desConhecido

2 Capitulo 2


No dia seguinte eu e algumas de minhas colegas tivemos que ir pra um lugar que não gostávamos nem um pouco, onde jogavam os restos dos mortos que não foram reconhecidos no cemitério do Tapanã.

Aquele lugar só de pensar me dava "arrupio"!

Cegando lá fomos na ala dos corpos não identificados, era uma sala pouco iluminada onde haviam uma pilha de sacos pretos meio gastos e cheios de terra num canto e um balcão ao fundo da sala, onde ficava o fiscal do cemitério com uns papéis.

Uma das minhas colegas disse: -Égua mana! não vou ficar aqui não! Tá muito macabro! Vai lá e fala com o fiscal que a gente fica lá fora arrumando a carroça pra gente levar as coisas.

Andei até o final da sala e falei com o fiscal sobre o que tínhamos que pegar e ele me mandou esperar um pouco que ele já voltava com as coisas.

Enquanto esperava notei que tinha umas folhas soltas no balcão com uns nomes, tipo fichas, e como não tinha nada pra fazer, fui dar uma olhada em algumas, só algum tempo depois que fui ver que eram as fichas das pessoas desconhecidas.

No meio de tantos nomes, vi que tinha um nome conhecido, Paulo, só por pura curiosidade fui olhar a ficha dele, o mais estranho é que o motivo da morte e a data eram muito parecidas com as postagens que eu tinha visto na noite anterior, por isso logo pensei que o garoto tinha batido as botas.

Mas o mais estranho era...ele estava entre os corpos não identificados.

O fiscal voltou com um ajudante com dois carrinhos de mão cheio de sacos pretos, foi então que peguei a ficha do Paulo, e perguntei pro fiscal se essa era mesmo uma ficha dos corpos não identificados e por que esse nome tava na ficha.

Ele logo ficou surpreso com a minha pergunta, o que uma catadora tinha a ver com uma pessoa não identificada? e me perguntou se eu reconhecia o morto. Para todos os efeitos eu disse que sim, e perguntei sobre o motivo da morte, foi então que escutei a fofoca mais picante que já ouvi na minha vida.