os sentidos do amor

48 Capítulo 48 – laços


Notas iniciais
Como me desculpar por essa demora? Talvez explicando o que aconteceu... sobre minha saúde não falo nada, pois nem eu aguento mais falar sobre isso (sim a mesma droga de antes), mas vamos lá... estive fora de casa por duas semanas cuidando de uma pessoa muito querida, minha avó. Ela fez uma cirurgia e precisava de cuidados constantes, então eu fui lá pra casa dela dar uma de mãe chata que fica no pé do filho arteiro o dia todo kkk... pensem numa velhinha de 83 anos, teimosa, cheia de manias, que precisa repousar, mas bastava eu piscar pra ela tentar se levantar pra aprontar uma? Pensaram, conseguiram visualizar a cena? Então, era pior kkkk sério gente, amo minha avó, ela é muito fofa, mas têm 83 anos, isso já diz muita coisa. Foram dias super cansativos que eu mal tinha tempo para dormir. Então, a metade do meu sumiço vocês já sabem o motivo, os outros dias, bem... como nas notas finais do capítulo passado, vocês já fazem uma ideia que não estou muito bem emocionalmente, mas vamos seguir que a vida não pode parar por algo não ter dado certo, não é? A gente se decepciona, se machuca, fica com o coração partido, mas precisamos continuar, afinal não nascemos grudados em ninguém, então é levantar a cabeça e se refazer. Se tem uma coisa que aprendi com o tempo é que ele só passa depressa quando a gente se diverte, pois quando estamos tristes ele anda tão devagar que parece ir para trás. Peço de coração que me desculpem pela demora e não prometo um capítulo pra próxima semana, mas vou me esforçar ao máximo pra colocar os pensamentos em ordem e escrever pra gente, ok? Grande beijo a todas, estava com saudade. Agora vamos ao capítulo. PS: agradeço a Stefany por me dar o nome do capítulo no seu review anterior, foi sem querer até, mas amei.

Laços de família... O que é isso? O que define esses laços? O que os tornam fortes? Como retomar um desses laços que foi perdido no tempo? Como alcançar o coração de uma pessoa que se perdeu por não conseguir manter esse laço firme? Para uns isso é um monstro, um bicho de sete cabeças, quase uma missão impossível, mas para Santana... bem, ela estava confiante, sabia o que dizer a seu pai, sabia como chegar à ele, como chegar à seu coração... e o amor era o que a conduzia... amor... essa era a resposta para todas as perguntas anteriores, a resposta e a força para manter um laço familiar vivo e forte.

Embora a morena estivesse certa de tirar seu pai dali, ela não sabia como seria sua reação ao vê-la... se no início ele seria hostil, se teria medo, vergonha... não tinha como prever a reação dele já que o homem forte que ela conhecia havia se perdido na dor e agora o que sobrou dele, daquela figura paterna forte e divertida estava internado numa clínica psiquiátrica por ter desistido da vida.

Dizem que há muitas razões para uma pessoa perder a cabeça, desistir de tudo e tentar fugir de si próprio, fugir das pessoas que estão ao lado... mas há algo maior que nos dá força e nos mantém centrados, firmes, e isso, essa força, é o carinho de alguém para conosco, é essa entrega gratuita de sentimentos bons, é o amor que alguém sente por nós mesmo quando não servimos mais para nada, e falando a real, por mais "inútil" que uma pessoa seja, mesmo assim ela não carrega o peso dessa palavra, pois para os olhos de quem a ama sua simples presença é motivo pra um sorriso e um coração descompassado.

