os sentidos do amor
18 Capítulo 18 – babás
Notas iniciais
Alguns minutos depois que Santana havia entrado em sono profundo, Quinn se levanta e vai pra sala a procura de sua bolsa, precisa avisar Rachel que está bem, que Santana está bem. Encontrando-a pega o celular digita o número que sabe de cor.
— Você demorou amor, já estava pensando em sair de casa pra ir te encontrar. Como você está? Santana estava mesmo em casa, ela está bem? Você já está voltando? — Rachel atente já falando.
— Calma amor, me deixa falar...
— Desculpa bebê, mas responde.
— Estou bem, Santana também, conversamos um pouco, mas agora não dá pra explicar nada. Ela está dormindo e vou passar a noite aqui com ela, tudo bem? — pergunta sabendo que sua morena não diria não, mas ficaria curiosa com sua decisão.
— Claro que sim amor, mas não dá pra adiantar o que aconteceu?
— Nosso plano amor, funcionou, ela a ama, mas é um pouco complicado. Melhor conversarmos direito quando eu voltar pra casa. Apenas tente acalmar a Britt, ok? E não diga isso a ela. Invente alguma coisa, você é ótima nisso. Agora me deixe voltar para o quarto, não quero que ela acorde e se sinta sozinha... Ah, tente descobrir alguma coisa sobre uma massagem, pelo visto foi por isso que Santana sumiu.
— Tubo bem amor, amo você! Até amanhã.
— Até... amo você!
Rachel finalizou a ligação e ficou calada uns segundos tentando não demonstrar a felicidade por enfim saber que a amiga de infância havia se apaixonado, por outro lado estava preocupada por saber que estaria sendo difícil pra ela lidar com isso. Mil coisas lhe vieram à cabeça, mas qual delas dizer para a amiga que lhe olhava ansiosa?
Esse tempo de silêncio de Rachel, para Brittany era eterno... acabou não aguentando:
— RACHEL! — grita o nome da amiga, fazendo-a olhá-la assustada.
— Desculpe, eu não sabia o que dizer...
— Como assim, o que aconteceu com ela? — a loira perguntava já com lágrimas nos olhos.
— Não, nada... não aconteceu nada, juro, ela estava mesmo em casa. Elas conversaram e Quinn decidiu passar a noite lá com ela.
— Mas o que aconteceu? Por que ela sumiu?
Rachel andou até o sofá onde a loira estava, sentou ao lado dela, e lhe olhando nos olhos perguntou:
— O que aconteceu na última vez que viu Santana? Saímos da academia aquele dia e vocês ficaram sozinhas, lembra?
— Claro que lembro...
Brittany foi contando devagar tudo que aconteceu naquele dia e ao lembrar-se do sentimento que havia descoberto, que havia se apaixonado... deixou formar em seu rosto um sorriso de felicidade... mas não apenas um sorriso, era “o sorriso”, aquele que ilumina nossos lábios, nossos olhos, aquele sorriso que vem do coração, acompanhado de uma lágrima emocionada, que faz a pessoa que está diante de nós se sentir bem por simplesmente nos ver bem, mesmo que não saiba o motivo de nosso contentamento.
— O que mais, me conte. Esse sorriso bobo por quê?
— Eu me apaixonei por ela Rach. — Brittany diz num sussurro, mas não por ser um segredo e sim pra poder apreciar as palavras enquanto pronuncia.
— UOU! — diz pulando no sofá e enlaçando o pescoço da loira num abraço apertado.
— Calma Rachel. Preciso ficar viva pra poder contar isso pra ela.
— Como assim? Ainda não falou pra ela? — pergunta confusa. Em sua mente, no segundo que a loira admitiu seu amor por Santana ela pensou que esse havia sido o motivo da reclusão da amiga... não saber como lidar com a situação.
— Eu ia falar, mas ela sumiu.
— Agora estou entendendo... ela está com medo de dizer o que sente e ser rejeitada... — Rachel falava mais pra si mesma, deixando uma Brittany totalmente confusa lhe observando.
— Rachel, o que você está dizendo? Vai ficar aí andando de um lado pro outro, falando sozinha, ou vai me contar o que aconteceu? — Brittany percebeu que a morena não estava lhe ouvindo. — RACHEL? — mais uma vez gritou.
— Ai, precisa gritar?
— Vai me contar o que aconteceu ou vou precisar ir até a casa dela agora e perguntar eu mesma?
— Olha, o que importa é que ela está bem, e Quinn está lá com ela. Vamos concordar que ela não podia ter pessoa melhor cuidando dela agora. — a morena fala se sentando novamente ao lado da loira.
— Na verdade eu queria estar lá cuidando dela...
— Isso ela também queria, mas...
— Como é?
— Nada. Vamos apenas dormir, tenho certeza que amanhã será um dia diferente e vamos precisar estar descansadas.
— Diferente?
— Sim, vamos enfim poder abraçar ou dar um puxão de orelha naquela chata por nos deixar preocupadas desse jeito.
— Tá bom... — a loira para um pouco tímida, e a morena lhe olha curiosa esperando que ela continue. — Posso dormir com você? Não quero ficar sozinha.
— Claro que sim amor. Pelo jeito Quinn e eu estamos de babás hoje. — diz sorrindo, e sem saber acaba fazendo o mesmo gesto que sua loira fez... abraça a bailarina e seguem para o quarto, ficando ainda algumas horas acordadas conversando.
