os sentidos do amor
30 Capítulo 30 – entrega
Notas iniciais
Santana não sabia o que fazer. Após a briga com Rachel... briga, nem poderia dizer que foi uma briga, pois ela apenas ouviu a baixinha em sua explosão de impaciência... enfim... havia passado horas refletindo sobre as coisas que a amiga lhe dissera. Sabia que ela tinha razão, mas faltava-lhe coragem para seguir seus conselhos, e principalmente seguir seu próprio coração. Sentia, sabia que precisava se abrir para Brittany, expor seus sentimentos, dizer que havia se apaixonado, que a queria pra ela, mas e se a loira se assustasse, a rejeitasse... correria o risco de perder sua companhia, perder uma amizade que estava se iniciando? Era estranho pensar nisso, em Brittany como uma amiga, somente uma amiga, quando seu desejo era gritar que a amava que queria pertencer a ela, que todos esses dias juntos haviam sido os melhores de sua vida... amiga... não a queria como amiga somente, queria como mulher... mas não sabia como era isso, ser tudo pra alguém e ter tudo de alguém, assim de coração aberto, conscientemente.
Haviam conversado muito, sobre muitas coisas, mas nunca realmente sobre coisas de sua vida... em sua maioria, falavam sobre o passado da bailarina, das amigas... mas nunca algo seu, sobre suas experiências, infância, adolescência... nada. Quando um assunto em comum surgia, algo que as fizessem sentir-se ligadas de alguma forma, algo com alguma “explicação”, acabavam sendo interrompidas, sempre, hora Rachel falando demais, hora o trabalho... mas... ao se tocarem, se cumprimentarem ou despedirem, sentia que a loira permanecia um tempo estranho e deliciosamente mais demorado no abraço... estavam adquirindo certa intimidade uma com a outra, mas estranhava esse fato ainda... às vezes parecia senti-la cheirando seu cabelo, e o beijo, quase sempre “na trave”, que algumas vezes era motivo de desculpas e face ruborizada de ambas, agora se tornava uma constância, e muitas das vezes era um selinho direto sem a menor vergonha, mas mesmo assim, mesmo depois de todas essas brechas da bailarina, como ter coragem para se abrir, para sair da bolha que havia se tornado sua vida?
Estava começando sentir a cabeça doer já de tanto que pensava, tentava decidir o que fazer e foi nesse momento que a campainha tocou, despertando-a de sua agonia... demorou uns segundos até perceber que era a campainha, só se deu conta quando esta tocou novamente e ao abrir a porta de entrada encontrou a loira parada com os olhos marejados, e aquela imensidão azul mirando diretamente em seus olhos confusos por vê-la ali. Era como se de tanto pensar nela, por magia, tivesse surgido em sua frente... linda, esperando uma reação sua. Seria um sonho? Não, não era sonho, era muito real.
Quando se é fechada por tanto tempo, a vida toda praticamente é quase impossível mudar de uma hora pra outra, mesmo querendo abrir o coração, as palavras ficam presas na mente, abrimos a boca, mas não sai som algum, então é mais fácil agir ou reagir à ação do outro.
Brittany parada em frente Santana se sentia da mesma forma, como aquele segundo em que mil palavras passam em nossa mente e a ansiedade nos torna lentos, apenas conseguimos sentir nosso coração acelerado, sentir aquela doçura quando nosso peito se enche e percebemos que estamos amando, estamos perdidamente apaixonados. É como se uma luz se acendesse dentro de nós nos aquecendo, nos tirando os sentidos e nos elucidando ao mesmo tempo, é mágico, confuso, louco... como aquela música preferida, que ouvimos milhões de vezes sem nos cansar, como quando sentimos a pureza e pecado de um toque numa combinação perfeita, e nesse momento deixamos de ser quem somos e passamos a ser algo melhor, pois aquele ser que agora é uma parte nossa nos faz desejar, ser e, ser sempre pele, olhos e ouvidos, faz nosso foco direcionado para aquela a quem agora daríamos nosso mundo, nossa vida, nosso tudo... o mais engraçado disso é que perdemos nossa identidade e mesmo assim ficamos felizes.