Santana a cada passo que dava na direção de seu pai, tinha dentro de si um misto de imagens de sua vida ao seu lado e emoções por ver os sinais do tempo e sofrimento que seu pai carregava na feição entristecida e nos cabelos grisalhos e com essas visões, ela sabia que tudo só fora perfeito entre eles um dia, pois havia cumplicidade de um para com o outro. Ela não se culpava por seu pai ter perdido a esperança, sua única culpa era ter se fechado para ele, para todos na verdade, pois sabia que isso só lhe fizera mal, como também fizera a todas as pessoas que a amavam. Ela tinha vivo em seu peito a esperança, mais até que isso, a certeza de boas novas para a família e com essa certeza ela se aproxima, lentamente, para não assustá-lo e se senta ao seu lado ficando em silêncio por alguns segundos... ele demora um tempo para notar a presença dela, ou para se dar ao trabalho de olhar em sua direção... para ele nada mais importava, sua filha lhe fora tirada pelas amarguras da vida e em sua cabeça ela não queria vê-lo, ou pior, lhe odiava, então se importar com uma pessoa que se aproximava pra que? Uma hora a pessoa se cansava e ia embora... mas essa pessoa estava lhe incomodando, lhe deixando estranho, ele estava ficando inquieto, pois a tal pessoa se sentou perto e não falou nada, apenas ficou ali e ele sabia, mesmo sem virar a cabeça em sua direção, que era observado, sendo admirado fixamente e era justamente isso que lhe incomodava nesse momento, mas... como se chamado por uma voz que iniciava de seu peito, Antonio virou a cabeça para olhar os olhos que tanto lhe penetravam a alma e ao fazer isso deu de cara com a filha... demorou alguns poucos segundos para seu cérebro registrar a imagem dela ali na sua frente, e quando isso aconteceu o que ele viu não foi a Santana adulta que estava ali naquele momento... não... sua visão era a memória, como um flash de um filme antigo... o que ele via era a menininha pequena que ele tinha nos braços segundos após seu nascimento, ainda suja pelo parto... um bebê de olhinhos negros, que mesmo apesar do pouco tempo de vida eram penetrantes, sua pequena filha que lhe segurava o dedo com toda força de seu pequeno corpo de 49 centímetros e pouco mais de 3 quilos... era esse olhar que ele encontrava naquele rosto à sua frente naquele momento, um olhar de reconhecimento, de amor, confiança, que mesmo em um bebê era forte o bastante para uni-los para a vida toda.

­— Oi pai. — ela fala num sussurro, porém segura, e não deixa de notar que embora ele estivesse olhando fixamente para ela, seu olhar parecia atravessá-la, como se ela fosse invisível ou como se a mente dele estivesse longe daquela tarde e daquele gramado no qual estava sentado.

Antonio continuava calado, num misto de emoções que seriam impossíveis descrever ou mesmo entender e sua filha estava de certa forma da mesma maneira que ele... estar assim tão próxima de seu pai era um desejo que ela tinha guardado no coração há muito mais tempo do que os anos que estivera fora de sua casa... ela guardara em algum lugar em sua memória a voz dele, o olhar carinhoso, os abraços, o cheiro... tantas sensações incríveis que ela trancou no passado e que agora estavam sendo libertas ao mesmo tempo... era como se a saudade de anos de distância estivessem a atingido em cheio e sua vontade era abraçá-lo forte, pegá-lo pela mão e tirá-lo dali o mais rápido possível, mas ela tinha consciência de que não seria dessa forma tão fácil, então, resolve usar a única arma que tinha trazido naquele momento... seu coração.

