os sentidos do amor
32 Capítulo 32 – manhã seguinte / vida nova
Notas iniciais
As pessoas mudam realmente, ou o que muda é a visão que temos sobre certas coisas, fazendo assim que, naturalmente, passemos a agir de outra forma?
Após o banho que para Brittany era uma mistura de... (alguém já pegou um passarinho no quintal com a asinha machucada e cuidou dele? Ele fica acuado, inseguro, mas totalmente entregue aos seus cuidados, pois sabe que precisa de ti pra melhorar, se curar e continuar seguindo, então mesmo com medo ele confia... ou... sabem a sensação de dar banho em um recém-nascido... aquela pessoinha frágil, indefesa, que você tem nas mãos totalmente entregue a você?)... então, era assim que Brittany via Santana naquele momento... e a morena se deixava curar, mesmo que um pouquinho, por aqueles carinhos que a loira lhe dava enquanto lhe banhava. Não havia constrangimento naquele ato, era amor... somente amor.
Terminaram o banho, se vestiram; o pijama da morena ficou meio curto na loira, mas isso não importava, elas estavam juntas e estariam sempre agora; deitaram, Brittany aninhou Santana em seu colo, lhe fazendo carícias e assim elas permaneceram no silêncio da madrugada até a bailarina ter certeza que a morena havia pegado no sono e após uns minutos se deixou levar também.
Algumas horas depois o quarto era suavemente iluminado pelos primeiros raios de sol que adentrava por uma frestinha aberta da janela. Na cama da morena, sob os lençóis, as duas dormiam tranquilas... havia sido uma noite de fortes emoções, mas isso não impediu que elas tivessem uma noite de sono relaxante, e isso só foi possível pois estavam ali, juntas.
Brittany acordou abraçada à morena, sorrindo ao perceber Santana deitada a sua frente, amando sentir seus dedos entrelaçados aos dela. Estava pensando como era possível que em tão pouco tempo sua vida pudesse ter mudado tanto. Conhecer uma pessoa e, não se apaixonar à primeira vista, se apaixonar ao primeiro som, pois se apaixonou pela voz de Santana, depois somente que ao olhar em seus olhos assustados, ver seu sorriso tímido, nervoso, segurar em sua mão, pôde entender o que sentiu quando a morena começou cantar pra ela, somente pra ela. Sentia-se a pessoa mais feliz do mundo, a mais completa, com mais motivos para seguir, gritar seu amor... beijou de leve o pescoço de sua amada que dormia serenamente, levantou-se da cama com cuidado para não acordá-la e foi para a cozinha preparar uma bandeja de café da manhã para levar ao quarto... queria que a vida de Santana a partir daquele dia fosse diferente, e acreditava que esses pequenos detalhes eram importantes para que ela se sentisse amada, protegida... se sentisse como alguém que pertence a algum lugar, pertence à uma família, pertence à alguém.
Estava meio perdida, abrindo várias portas e gavetas à procura de xícaras, copos, talheres, guardanapos... procurando fazer o menor barulho possível para não acordar seu amor...
— “meu amor.” — Ela se pegava pensando e sentia um sorriso bobo, apaixonado se formando em seus lábios.
Após um pouco mais de tempo que o normal conseguiu preparar uma refeição com tudo que pensou que a morena gostaria e voltou para o quarto encontrando-a abraçada ao travesseiro no qual estava deitada há alguns minutos.
Parada na porta do quarto com a bandeja em mãos sentiu uma onda ainda maior de felicidade tomar-lhe o corpo; sendo irradiada diretamente de seu coração; por apenas ver seu amor ali, linda, dormindo como se não tivesse passado por nada traumático em sua vida. Aproximou-se devagar, colocou a bandeja no criado mudo que estava próximo ao lado da cama que Santana se encontrava, sentou ao seu lado, e suavemente com a ponta dos dedos, desenhou os contornos do rosto da morena, ia das sobrancelhas, para o nariz, passando pelas maçãs do rosto e, chegando aos lábios, sentiu um enorme desejo de beijá-los, mas conteve-se, não queria despertar ainda a pequena latina linda, frágil, que agora lhe pertencia.
