a cada capítulo, uma música.
3 Sick of Losing Soulmates - dodie.
Notas iniciais
Sabe aquele momento que você se dá conta de que as coisas mudaram? Quando você percebe que esse é o momento, que a partir daí tudo vai ser diferente e que você não sabe o que esperar do amanhã? Vou dar um exemplo bem simples. Vamos pensar que o seu maior sonho é passar para uma faculdade, e por mais que você não saiba o que esperar ou como irá realizar isso, você apenas quer. Desde novo, você se imaginava cursando aquilo que sempre quis, se formando e aproveitando aquela fase maravilhosa da sua vida. E após prestar n vestibulares, chega o tão esperado resultado, e é desse momento que eu estou falando. Esse pequeno momento vai definir o decorrer da sua vida nos próximos meses ou anos. Então você vê a sua nota, e você passou! Sim, tudo o que você sempre quis está se realizando naquele momento, e agora é a hora de... De que? De tudo mudar? De você se mudar para outra cidade? De você ter que arrumar um emprego? De você ter que se dedicar somente àquilo? Bom... E se nada der certo? E se eu não gostar do curso? E se eu quiser desistir, eu posso? O que vão pensar de mim? O que eu vou fazer?
São tantas perguntas, e tão pouco tempo pra pensar nas respostas, porque a vida não te dá um mísero segundo pra pensar. Ela é urgente, assim como o amor. Ele vem do nada, surge num piscar de olhos e torna-se urgente nas nossas vidas.
Lembra-se do tal momento que eu estava dizendo? Então, Adam foi o resultado do vestibular de Kylie. No momento em que ele chegou tudo mudou de forma avassaladora e rápida. Era um dia frio de agosto quando eles se encontraram pela primeira vez, dia 14, pra ser mais exato. Esse dia ia ser um dia comum e monótono, como os outros, pois era uma quarta-feira, e convenhamos, não dá pra esperar muito de uma quarta-feira. Apesar de ser mais um dia comum de aula, era um dia bom pra Kylie. Ela havia acordado bem cedo pra estudar, e o dia já tinha começado do jeito que ela amava. O céu estava nublado, fazendo frio, daqueles que você carrega um casaco a mais na cintura e usa aquele cachecol que estava guardado, e ao contrário do que a maioria das pessoas normais pensa, esse era um dia lindo pra ela. Ela sempre esperava o ônibus sozinha, pois estudava em uma escola longe de sua casa, enquanto as outras pessoas iam a pé pra escola que ficava a dois quarteirões dali. Ela sempre ficava sozinha, ouvindo música e tipicamente caindo de sono porque dormiu tarde na noite passada, era um costume.
"Bom dia", alguém disse. Então ela arrancou os fones de ouvido com pressa como se estivesse pecando por deixar alguém falando sozinho, e disse um bom dia super sorridente, mas desconsertado. Ela usava um casaco grande e preto, com bolso e capuz (isso não podia faltar em seus casacos favoritos), uma calça justa que realçava suas curvas e um tênis bastante surrado, que no final das contas tinha lá o seu charme. Ela não tinha aparência de uma top model, nem falando de estética ou tamanho. Ela era uma garota aparentemente normal, que tinha 18 anos e suas inseguranças acompanhadas da insistente cobrança que fazia a si mesma em todos os aspectos... Mas quem não tem inseguranças, não é mesmo? Voltando a falar de sua aparência, seus cabelos não esvoaçavam como os de uma modelo de comercial de shampoo e nem eram lisos como uma seda. Na verdade, ela não gostava do seu cabelo, e por mais que todos dissessem que ele era lindo, ela sabia que não era lá isso tudo, mas o aceitava.
Antes mesmo que ela terminasse de colocar os fones, ela perguntou se ele era daqui, de forma curiosa e empolgada pela ideia de uma pessoa poder ser sua companhia de todas as manhãs solitárias (mal ela sabia que ele seria mais do que uma companhia de manhãs). Conforme Adam consentiu e disse que estudaria na Bodwell, os olhos de Kylie brilharam e um sorrisinho de canto de boca começava a aparecer, enquanto ela tentava ser indiferente, mas, como já sabemos, ela não sabe ser indiferente. Ela o achou lindo logo de primeira. Ele usava óculos assim como ela, tinha o cabelo castanho com um corte um tanto quanto desatualizado, mas ela achou aquilo estranhamente encantador. Depois das apresentações formais, seguidas daqueles silêncios constrangedores que duram apenas 5 segundos, eles conversaram. No ônibus, no intervalo, na volta pra casa, à noite em um banquinho que ficava em frente à sua lanchonete favorita... Dá pra acreditar que isso tudo aconteceu em um dia? Quase não, né? Mas, de certa forma eles se identificaram tanto e tão rápido, que logo após semanas de conversas ficou claro pros dois e para todos que isso não era algo pra se jogar fora. Durante as inúmeras e longas conversas mirabolantes que acontecem na madrugada por telefone, surgiam diversos assuntos como: a razão da existência de todos ou sobre a grande probabilidade de perdermos ou falharmos com as chances que temos de encontrar alguém que nos aceite e compreenda; E, no meio disso tudo, ela percebeu que já havia perdido muitas chances de se permitir ser feliz com alguém, por se achar insuficiente ou por ter medo de confiar nas pessoas, pois mesmo sendo nova, já havia provado o gosto amargo da traição de várias formas. Assim como ela, Adam havia perdido muitas chances, mas não por insegurança, e sim justamente pelo contrário. Ele achava que não era necessário ter um alguém do seu lado, ou que isso poderia esperar, pois ele também já havia se decepcionado antes, e a ideia de ter outra pessoa na sua vida, o assustava bem lá no fundo. Então, por mais fodidos que os dois fossem, eles precisavam de alguém. Alguém que os mostrasse que existe sempre uma segunda, terceira ou décima chance pra ser feliz, e que as decepções tornam-se preciosos aprendizados nessa jornada dura que a gente chama de vida.
E olha... Graças a deus que eles se acharam.
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