Zumbis: A Infestação de Rally State
3 Traição e Verdades
Notas iniciais
PoV Annie
Enquanto Henry segurava as hordas de zumbis que vinham, Sam tentava desprender a armadilha de urso presa em seu pé com uma adaga. Eu me ajoelhei perto dela e forcei a armadilha para fora com minha katana. As lâminas se desprenderam da canela de Sam e ela soltou outro grito. Arranquei um pedaço de pano da minha jaqueta, auxiliada pela katana, e estanquei o sangramento de Sam com ele.
O líquido viscoso encharcou o trapo no mesmo segundo, então tirei minha jaqueta dos ombros, deixando à mostra minha camiseta preta, e rasguei uma boa parte do pano. Enrolei o trapo na canela de Sam e apertei ele com o cinto de minha calça jeans. O que sobrou da minha jaqueta eu amarrei em minha cintura para segurar minha calça.
– Meninas, o meu machado está quebrando e cerca de uns trinta zumbis estão vindo para cá!
Ajudei Sam a se levantar e corremos pela clareira, sendo cobridas por Henry. Então, seu machado quebrou ao meio e um zumbi o agarrou. Larguei Sam, que tropeçou e caiu de joelhos na grama. O zumbi que agarrara Henry estalava sua mandíbula, pingando uma mistura de baba e sangue da sua boca aberta. Com minha katana, atravessei sua testa com um golpe. Henry se soltou e auxiliou Sam a se levantar de volta.
Corremos por uns cem metros, ofegantes e encharcados de suor. Atravessamos uma trilha estreita e entramos em Lions City, direto no estacionamento de uma delegacia. Ou melhor, uma Academia de Polícia.
Então, uma enxurrada de zumbis saiu pela porta de frente, uns cinquenta no mínimo. Sam acabou guinchando por esbarrar a canela em uma viatura policial, atraindo vários zumbis. Henry pegou a adaga de Sam e a cravou em vários zumbis. Eu o ajudei decapitando mais alguns, porém eram muitos. Matamos apenas uma dúzia, e eles vinham, mais agressivos e furiosos.
– Vamos fugir, Annie! — Henry gritou para mim. — Iremos contornar a delegacia e entrar no apartamento do meu tio, a duzentos metros daqui!
– E Sam? — perguntei, desviando de um zumbi, decapitando-o logo depois.
– Vamos deixá-la aí, não temos escolha!
– Eu nunca vou abandonar Sam, seu doente!
Henry tentou me apunhalar, porém desviei e soquei seu nariz, partindo-o ao meio. O sangue jorrava pelo rosto e pingava no chão. Para terminar, decepei sua mão com um ataque. O membro caiu duro no chão e ele olhou perplexo para mim.
– Seu filho da puta doente! — Gritei, e distraí os zumbis arremessando a mão de Henry neles. Todos se amontoaram, todos querendo comida. Quando olhei para onde Sam estava a um minuto, a desgraçada tinha sumido.
Henry tinha saído correndo, com seu cotoco no lugar da mão sangrando. Fiz o mesmo que meus "amigos" tinham feito: corri igual um doente. Pulei cadáveres no chão e desviei de postes, lixeiras e árvores. Entretanto, me abaixei atrás de uma viatura policial ao avistar um grupo de seis ou sete pessoas, todos homens com roupa policial.
Andei agachada até outra viatura, que tinha um celular sobre o capô. O peguei e guardei no meu bolso de trás da calça jeans. Escutei uma porção da conversa deles:
– Devemos ir para Hilt Valley, para a fazenda do meu avô — um homem disse, com um distintivo de nome Derek Glawboure.
– Eu preciso passar na casa da minha irmã Rose primeiro — outro disse, com o nome de Daniel Cage.
Então vi uma ferida no ombro de um, que era negro e musculoso. Era uma mordida. Sem hesitar, avancei em cima dele e o empalei, atravessando seu peito com minha katana.
O grupo se virou perplexo para mim. Então vi o nome de cada um nos distintivos: dois de feição oriental que pareciam ser irmãos chamados Peter e Percy; outro magrelo com cabelo preto comprido chamado Patrick; um homem loiro com olhos azuis (meio bonito) chamado Dwayne; e por fim, Daniel e Derek.
