nomes ocultos

2 A revelação do porquê


Notas iniciais
eu gostaria de deixar claro que essa história introduz o universo que eu criei e não será muito longa. Por isso eu estou mostrando aos poucos coisas importantes.

Dentro do império de Evoltron, a igreja é a instituição mais poderosa, já que a imperatriz é uma deusa, seu papel principal além de julgar é o de unificar os oito livros sagrados escritos por cada uma das oito deusas, as leis entre eles se conflitam e portanto, muitas vezes crimes são legitimados e inocências são punidas, para isso existem as sacerdotisas e a grã sacerdotisa, que são os responsáveis por ao longo dos anos, unificar o pensamento divino. Para desde o nascimento preparar as clérigas, elas nascem todas no mesmo dia, 23 de junho, e possuem anomalias físicas não prejudiciais. A cada 25 anos nasce a próxima geração, estudam até seus 15 anos, quando iniciam seu trabalho, sendo essa a razão para ser desenvolvimento psicológico acelerado.

Capriccio já estava há poucos dias de seus 15 anos, apesar de os ataques feitos contra ela terem aumentado de intensidade, ela começou a ser protegida por um outro ser que somente ela via, seu nome era Calamaro, seu relacionamento com a Morte era gigante e ela havia transformado aquele amargurado ser, tudo parecia estar ocorrendo bem, e de fato estava, faltando para ela somente comprovar que era apta ao cargo através de uma prova que exigiria seu conhecimento das divindades, controle de seus atributos divinos e a pureza de seu coração.

— Já está pronta para finalmente sair desse casulo ? — perguntava a Morte.

— Nerym foi uma grande cretina.

— Perfeito.

Nesse momento a morte estava observando o quarto de Capriccio, o quanto ele havia mudado desde que se conheceram e se viram pela primeira vez, tudo ali parecia ter nascido da floresta, sua parede cheia de heras e flores, sua cama agora era basicamente troncos retorcidos de arvore sem folhas com um colchão, uma escrivaninha que apareceu de forma espontânea, extremamente útil porém fedorenta, seu cheiro era anulado pelas flores que brotaram nas relvas que cobriam parte da parede vermelha.

— Eu admito que gosto do que aconteceu aqui, apesar das outras terem medo você é especial e única até mesmo aqui.

— Bem, elas não terão mais o direito de terem medo de mim em poucos dias, quem liga pra elas?

— Continuando, Nerym foi uma cretina por que?

— Tentou cegar os humanos da existência de todas as outras deusas após ela forçar a todas a criar os seres humanos.

— Sonoria é ?

— Bom coração, energia do som, regente da lua, responsável pelas leis brandas e mais empáticas.

— Você sabe recitar o trecho 98 ?

Capriccio andava pelo quarto enquanto respondia e parava quando tentava se lembrar de algo.

— "Dos homens flui a energia da força, e sua conexão com as energias é de amor", Acertei ?

— Amor e caos mas foi quase lá.

Capriccio se olhou na penteadeira e perguntou a si mesma se ela era capaz de tudo aquilo.

— De acordo com o mesmo livro, as pessoas tentam se orientar ao amor porém alguns possuem seu coração voltados ao caos, sua marca é uma derradeira queda até a dor.

— E você acha que é amaldiçoada? Seu coração é o mais belo que eu já vi, e eu acho que você seria inclusive uma deusa melhor que Nerym.

— Isso não é difícil.

Riram até que foram perturbadas por uma batida na porta fácil de reconhecer, seu timbre era diferente dos outros e a frequência de suas batidas maravilhosamente terríveis de se escutar, uma mistura de ossos antigos e dor jogados sem misericórdia contra uma porta de madeira, emergindo das profundezas escuras do corredor uma figura demonizada da idosa que sempre de noite expulsava a Morte do quarto e ia atrás de saber se o quarto estava devidamente limpo.

— A menina precisa dormir, amanhã é o grande dia dela.

— Tudo bem, ela precisa mesmo descansar — disse a morte beijando a testa de Capriccio.

A superiora então olhou para o chão, seus olhos cegos habilmente enxergaram uma pilha de poeira que não existia e forçou a menina a varrer o chão e limpar em baixo da cama, foi então que ela encontrou um livro que aparentemente, surgiu espontaneamente, bem como sua escrivaninha.

— Acho que já está limpo. — disse a superiora que antes de sair do quarto deu um largo sorriso.