***
Santana acorda, olha para o lado e não encontra Quinn. Está um pouco envergonhada pela noite passada, por ter se exposto daquela forma, mas no fundo queria que a loira estivesse ali com ela. Resolve levantar da cama e tomar um banho, precisa pensar, queria alguém pra conversar, mas sempre afastou todo mundo... quem sabe depois do banho ligue pra Rachel?
Vários minutos depois, já de banho tomado, vestida, segue para o andar de baixo e no pé da escada olha pra cozinha e encontra a mesa posta, olha para os lados e vê Quinn sentada no sofá, cochilando. Vai até ela, agacha ao seu lado, fica lhe olhando alguns segundo e num momento de receio pensa se deve ou não tocar em sua mão que está apoiada no braço do sofá... acaba fazendo, assustando a loira que se levanta rapidamente.
— Desculpe, eu... eu não queria te assustar. — a morena diz totalmente “desarmada”. — Só imaginei que deveria estar com o corpo dolorido por ter dormido desse jeito.
— Eu não dormi aqui no sofá. Dormi com você, apenas sentei um pouco aqui pra te esperar acordar e acabei cochilando. — Quinn ficou esperando, imaginando que a morena falaria várias grosserias por ela ter dormido em sua cama, na verdade pela noite toda.
— Obrigada. — Santana diz abraçando inesperadamente a loira que não tem outra reação a não ser aceitar o abraço e abraçá-la forte como sinal de amor e amizade.
— Eu preparei um bom desjejum pra você. Imagino que tenha se alimentado mal esses dias. — a loira fala no momento em que a morena desfaz o abraço.
— Eu queria... a gente podia...
— Vem comer, a gente conversa fazendo isso, ok?
Santana aceita sem contestar. Está diferente, frágil, deixando-se comandar, e Quinn está um pouco preocupada por isso. Fica imaginando como deve estar sendo difícil esse momento pra morena. Mas está ali lhe dando apoio, e sabe que Santana reconhece isso.
Elas se sentam a morena olha a mesa arrumada, vê panquecas, ovos mexidos, frios, suco, leite... e sem conseguir se conter baixa a cabeça se entregando novamente ao choro. Quinn estende a mão por sobre a mesa alcançando a de Santana que se deixa ser tocada novamente. Ela está se rendendo aos poucos, sofrendo por perceber finalmente que todo tempo se mantendo afastada de pessoas como Rachel, Quinn e mais recentemente Brittany, foi como se estivesse se enterrando enquanto viva, e essa constatação agora lhe dói, dói pelo tempo que perdeu, mas isso dá pra tentar arrumar, não recuperar, apenas mudar aos poucos.
Alguns minutos depois e Santana já conseguido parar de chorar disse sem pensar ou sentir medo:
— Eu a amo Quinn... eu me apaixonei por Brittany antes mesmo do seu primeiro movimento, me apaixonei desde o momento que senti a presença dela naquele palco, e tudo que aconteceu depois só me deu certeza do que eu havia sentido naquele segundo. — a loira apenas ouvia, emocionada. — Mas eu não... eu sei que não posso fazer nada com isso, pois uma pessoa como ela merece alguém melhor que eu... ela não se apaixonaria por uma pessoa complicada assim.
— Santana, eu não sei exatamente o que minha prima sente por ti, eu só sei que ela é muito mais feliz quando você está perto e, se existe alguém nesse mundo que é sensível o suficiente pra deixar de lado toda sua grosseria e ver seu lado mais puro, esse alguém é a Britt.
— Mas... eu não sei o que fazer, como falar...
— Quando não sabemos o que fazer, é melhor não fazermos nada... isso não quer dizer que está se omitindo, apenas está dando um tempo ao tempo.
— Com que cara eu vou aparecer na frente dela agora?
— Com a mesma cara que sempre apareceu, Santana. Não precisa dizer nada por enquanto se não quiser, tenho certeza que a Britt assim que te ver bem, vai esquecer todo o sofrimento por esses dias de sumiço, e Rachel, bem, com ela eu me entendo, ou você mesma não é? Chamando-a de baixinha chata e mando-a calar a boca e cuidar da vida dela.
— Eu sei que você deve me odiar por isso.
— Sim, confesso que já odiei, mas depois convivendo com você percebi que isso era apenas uma forma de você se proteger.
— Eu não quero falar...
— Relaxa que não estou perguntando nada, sei que já foram muitas emoções pra menos, bem menos de 24 horas. Vamos comer agora, sossegadas e depois passar o dia lá em casa, que por sinal a senhorita ainda não conhece, não é mesmo? — Quinn diz sorrindo, mas no fundo havia certo tom de decepção, mas isso agora mudaria... tudo agora mudaria e para melhor.
— Pois é, demorei né? Mas ok, eu vou sim, não será preciso me arrastar, sei que seria capaz disso. — termina com um sorriso tímido.
— Sim, seria sim, por isso agradeço que apenas concorde. — Quinn pensou em fazer uma piada, sobre a forma como a própria morena quase fez uma, mas preferiu não abusar da sorte, o importante era que Santana estava se abrindo e isso a deixava extremamente feliz.
O passado ainda seria revelado trazendo respostas, mas o que importava agora era simplesmente deixar o presente acontecer.
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