Zumbilândia - Matar ou Morrer.

19 Conseguimos um carro e, finalmente, vamos para a estrada.


Notas iniciais
Capítulo 19. Boa leitura cupcakes :3

Kimberly

Era meio dia e estávamos no centro de Tulsa em frente a uma concessionária de carros de luxo. As bolsas com tudo o que seria necessário para a viagem estavam no banco de trás do Hummer estacionado a alguns metros. O plano era bem simples: Drake e Justin entrariam na loja enquanto eu e Erika dávamos cobertura. Nós pegaríamos o carro, colocaríamos as malas e iriamos direto para a estrada. A loja tinha grandes janelas de vidro, o que deveria nos dar alguma proteção extra, mas eu ainda estava preocupada, por isso providenciei uma metralhadora para cada um de nós. Só usaria minha katana quando as balas acabassem.

É claro que não seria tão fácil assim.

Rapidamente encontramos o que procurávamos, um Dodge Nitro, perfeito para nossos objetivos. A dificuldade seria conseguir as chaves, que ficavam em um anexo nos fundos da loja. A pequena sala era inteiramente fechada e protegida de iluminação, o que dava um perfeito esconderijo para aqueles zumbis asquerosos.

–Escuta, Kimberly, eu vou abrir a porta, você fica a postos, pronta para atirar. Se tiver zumbi aí dentro, assim que todos eles saírem, eu pego a chave e nós quatro corremos pro carro — Justin disse.

O que eu poderia fazer? Era um plano bastante razoável. Apenas me posicionei e me preparei para atirar.

Assim que Justin abriu a porta, o cheiro de podridão atingiu minhas narinas. Fiz uma careta e atirei no primeiro zumbi. Nossa presença despertou os demais zumbis, que nos seguiram para fora. Eu e Erika corremos até perto das janelas, de forma a atraí-los. Eu e Erika atiramos na cabeça de cada um deles, enquanto berrava para Justin se apressar. Em alguns minutos ouvi o ronco do motor do carro e respirei aliviada. Eu e Erika corremos para dentro do carro bem em tempo de ver um último contaminado sair da sala e correr em nossa direção. Justin deu a ré, esmagando a criatura com as rodas.

Contei os estragos, 1, 2, 3... 15 cabeças estouradas e esturricadas no total. O cheiro de morte era tão forte que me dava náuseas. Olhei em volta procurando a saída, mas exceto pela pequena porta por onde entramos, a única saída era uma grande porta de rolante de metal.

–E agora, como a gente sai daqui? O carro jamais vai passar pela porta — Erika disse, do banco de trás.

Justin franziu a testa enquanto pensava. Rapidamente ele decidiu, e sem me dar nenhum aviso, acelerou o carro contra as vidraças, que se romperam com o impacto, nos lançando na rua. Só tive tempo de ofegar com o susto, me dando ao luxo de ficar em choque por alguns segundos, apenas para gritar com ele logo em seguida.

–VOCÊ É ALGUM TIPO DE MANÍACO SUICIDA? QUER NOS MATAR?

Drake e Erika estavam tão surpresos quanto eu.

–Relaxa, gata, carro blindado, lembra? — Justin disse.

É claro que eu não lembrei da blindagem do carro, o que me fez enrubescer. Desci do carro sem responder e fui buscar as bolsas no Hummer, enchendo o porta malas de sacolas e armas. Ele havia mesmo me chamado de gata? Justin saiu atrás de mim e me ajudou a pegar as coisas.

–A propósito, onde foi que você aprendeu a usar armas de alto calibre? Não é bom deixar garotinhas brincarem com armas.

Ele realmente estava brincando com fogo.

–Garotinhas não brincam com armas, é por isso que eu prefiro ser tratada como mulher.

Drake usou um aplicativo no seu celular que faz o barulho de um chicote e Erika começou a rir. Revirei os olhos.

Justin

A cada segundo que se passavam, Kimberly ficava mais interessante. Como eu havia pensado, Kimberly é do tipo de garota que não gosta de ser desafiada, menina orgulhosa. Mas eu sabia bem como lidar com ela. Antes da infestação eu era o que podia se chamar de "pegador", raramente alguma garota não cedia a mim, com ela não seria diferente, nenhuma resiste ao charme cafajeste.

