu viesse a cair.
Aquelas mesmas mãos tão pequenas, que eu achava adoráveis, escorregaram por debaixo da minha camisa, tocando a pele de um jeito nada fofo.
- Hongjoong, e-espera... — pedi, ao que o menor separou nosso ósculo para despejar beijos molhados sob meu pescoço, murmurando sobre o quanto eu era cheiroso.
- O quê? — Ofegante, perguntou. — Me desculpe. É demais?
- N-não, só... acho que vou cair a qualquer momento — expliquei. — Vamos sentar, por favor.
Concordou afobado com a cabeça, puxando-me pelo braço até o sofá, onde fui jogado e o tive sentado em meu colo poucos segundos depois.
- Joong, assim não! — Ele já estava me beijando novamente.
Minhas mãos nervosas encontraram, timidamente, seu lugar nas coxas do Kim, apertando-as na esperança de acalmar os arrepios involuntários que me percorriam por inteiro. Agarrei os fios macios da nuca dele com uma delas e, infelizmente, puxei Hongjoong para longe de mim.
- Só mais um pouquinho. Por favor, Seonghwa...
- Não adianta fazer essa cara de cachorrinho pra mim.
Se não, haveria grandes chances de eu ceder.
- Tudo bem. — Encostou o rosto no meu pescoço, resmungando. — Eu vou terminar o bolo.
- Isso! Ótima ideia!
Quando ele se foi, aproveitei para respirar fundo, a cabeça jogada para trás no sofá, em alívio. Meu baixo ventre ainda tinha aquela sensação gelada, e eu evitei olhar para constatar a situação lá embaixo.
Que patético, Seonghwa! Foi só um beijo!
Eu já tinha ouvido muitas pessoas falarem sobre o quão ruim foram seus primeiros beijos, mas não tinha do que reclamar do meu. Meu rosto estava fervendo; entretanto, pela primeira vez, eu não senti vontade de sair correndo.
Muito pelo contrário, queria ficar exatamente onde estava e receber mais daqueles lábios tão doces que Hongjoong possuía.
- Ei! Eu terminei aqui.
Despertei com seu chamado e, agora mais recuperado, levantei-me do sofá e fui ao seu encontro. Abri os olhos em surpresa ao ver o bolo perfeitamente decorado, ainda que simples. O chantilly o cobria por completo, e a decoração de bico tornava tudo ainda mais bonito.
- Wow... — Aproximei-me para olhar mais de perto. — Tá lindo demais, Joong!
- Gostou mesmo?
- Claro! Eu já posso comer? — perguntei, animado.
- Vou levar um pedaço grande pra gente comer enquanto assiste filme. Senta lá que eu já vou.
- Certo!
Andei de volta até a sala de estar, onde me sentei no sofá de antes, aguardando ansiosamente. O vi de longe cortar um pedaço e depositar no prato, para em seguida guardar o restante do bolo dentro da geladeira.
Se fosse possível, tenho certeza de que, naquele momento, meus olhos estariam brilhando como duas estrelas ao ver aquele doce. Eu acompanhei todo o caminho que ele fez até estar de volta ao meu lado.
Diferente de todos os outros dias, eu não estaria pagando nada, pois Hongjoong havia feito aquele bolo para mim, só para mim e mais ninguém!
- Você pode levar o que sobrar para casa. Ironicamente, eu não tenho o costume de comer doces. Se ficar aqui, pode estragar.
- Sério? Obrigado, Joong!
- Não precisa agradecer. Segura.
Segurei o prato nas mãos e o coloquei sobre meu colo, pegando um dos talheres e entregando o outro para ele. Na primeira garfada, parecia que eu estava chegando ao céu, pronto para cantar com os anjinhos.
No caso, o anjinho era Hongjoong e... enfim. Eu precisava parar de viajar tanto, pois imediatamente minha cabeça foi pintada por imagens do Kim usando aquelas roupas brancas até o pé e asinhas nas costas. Às vezes penso se ele continuaria apaixonado por mim se passasse um dia inteiro dentro da minha mente desequilibrada.
Esperava que sim.
Ele sempre foi muito paciente e cuidadoso comigo, por isso, não foi difícil confiar nele para mostrar todos os meus lados. Em alguns momentos, eu falava certas coisas ou agia de maneiras um pouco... estranhas, só que estava tão confortável que só percebia depois de já ter feito.
Por exemplo, eu só percebi que estava olhando fixamente para a boca dele quando seus dentes ridiculamente simétricos me despertaram e me contemplaram com aquele mesmo sorriso provocador de sempre.
- Tá olhando o quê? Hum?
Ele sabia exatamente o que eu estava olhando... Na verdade, Hongjoong parece sempre saber o que eu penso.
- Eu... será que você poderia... — engulo em seco, já sentindo meu rosto esquentar. — Poderia me beijar de novo?
