os sentidos do amor
49 Capítulo 49 - voltando
Notas iniciais
— O que diz aí prima? — Brittany estava mais aflita que antes com as feições da loira a sua frente.
— Vai canarinho, diz logo que eu também não me aguento mais.
— A alta de Antonio... assinada pra hoje. — fala chocada, causando a mesma reação nos outros dois.
— Como assim pra hoje? — Brittany e Hiram perguntam juntos.
— E isso importa? Antonio vai pra casa, hoje, agora, é só avisarmos. Vamos lá que Santana e ele ficarão animados.
— Não, melhor não interrompermos esse momento dos dois. Se o médico de Antonio resolveu lhe dar alta foi por esse momento que ele está tendo com a San, então não acho uma boa ideia irmos lá, não agora pelo menos. — a loira de olhos azuis estava decidida a esperar o tempo que fosse, mesmo que estivesse quase roendo as unhas de aflição e saudade de estar perto de sua morena.
E os três voltam a se sentar novamente no banco que já começava ser tomado pelo tom mais alaranjado do entardecer.
***
— Como será que eles estão? Não ligam, não voltam, não dão notícias alguma. — Maribel dizia inquieta andando de um lado para outro na sala do amigo, que assim como a filha apenas levantava os ombros em sinal de também não saber de nada.
— Bel, tenha paciência minha amiga, antes mesmo do que você espera eles voltam com notícias de Antonio... tenho certeza que a visita de Santana lhe fará bem.
— E mesmo que ele não queira vê-la, ela dará um jeito de se encontrar com tio Antonio. Acredite tia, Santana não vai desistir assim tão fácil.
— Eu só não aguento essa demora, esse silêncio é agoniante.
— Eu sei minha querida, mas tente se acalmar. Quer outro chá?
— Pai já tomamos quatro xícaras de chá, quando eles voltarem vão nos encontrar dormingo ou pior, em coma por intoxicação. Vamos apenas aguentar e esperar.
— Ok, mas... ah, eu não aguento, vou fazer outra xícara de chá só pra mim então já que vocês não querem. — ele fala se levantando do sofá após alguns segundos de silêncio e as duas se entreolham falando juntas segundos depois:
— Já que vai fazer também queremos. — e seguem para a cozinha, mas param no meio do caminho e Rachel volta correndo para a sala pra atender o telefone que começara tocar.
— Alô! — atente prontamente pensando ser a esposa.
— E aí maninha?
— Oi Noah. — ela responde meio desanimada, não por falar com o irmão, mas por não ser Quinn. Estava tentando esconder o nervosismo para não deixar Maribel ainda mais preocupada e ansiosa, mas sua real vontade era ir atrás dos quatro e chegar gritando com todos por não terem ligado dando notícias.
— Nossa Rach, que desânimo, será que eu interrompi algo entre você e minha cunhadinha gos...
— Nem ouse terminar essa frase seu idiota. — ela fala nervosa pelo telefone e ouve a risada dele do outro lado da linha.
— Calma irmãzinha, sabe bem que a loira pra mim é homem.
— Sei seu palhaço, mas sabe como isso me deixa.
— Sim, e é justamente por isso que pego no seu pé sua boba, mas me diz, por que essa voz triste?
— Longa história, Noah, te conto no fim de semana quando você vier pra cá... falando nisso, que dia mesmo você vem?
— Então, foi pra isso mesmo que eu liguei... não vou poder chegar aí no fim de semana.
— Nem vem com essa Noah, nossos pais ficarão super chateados se você não vier para as bodas deles.
— Eita bicha apressada, será que posso continuar? — ele espera uns segundos e como não tem resposta alguma dela continua: — Não vou chegar no final de semana, pois já estou em Lima.
— Como assim já está em Lima?
— Funciona assim Rachel... a gente pega um avião em um lugar e quando ele pousa, estamos em outro, no caso o meu pousou em Lima. — termina de falar e afasta o celuar do ouvido sabendo que Rachel gritaria com ele pela gracinha.
— Seu chato, nem chegou e já está me perturbando.
— Deixe pra me xingar depois e vem logo me buscar que estou cansado, na verdade estamos todos cansados.
O combinado era as meninas irem uma semana antes para ajudar os senhores Berry no que fosse preciso e um ou dois dias antes da festa, Noah, Finn, Kurt e Blaine chegariam, mas tudo pelo jeito seria diferente, já estava diferente na verdade, pois devido os últimos acontecimentos nem falar na festa eles tiveram tempo de falar, agora, porém, haveria mais quatro pessoas para ajudar.
— Pai? — ela vai para a cozinha um pouco mais animada. — os meninos estão vindo hoje, na verdade já estão no aeroporto, Noah ligou pedindo para irmos pegá-los.
