refleXo
2 Semana 1
Notas iniciais
SEMANA 1
—Eu juro que não faço ideia do que aconteceu, já contei tudo do que me lembro, não sei como ocorreu essa explosão, não posso explicar algo que vi logo ao acordar e não faço ideia de como aconteceu.
Noah repetia essas frases para o detetive Michael que incansavelmente queria descobrir como ele foi o único a sobreviver a aquela explosão no andar em que se encontrava no hospital. Tudo parecia muito suspeito, mas ao mesmo tempo o jovem rapaz parecia muito confuso com aquilo tudo, e não sabia dizer o porque estava internado.
Após ser transferido para outro hospital, agora sem correr risco de vida, Noah permanecia confuso, e sua mãe muito preocupada preferiu não contar para ele o motivo de sua internação.
O detetive conversava com os médicos dia e noite, para tentar descobrir o motivo da explosão, que ainda permanecia um mistério. Todos naquele andar do prédio haviam morrido e Noah foi o único que conseguiu sair ileso, as pessoas dos outros andares dizem que não ouviram nada, não sentiram um tremor, o que tornava tudo mais estranho ainda. As câmeras haviam gravado apenas um clarão e nada mais, o que deixava todos muito intrigados.
Noah não conseguia fazer muito além de se alimentar, tomar banho e assistir televisão, pois cada vez que tentava dormir era atormentado por sonhos muito estranhos, quase como se fossem lembranças, porém, de algo que ele tinha certeza não ter vivido. Na última noite ao cochilar por uns instantes, ele se viu preso em frente a um espelho e um banheiro, contudo, invés de enxergar seu reflexo, ele via a sala de sua casa, onde sua mãe parecia muito preocupada, corria de um lado para o outro com o telefone na mão, e chorava muito. Ele tentava alcança-lá, mas todo esforço era em vão, pois quanto mais tentava, mais sentia que aquela imagem ficava distante, até que acordou num pulo da cama, assustando a enfermeira que ali estava e acordando sua mãe que também estava a dormir.
O dia amanhecia, e mais uma vez chegava o detetive Michael, no momento em que ele entrou no leito onde Noah estava, viu o garoto mexendo em algo muito bonito, porém peculiar: um broche, prata e branco, que brilhava tão forte quanto os raios solares daquela manhã que se iniciava. Ao perceber que o detetive o encarava na porta, Noah disse para ele entrar e disse que nunca tinha visto algo tão bonito em sua vida e perguntou para o detetive se ele concordava, ele parecia muito admirado com aquilo e pelo brilho que ali estava, Noah teve que chama-lo cinco vezes até o mesmo responder, parecia ter entrado em um transe.
Após quase uma hora de conversa, Michael disse para Noah que havia achado uma testemunha e que quando ele recebesse alta queria leva-lo para conversar com essa pessoa, apesar do estranhamento, ele concordou e quando o detetive saiu do quarto e sua mãe entrou logo contou para ela. Marina muito preocupada foi atras do detetive para saber quem era tal testemunha, já que apenas seu filho havia sobrevivido, pelo menos assim todos pensavam.
No momento em que foi questionado por Marina, o detetive pareceu assustado com o interesse, mas ela continuou querendo um nome, pois ela também queria saber o que tinha acontecido com seu filho. Michael relutante gritou com a mãe de Noah no corredor do hospital que aquilo era informação sigilosa e foi embora parecendo muito nervoso. Marina não entendeu o porque daquela reação e voltou para o leito de seu filho.
Era noite do sétimo dia em que Noah estava no hospital para qual foi transferido, e ele estava para receber alta a qualquer momento. Após tomar um banho, se arrumar e pegar sua mochila, ele vai ao banheiro e ao passar por um espelho a cima da pia, ele sente sua cabeça rodar e ao olhar diretamente para ele, vê o seu reflexo, porém, começa a ver momentos que tinha visto em seus sonhos, vê seus dois melhores amigos, vê sua mãe, vê o velório de sua avó, momentos que ele não lembrava que tinham acontecido, e quando aproximou sua mão do espelho ouviu um grito estridente em seus ouvidos, começou a sentir seu corpo pesar e quando olhou para o lado viu o detetive Michael parado na porta com um broche idêntico ao seu na mão, e quando ele caminhou em sua direção sentiu um vento gelado em seu rosto, Michael levantou o broche e os dois simplesmente sumiram do banheiro daquele simples hospital.
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