Daniel apontou sua pistola para a minha cara.
– Quem é você, sua vadia?
Eu soltei uma gargalhada e respondi:
– Meu nome é Annie, e caso vocês não saibam, eu assassinei o amigo de vocês para o bem maior do grupo. Ele está infectado, não viram a mordida no braço dele?
– Pobre Jack, morrer nas mãos de uma adolescente egoísta... — O homem de nome Patrick disse, e então sacou sua pistola e mirou na minha cabeça, pronto para atirar.
Quando ele ia apertar o gatilho, o homem negro que eu empalei se levantou, com as feições monstruosas e a pele cinza. Então ele andou até mim em um transe profundo.
– Eu não disse? Ele virou um zumbi.
E decapitei ele, causando espanto e raiva em todo o grupo. Derek tentou desferir um soco em meu rosto, porém apliquei-lhe uma rasteira e encostei a lâmina da katana em sua garganta, provocando um leve corte. Gotículas de sangue escorriam pelo pescoço e pingavam no chão.
– Parada aí, sua vaca — O magrelo chamado Patrick apontou sua Beretta para mim. Eu soltei uma gargalhada e disse:
– Aperte o gatilho e seu amigo ficará sem a cabeça.
– Ele não é meu amigo — Patrick respondeu com um sorriso, prestes a atirar e deixar Derek morrer. Então, Derek pegou sua Colt e disparou no joelho de Patrick, que caiu agonizando no chão.
Derek pegou minha katana pelo lado chato e bateu o punho no meu queixo, fazendo eu me engasgar com o sangue. Senti o gosto amargo de ferrugem na boca e acabei vomitando. Peguei minha katana de volta e tentei ferir o maldito policial, mas ele esquivou-se e disse:
– Patrick está ferido, temos que ir até Hilt Valley. Eu conheço uma fazenda lá que tem suprimentos necessários para ele.
– Eu preciso encontrar minha irmã, cara — Dan retrucou.
– Então vamos fazer o seguinte: Eu, Patrick e Dwayne vamos até Hilt Valley. Peter, Percy e Dan vão até Rose, irmã de Dan.
– E Annie? — Percy perguntou. — Ela pode ser uma boa aliada.
Derek olhou desconfiado para mim e perguntou:
– Você sabe dirigir?
– Não, mas eu morava em Hilt Valley, em um orfanato.
– Ok, merda, pode vir conosco.
Peguei minha katana do chão, coloquei-a na minha bainha improvisada nas costas e entrei em uma viatura policial com Derek, Dwayne e Patrick. Derek dirigia, Dwayne estava no banco de passageiro, Patrick atrás, onde os presos iam e eu estava no apertado e fedorento porta-malas. Um fedor de suor, cerveja e bacon invadia o lugar. Várias vezes me engasguei com o fedor entrando em minhas narinas e sufocando minha garganta. Rezei para que finalmente saísse daquele inferno.
Depois de vinte minutos, saí daquele purgatório e respirei o ar livre, na esperança de encontrar um bom cheiro de campo. Muito pelo contrário, um cheiro de fezes, vômito, carne queimada e sangue dominava a clareira, mil vezes pior que o porta-malas.
Andamos agachados, eu com minha espada na mão, Dwayne com uma escopeta, Derek com uma Magnum .45 e Patrick com uma faca de caça na mão, porém uma fita isolante na boca para seus gemidos de dor ficarem inaudíveis.
Depois de cinco minutos, tentando não morrer asfixiada com o cheiro podre, entramos em um cercado de fazendas. Passamos por uma meia dúzia, tomada por centenas de zumbis, que comiam vacas, porcos, galinhas e bois. Um galo era esquartejado e comido por quase trinta zumbis. Um cachorro selvagem era degolado por um zumbi de macacão. A cerca das fazendas estava destruída, com apenas lascas de madeira e manchas de sangue na grama.
