Era uma manhã fria, o sol ainda estava a nascer na estação de trem. Mike não conseguia

segurar seu sono, quase a toda hora esbarrando em Drake e Helena, que conversavam sorridentes

um com o outro. Do outro lado de Mike estava Emily, emburrada. Ele não entendia o que

acontecerá com ela para lhe deixar tão nervosa.

­Ei Emily, vamos comprar algo para comer? – Disse Helena, se pondo de pé.

­Por quê? Vai comprar algo tão pesado que não possa trazer sozinha? – Respondeu Emily

de forma brusca.

­Não... é que eu pensei em irmos juntas pra podermos conversar um tempo. – Ela estava

um pouco hesitante, a resposta a tinha deixado triste.

Emily por fim bufou e seguiu caminho junto a Helena. Drake deu um empurrão em Mike

para acordá­lo, o que fez com que ele caísse no chão.

­Ei, cabelo de neve! Cuidado!

­Me chamou de que, ô cegueta? – Drake deu um sorriso um tanto malvado.

­Sempre te achei meio panaca, mas surdo já é um pouco demais não? – Mike se pôs de pé.

­Quer que eu te arrebente aqui mesmo? – Drake disse sorrindo.

­Vai ser engraçado te ver tentar. ­ Os dois riram e Mike tomou lugar ao lado de Drake.

­Tomara que o motivo pra me acordar tenha sido bom, senão eu vou ter um corpo pra

esconder hoje de noite.

­Eu só queria perguntar o que deu na Emily. Você a irritou de novo?

­Tá, vamos voltar um pouco e ver desde quando tudo que acontece é culpa minha.

­Normalmente, você é bem irritante. Tira qualquer um do sério.

­Você nunca deve ter se ouvido falar, então.

­Você não vai responder a pergunta, vai?

­Não se responde o que não se tem resposta, cara. Ela deve estar naqueles dias.

Enquanto isso, Helena olhava maravilhada para alguns doces que viam na prateleira de

­Vamos comprar alguns desses pros garotos, também.

­É, tanto faz. – Emily não olhava para Helena.

­O que deu em você? Deuses, está tão rabugenta.

­O que deu em mim? – Emily respirou fundo. – Você não pode ser tão idiota, pode?

­Você está me ofendendo. Afinal, o que foi que eu fiz?

­Você sabe que eu gosto do Drake, e mesmo assim fica se esfregando com ele na minha

cara? Achei que fossemos amigas.

­Me esfregando? E, espera... desde quando você gosta do senhor Drake? Você nunca disse

Emily sempre mantivera segredo sobre sua paixão. No dia em que foram fazer o relatório

da ultima missão ao Shinigami­sama, resolveu contar seus sentimentos a ele. Ela o seguiu pelo

caminho de sua casa, e quando o avistou, viu ele e Helena se beijando.

­Nunca disse?

Ela nunca tinha dito mesmo, mas a raiva não a deixava se lembrar disso. Emily ergueu a

mão e desferiu um tapa contra o rosto de Helena, que ficou sem reação enquanto sua bochecha

avermelhava. Quando ela se preparou para retribuir a agressão, os braços de Drake a envolveram,

enquanto Mike segurava Emily.

­Ei! O que deu em vocês? – Drake perguntou às duas.

­Emily, perdeu o juízo, mulher? – Mike perguntou a ela.

­Me solta! – Respondeu ela, se soltando de Mike. Lágrimas brotaram nos olhos de Helena.

­O que aconteceu? Vocês estão bem? – Drake perguntou, a abraçando.

Ela não respondeu, simplesmente afundou o rosto no ombro de Drake para esconder suas

lágrimas. Os quatro ficaram lá, sentados, ouvindo o barulho dos trens, sem dizer uma única

­Bom saber que vocês já estão treinando suas caras de velório. – Surgiu o professor Stein,

ele reparou no rosto de Helena. ­ Só espero não ser o de vocês mesmos. Devo me preocupar com

­N­Não foi nada... – Helena respondeu, hesitante.

­Bem, então vamos logo.

O som do trem afundou no pensamento de todos, que se mantiveram calados também na

viajem. Ao chegar na cidade, Stein os levou até o hotel onde ficariam.

­Bem, só conseguimos dois quartos. Emily e Helena vão dividir um, enquanto eu e os

garotos ficamos com o outro. ­ Helena e Emily se entre­olharam furiosas, e subiram para os

quartos sem dizer nada. ­ Elas realmente estão bem?

­Problemas de garotas, professor. – Disse Mike – Quando você for mais velho, entenderá.

Mike desceu até a lanchonete do outro lado da rua, e sentou em uma mesa próxima a

janela. Uma das garçonetes, com provavelmente a mesma idade de Mike, se aproximou. Ela tinha

olhos negros e um cabelo cacheado.

­S­Senhor... gostaria de fazer um pedido? ­ Mike a encarou por um segundo. Olhou o

nome no crachá.

­bem, Melody, vou querer um misto quente. – Ele pensou por um segundo. – Vou levar

algo pra Emily também.

­Emily?

­Ah, sim. Uma amiga minha. Traga alguma torta doce pra viagem, por favor.

Ao terminar a frase, a janela em suas costas explodiu. Estilhaços de vidro voaram para

todos os lados. Mike segurou a garçonete e se lançou ao chão. Levantando o olhar, ele viu algo

medonho. Um homem coberto de chamas, mas não parecia estar agonizando. Ele olhou com olhos

laranja para Mike e se lançou ao ataque.