Sem conseguir pensar mais, se conter ou esperar alguma reação Brittany avança em direção à Santana aproximando o mais que pode seu corpo ao dela e a beija, repentinamente, sem aviso, sem falar nada... apenas une seus lábios num beijo cheio de desejo, mas delicado assim como ela, como Santana era... coloca as mãos, uma na nuca da morena, trazendo-a para perto e a outra na lateral de seu rosto, segurando-a com carinho, mas firme o suficiente para mostrar a que veio, mostrar todo o desejo que sente por ela, mostrar que cansou de esperar, cansou de fingir... cansou de ser apenas amiga.
Santana reage ao beijo, assustando-se inicialmente e Brittany sentindo o nervosismo da morena afasta os lábios dos dela, mas Santana sente uma força impulsionando-a, é como se seu corpo a comandasse agora e ela precisa sentir os lábios da loira novamente... então depois de se olharem por alguns segundos sem saberem o que dizer, ela beija Brittany, fazendo-a sentir que também sente o mesmo desejo.
Algum tempo depois que elas não saberiam dizer quanto, pois estavam totalmente entregues, separam-se em busca de ar...
— Eu amo você. Amo desde o primeiro segundo, e... tomei uma na cara hoje que me fez ver que não dá mais pra brincar de amizade com você. Eu te amo Brittany e te quero pra mim. — a morena falava apressada com os olhos cheios de lágrimas, como se aquelas palavras presas em sua boca estivessem machucando-a e fosse preciso compartilhá-la o mais rápido possível.
— Eu sou sua desde a primeira nota San. — responde meio sem saber o que dizer, mas da mesma forma que a morena, com olhos marejados e um sorriso doce nos lábios.
Naquele momento a única coisa que sabiam com certeza era que queriam beijar, beijar, beijar... era o primeiro beijo de ambas, não o primeiro com um sentimento verdadeiro, e sim o primeiro beijo de suas vidas e naquele momento é o desejo que as domina e raciocinar já não é mais possível o que as move é o irracional, é o querer conhecer-se mutuamente, descobrir em si mesma e na outra toda a magnitude que sempre se ouve falar quando dois corpos se entregam ao amor, se encontram no amor... é o querer sentir, descobrir, conhecer... só existe bocas, línguas, arrepios, calor, querer tocar, apertar, cheirar... são braços que ganham vida trazendo o corpo da outra o mais próximo possível... e nesse momento falar que os corações estão disparados é mais que óbvio, eles estão pulando no peito... é a descoberta do desejo puro e simples em toda sua complexidade... seus impulsos nervosos são como imãs para as sensações que o corpo da outra transmite... num desejo de que não termine nunca aquele momento, que aquele calor não cesse... tudo isso num simples beijo... simples... de simples ele não tinha nada, era o que ambas queriam ter feito desde o primeiro segundo.
Mas algumas coisas vão além até daquilo que sentimos ser o mais puro dos sentimentos. Santana sentia-se, desde o primeiro segundo quando somente vislumbrou a silhueta da bailarina, ligada à ela, era como se uma força dentro dela lhe mostrasse que a loira era uma parte sua, e sentia-se livre quando estavam perto, mas agora ali perdendo o controle de seus atos um medo repentino lhe reprimiu... estava num conflito do qual não tinha domínio, era o desejo gritando em seu corpo, mas o medo gritando em seu íntimo.
Mil coisas passavam pelo pensamento da morena, e ela lutava internamente pra se deixar levar pelo sentimento, pelo amor que a havia tomado de assalto, se deixar levar pela felicidade de enfim ter admitido seu amor pela loira, mas flashes de um passado que lhe aterrorizava vinham em sua mente e movida por uma força mais forte que ela mesma, mais forte que o momento, para o beijoinesperadamente e sem controle entrega-se ao pranto.
Brittany assustada, sem saber o que fazer ampara Santana em seus braços, aconchegando-a em seu peito, abraçando forte... pensava tentando descobrir se havia feito algo de errado, mas a morena disse que a amava... estava sem ação, boca seca, coração mais disparado ainda e... sem pensar no que dizer deixa uma música lhe vir aos lábios e começa cantar baixinho no ouvido da morena enquanto os corpos colados num abraço apertado vão se embalando numa dança sutil, era mais um acalento na verdade.
letra**
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