As águas escorrem pelas paredes, infiltram-se nas brechas entre as pedras frias, alimentam os musgos e embebedam a terra.
Estas mesmas águas que me encharcam.
Estas gotas que me perfuram como balas e ferem o coração. Ferem tanto que as lágrimas brotam dos meus olhos como as gotas caem do céu. Mas estão frias, insipidas, vazias.
Não são mais do que o espelho da minha alma que se vai lentamente perdendo e está a ser corroída por tudo o que existe. Basta um fósforo, um simples fósforo para a fazer irromper em chamas e acabar comigo de uma vez por todas.
Talvez era o que eu merecia… talvez era o que o mundo precisava, porque sou apenas uma bomba relógio que por aqui anda à espera do detonador para explodir e pintar o mundo com as minhas entranhas podres e esperar que elas sejam comidas pelos bicho para eu desaparecer.
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