Zumbilândia - Matar ou Morrer.
25 Não temos folga.
Notas iniciais
Kimberly
Entramos naquele lugar repugnante e nos separamos em duplas: eu e Drake, Erika e Justin. Sabe o que eu mais odeio em supermercado? É aquelas porcarias de sino que ficam em cima da porta e toda vez que entramos o sino toca. QUAL É A NECESSIDADE DISSO? Fiquei um pouco chocada ao ver que nenhum zumbi veio ao nosso encontro, o que foi bom, claro.
–Sabe, aqui não é muito ruim, digo, esse supermercado parece estar vazio e... — Drake ficou pálido de repente. — Zumbis, Kimberly, olha ali.
–Ok, conseguimos acabar com esses, pega a arma — eu disse, quando um grupo de mais ou menos cinco zumbis vinha ao nosso encontro.
Drake atirou neles enquanto eu cortei suas cabeças com minha katana, mas Drake errou umas três balas. Talvez fosse o cansaço.
–Justin, achamos zumbis! — eu disse meio alto, Justin demorou a responder.
–Nós também — ele respondeu. — Venham ajudar. Tem uns 15 zumbis aqui!
–Ok, estamos indo — respondi, correndo até o outro corredor com Drake atrás de mim.
–Venha logo, Kimberly, tá difícil... CUIDADO ERIKA! — Justin gritou, percebi que devia apressar o passo até lá. Drake chegou atirando e andando normalmente. Eu cheguei correndo na direção dos zumbis pronta para corta suas cabeças.
Justin me olhou tipo "what the fuck?" e eu ri, mas continuei cortando os zumbis, porque quando cheguei uns 20 tinham aparecido só pra encher o saco mesmo. De repente Drake apontou a arma para mim e eu pensei que iria morrer e que ele era um traidor. Depois de ter viajado até ali com ele e me sacrificado varias vezes ele estava mirando em mim!
–Drake abaixa essa merda — falei, com raiva. Caminhei na direção dele meio que me abaixando e indo tirar a arma da mão dele, e de repente eu ouvi um tiro, o tiro que saiu da arma que ele segurava tão fortemente, então eu caí no chão, estava muito, muito surpresa.
–Kimberly, você tá bem? — Erika perguntou, aparecendo do meu lado e aí eu percebi: Drake não atirou em mim, e sim em um zumbi babaca que apareceu atrás de mim.
–Cacete, eu pensei que você ia me matar! — eu disse, me dirigindo a Drake.
Ele riu.
–Por mais que eu queira, não atiraria em você, só se você fosse um zumbi, mas esse é outro caso — ele disse e eu ri.
–Tudo bem, vamos pegar o máximo que pudermos com essas sacolas sensuais que eu achei por aqui — Justin disse, fazendo todos nós rirmos. Eram sacolas recicláveis que vendiam em uma sex shop dentro do supermercado, tinha o Kama Sutra estampado nela.
–Quem deixaria alguém vender essas pornografias dentro de um supermercado? — Erika perguntou abismada. Não respondemos, apenas rimos.
–Vamos ficar em duplas? — Drake perguntou. — Porque eu não quero ficar sozinho, me baseando no que acabou de acontecer.
–Tá, vamos todos juntos e pegamos o necessário — falei.
Pegamos tudo que podia estar tão novo quanto era possível em um apocalipse zumbi. Pegamos água, sachê de suco e muita, muita coisa enlatada e congelada. Passamos longe das frutas, pois estavam totalmente podres, dava até nojo ver aquelas bancadas de frutas totalmente podres cheirando a mofo. Justin e Erika pegaram algumas barras de cereais para irmos comendo durante a viagem e saímos do supermercado. Terminamos de colocar os suprimentos no carro e seguimos estrada adentro, chegando ao centro de Brownsville.
Aquilo era um horror, a cidade foi totalmente tomada por zumbis e eles estavam terríveis. A maioria não tinha uma parte do corpo ou a língua estava toda para fora. Aquele foi o pior estado que encontramos os zumbis, eles estavam completamente mutilados. E então a merda aconteceu, tivemos que parar o carro, pois a gasolina estava no fim. Olhei para um lado: poucos zumbis, olhei para outro: nada.
–Temos que encontrar um posto de gasolina — falei, já estava um pouco desesperada.
–Vê quantos quilômetros o carro ainda pode andar, Kim — Justin disse.
Olhei e vi que ele ainda podia andar cinco quilômetros. CINCO? SÓ ISSO? Encostei a cabeça no volante e comecei a praguejar. Ainda não estava na hora de morrermos.
–Podemos sair e correr, mas não sei se vamos chegar muito longe, se vai ter mais zumbis ou se vai ter um carro com gasolina e funcionando... Querem arriscar? — Erika perguntou.
–O carro ainda aguenta cinco quilômetros, acho que dá pra chegar em um posto de gasolina — falei.
Ficamos em silêncio, eu desliguei o carro para não gastar ainda mais gasolina. Os zumbis passavam por nós sem perceber nossa presença, por que as coisas não podiam ser mais fáceis?