Kimberly passou a maior parte do tempo calada, irritada demais com meu pequeno impulso. Eu ria por dentro enquanto a admirava. Assim que terminou de colocar nossas malas no porta-malas, ela se sentou no banco do carona e me esperou. Logo que assumi o volante ela ameaçou:

–Acho bom que você não tenha outro ataque e resolva jogar nós quatro de um precipício. Só te deixo dirigir agora porque estou cansada demais de volante, mas assim que eu dormir um pouco trocamos, ok?

–Ok.

Eu só podia sorrir, por mais nervosa que ela estivesse, Kimberly estava começando a confiar em mim, e isso tornava as coisas cada vez melhores. Se ela não me respeitava como deveria, então aprenderia a me respeitar por me querer.

Kimberly

Minha cabeça batia no vidro da janela conforme o carro trepidava na estrada, ainda assim consegui cochilar um pouco. Não sei exatamente quanto tempo se passou até que o amargo e tóxico cheiro de fumaça me alcançou, me despertando e causando uma sucessão de espirros. Abri meus olhos e o encarei, incrédula. Justin me olhou inocente.

–O que foi? — perguntou.

–Você está fumando? Dentro do carro? É sério isso?

–Qual o problema?

Ele não podia estar falando sério.

–Essa coisa vai destruir seu pulmão e derreter seus neurônios, se é que você tem algum. Sem contar que fede e eu sou alérgica.

Justin revirou os olhos e suspirou, mas jogou o cigarro pela janela.

–Satisfeita?

–A gerência agradece — falei.

–E quem te nomeou gerente?

–A chefia — dei de ombros.

–E quem seria essa chefia?

–O conteúdo letal que eu consegui que estão nas minhas malas e uma belezinha chama katana.

Ele revirou os olhos mais uma vez, mas acabou rindo. Era bom poder rir um pouco, só para variar. Drake e Erika estavam dormindo no banco de trás então resolvi manter silêncio. Percebi o quanto estava cansada, psicologicamente falando. Eu passei tempo demais me importando apenas comigo mesma, e desde que eu havia entrado nessa loucura de ir atrás de um doutor que se quer poderia estar vivo, era a primeira vez que o clima não ficava tenso entre eu e Justin. Decidi que já que passaríamos um bom tempo viajando juntos, era bom saber com quem eu iria dividir o carro e qualquer lugar que parássemos para descansar. Como Drake e Erika estavam em um sono profundo, resolvi começar com Justin. Eu sei que já nos conhecíamos a um bom tempo, mas sempre tive a sensação de que nunca conheci verdadeiramente Justin.

–Então, quem é você, Justin Walker?

–A realização de todos os seus sonhos — ele respondeu.

A vontade de rir foi maior que a minha irritação. As cantadas dele ficavam cada vez piores. Ele não podia estar falando sério, era melhor levar na brincadeira.

–Ah tá, claro. Sua mãe sempre te disse que você era a criança mais linda do mundo, mas não significa que seja.

–Minha mãe não cuidou de mim. Muito menos meu pai. Fui criado, na maior parte do tempo, por empregadas. Na outra parte do tempo, eu me virava.

Esse é um daqueles momentos em que você só consegue pensar no porquê de não ter ficado calada. Eu e minha boca grande.

–Err... Me desculpe, eu não, você sabe...

Minhas desculpas soaram patéticas até para mim.

–Não se preocupe, você não tinha como adivinhar.

–Mas e os seus irmãos? Também foram criados por empregadas?

Justin assentiu.

–Eu tentava cuidar deles, mas nunca liguei muito pra isso. Afinal, ninguém cuidou de mim.

Permanecemos em silêncio por mais algum tempo, e ele parou o carro. Simplesmente assim, parou no meio da estrada e saiu andando. Eu entrei em desespero, minha mancada não pode ter sido tão grande assim, pode? Eu coloquei minha cabeça pra fora e gritei o mais baixo que pude para não acordar o casalzinho que estava dormindo.

–Tá fazendo o que?

–Banheiro. Você devia aproveitar também, não dá para ficar parando a cada dez minutos se quisermos chegar ao México logo.