— Se você me beijar eu posso começar meu dia muito melhor. —Santana fala de surpresa, meio envergonhada, fazendo formar um sorriso nos lábios de sua admiradora nada secreta.
Brittany sorri, se inclina e lhe dá um beijinho suave, sussurrando um: — Bom dia amor! — ao desconectar os lábios.
— Bom dia amor! É tão bom ouvir e poder dizer isso. — diz abrindo os olhos e respirando profundamente, como se o recente descoberto amor, fosse possível ser sentido no ar.
— Se continuar falando assim vou me apaixonar mais.
— Ótimo, pois venho me apaixonando por você desde quando dividimos o mesmo palco da primeira vez. — diz colocando uma mecha de cabelo loiro atrás da orelha e olhando profundamente nos olhos azuis que lhe olham com ternura.
Brittany alcança a mão da morena antes que esta se afaste de seu rosto e a leva aos lábios dando-lhe beijinhos suaves em seu dorso... termina dizendo: — Eu te amo San!
— Eu te amo Britt! — a morena responde pensando ser impossível ser mais feliz.
***
Após um desjejum desfrutado com muitas carícias e olhares apaixonados, Santana levanta repentinamente da cama, assustando Brittany e vai até a cômoda que se encontrava próxima à janela. Abre a primeira gaveta e volta com um embrulho na mão, uma caixinha preta amarrada com uma fita vermelha. Senta na cama, se ajeita, pega a mão da loira e diz:
— Amor... — deixa se formar nos lábios um sorriso feliz por poder dizer “amor”. — Eu pensei que não seria vida viver com uma pessoa, ter de dar satisfação, combinar horários, dividir tarefas, todas essas coisas que casais fazem, mas eu descobri que só posso viver se for ao seu lado, só posso viver se deixar você sentir todo o amor que sinto dentro de mim, só posso viver se você for a dona dos meus passos, porque mesmo sem querer, cada passo que dou me leva até você, só me sinto viva quando você está comigo, só consigo respirar se for o seu cheiro... — dizia com lágrimas escorrendo pela face, olhando Brittany diretamente nos olhos, que também se deixava levar por elas. — Eu te amo Brittany, eu quero todas essas coisas que os casais têm, eu quero você pra mim, eu quero pertencer a você.
— San eu... — a loira tentava responder, mas lágrimas e soluços a atrapalhavam. — Eu esperei você minha vida toda, amei você desde antes de nos conhecermos, sonhei com alguém como você vindo até mim e me tirando do meu mundinho que aos olhos das outras pessoas era perfeito, mas dentro de mim havia um buraco, buraco esse que foi preenchido quando você soltou a voz e cantou pra eu dançar... naquele momento eu soube que era você, soube que eu havia me tornado nós... Eu amo você, amo você Santana! — diz elevando um pouco o tom de voz, sem o menor medo das palavras que saem.
Do mesmo jeito que o mundo perde as cores, os sons e toda importância quando nossos olhos olham nosso amor pela primeira vez, ele volta a ser colorido, perfumado, e muito mais nítido, quando descobrimos que esse amor é recíproco e pode ser vivido.
Santana tomada pela emoção de abrir o coração para Brittany havia se esquecido da caixinha que segurava, e isso estava deixando a loira curiosa.
— San, isso é um presente que você ganhou, ou que você vai dar? — pergunta tímida.
— Não... sim... — respondia confusa. — Desde o momento que encontrei isso, soube que um dia deveria lhe dar de presente. — diz entregando-a para a bailarina.
Brittany pega a caixa puxa a fita e a abre encontrando um CD escrito: “BRITTANY FINAL”, com sua própria letra.
— Como? — pergunta com olhar confuso.
— No dia da apresentação que nos conhecemos, saí do palco, fui para o camarim pegar minha bolsa pra ir embora e passando pela porta o encontrei caído no chão ao lado da lixeira, peguei automaticamente e coloquei na bolsa, só no dia seguinte indo para o estúdio que coloquei no som do carro para ouvi-lo.