- Você não precisa ficar tão tímido. Também não precisa nem pedir... — Conforme falava, ele tirou o prato do meu colo, me obrigando a soltá-lo do aperto forte que eu exercia para controlar o constrangimento. Quando me viu livre, aproximou-se devagar e, estando próximo o suficiente para que eu sentisse sua respiração quente, continuou: — É só você vir pegar...
E ali, eu entendi tudo. Ele queria que eu o beijasse, e não o contrário. Queria que eu tomasse a iniciativa.
Eu deveria ter ficado envergonhado demais para sequer pensar nessa possibilidade, porém, ao vê-lo ali, tão perto de mim, a única coisa que pensei foi que queria novamente aqueles lábios doces nos meus o mais rápido possível.
Aos poucos fui me aproximando, acabando com o espaço entre nós. Minhas mãos tomaram lugar em sua nuca, as duas de uma vez, enquanto meu olhar passeava pelo caminho entre sua boca e o olhar profundo, sem saber direito onde focar.
Ele parecia ter duvidado de que eu de fato faria aquilo, pois pude ver o exato momento em que seus olhos se arregalaram ao me ver chegando cada vez mais perto. Sem saber direito o que fazer, mas tomado por um súbito momento de coragem, segurei seu lábio inferior entre os dentes levemente, puxando devagar por rápidos segundos e soltando-o em seguida.
Vi suas pálpebras se fechando e senti o ar quente do hálito quando ele o soltou.
Eu pretendia tentar novamente, mas não tive tempo, porque o próprio Kim não conseguiu controlar os impulsos e me puxou de uma vez para outro beijo. Resmunguei em surpresa devido à rapidez, mas logo o fantasma do sabor marcante do bolo estava dominando minha língua e eu me perdi completamente nele.
Durante toda a minha vida, repudiei todos os tipos de vícios, sejam eles quais fossem. Não aceitava o fato de algo tomar tanta conta da mente de uma pessoa ao ponto de ela só pensar naquilo vinte e quatro horas por dia, de ela ficar doente se não consumisse. Por outro lado, eu me sentia contradizendo meus próprios princípios.
Talvez estivesse me viciando aos poucos nos beijos de Hongjoong, sem nem me dar conta direito. Se é que era possível ficar viciado na boca de alguém.
Se for, eu com certeza ficaria.
Dessa vez, foi Kim quem me puxou para o colo dele, e, em outro momento, eu me assustaria, mas estava tão envolvido que nem sequer reclamei — apenas me deixei levar. Mais uma vez, as mãos enxeridas afagaram minha pele por baixo do pano, demorando mais tempo do que o necessário na cintura, onde ele apertou e enterrou as unhas. Reclamei baixinho pela pequena e súbita dor, fazendo-o se afastar de mim por um momento.
- Merda, me desculpe...
- T-tudo bem, só... foi bom...
- Foi, é? — Sorriu, repetindo a ação anterior de me arranhar.
Não fui capaz de controlar minha respiração alta de surpresa, muito menos como levei minhas mãos aos ombros dele e apertei, tentando aliviar de alguma forma o arrepio que passou por todo o meu corpo.
- Hongjoong! Você disse que ia devagar comigo!
- Mas eu só estou te beijando. O que mais achou que eu ia fazer? Hum?
Me apertou contra seu corpo, gargalhando quando arregalei os olhos e virei o rosto, evitando contato visual.
É claro que ele só estava me beijando. O que diabos eu acabei de pensar...?
- O que essa sua cabecinha está pensando, hein?
- Nada.
- Então por que suas bochechas estão tão vermelhas?
- Por nada. Está calor.
Rindo novamente, Kim me abraçou apertado, escondendo o rosto em meu peito. Em seguida, ele se afastou apenas o suficiente para olhar para mim de pertinho e acariciou minha bochecha.
- Você é adorável, sabia?
- Não sou.
- É sim. — Cruzei meus braços ao ouvir, suspirando. — Ei, não fique emburrado assim... eu estava brincando. — Mesmo se desculpando, aquela expressão risonha não saía de sua face, me fazendo questionar se realmente sentia muito mesmo. — Quero fazer muitas coisas com você há muito tempo, mas prometi ir com calma com todas as suas questões, lembra? — Beijou meus lábios com carinho. — Nós temos todo o tempo do mundo.
- Eu... é só que... não sei. Você me deixa nervoso. Mal consigo manter os olhos nos seus por muito tempo.
- Isso não é um problema, docinho. Você pode ficar de costas pra mim...
Quando me dei conta do que ele se referia, o mirei com pavor, dando um tapa em seu peito. Como esperado, ele gargalhou ainda mais alto, me prendendo com os braços para que eu não escapasse.
- Me solta!
- Nunca!
- Kim Hongjoong!
Eu tinha plena consciência de que, apesar de tudo, Hongjoong jamais ultrapassaria meus limites. Então, quando ele dizia que algo era brincadeira, sabia que podia confiar que era, de fato, uma brincadeira.