–Tenho uma ideia — Justin disse, todos nós olhamos para ele. — Eu e a Kimberly podemos ir atrás de um posto de gasolina, eu peguei quatro walk talk lá na sua casa, Drake, podemos nos comunicar por eles.
Nós fomos concordando até que no minuto seguinte, eu e Justin estávamos apenas esperando o momento certo para abrirmos a porta do carro e nos jogarmos no meio daqueles zumbis asquerosos. Katana: ok. Metralhadora: ok. Walk talk: ok. Coragem: esqueci. Eu estava tremendo mais que uma pessoa epilética quando tem algum ataque (n/a: nada contra, é só uma comparação. Se alguém se ofender, peço desculpas.), ultimamente meu coração ficava acelerado constantemente então não me importei muito. Quando todos os zumbis passaram pelo o carro, eu e Justin abrirmos as portas, esperamos um momento para ver se os zumbis não perceberiam e então saímos do carro.
Justin
Nós estávamos indo bem. Os zumbis ainda não tinha reparado a nossa presença, mas as coisas mudaram quando eu, acidentalmente, tropecei naquelas latas de lixo de ferro. Kimberly me lançou um olhar mortal e os zumbis nos lançaram um olhar esfomeado. Eu quis cortar meu próprio pé naquele momento, como é que eu conseguia ser tão idiota? Os zumbis começaram a correr na nossa direção e eu e Kimberly avançamos. Eram 10 zumbis, não foi muito fácil de mata-los, pois eram rápidos, mas nós conseguimos. Fomos andando cautelosamente até um posto de gasolina, havia vários carros estacionados ali, um deles parecia ter bastante gasolina. Comecei a chamar Drake pelo walk talk.
–Acharam? — Drake perguntou.
–Nós estamos na mesma estrada, do lado esquerdo vocês vão ver um posto de gasolina. Venham, agora! — falei.
–Ok.
Guardei o walk talk e olhei para Kimberly, ela estava dentro de um dos carros. Estava com o olhar perdido e tamborilava a ponta dos dedos no painel do carro. Sabe? As vezes eu me pergunto o quão sortudo eu sou por ter encontrado Kimberly naquela delegacia. Tudo bem que na maioria das vezes, nós não nos dávamos bem, mas era bom tê-la por perto. Era bom escutar todos os seus xingamentos, ver a cara dela de brava e seus olhares ameaçadores. Kimberly era a garota mais insuportável que eu conhecia, mas era a minha garota insuportável, mesmo que ela não soubesse.
O Doge Nitro avançou para dentro do posto de gasolina e eu peguei uma mangueira que estava no chão, coloquei a mangueira dentro do tanque do outro carro enquanto Drake estacionava ao meu lado. Coloquei a mangueira na boca e puxei a gasolina para fora.
–Isso é nojento — Kimberly comentou, se referindo ao fato de que eu puxei a gasolina com a boca.
–É nojento, mas é melhor do que ficarmos sem gasolina — falei, a fazendo rir.
Quando a gasolina veio, coloquei no tanque do Dodge Nitro e ficamos esperando encher. Quando terminei, joguei a mangueira no chão e entrei no carro, Kimberly veio logo atrás. Ela estava um pouco estranha, mas resolvi não comentar nada.
–Ouviram isso? — Kimberly perguntou e nós olhamos para a rodovia. Um grupo de 30 mortos-vivos estava chegando. Ah, que dia feliz!
–Não vai dar pra passar por eles — Erika disse o óbvio.
Ok, éramos quatro contra trinta. Nós conseguiríamos, tenho certeza! Ou não...
Descemos do carro e empunhamos nossas armas (e no caso de Kimberly, katana), senti as barras de cereal voltarem quando vi a aparência daqueles zumbis. De alguns você conseguia até ver a medula espinhal. Deus, nos ajude! Nós corremos na direção dos zumbis e começamos a mata-los. Eu estava fazendo muito esforço para não ser mordido, aqueles zumbis pareciam de ferro. Meia hora depois, estávamos exaustos e mais quebrados do que nunca, voltamos para o carro e Kimberly deu partida. Não sei da onde ela tinha tanta força para não conseguir dormir, eu hein!
O resto do caminho fomos em silêncio, estávamos cansados demais para falarmos algo. Percebi que já estávamos quase chegando na fronteira Estados Unidos-México, daqui a alguns dias, talvez, encontraríamos esse tal doutor e finalmente acharíamos a cura. Porém, alguma coisa me dizia para não ficar tão feliz. Em um mundo apocalíptico nada vem fácil e as coisas ruins não param de acontecer até que toda a sua esperança tenha se esvaído.
Encostei minha cabeça na janela e fiquei encarando as árvores que passavam por nós como um borrão. Desde de que começara o apocalipse zumbi, as noites chegavam mais rápido e eram mais longas, enquanto o dia passava em um piscar de olhos e demorava uma eternidade para aparecer. E era exatamente disso que eu tinha medo: da noite.
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