Zumbis: A Infestação de Rally State
1 A Esperança Sumiu
Notas iniciais
PoV. Derek
Às vezes eu acho que todos os crimes e barbaridades aqui em Lions City, em Rally State, foram apenas uma pequena demonstração da desgraça do que o governo pode propôr.
Era uma manhã fria e entediante de segunda-feira. O céu estava tomado por uma neblina e a Academia de Polícia estava de pé, com o professor Morgan ditando ordens e mais ordens.
Eu odeio aquele cara. Sua mulher se separou do mesmo graças a sua tremenda arrogância e sua filha foi morar com o namorado por causa de seu ciúmes maior que a Torre Eiffel. Ele tem bafo de café e cigarros baratos, além de paquerar a estagiária e ser grosso com seus alunos.
Meu nome é Derek, e eu estava fazendo a milésima flexão às 08:15 da manhã, algumas horas antes do surto que arruinaria minha boa e pacata vida.
Eu havia migrado de Hilt Valley, uma cidadezinha com algumas fazendas e supermercados, bares e barracas de venda. Meu pai morreu de câncer de fígado quando eu tinha sete anos, e minha mãe deprimida me largou com meu avós Gregory e Emma e foi morar na Itália.
Eu não sinto muita saudade de lá. Eu nasci aqui em Lions City (a cidade dos leões, a cidade dos guerreiros), morei uma década e pouco com meus avós em Hilt Valley e agora voltei para Lions City, fazer uma academia de polícia e se tornar um policial, já aos meus 21 anos.
Eu havia aprendido defesa pessoal, a atirar com pistolas e rifles, também havia feito mais flexões que eu pude contar e passei por obstáculos difíceis, como rastejar por baixo de uma cerca de arame farpado, correr cinco quilômetros na lama e escalar um muro de quatro metros com musgo.
Então, já 09:00, no nosso descanso matinal de quinze minutos, tomei uma ducha fria, comi pão com geleia com suco de laranja e escovei os dentes.
Fui até a sala de treinamento, trinta segundos antes de tocar o sinal. Coloquei meu quepe e fiquei em posição. Dez segundos depois, o sinal tocou e Morgan entrou na sala.
- Então, seus maricas, vamos para nossa primeira missão: interromper um negócio de drogas na periferia, dois quarteirões ao oeste da antiga fábrica de tecidos.
Ouve um burburinho, com todos excitados para a primeira missão, depois de seis meses de treinamento pesado.
- Calem a boca! Vocês estão em quinze! Apenas quatro irão comigo, ingressar na nossa Força Tarefa Jovem! O restante, irá esperar mais seis meses e entrar na Força Tarefa Jovem Beta!
Todos ficaram quietos, cruzando os dedos para serem escolhidos.
- Dwayne Clinton!
Um homem loiro, com olhos azuis e porte físico de um quarterback (um jogador profissional de futebol americano) andou até Morgan e postou-se ao seu lado.
- Jack Philips!
Um homem negro, com olhos cor de âmbar e cabeça raspada andou até Morgan. Era o mais próximo de uma amizade minha.
- Stuart Barry!
Um homem com olhos castanhos, porte físico de um halterofilista e cabelos pretos andou até o professor.
- E por último, Derek Kane!
Dei um suspiro de alívio e andei até Morgan.
- Vocês quatro irão se vestir agora, enquanto o resto vai treinar comigo. Vocês vão realizar a operação com Dan, um perito que trabalha com novatos há quinze anos. Vão se trocar, irão partir 09:25!
Fui até o vestiário e troquei a calça moletom e o colete vermelho de treinamento por uma calça militar preta, uma camiseta cinza por baixo de um colete militar bege, luvas táticas, tênis de corrida e um quepe camuflado verde e bege.
Peguei minha Colt em meu dormitório, junto com um canivete e uma granada de fumaça. Analisei a foto dos meus avós. Há duas semanas, meu avô Gregory informou que Emma morreu, baleada por um hippie que invadiu sua fazenda. Pois é, ser baleado em Lions City é uma situação comum.
Olhei no meu relógio de pulso. 09:15.
Desci as escadas e encontrei Dwayne, Jack e Stuart sentados em uma mesa, comendo uma barra de cereais. Peguei um iogurte e o tomei, conversando com eles.
- Finalmente alguém que não seja o Morgan para nos guiar — Jack comentou.
- Espero que Dan não seja um babaca arrogante com bafo de café e cigarro — Stuart acrescentou.
Dwayne apenas observava, comendo sua barra de cereais. Ele era mais calado, mais observador.
Arremessei meu pote de iogurte na lixeira, a uns dez metros dali. Cesta.
- Então, Derek — Jack prosseguiu. — Você é bom na frente, então você lidera. Eu vou na esquerda e Stuart vai na direita. Dwayne nos cobre atrás.
Eu concordei com um movimento na cabeça e fechei os olhos. Eu estava com profundas olheiras e os olhos inchados. Havia dormido uma da manhã, pensando nas boas lembranças com minha avó, e acordado seis horas, para comer uma torrada e ir treinar.
