a cada capítulo, uma música.

2 How Do You Feel Today? - Gabrielle Aplin


Notas iniciais
Neste link, você poderá ouvir a música enquanto lê este capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=xcaQM9QiwUw e neste link, você poderá acompanhar a letra e tradução da música: https://www.musixmatch.com/pt-br/letras/Gabrielle-Aplin/How-Do-You-Feel-Today

Na mente de cada um de nós, mesmo que involuntariamente, existem listas, diversas, milhares delas. Listas de supermercado, listas de afazeres, listas de sonhos... Kylie tinha guardado em sua mente e em seu caderno de anotações uma lista de felicidade. Essa lista parecia que aumentava a cada segundo, mas não era recheada de luxuosidades e futilidades, era recheada com coisas tão banais e simples, que chegava a ser ridículo. Mas tudo bem, todas as pessoas são meio ridículas. O nome da lista era: "O que é felicidade pra mim?", e essa pergunta era respondida com os itens listados abaixo.

1. alguém. ser de alguém, e ter alguém.

2. poder ajudar, sempre que possível.

3. o sorriso de uma criança.

4. fazer alguém feliz, nem que seja por um momento.

5. não abandonar.

6. banhos de chuva.

7. ser a felicidade de alguém.

8. dias frios/chuvosos.

9. usar o casaco de quem eu amo no inverno.

10. escrever sobre tudo.

11. ler um bom livro na minha cama de madeira.

12. sentir um perfume e me lembrar de algo bom.

13. ter alguém que me chame de mãe, um dia.

14. conversas sobre tudo e sobre nada com meus pais.

15. amanheceres e entardeceres.

16. olhar para o céu e me sentir plena.

17. ouvir minhas músicas favoritas enquanto viajo.

18. ouvir pessoas tocando violino e violoncelo.

19. mal poder esperar pra chegar em casa e saber que tem alguém esperando por mim.

20. tomar um bom café, em qualquer hora do dia.

21. músicas calmas, que tenham um bom significado.

22. ouvir o barulho da chuva.

E por aí vai. A lista só aumentava a cada dia, a cada nova paixão, a cada nova experiência... Ela tinha um caderninho de capa preta, lotado de folhas recicladas de outros cadernos, com letras das músicas que ela mais amava, anotações sobre livros, textos autorais, até mesmo sobre a bíblia, que ela lia de vez em quando. Ela nunca foi muito de mostrar a sua fé ao mundo, mas ela acreditava realmente em Algo maior. Ela tinha um pequeno versículo que sempre ecoava em sua mente, sempre que ela pensava em amor: "Nós amamos porque Ele nos amou primeiro.".

Ela gostava muito desta pequena frase, e era muito grata por Ele ter permitido que ela sentisse algo tão nobre como o amor. Esse sentimento tão bom fazia com que ela se sentisse viva. Sentir era sinônimo de estar viva, para ela. Ela sentia tanto e muito... Amor, felicidade, tristeza, espanto, raiva, paz. Todos os sentimentos possíveis, e isso a fazia bem, mesmo com todos os sentimentos ruins envolvidos, pois ela preferia sentir das melhores às piores coisas do mundo do que não sentir absolutamente nada.

Mas, por mais que ela amasse sentir isso tudo, e adorasse se sentir viva, sentir demais estava fazendo mal à ela. Ela sentia tanto, por tudo, por todos, toda hora, e isso fazia seu coração ficar muito apertado, querendo um alívio, um escape. Ela precisava mais se sentir do que sentir tudo, e ela sempre se perguntava até quando ela aguentaria isso "sozinha". Não desmerecendo seus amigos e família, eles sempre estiveram lá para tudo, mas como já disse, ela não era muito de demonstrar o que sentia, porque já havia se decepcionado demais para confiar nas pessoas de olhos fechados. Até que apareceu alguém em sua vida, que iria fazê-la rir quando elas estivesse em pânico, que iria acalmá-la e dizer que está tudo bem, que a vida é um saco, e que iriam passar por aquilo juntos. Alguém que ela conseguiria confiar de olhos fechados, e que seria seu alicerce pra quando tudo estivesse prestes a desabar e virar pó. Adam.