— Mas... como isso foi parar lá? — pergunta tentando não pensar no óbvio.
— Como acha que o CD com a música de encerramento da noite foi parar naquele camarim, justo naquele que não seria usado por ninguém?
— Pode ter sido... alguém derrubou... sei lá... o que você acha?
— Acredito que ele foi deixado lá.
— Quer dizer então que...
— Sim, acredito que aquelas duas armaram aquilo tudo. — a morena diz séria.
— Armaram?! — para pra penar. — É seria bem típico delas, mas... você não está... brava com isso? — pergunta engolindo seco, meio receosa da resposta da morena.
— Brava? Eu estou muito, mas muito mesmo... — faz uma pausa observando a expressão assustada da loira. — Feliz por nossas amigas serem duas pilantras...
— Como é?
— Feliz sim... afinal eu ganhei você de presente. — fala com um sorriso doce nos lábios vendo se formar nos olhos da loira, lágrimas que não demoram a descer pela face ruborizada alcançando um sorriso que segundo seus pensamentos, era o mais doce do mundo.
Beijam-se docemente, calmamente e voltam a se deitar ficando um tempo mais na cama, trocando carícias até que Santana se levanta rapidamente, ficando ajoelhada na cama, mais uma vez assustando a loira.
— O que você acha de brincarmos um pouco com aquelas duas danadas?
— Brincar como?
— Assustá-las um pouquinho.
Brittany se ajeita na cama, ficando sentada para ouvir atentamente a ideia de Santana. Sentia-se como a descobridora de um mundo novo. Diante da morena, vendo a nitidez de sua mudança de comportamento em tão pouco tempo, de calada e mal humorada, passando por tensa e tímida, e agora empolgada, feliz como uma criança que vai passar seu primeiro trote pelo telefone... Este era o dia mais feliz de sua vida, sem a menor dúvida.
***
Sim, quando o amor é verdadeiro e principalmente quando é correspondido, nos torna pessoas melhores, passamos a ver a vida com outros olhos e instantaneamente nos tornamos mais felizes, e isso é facilmente notado por quem está ao nosso redor.
Santana havia se aberto para a vida, estava começando a trilhar novos rumos, sentia-se renovada, era como ter se tornado outra pessoa da noite para o dia. Junto de sua loira descobriria todas as delícias do amor. Deitada ao lado da loira pensava na sorte que tinha encontrado ao ter sido enganada por Rachel.
***
Em casa Rachel conversava com Quinn sobre sua discussão com a amiga.
— Tenho medo, loira.
— Medo de quê, pequena? — pergunta complacente.
— A Santana é a pessoa mais difícil que conheço, e às vezes perco a paciência e acabo dando um sacode que muitas das vezes ela merece, mas tenho medo que isso a afaste de mim, sabe?
— Amor, pensa comigo, não tem porque ela se afastar de você, ela te ama Rach, e no fundo, lá naquela cabeça dura, ela sabe que você tem razão, que as coisas que disse e que sempre faz, são para o bem dela.
— Mas Quinn...
— Sem “mas” amor, relaxa... apenas dê um tempo pra ela refletir, ela virá até você quando estiver pronta, pode ter certeza.
Quinn ficou um tempo esperando Rachel processar as coisas que ela havia dito e então continuou:
— Eu to achando que arriscamos, fomos muito longe até, mas no fim tudo deu certo, elas devem ter passado uma noite maravilhosa de amor enquanto nós duas aqui ficamos acordadas discutindo a vida delas.
— Como eu pude ter tanta sorte? Te amo minha loira linda, e obrigada por sempre estar ao meu lado suportando minhas crises de loucura. — termina a frase unindo os lábios aos de Quinn em um beijo suave.
— É... eu sou linda mesmo e você é sim uma mulher de sorte, de muita sorte. — diz se fazendo de metida deitando a morena na cama, beijando-a mais intensamente e fazendo-a esquecer-se de toda preocupação com a amiga.
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