sob meus dedos gelados, seu coração bate
5 Olhos que brilham com a intensidade do sol
Notas iniciais
Três dias, e Jason quase pode acreditar nas palavras de Nico. Porque não está okay, talvez nunca esteja, mas eles estão tentando. E tentar nunca foi o suficiente para ninguém, mas pra ele é. Quando Nico olha pra ele — sem nunca sorrir, porque ele não sorri há algum tempo —, parece o bastante.
Jason nunca vai estar inteiro novamente. Os pedaços perdidos jamais serão recuperados. Mas isso não significa que ele não pode ser curado, que seu coração não pode voltar a bater, que ele não pode voltar a viver.
Esperança é só um sonho em que ele aprendeu a não acreditar, mas Nico faz com que ele se sinta bem.
É o bastante.
Tem que ser. Enquanto os infinitos segundos cronometrados continuarem a correr pelo relógio, ele pode se agarrar à figura de Nico e fingir que seus próprios dedos gelados não sentem o coração do garoto bater — porque é mais fácil aceitar o frio sem perguntas.
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— Você vai embora outra vez, não vai?
— Eu… Sim.
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Jason sabe. Sempre soube. Porque já fora cruel com a escolha de palavras não significava que ele não entendia, não sabia. Muitas memórias. Muitas lembranças constantemente cutucando a consciência, buscando meios de emergir, transformar a mente em Inferno.
Não significa que dói menos.
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— Eu não posso ficar, Jason. Eu nunca vou poder ficar.
— Eu sei. É por isso que nunca pedi pra você ficar.
— Mas… Você poderia vir comigo, se quisesse.
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Há silêncio. E então... Então...
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— Eu aceito.
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Os dias passam em borrões.
Um ano e sete meses, e Jason tem vontade de beijá-lo.
Um ano e oito meses, e Nico não vai dizer a ninguém que os olhos do filho de Júpiter brilham como estrelas.
Um ano e nove meses, e finalmente parece a hora de seguir em frente.
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