os sentidos do amor

43 Capítulo 43 – renascendo


Notas iniciais
Olá garotas, alguém aqui ainda? Devo um pedido de desculpas e uma explicação... sabem que eu não estava muito bem da saúde... daquele problema nos rins eu já melhorei, mas como desgraça pouca é bobagem fiquei com outros problemas, aí imunidade baixou mais ainda e fiquei de cama, fora o emocional que andou bem abalado também, juntando tudo isso eu travei e não conseguia escrever nada, mas estou de volta, meio doente ainda, mas quero continuar a fic, pra vocês, pra mim... tem um chão ainda nessa história e eu vou continuar escrevendo, quem quiser continuar me acompanhando... ficarei muito feliz. Novamente peço que me desculpem por demorar tanto pra atualizar. Mais do que amor, mais do que rótulos, há o que sinto aqui dentro. Boa leitura. PS: campanha Kate faça uma conta no nyah!

O que é razão e emoção? Como escolher qual dos dois pesa mais? Como deixar que apenas um comande nossa vida sem nos tornar esse ou aquele tipo de pessoa? Quem é movido pela razão acaba se tornando como uma máquina programada a realizar funções... alguém aperta o botão de inicialização e ela faz o que precisa e quando o turno termina, o sinal toca, a máquina é desligada e passa a ser somente um objeto inanimado, tão inútil que muitas vezes nem se preocupam em tirar-lhe o pó que se acumula em sua superfície... mas até uma máquina precisa de cuidado ou seu funcionamento fica prejudicado... no dia seguinte acontece tudo novamente e, no outro, no outro... e o tempo vai passando e as coisas se tornam rotina, o processo fica mecanizado, não há proximidade, não há calor, não há vida... o único sentido, ainda vivo, é a pele arrepiar ao se encostar na estrutura gelada que é a máquina... mas aí o tempo continua correndo e um dia aparece alguém que olha aquela “coisa” fria e enxerga através do que todos sempre enxergaram... essa máquina que aparentemente só servia para uma única função, agora, com o olhar sensível de quem chegou, é vista em toda sua complexidade estrutural... sua aparência, agora diante desses olhos vivos, é outra... suas peças estão ganhando vida e seu interior que até então era invisível, passa a ser maior que sua casca e explode mostrando a todos suas engrenagens, conectores, parafusos, correias, lubrificantes... tudo que completa sua composição, e essa máquina tem agora uma atenção que lhe dará uma vida que antes estava trancada num cofre com milhões de segredos.

Essa é a vida de Santana, ou era antes de conhecer Brittany.

Um coração pode ficar parado no tempo, mas o amor viaja anos luz, move montanhas, nos faz ir à órbita lunar e voltar à terra em segundos... o amor nos faz perder a gravidade ao mesmo tempo que nos faz ter os pés firmes o suficiente no chão para que possamos chegar até onde nos sentimos vivos e com forças para não desistir.

Santana ali, ora nos braços de sua namorada e sob o olhar da mãe e ora no calor do colo materno e sob a admiração de sua namorada, se sentia renascida, mas não como se tudo que lhe aconteceu antes fosse acaso ou não tivesse importância, ela se sentia como aquela máquina e agora, diferente de antes, existia calor em seu interior e ela podia se fazer notar, podia interagir, podia viver sem medo e viver perto de quem ela queria, melhor até, viver perto de quem a queria, de quem ela amava e que a amava de volta.

É isso que significa renascer... é estar pronto e com o coração cheio de esperanças de que tudo pode ser melhor.

— Senti tanto a sua falta. — Maribel fala sincera para a filha pela milésima vez e como resposta tinha sempre o sorriso de felicidade dos lábios da morena.

— É bom demais ver você assim, San, feliz com sua mãe, nessa paz de quem passou anos lado a lado, compartilhando apenas coisas boas. — a loira falava emocionada, completamente encantada com o carinho entre mãe e filha. Ela sabia o quanto aquilo era importante para Santana e com a conversa que teve com Maribel, conseguiu perceber que tinha a mesma importância para a sogra.

— Isso na verdade é um resgate minha querida. — falava a senhora para a nora. — Estamos compensando o tempo perdido, não é?

— Estamos sim mãe, e daqui pra frente será somente assim.

***

Do lado de fora...

— Rachel espera, vamos pensar num jeito melhor, para não assustá-las.