— Sério?
— Uh-hum. — a morena responde.
— Ai que saudade do meu garoto. — Leroy fala emocionado colocando a mão sobre o peito, por estar tão perto de seu filho, naquela ansiedade pra um abraço.
— Deus... como essa família é gay. — a morena fala divertida por seu pai estar a ponto de chorar.
Rachel da última vez que fora visitar os pais, não teve a companhia do irmão, pois este estava meio que envolvido com uma garota e não conseguia desgrudar dela, então fazia bem mais tempo que Leroy não via o filho, o que não dizia nada, pois a saudade dele começava quando se despediam no aerorporto a cada retorno dos filhos para suas casas... quando a visita era feita pelos pais então a despedida demorava um pouco mais, pois eles diziam que precisavam ir embora, mas acabavam ficando mais um ou dois dias.
— Espere a loira te dar filhos e você saberá a sensação, tá? — ele dizia tentando fazer cara de sério, mas por dentro estava gritando de felicidade por ter a família toda reúnida pelos próximos dias.
— Nem pense em colocar essa ideia na cabeça dela agora pai, pois louca do jeito que ela é, bem capaz de começar me infernizar com isso.
— Ai princesa... sério que vai negar um neto para seu pai?
— Claro que não pai, só acho que agora não é o momento pra isso.
— Gente, Noah está esperando, esqueceram?
— Ah, isso mesmo... então eu... — Rachel para de falar se lembrando que o carro dos pais estava sendo usado no momento. — Tia, me espresta seu carro?
— Claro minha querida, você sabe onde a chave fica. — a latina fala entregando as chaves de casa para Rachel e esta segue para a casa da senhora.
Entre eles não havia cerimônias, eram todos bem vindos em todos os momentos e um sempre teve livre acesso à casa e carro do outro.
***
— Eu ainda não... sei lá, são coisas tão... não sei explicar. — Antonio falava meio confuso sobre o que sentia no momento.
— Pra mim são meio mágicas, pai.
— É isso, é tão especial que se torna mágico. — ele estava outra pessoa, era como se tivesse renascido no momento que a filha chegou, como se ela tivesse feito um milagre e agora ele estava ali, solto, como se nada de ruim estivesse acontecido.
Santana e Antonio ainda permaneciam sentados na grama, mas agora estavam conversando sobre os objetos que a latina gardara na caixa... ela havia guardado pequenas coisas dos momentos especiais que tivera com seus pais: algumas fotos; papel de um bombom de menta, que era seu preferido e seu pai sempre lhe comprava, fazendo-a procurá-lo nos bolsos de sua calça quando chegava do hospital; um pulserinha que usava quando recém nascida que Antonio havia mandado gravar "gatinha do papai"; seu primeiro boletim escolar que só continha "10" e que tanto Antonio, quanto Maribel disseram estar orgulhosos da filha; o laço que veio na primeira bicleta que ganhara; o primeiro ingresso da primeira vez que foi a uma peça de teatro com os pais e foi com essa peça que seu desejo de representar se acendeu em seu peito, lhe sendo muito útil depois em seu futuro; um lenço de pano de seu pai com suas inicias bordadas em linha prateada que um dia "sumiu" de sua gaveta; seu carimbo com nome e número no CRM (conselho regional de medicina), na verdade muitas coisas do casal sumia, assim do nada, e agora Antonio estava descobrindo o motivo... eram tantas coisa que ela tinha guardado ali que passariam horas revendo cada objeto e relembrando de cada detalhe de cada história, mas Santana tinha também o desejo de apresentar sua namorada a seu pai, e isso a estava deixando um pouco nervosa.
— Pai, eu comentei que encontrei o amor da minha vida e... — para sua narrativa sem saber como concluir.
— E é uma garota... eu ouvi quando falou: "e com ela estou voltando a seguir pelo caminho que você me ensinou".
Santana se surpreende por seu pai dizer exatamente a frase que ela havia dito, pois ele naquele momento parecia meio alheio a tudo.
— Seu nome é Brittany, ela é a primeira bailarina da companhia de Rachel e Quinn, e foi lá que eu a conheci e me apaixonei no primeiro segundo. Ela é incrível pai, carinhosa, protetora, linda, só com o olhar consegue me acalmar... e que olhos... namoramos há poucos dias, mas é como se fosse uma vida toda já... tudo que eu falar dela será pouco pra tudo que ela é e pra tudo que ela me devolveu quando eu permiti que ela se aproximasse. — faz uma pausa soltando um sorriso tímido.
— O que foi filha?
— Estou aqui falando como uma boba apaixonada sem deixar você dizer nada.