Nunca fui inocente; sabia de todas as coisas, apenas era tímido. Só que, com Kim, tudo vinha parecendo fácil demais de se decifrar.
Contatos íntimos, para mim, sempre aparentaram ser mais fáceis de compreender do que contatos românticos, pelo simples fato de serem apenas duas pessoas com vontade de matar o desejo, seja envolvendo amor ou não. Agora, o amor em si parecia uma incógnita indecifrável na minha cabeça.
Nunca entendi como seria possível ter tal nível de confiança em alguém para ser você mesmo; amar tanto aquela pessoa ao ponto de se doar por ela, pensar somente nela, viver por ela.
Eu tinha medo de pensar que amava Hongjoong, porque parecia algo profundo demais para ser somente pensado. Era necessário ser falado — e isso só seria capaz quando tivesse a certeza de que era, de fato, real.
Entretanto, passados todos aqueles meses, se fosse preciso escolher uma única palavra para mentalmente definir o que eu sentia toda vez que estava com ele, com certeza seria essa:
Amor.
Talvez fosse precipitado demais, porém não me importava. Não era como se ele precisasse saber disso agora.
Tudo com Hongjoong sempre foi de fácil compreensão: seu claro interesse desde o início, seu carinho, o cuidado, os sorrisos e principalmente os olhares. Logo, o que costumava ser incompreensível se tornou fácil, como se fosse minha matéria favorita na faculdade, como fazer um chocolate quente em um dia frio.
Serendipidade. Perceber que algo era extremamente importante para você por acidente. Encontrar algo que nem fazia ideia que seria bom e útil — até ter. Eu gostava de pensar nele assim.
Kim Hongjoong era minha serendipidade, minha facilidade, minha calmaria e meu conforto.
- Seonghwa.
- O que?
- Obrigado.
Diante da minha feição confusa, prosseguiu:
- Por me deixar entrar na sua vida. Obrigado.
Me encarando sonhadoramente, Hongjoong suspirou como em filmes de romance, onde a menininha suspira de amor quando o príncipe por quem está apaixonada chega.
- Não agradeça. Na verdade, eu é quem preciso agradecer por ter sido tão paciente comigo por todo esse tempo.
- Nada disso foi um esforço pra mim.
- Eu sei que não sou fácil de lidar e que fui ignorante com você no início. Obrigado por não ter desistido de mim... Acho que, no fundo, eu sempre gostei de ter a sua atenção.
- Posso te dar certeza de que eu faria tudo de novo se fosse preciso. Sem nunca me questionar.
Mesmo que daqui para frente se passassem anos, eu jamais chegaria ao ponto de entender como uma pessoa que conheci por acaso poderia me considerar tanto assim, se importar comigo e ter tanta questão em me fazer feliz, mesmo nas mínimas coisas.
Além de tudo, eu adorava saber que não estava mais sozinho. Logo eu, que sempre fui o maior fã da minha própria companhia. Isso me fazia pensar quantas outras coisas, na minha rotina, Kim Hongjoong seria capaz de mudar tão drasticamente assim. Parecia ser um dom. Um que passei a amar, sem dúvidas.
Gostaria de pensar que, de alguma maneira, eu também conseguiria acrescentar algo de bom na vida dele, fazer tanta diferença quanto ele fez na minha.
E, em um dia qualquer naquele sofá, sentindo seu calor, vendo seu lindo sorriso de pertinho e beijando seus lábios de dez em dez minutos, eu decidi, de uma vez por todas, que queria aquilo pelo resto da minha vida.
Vendo-o me mirar com tamanha admiração, tive certeza de que ninguém jamais seria capaz de transmitir tanto pelo olhar quanto aquele homem à minha frente fazia. Ninguém faria bolos mais gostosos, nem beijaria tão bem e muito menos faria meu estômago borbulhar como ele.
De repente, imaginei que meus pais o adorariam — principalmente minha mãe. Era uma amante de doces, afinal.
Talvez ainda fosse cedo demais para sequer pensar em apresentá-lo para a minha família, mas não conseguia deixar de me ver rapidamente animado com a ideia.
Eu estava experienciando, pela primeira vez, o romance, então, na verdade, nem sabia direito quais coisas eram rápidas demais para serem feitas e quais não. A única noção que eu tinha vinha dos livros que lia, e a maioria nem era tão focada no desenvolvimento do casal, já que sempre fui um amante de fantasia e ficção científica.
De qualquer forma, pretendia descobrir tudo aquilo com Hongjoong.
Porque estar com ele era assim: me dava vontade de descobrir tudo, de viver coisas novas, passear, conversar e mais um monte de coisas que, há muito tempo, não via sentido.
Ao lado de Kim, esperava poder descobrir uma nova versão de mim mesmo. Uma mais criativa do que o comum, mais feliz, que vive mais intensamente e que ama uma pessoa que faz seus dias serem cada vez mais doces e coloridos.
Obrigado, Kim Hongjoong. Obrigado por ter salvo minha vida sem nem sequer saber disso.
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