Capriccio, extremamente curiosa e interessada em saber do que se tratava aquele achado, que poderia ser a resposta dos seus problemas, iniciou rapidamente sua leitura. Um livro de terror que ela se recordou de ter visto nas mãos da superiora e se lembrou que ela havia o lido para ela quando muito pequena, nos seus cinco anos, ao ver as ilustrações, desistiu de ler o livro, nelas estavam desenhos e artes de seus odiados e perseguidores demônios, decidiu dormir, guardou seu livro embaixo da cama, de onde ele veio, deu boa noite para Calamaro, que somente ela via e a protegia de noite, e antes que fechasse os olhos, viu luzes brilhando em seu quarto, as admirou até dormir.

Ao acordar, sabia o longo dia que ela tinha, iniciou suas atividades matinais, tais como ignorar todo e qualquer comentário da superiora, comer, realizar todas as atividades físicas apenas através da alma pois o couro estava morto. Naquele dia ela não poderia ver a morte, já que ela teria que desde bem cedo iniciar as provas e testes, somente com a companhia do seu protetor, Calamaro, que não era de muitas palavras nem mesmo explicava sua origem, dizendo apenas que um dia tudo seria revelado, porém ele comentou que as luzes brilhantes que ela viu antes de dormir era um sinal.

— Ainda falta muito tempo para a revelação? — perguntou Capriccio.

— Não, estamos perto da verdade, que eu fui proibido de lhe contar.

Capriccio se encheu de esperança e iniciou suas provas, ela superou todas as grã-sacerdotisas anteriores, as deusas se impressionaram e ela se tornou uma figura memorável dentro da história da igreja, suas visões então começaram a ser vistas como uma revelação divina da Deusa original. A deusa original é uma imagem de perfeição que ninguém jamais conheceu, sabe-se que ela já existiu mas seu paradeiro é conhecido somente por criaturas do mesmo patamar que deuses porém estão isolados do resto de todos os seres viventes, acompanham Merliff, seu pai, titã do fogo.

Ela então voltou a seu quarto e orgulhosa iniciou seus preparativos para a iniciação, um evento de grande porte onde é dado as honras as 8 sacerdotisas escolhidas e por fim a grã-sacerdotisa se apresenta, ao cada uma delas entrar na pista do desfile, é dado a elas o poder total e então na pista ela realiza uma amostra de poder, faltava uma semana para o evento e a única coisa que se produzia era o vestuário.

— Já decidiu a cor e o modelo ? — Perguntou a Morte

— Eu escolhi um modelo mais romântico, você vai ver no dia, as cores serão azul-esverdeado e rosa, e penso em por flores no cabelo, quem sabe uma tiara, ao mesmo tempo quero que seja dramático.

— Seria muito abuso perguntar o que pretendes fazer ?

— Eu vou deixar acontecer naturalmente, eu já tenho um conceito porém pretendo esperar e na hora eu deixarei mais orgânico.

— Deixe fluir quem você é, a sua aura, e as ideias surgirão.

— E finalmente vou comer algo que eu possa chamar de apetitoso.

— O fim da barreira que é a igreja entre você e a sociedade.

Passaram a noite conversando baboseiras até que Capriccio lembrou que ela de alguma forma havia esquecido o livro em baixo da cama, foi olhar e não o achou.

— No dia anterior as provas eu tive o que eu acho que tenha sido um sonho, eu vi luzes brilhando e um livro, acho que ele se chama Tod schrecklich, não sei o que quer dizer.

— E o que tem esse livro? — Calamaro me falou que era um sinal de revelação, mas esse livro é real.

— Bem, tão perto assim do dia da iniciação, acho que saberemos naquele dia. — a morte parou para pensar. — quem sabe exista alguma coisa que você nasceu destinada para, flui grandeza em tudo o que você faz.

— Você sempre me diz essas coisas, mas parece se esquecer da beleza do que você faz.

— Se você me disser onde está a beleza em matar pessoas, eu te dou um bolo.

— Você não mata as pessoas, você pode causar a morte com seu poder mas fora isso você apenas possibilita que a morte exista, pessoas e coisas num geral morrem por si só. Pense na fome e miséria em um mundo cheio de pessoas pois elas não morrem e precisam de cada vez mais.

A Morte sorriu e então digeriu o que ela ouviu, talvez um dia as pessoas parem de odiar a ideia de morte, afinal, ela não tem culpa de ser necessária.

— Você me inspira muito, um dia você pode ensinar aos humanos a não me odiar, você será uma importante chefe da igreja e você pode redigir um capítulo onde deixo de ser um monstro, afinal, esse cargo existe para definir o que é santo ou não.

— É lógico que eu farei isso, e sei que um dia minha alma passará por você, e eu não tenho medo, até porque não há fim para a alma humana, somos sempre recriados.

Se abraçaram e a morte chorou, ela estava sendo quebrada e reconstruída, ela ,que foi uma vítima da ganância humana, onde querer viver mais do que lhe é permitido é comum, enfim encontrou uma pessoa que não a via como a destruidora criatura maligna.