Assassinamos vários zumbis no caminho, porém silenciosamente, com facas e machetes. Alguns com macacões e aventais, outros com roupa camuflada de caça, outros com roupas sociais, para jogar golfe no Clube de Esportes de Hilt Valley provavelmente.
Decapitei dois zumbis com avental de açougueiro. Patrick arrancou a perna de um com calça e pulôver camuflado bege e verde. Derek arrebentava dezenas de zumbis com seu machete, até ele partir ao meio. Com quase trezentos zumbis atraídos para nós, corremos pela estrada de barro e paralelepípedos até uma fazenda com uma cerca de dois metros de altura e um portão com arame farpado no topo. Nós o escalamos com bastante cautela, esquivando-se das pequenas lâminas e pulamos para a grama mal-aparada.
Entramos em uma casa um pouco grande e fechamos a porta. Derek me ordenou pegar um kit de primeiros socorros no banheiro. Apanhei-o e o entreguei para Derek. Dwayne pegou uma seringa com um líquido meio branco com pequenos nódulos e uma pinça.
Derek limpou o sangramento com um pano com álcool e retirou um fragmento da bala com a pinça. Patrick berrou, expulsando todo o ar de seus pulmões, ficando roxo. Derek retirou outro fragmento do projétil, causando mais dor e agonia em Patrick, que apertou a colcha da maca, com os olhos marejados de lágrimas. Derek arrancou o último fragmento da bala, fazendo Patrick revirar os olhos, não desmaiando por pouco.
Então aplicou a injeção na coxa de Patrick.
– Esse líquido é uma anestesia barata, que corta apenas metade da dor — Derek esclareceu.
Então ele pegou uma agulha e conectou uma linha a ela, em seguida uma tesoura de ferro. Ele fez os pontos no local do tiro e cortou o resto da linha com a tesoura. Quando notou, Patrick tinha desmaiado de dor.
Eu vasculhei a despensa e encontrei um pacote de Doritos. Comi sem nem mastigar, saboreando o salgadinho. Lambi os dedos e joguei o pacote no lixo. Quando voltei à sala, Dwayne estava comendo um pacote de cookies e Derek bebia uma garrafa parcialmente cheia de Coca-Cola quente.
Tirei minha bainha e minha mochila com fotografias e barras de cereais e joguei-os em um quarto de hóspedes. Deitei no sofá e adormeci na hora.
PoV Derek
Até que foi bom ninguém perguntar sobre como eu conhecia aquela fazenda. Ela pertencia a Rick, um amigo de infância do meu avô. Ele cuidou de mim quando meu avô teve apendicite e minha avó ficou com pedras nos rins. Agora, acredito que ele deve estar morto, em algum canto por aí.
Depois de "operar" Patrick, que sofreu após ter uma bala retirada de seu joelho e sua pele ser costurada após tomar uma anestesia barata, eu tomei alguns goles de Coca-Cola quente e fui dormir no sofá. Me surpreendi ao ver que a TV e o relógio na parede ainda funcionavam. A energia elétrica também funcionava, porém iria durar apenas alguns dias, no máximo três semanas.
Depois de quase duas horas, acordei. Olhei para o relógio. Eram 18:09. Saí da casa, peguei um graveto na grama, afiei-o com uma pedra e matei vários zumbis do lado de fora do portão com arame farpado, com a minha "arma" atravessando os buracos na rede. Vários se grudaram na rede, a mistura de baba, sangue e vômito provocando uma ânsia em meu estômago.
Voltei satisfeito para casa. Devia ter matado uns dez zumbis. Aquilo aliviava o stress. Fiz um sanduíche de queijo e manteiga e comi silenciosamente. Conferi a fazenda inteira. Entrei em um armazém com umas cinco pistolas, dois revólveres, um rifle de precisão e algumas facas de combate.
Entrei no celeiro. O cavalo de Rick, Caramelo, comendo palha e algumas vassouras e baldes encostados na madeira podre. Havia um coelho esquartejado no meio do feno, com mordidas de zumbi.
Entrei de volta em casa e deitei no sofá novamente. Depois de tudo que eu passei, eu merecia um descanso. Nem queria imaginar como estariam Dan, Peter e Percy na busca por Rose, a irmã de Dan.
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