— Sim, uma boba apaixonada, mas olha... só tenho uma coisa pra te falar minha pequena. — ele diz sério e Santana sente o coração parar por um segundo. — Onde está esse anjo de pessoa que está fazendo tão bem à gatinha do papai? — ele pergunta sorrindo, segurando ainda, a pulseirinha na mão.
— Ela está aqui, na verdade está ali sentada ao lado de Quinn e do tio Hiram. — aponta para o lugar onde os três haviam ficado.
Brittany que não tirava os olhos dos dois um segundo sequer, se levanta quando Santana aponta em sua direção, e sem pensar sai caminhando segundos após ver sua namora e seu sogro se levantando e vindo ao seu encontro, andando abraçados. Andar para encontrar com sua amada parecia sofrimento demais, então a loira dava pequenas corridas, mas aí se continha e voltava a seu passo mais lento.
— Isso parece um sonho. — HIram falava sem direcionar as palavras para a nora sentada ao seu lado.
— Pois se for um sonho é melhor que não acordemos, mas não é não... condordo com o doutor... somente Santana poderia fazer Antonio voltar a viver, só quando ele a visse novamente e soubesse que ela estava bem que conseguiria se libertar da culpa que achava tinha.
— Sábias palavras, canarinho, sábias palavras.
E sogro e nora permaneceram sentados observando, felizes, o encontro dos três mais a frente.
Quando Brittany chegou perto deles, Antonio se pronunciou prontamente:
— Então você é a garota que salvou a vida da minha pequena aqui? — fala olhando nos olhos azuis de Brittany, enquanto tem o braço sobre o ombro de sua filha, num abraço lateral.
(Brittany sorri envergonhada e responde) — Eu amo sua filha senhor.
— Eu sei disso... e é justamente por isso que a salvou.
— Posso dizer que nós nos salvamos. — ela fala olhando carinhosamente para a morena que lhe estende a mão com um sorriso apaixonado nos lábios.
— Posso lher dar um abraço? — ele pergunta se aproximando mais.
— Claro senhor.
E Santana deixa uma lágrima de felicidade molhar o sorriso que se forma em seus lábios por ver duas das pessoas que ela mais ama no mundo num momento de total carinho como esse.
— Agora minha querida, nada de "senhor", me chame de pai, se quiser, pois é assim que já te amo, como uma filha.
Brittany olha para a namorada e esta faz um sim com a cabeça lhe passando confiança.
— Ok então... pai. — e os dois voltam a se abraçar sob o olhar completamente apaixonado de Santana.
***
De volta à casa do pai, Rachel vê, um pouco enciumada, na varanda da entrada, pai e filho matando a saudade num abraço apertado e demorado.
— Eu acho que daqui a pouco Rachel pega fogo. — Finn fala alto tirando uma com a cara da amiga.
— Não me enche Hudson. — fala zangada indo para o interior da casa deixando tanto o amigo quanto o irmão rindo dela ainda mais.
— Não ria da sua irmã Noah. — Leroy pede ao filho.
— Desculpe pai, mas esse ciúmes que ela tem é hilário. Quando estamos aqui em casa ela volta a ser aquela garotinha controladora e possessiva que era quando criança.
— E quem disse que ela não é controladora e possessiva lá em New York? — Kurt se pronuncia pela primeira vez. — Oi tio, estava com saudade.
— Oi meu pequeno, também estava, todos vocês fazem falta. — o Sr Berry fala abraçando cada um dos garotos. — Mas vamos entrar senão Rachel coloca fogo na casa.
— Até você pai? — ela fala alto lá de dentro, subindo as escadas para ir ao seu quarto.
— Toda vez que fica longe da Quinn é isso. — o pai fala ao filho.
— Onde minha cunhada está?
— Longa história, meu filho... longa história. — diz sério deixando Noah preocupado... e os cinco entram deixando a noite silenciosa se aproximar lá fora.
Maribel que não se aguentava de tanta ansiedade pela demora da filha, resolve ir atrás de Rachel assim que a vê subindo as escadas, talvez tentar acalmar a morena fizesse bem não só a Rachel, mas a ela própria também. Bate na porta e ouve um "entre" baixinho na voz da pequena.
— Não fique assim Rachel.
— Ah tia, sempre que estamos aqui em casa me sinto como quando criança, com o chato do meu irmão disputando a atenção do meu pai... ele faz pra provocar, amo meu irmão, mas isso sempre me irrita.
— Justamente por isso que ele brinca com você Rach, pois você se deixa irritar por ele. Sabe melhor que ninguém que ele só cresceu fisicamente, pois por dentro continua o mesmo moleque de sempre.