Eu despertei do transe com Jack me chamando para ir até o hall da academia. Já era 09:24.
Nós chegamos lá e nos deparamos com um homem musculoso, 1 metro e noventa, quase uns cem quilos, olhos cor de mel e braços mais grossos que um cano de aço.
- Meu nome é Daniel, mas podem me chamar de Dan — ele tinha uma voz rouca e grossa, que ecoava pela sala. — Nós vamos até uma negociação de drogas, a primeira missão de vocês, e iremos prender todos esses merdas. Beleza?
- Sim, senhor! — Concordamos em uníssono.
Marchamos até uma van e entramos. Ele dirigiu por uns cinco minutos, até chegar perto de um beco, entre uma loja de conveniência e um motel barato.
Nós descemos da van e fomos furtivamente até o beco. Dan e eu lideramos, andando agachados e silenciosamente. Na posição certa, eu e Dan nos escondemos atrás de duas caçambas de lixo. Dwayne ficou atrás de uma parede de tijolos e Jack e Stuart entraram em um depósito e ficaram observando pela janela.
- Atenção — Dan sussurrou -, eu vi cinco homens no final do beco. Fiquem em alerta, eles estão a uns quarenta segundos de distância.
Passaram dois minutos e meia dúzia de homens chegou. Eles tinham submetralhadoras na mão, porém travadas. Estavam despreparados. Dwayne apontou sua Beretta para a cabeça de um homem com um saco na mão, cheio de um pó branco.
- Parado aí, seu bosta!
O homem arregalou os olhos e deixou o saco cair no chão, espalhando o conteúdo por ele. Três homens com submetralhadoras ignoraram as ordens de Dwayne e destravaram suas armas. Dan explodiu o ombro de um deles com um tiro e arrancou a orelha esquerda de outro também com sua Colt.
Dwayne atirou nos homens. Um tiro acertou a nuca do Sem Orelha, que faleceu engasgado com o próprio sangue. Atirei no Ombro Explodido, porém a bala acertou de raspão em sua coxa. Ele mancou até o carro, mas Jack acertou dois tiros em suas costas. Stuart atirou na têmpora do terceiro homem, finalizando-o. O comprador tentou fugir, mas Dan atirou em seu calcanhar. O homem caiu de cara no chão e Dwayne correu até ele, prendendo-o.
O vendedor estava perplexo, de joelhos no chão. Eu andei até ele, mas o mesmo tirou um canivete de seu bolso e tentou me atacar. Eu contra-ataquei com meu canivete e arranquei seu polegar. O vendedor levou uma coronhada de Jack e desmaiou.
- Bom trabalho, gente — Dan elogiou.
***
Quatro horas depois, já tomamos banhos e descansamos. Já 13:10, almoçamos com o zumbido dos tiros nos nossos ouvidos. Cada um almoçou em silêncio, enquanto o restante dos homens que ainda treinavam faziam milhares de perguntas:
- Como foi?
- Foi fácil?
- Vocês mataram alguém?
- Foi difícil?
Então um homem que estava em seu último ano de academia, Patrick, se intrometeu e disse:
- Foi fácil para caralho. Na minha primeira missão nós assassinamos e prendemos um cartel inteiro de drogas. Trinta e seis homens hispânicos, que tocavam o terror junto com Pablo Escobar. Após sua morte, eles migraram para Lions City e roubavam e estupravam todos que vissem pela frente.
Revirei os olhos. Era mentira. Patrick se exibia por atos que nunca fizera, como derrotar Morgan em uma luta e escalar o muro de musgo com quatro metros de altura em dez segundos.
Em parte foi bom Patrick ter aparecido. Agora os novatos davam atenção para ele, e não para nós.
Depois do almoço, eu deitei e fechei os olhos. Quando abri, verifiquei o relógio. 14:50. Uau. Eu fiquei um bom tempo dormindo.
Quando saí do dormitório, vi uma gritaria e tumulto no hall. Todos estavam correndo, alguns atirando com suas pistolas e/ou rifles, espantado e amedrontados. Peguei minha Colt e desci as escadas. Olhei e vi quase cinquenta pessoas esqueléticas, deformadas, com olhos esbugalhados e sangue pingando pela boca, devorando pessoas aleatórias. Então eu vi Stuart se debatendo, com um daqueles canibais mastigando sua coxa.
- Mas que merda é essa?
Me virei e vi Jack atirando nos canibais. Descobrimos que tiros no peito ou na barriga não matavam, apenas na cabeça. Peguei minha Colt e atirei, até o pente esvaziar.
- Que porra está acontecendo?
Olhamos Morgan no alto da escada. Sem perceber, um daqueles canibais se jogou em cima dele e arrancou a pele de seu ombro e mastigou sua carne. Vários outros se juntaram nessa matança horrenda. Eu pulei da escada e saí pela porta, junto com Jack. Vimos Dwayne, Dan, Patrick e outros dois veteranos saindo conosco. O resto estava sendo devorado pelos canibais.
Então, eu percebi que aquilo era apenas a ponta do iceberg de desgraça que estava acontecendo em Rally State.
Notas finais
RIP Morgan
=(
Fale com o autor