— Mas que droga Quinn. — ela para de andar se virando irritada. — Quer que façamos o que, que esperemos elas descobrirem que Santana sumiu? Já esperamos ela aparecer e nada.

— Calma amor.

— Não me mande ficar calma. Ela estava conosco e a deixamos voltar sozinha... depois de tudo que aconteceu... tudo que você me contou...

— Mas Rach...

— Caramba Quinn... — a morena fala se virando em seguida e continuando seu caminho deixando a esposa e os pais parados na calçada.

— Deixe ela, minha princesa loira. Ela está preocupada com Santana, se sentindo culpada por nunca ter descoberto nada.

— Mas Leroy, não é chegando assim, nervosa desse jeito que ela vai resolver alguma coisa. Isso só deixará a Britt e Maribel assustadas.

— Eu sei disso minha querida, mas não tem uma forma de prepará-las antes, tem?

— Não, infelizmente não. — dizia baixo, baixando o olhar, chateada consigo mesma por ter deixado Santana sozinha.

Essas eram as cenas... dentro da casa a maior paz pelo reencontro, perdão e exposição do mais puro amor entre mãe e filha e do lado de fora uma total tensão.

***

— Brittany, Maribel? — Rachel adentra a casa sem nem se preocupar em tocar a capainha ou bater na porta... seu estado de nervos não a deixava raciocinar.

— Oi Rach, que susto.

— Algum problema criança? — Maribel pergunta percebendo sua intranquilidade.

— Nem sei como lhes dizer, mas... Santana... ela... droga... a Santana...

— O que tem eu? — pergunta a latina vindo por de trás de Rachel.

— Mas como... — pergunta se virando espantada, meio atônita, olhando para Santana em sua frente. — Onde você estava?

— Fui ao banheiro.

— Ao banheiro?

— Sim Rachel, ao banheiro.

— E fala assim, com essa calma toda, como se fosse a coisa mais normal do mundo? — diz alterada elevando um pouco o tom de sua voz.

— Calma Rachel. — Brittany se levanta da cadeira onde estava, indo perto da amiga.

— Que merda que todos agora resolveram me mandar ter calma.

— Ai... graças a Deus você está bem. — os senhores Berry falam se aproximando e já abraçando Santana e somente nessa hora ela percebe a gafe que cometeu, assim como sua namorada e mãe.

— Nossa gente, nos perdoem, acabamos que nos perdemos aqui e esquecemos do mundo lá fora. — Maribel falava tentando acalmar Rachel, fazer com que ela não brigasse com sua filha.

— A gente lá, super preocupados, e vocês três aqui de boa?

— Rach, amor, o que importa é que Santana está bem. — Quinn falava com a mão em seu ombro, mas a morena não estava a fim de contato.

— Sim, o que importa é que minha filha está de volta e tudo será melhor daqui pra frente.

— Querem saber? Fiquem aí se divertindo e me deixem. Já que não tiveram consideração em nos avisar que Santana estava aqui...

— Amor, espera.

— Me deixem. — fala já da porta da sala, saindo e deixando todos com cara de perdidos.

Alguns minutos se passam com todos em silêncio e Santana se pronuncia:

— Eu vou atrás dela, fiquem aqui.

— Tem certeza amor? — a bailarina pergunta carinhosa.

— Tenho sim, conheço aquela baixinha chata minha vida toda, pode deixar que me entendo com ela e a trago de volta.

Rachel estava na varanda da casa dos pais, sentada no balanço de madeira, com as pernas cruzadas sobre o assento e de cara emburrada. De longe Santana a olhava e sorria achando aquela cena fofa, se lembrando de quando eram crianças e Rachel saía nervosa do quarto da latina por não conseguir fazê-la brincar da forma que ela gostaria, tentando fazer sempre seu papel de mandona enquanto que a pequena latina a provocava debochando da forma engraçada que ela ficava quando nervosa. Aí passados alguns minutos Santana ia atrás da amiga com um bombom ou uma bala para fazerem as pazes.

