Stein caminhava pela rua fria e escura. Sua cabeça doía. Ele sentia uma sensação que há muito tempo não sentira, a insanidade.

–Meu caro doutor, há tempos a solidão lhe pega, não te deixa respirar. – Medusa caminhava a sua frente, mas em segundos não estava mais lá. Stein continuou sua caminhada.

–Está triste Stein? Escolheu errado, agora está sozinho. – Marie andava ao seu lado, lentamente.

–Pai, por que não podemos viver como o senhor? – Uma voz de criança ecoou. – Por que não podemos, pai?

–Silencio! – Com a mão, Stein o acertou, e a criança se desfez em uma nevoa.

–Ah, que maldade, Stein... – Medusa passou os dedos pelos lábios dele.

–Afaste-se. — Ela colocou os lábios bem próximos dos dele, mas novamente desapareceu. — Stein, você devia se poupar de tanto trabalho. Descanse um pouco. – sussurrava em seu ouvido.

–Descansar?

–É, um descanso longo e profundo.

Os vetores dela formaram brocas, e Stein saltou para trás. Um homem, vestindo um longo casaco preto, estava a sua frente.

–Você está bem, senhor? – Perguntou o homem.

–Sim, estou. Estou bem. – Ele suava. De repente, gritos ecoaram dentro de sua cabeça. Ele agarrou o homem pelo pescoço e o chocou contra a parede.

–Quem é você?

–Como assim, senhor? Sou apenas um morador aqui da cidade. Eu...

–Responda logo, ou eu te mato. – Seu sangue fervia, e seu braço fazia pressão no pescoço do homem. Até que uma voz de garota interveio em seu ouvido.

–Ora professor Stein, que maldade machucar um simples morador.

Stein o soltou e o homem caiu morto no chão. O doutor olhou para a garota vestida de bruxa, com um ódio que nunca lhe fora visto.

–Quem é você?

–Sou apenas uma amig... — Antes de ela terminar de falar, Stein a acertou com um soco.

–Ah, que se dane... – Um largo sorriso assustador surgiu no rosto dele. – Quando te dilacerar, não vai fazer diferença mesmo.

Ela estremeceu de medo. Sten a segurou pela nuca e a chocou contra a parede, e repetiu pelo menos mais umas sete vezes. Até ela conseguir se desvencilhar dele, o rosto de Melody já estava muito machucado e coberto de sangue.

–Maldito seja, vai me pagar por isso.

–Pagar pelo que? – Ele pegou um pedaço de madeira e o partiu, fazendo uma estaca. – Por matar uma bruxinha insolente que me encheu o saco? – Ele soltou uma gargalhada. – Acho que não. — Ela tentou fugir, mas ele fincou a estaca em sua coxa. — Não, nada de fugir, bruxinha.

–Já te segurei tempo o suficiente

–Hm? — O homem, que antes havia morrido, se levantou e partiu em ataque. Stein saltou para trás.

–Haha... agora, adeus professor Stein. Se ao menos tivesse me ouvido...

Enquanto ela falava, Stein pôs o homem ao chão, com o pé em seu ombro. Ele segurou a cabeça e a arrancou, olhando de volta para Melody.

–Voltamos de onde paramos? — Ela estava suando fortemente. — Com medo, senhora?

–Desconheço essa palavra – Ela mentiu, sorrindo.

–Oh. Não se preocupe, vou gravar ela na sua alma.

Melody suspirou e foi para cima de Stein, esse a pegou pela perna e a atirou no chão, sem perder tempo a chutou no estômago. Ela mal tinha tempo para respirar.

–Você me atacou não foi? Deveria se responsabilizar por isso, bruxinha.

De repente, um silencio abateu ele. Uma voz, mas dessa vez não era de qualquer pessoa, era a dele mesmo.

–O que está fazendo? Cedeu a loucura? A insanidade te venceu? Você ainda é o Stein?


Imagens surgiram em sua mente. O momento em que sua esposa Marie, que ainda carregava seu filho, fora dilacerada na frente dele, que não pôde fazer nada. Melody o observava, ela preparava para atacar, mas de repente a mão de Stein se pôs em seus olhos, e os puxaram para fora do rosto. A risada dele ecoava por toda a rua, envolta pelos gritos de dor da bruxa.