— Eu sei tia, e acho que é isso que me faz sentir tanto ciúmes, sabe?
— Não entendi Rach.
— Sempre tentei ser e fazer o meu melhor em tudo, sempre busquei a perfeição tanto para mim quanto para meus pais, aí o Noah, sempre com esse jeito mais solto de levar as coisas, sempre divertido, brincalhão... e eu vejo que sem esforço algum ele consegue sempre tudo que quer aí me sinto uma idiota por ter tentado ser tão certinha a vida toda.
— Rachel... cada um tem um jeito, você tem o seu de levar seriedade pra sua vida, pra seu trabalho, mas tem também um pouco dessa leveza que seu irmão carrega como ele tem um pouco de sua seriedade. Sei lá minha querida, são pontos da personalidade de cada um e é justamente isso que os tornam únicos.
— Eu sou uma boba mesmo, não é? Sempre fico assim quanto estamos todos em casa.
— Eu sei por que fica assim... acho que quando aqui com seus pais você relaxa um pouco daquele papel de empresária, proprietária de uma companhia famosa e volta a ser a Rachel somente, filha do casal mais perfeito desse mundo e essa mudança de adulta responsável para filha te incomoda um pouco, pois é da sua personalidade ser mandona, controladora, a pessoa que resolve tudo e aqui você volta a ser a garotinha da família, a única mulher no meio de três homens.
— Acho que você tem razão tia... devia ter estudado psicologia, leva o maior jeito pra isso.
— Não minha querida... se eu tivesse jeito mesmo pra isso teria percebido pelo que minha filha estava passando... acho que só é fácil dar uma opinião quando estamos fora do problema.
— Sinto muito tia, ninguém no mundo merece passar por isso que a San passou, mas tudo agora é passado, ela está bem, está em casa e novamente eu digo, confie nela, ela trará tio Antonio pra casa, e... obrigada por vir conversar comigo.
— Eu que agradeço Rach, se ficasse mais um segundo pensando, tentando imaginar o que está acontecendo naquela clínica eu acho que correria o sério risco de ser a próxima interna de lá.
— Não tia, nem brinque com isso. Tudo dará certo, pode acreditar, tenha fé na Santana assim com eu tenho. Aquele latina irritante é muito mais forte do que a gente imagina.
— Latina irritante? — a senhora pergunta rindo.
— Ih tia, com o tempo fomos aprimorando nossos "apelidos carinhosos". — diz fazendo aspas no ar. — Você ainda não viu nada.
E assim o clima de tensão se dissolve como fumaça na casa dos Berry e a descontração toma conta de todos ali. Mesmo sem saber que estava fazendo, Noah tranquiliza Maribel que consegue agora, rir de suas histórias, esquecendo-se por uns instates que sua filha tinha ido tentar se encontrar com o pai.
***
— Você não sabe a falta que fez pra gente, meu amigo. — Hiram falava abraçando Antonio, apertado.
— Senti a falta de todos, mas precisava ficar sozinho, longe de todos... sei que foi egoísmo meu, mas...
— Não pense assim, tudo agora já acabou e agora é vida nova.
— Sim, vou me levantar novamente e em breve tudo voltará a ser como nunca devia ter deixado.
— Acho que isso está mais perto de acontecer do que imagina. — Quinn fala para ele ainda segurando os papeis entregues pelo doutor Adams.
— Oi Quinn, bom te ver garota. Linda como sempre.
— Obrigada. — ela responde com as bochechas meio rosadas de vergonha lhe entregando os papéis em seguida. — Acho que gostará de ler isso.
Antonio pega os papéis e enquanto os lê sente os joelhos fraquejarem precisando se sentar no banco próximo de onde estavam, antes que acabe caindo ao chão.
— Pai, o que foi? — a latina vai ao seu encontro preocupada com a palidêz repentina de seu pai.
— Estou liberado pra ir pra casa. — fala não acreditando nas palavras que acabara de ler.
— Como? — ela pergunta da mesma forma que o pai.
— Seu pai está de alta amor. Dr Adams trouxe os papéis com sua alta quando viu que vocês estavam... quando os viu juntos, conversando.
— É verdade, ele disse que saia daqui o quanto antes.
Santana, embora tivesse ido até lá com a certeza de levar seu pai consigo, agora estava paralizada no lugar, não acreditando que aquela benção estava mesmo acontecendo e que assim como havia prometido para sua mãe levaria seu pai para casa naquele mesmo dia.
Todos os cinco alí estavam ansiosos para sair daquele lugar. Cada um carregava no coração a certeza de dias melhores, e isso só era possível, pois estavam em família, cercados de amor... e com esse sentimento gostoso no peito eles entram no carro indo para o aconchego do lar.
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