Assim como na infância, Santana se senta à seu lado e lhe estende a mão, oferecendo o doce que pegou na mesa de centro da casa da mãe. Rachel lhe olha, a princípio séria, de cara fechada, mas sua expressão vai mudando aos poucos e Santana percebe dor em seu olhar, então resolve lhe falar:

— Me desculpe por não ter dado notícias, sei que errei, mas tem tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, coisas boas e eu nem pensei que vocês poderiam se preocupar tanto assim. Estava tão feliz com minha mãe, feliz pela forma que ela falou com a Britt, pedindo para que cuidasse de mim que foi como ela mesma disse, nos perdemos ali em nossa felicidade. Desculpa Rach, você é minha melhor amiga, não foi mesmo minha intenção te deixar assim.

Assim que acaba de falar, esperando que Rachel grite, lhe xingue ou lhe bata, a baixinha tem uma reação completamente diferente, o que acaba assustando Santana... ela começa chorar de repente e se agarra ao pescoço da amiga num abraço apertado.

— Me perdoe San... por favor, me perdoe…. eu estive perto de você a vida toda, mas nunca consegui ser próxima o suficiente, lhe passar confiança para que dividisse seus problemas comigo. — ela desfaz o abraço e continua: — Eu não consegui te proteger, não vi o quanto você sofria, estava sempre tão focada em tirar minhas conclusões sobre tudo que nunca lhe dei a chance de vir até mim e falar o que estava acontecendo.

— Rach, tudo bem...

— Não San, eu sou tão preocupada com meu umbigo, com meus problemas que acabo deixando sempre as pessoas que mais amo meio de lado, fiz isso com você, faço com Quinn, fiz com meus pais, faço com todos. — ela parou um tempo e Santana ficou em silêncio, apenas esperando. — Hoje eu vejo a amizade que nasceu entre você e Quinn e embora esse sempre tenha sido meu maior sonho, ver minha mulher e minha melhor amiga se dando bem, confesso que fico com um pouco de ciúmes, pois você confia mais nela, se dá melhor com ela enquanto que eu fico assistindo dos bastidores.

— Que isso Rachel... — para um instante pensando. — Sim, Quinn e eu nos entendemos bem, mas você é minha irmã de coração, a pessoa que cresceu comigo, que brincou comigo aqui nessa casa e talvez esse seja o motivo de vivermos mais em guerra que em paz... irmãs foram feitos para isso... para brigar, cair no tapa algumas vezes, mas mesmo assim sempre estando juntos, cuidando, protegendo, mostrando o caminho certo.

— Nunca cuidei de você San.

— Rachel, olha pra mim. — ela pediu firme e somente quando a amiga lhe olhou que ela continuou. — Você cuidou de mim, mais que qualquer pessoa nesse mundo já cuidou. Você esteve comigo o tempo todo, mesmo eu sendo uma filha da puta grossa, que te expulsava da minha casa a cada vez que ia me visitar pra saber se eu ainda estava viva. Você me aturou por todos esses anos sem me pedir nada em troca, me aceitou do jeito que eu sou, me amando acima de tudo e se isso já não fosse tudo, me trouxe aqui e me deu minha vida de volta.

— Isso quem fez foi a Brittany.

— E quem foi que me deu a Brittany?

— Mas isso foi uma tentativa apenas, podia não dar certo.

— Sim, podia não dar, mas deu, e graças a você e seus planos super elaborados (risos). Eu só tenho que lhe agradecer por nunca ter desistido de mim.

— Não sei o que dizer.

— Meu Deus! — Santana diz chocada se levantando e assustando Rachel.

— O que foi? — pergunta com olhos arregalados.

— Rachel Berry não sabe o que dizer. Milagres existem. — termina de falar e recebe um tapa em seu braço.

— Sua chata. — a baixinha fala rindo, já se sentindo mais descontraída.

— Eu amo você Rachel. — diz sincera ao se sentar novamente no balanço ao lado da amiga.

— Também te amo Santana. — responde deitando a cabeça em seu ombro.

— Ok, nos amamos, lindo isso, mas vamos parar com a “viadagem” e voltar que não quero que nos vejam aqui e pensem que tenho uma queda por anões de jardim. — Fala saindo correndo enquanto espera que a amiga lhe bata novamente.

— Vai sua cachorra, corre. Te pego ainda sua danada.

E assim elas voltam para a família, para tentar deixar de uma vez por todas o passado para trás, mas estavam se esquecendo de uma coisa...

Onde estaria, nesse momento, o Sr Lopez, pai de Santana.

Notas finais
E então, estou perdoada pela demora? Se quiserem dar uma olhada em uma one shot minha... fiquem à vontade. http://fanfiction.com.br/historia/542058/Mariana/