— Sabe pai, eu quando criança aprendi alguns valores e... procuro levá-los pela minha vida, procuro seguir por eles, mas, infelizmente, por um tempo me distanciei disso e hoje eu sei o mal que isso me fez, a dor que causou não só a mim, mas a todos que amo. — ela vai falando, olhando fixamente em seus olhos, sem nem dar a chance de seu velho pai sequer responder ou pensar. — Aprendi pai, que somente com amor, carinho, respeito, confiança... que podemos pertencer a algum lugar, ser parte de algo e assim compartilhar, não somente algumas coisas boas, mas compartilhar tudo, inclusive algumas dores que a vida nos dará. — ela para de falar uns instantes respirando profundamente. — Me afastei de muitas coisas nessa vida, me privei de tudo aquilo que me trazia alegria, mas aí um dia lá estava eu voltando a ser aquela garotinha com sonhos, voltando a me sentir viva novamente... claro que não consegui isso sozinha, mas isso só foi possível devido a esses princípios que você me ensinou... e foi como se eu tivesse sido atingida por uma bolada na cabeça, uma grande pancada, mas uma pancada que me fez acordar e perder o medo da vida, o medo das pessoas. Eu hoje não vivo mais fechada dentro de meu mundo, encontrei o amor da minha vida e com ela estou voltando a seguir pelo caminho que você me ensinou... mas pra tudo ser perfeito nesse meu caminho, falta uma coisa muito importante... falta a base de tudo que me construiu até hoje... falta o equilíbrio que eu sempre tive, mesmo quando me mantinha distante... falta você, o meu pai. — ela fala essa última parte com a voz embargada e nesse momento nenhum dos dois consegue segurar as lágrimas... ela chora por expor tudo que tem dentro do peito e ele chora por sentir o sopro de vida que havia lhe escapado, voltar aos poucos com aquelas palavras de sua pequena... segundos depois a morena muda seu olhar do pai para o pequeno embrulho que tem sobre as pernas e fala com um meio sorriso: — Quando eu tinha uns 4 anos, não sei ao certo, assisti um desenho e nele a garotinha tinha um cofrinho onde guardava todas as moedas que ganhava dos pais, aí eu quis ter um também, algo parecido, como um baú de tesouros daqueles filmes de piratas que você assistia quando pensava que eu estava dormindo... mas eu não queria que ninguém soubesse e muito menos queria que fosse algo tão comum que já tivesse sido retratado numa história, então decidi montas essa caixinha... — termina de falar tirando uma caixa de papelão de dentro do papel pardo que a escondia. — Sei que não passa de uma caixa de tênis, velha, com algumas figurinhas e desenhos que eu mesma fiz numa tentativa de torná-la única, e pra mim ela é única, especial, pra mim ela é e sempre foi muito mais do que essa aparência... tudo de mais valioso que eu tinha, guardava aqui dentro... fiz isso até o dia que fui embora de casa... e hoje eu quero te dar esse meu tesouro, quero que ele dê pra você a mesma força que sempre me deu, mesmo quando eu estava distante de casa e ele permanecia no esconderijo do meu antigo quarto... quero que ele seja pra você o mesmo que foi pra mim... minha força para não desistir quando eu sentia que estava me perdendo. — ela olha uma última vez para seu precioso tesouro em seu colo e depois o estende para ele que demora uns segundos para pegá-lo e quando o faz é de forma lenta, meio envergonhada, até com certo medo.

Antonio permanece ainda com o olhar na filha, como se não tivesse certeza se aquilo era real ou sonho, depois tira a filha de seu foco de visão e olha para a superfície da pequena e colorida caixa que acabara de ganhar... ele passa a mão sobre sua tampa, como se quisesse, como se fosse possível sentir o valor, a energia dos objetos ali contidos... mas nada do que ele pudesse imaginar o prepararia emocionalmente para o que sua filha havia guardado com tanto carinho naquela frágil estrutura de papel... ao abrir a caixa seus olhos que já estavam úmidos pela emoção inicial, foram banhados por uma torrente de lágrimas que eram acompanhadas por soluços incontidos.

Brittany ao longe, olhava aflita para a namorada e o sogro chorando lado a lado, estava tentando conter-se para não correr na direção de sua morena e ampará-la nos braços... a loira tinha também lágrimas nos olhos, não tinha como não se emocionar com a cena de pai e filha, mas na verdade era mais que uma emoção qualquer, ela sentia as mesmas sensações que sua amada sentia, era como se seus corações estivessem ligados por um fio invisível, e eles estavam realmente ligados, estavam ligados por um fio de vida e amor.

Dentro da caixa Antonio via que os objetos que sua filha que com apenas quatro anos de idade tinha como tesouro, ele, hoje com 45 não havia prestado atenção o suficiente, não havia percebido seu poder... eram coisas tão simples, mas ao mesmo tempo tão óbvias em valor, mas não valor em espécie (dinheiro), valor em sentimento, valor que só se reconhece se tiver no coração os princípios que Santana tinha.

