o amor é como uma linha vermelha e frágil.

1 e a tragédia é tão mais bela.


O amor é como uma linha vermelha e frágil

E a tragédia é tão mais bela

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Você era péssimo com isso sabe, Rod, sentimentos. Péssimo mesmo, só porque eu achei que não viveria tempo o bastante para presenciar algo em que você não fosse bom,ótimo, na verdade. Porque você sempre foi tão isso, sabe, perfeito. Um pianista de dedos delicados com uma saúde um pouco fraca de mais, mas perfeições são assim, perfeições são baseadas em imperfeições e é isso que as transformam em perfeições. As transformam em feições delicadas, pele translúcida, quase, e olhos lindos e lilases. A transformam em você.

Era a quinta vez que eu te via com esse livro, Romeu e Julieta, e você sempre detestou tanto reler livros –dizia que não tinha mais graça, não tinha a surpresa essencial, que eu tive de perguntar porque diabos você estava relendo aquilo novamente. E você somente me respondeu que você e Shakespeare não tinham um relacionamento muito bom. E eu fui lhe explicar sobre Shakespeare e sentimentos. E algo em você sentado, tomando chocolate quente enquanto a neve caia lá fora parecia-me perfeito, feitos sobre as linhas de ouro.

Parecia-me certo.

E eu expliquei que todos queriam um final feliz para Romeu e Julieta, e que ninguém queria que Verona fosse túmulo para uma história tão romântica e implacável, mas, Rod, por todos os deuses, a tragédia sempre é tão mais bela e memorável. Porque Shakespeare queria algo mais real, mais vivo, e a vida real é trágica, um trágico pintado com cores em aquarela reluzente, pintado pela mais bela deusa do alto do olimpo, trágico, mas não deixa de ser belo.

E você disse que não entendia o amor e se perguntou, deuses, me perguntou se Romeu não simplesmente pensou que poderia ter havido um engano, porque você pensaria isso. E eu sempre fui a pessoa mais errada para comentar sobre amor, Rod. Você perguntou-me isso porque para ti a tragédia era isso, uma coletânea de enganos, mal entendidos e falta de comunicação. Mas, oh, me diga, o que és o amor para você, Roddie? Porque o amor é isso, exatamente isso, é algo que milhões, bilhões de escritores falidos tentaram colocar em um papel, com palavras grafadas de todas as formas possíveis, mas não conseguiram.

Porque, por todos os céus, deuses, e deusas, o amor é mutável, é imperfeito e incerto. Ele não nasce para durar, Romeu e Julieta fizeram bem em morrer antes de colocar todo aquele amor a prova do tempo e das dificuldades, por que, ora essa, o tempo consegue destruir até o mais forte dos amores.

E o amor sempre será uma linha vermelha e frágil presa ao dedo mindinho de cada um, uma linha fina e invisível que age de modo diferente e translúcido com cada um . O amor é algo indescritível e trágico, por isso todos se encantam com Romeu e Julieta, se encantam com o tão maravilhoso Shakespeare, porque ele foi o mais perto que alguém conseguiu de descrever o amor. O tão idolatrado amor.

E você me perguntou o que seria o amor para mim, e eu não respondi, mas você soube. Você sempre soube, que se um dia eu descrevesse o amor, eu o descreveria como neve, chocolate quente e castanho.

Lilás, a cor dos seus olhos.

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Notas finais
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!