— Eu não... não queria... são coisas tão... tão preciosas pra mim... mas me envergonho por... por não ter me prendido a isso... por não ter conseguido, como você fez... me ater a isso. — ele ia soltando as palavras entre um soluço e outro. — Você foi tudo de mias precioso que eu já tive em minha vida... e eu achei que tivesse perdido você... mas agora você está aqui... me dando o maior dos meus tesouros. — ele fala ainda olhando para o interior da caixa, como se falasse com ela, com os objetos ali dentro, mas com receio de tocá-los já que estavam guardados há tanto tempo.

— Eu te amo pai! — ela solta essas palavras com um atraso de anos, e a resposta que ganha sãos os braços quentes de seu pai lhe puxando e envolvendo num abraço que tenta matar toda saudade de muitos e muitos anos.

— Eu te amo minha pequena! Me perdoa por...

— Não pai. — ela fala se afastando do abraço. — Não há o que ser perdoado.

— Mas eu... — ele baixa a cabeça e o olhar em direção ao chão.

— Olha pra mim. — ela fala firme. — A única coisa que me importa agora é esse momento... você, seu amor, nós dois abrindo nossos corações, mas abrindo para as coisas boas que temos e para as que teremos... a primeira delas é você sair daqui e voltar pra casa comigo, voltar para a mamãe, para a nossa família.

— Não sei como isso será possível filha, não vim pra cá por vontade, vim, pois foi necessário, pois me trouxeram e agora não depende de mim, sair.

— Sair daqui depende exatamente de você querer sair. Você é Antonio Lopez, médico respeitado e conhecido...

— Que foi internado numa clínica por não conseguir lidar com...

— Médico respeitado e conhecido que precisava de umas férias para cuidar um pouco de si próprio. — ela o interrompe assim como ele havia feito com ela, mas diferente da insegurança nas palavras do homem a sua frente, Santana tem vigor na voz, tem uma vida que vai trazendo, mesmo que aos poucos, vibrações para o corpo cansado de seu pai.

Ao longe, olhos atentos observam a cena enquanto que passos tranquilos e sem a menor pressa conduzem o Dr. Patch para o banco onde Hiram se encontrava com as loiras de sua família.

— Há certas coisas nessa vida que livro algum pode nos ensinar... — o simpático doutor fala se sentando. — E uma dessas coisas são os mistérios do amor, da amizade, da vida... Antonio é meu paciente, ou meu colega de conversa como prefiro dizer, há um mês já, se não me engano, e não consegui ter nesse tempo todo um minuto de conversa com ele, mas quando soube que sua filha estava aqui vi que esse silêncio dele tinha um motivo... não eram as minhas palavras que o fariam falar, o que ele estava guardando não era pra mim, era pra ela, somente pra ela e... aquela garota ali vai levar seu pai para casa.

— Sei que Antonio sai daqui um dia, só precisamos ter paciência e tudo se ajeita. — Hiram falava esperançoso de ter o amigo de volta à casa ao lado.

— Não preciso me despedir dele agora e diga que não leve nada daqui, afinal, tudo que ele precisa voltou pra ele agora. — ele fala olhando para pai e filha sentados mais a frente e ao se levantar entrega nas mãos do senhor Berry alguns papéis.

Hiram, assim como as loiras que o acompanham fica parado olhando o médico se afastar com um sorriso doce nos lábios.

— Me deixe ver isso?! — Quinn fala pegando os papéis das mãos do sogro. — Não pode ser! — diz num misto de alegria e incredulidade.

— O que diz aí prima?

Notas finais
O que vocês acharam do capítulo? Sei que pela demora eu não deveria ser má com vocês, mas o que posso fazer se gosto das coisas bem devagar?! Sou assim mesmo, liguem não... podem brigar comigo se quiserem... não, na verdade não façam isso ou ficarei chateada kkkk