–É brincadeira, né? Você vai acabar sendo atacado em um momento nada digno, sem contar que estamos no meio da estrada, vai acabar causando algum acidente!

–Sinceramente, Kimberly, quantos carros você viu na estrada até agora? Não vai passar ninguém aqui. E olha ao seu redor, a gente tá no meio do nada debaixo de um sol escaldante, é mais fácil ser atacado por um coiote do que por um zumbi aqui.

Olhei para o céu. O sol brilhava lá, comecei a sentir que estava suando por estar de jaqueta. Como foi que o tempo mudou tão rápido? Tirei a minha jaqueta e de novo eu me senti uma completa idiota ao perceber que ele tinha total razão por um detalhe que eu simplesmente esqueci. Só espero que isso não acabe se tornando um hábito. Ok, hora de demonstrar algum tipo de respeito por si mesma, Kimberly Mclean. Pulei para o banco do motorista e assumi o volante, era minha vez de comandar a viagem.

Justin

Ah! O chamado da natureza! Doloroso quando não atendido, e um alívio quando atendido. Sinceramente, acho que alívio é a melhor do mundo. Foi com esse pensamento que eu caminhei de volta para o carro. O Dodge Nitro sem dúvida foi uma boa escolha, é só olhar para o carro e perceber o quanto ele se impõem e eu gosto disso, gosto de coisas que exalam poder. Sentada no banco do motorista, buzinando impaciente para minha calma estava outra representação de poder que me agradava muito. Kimberly Mclean, você é atraente demais para o seu próprio bem. Me pergunto quantas vezes ela já deve ter se metido em problemas por chamar atenção demais.

Me sentei no banco do carona e apoiei meus pés no painel. Kimberly mantinha o rosto tenso, e me perguntei se ela sabia como parecia cômica quando estava irritada assim. Ela arrancou com o carro ( o que fez Drake resmungar alguma coisa) sem me dar palavra alguma, e eu pude notar que as juntas dos seus dedos estavam ficando brancos pela força com que ela segurava o volante. É claro que eu não resisti à oportunidade de provocar um pouco mais.

–Essa tensão toda é só pela minha presença, Kim?

Ela não respondeu e apertou o volante ainda mais forte. Não me lembro da última vez em que fiz tanto esforço para não rir.

–Sabe, desse jeito você vai acabar amassando o volante.

–Nós podemos conseguir outro carro facilmente.

–Ah! Então o gato não comeu a sua língua!

Ela franziu a sobrancelha e respirou fundo. Isso estava ficando cada vez melhor.

–Olha, Justin, eu realmente estou me esforçando ao máximo para manter a paz por aqui e agradeceria imensamente se você colaborasse um pouco com isso;

Essa me pegou de surpresa.

–Ok, então, vou me comportar.

Continuamos calados por um bom tempo e o único som que se ouvia era o ronco baixo do motor. Drake e Erika acordaram alguns minutos depois, eles viram que não estávamos muito para conversa e ficaram em silêncio. Tudo ficou tão calmo que eu me assustei quando Kimberly quebrou o silêncio.

–Drake? — ela chamou.

–Hum?

–O que nós vamos fazer quando chegarmos ao México? Quer dizer, como nós vamos encontrar o tal doutor?

Eu jamais admitiria, mas andava pensando a mesma coisa. Eu não fazia ideia de como Drake iria fazer para encontrar o doutor Stephen. O México é gigantesco e com uma população imensa, que automaticamente me faz pensar em uma quantidade imensa de zumbis, mas nós precisávamos tentar, eu acho. Talvez nem mesmo Drake tivesse um plano, mas eu tenho certeza que ele não queria que Kimberly soubesse disso.

–Nós vamos para Monterrey, ouvi dizer que ele estava por lá — Drake respondeu.

–Ouviu dizer? De quem?

–Hum, internet.

–Tudo bem então, Monterrey. Mas, hum, Drake?

–O que, Kim?

–Para que lado fica Monterrey?

Eu juro que tentei o meu máximo, mas dessa vez eu fui obrigado a rir.

–Para o sul, é óbvio — respondi antes de Drake.

–Isso eu sei. Mas preciso de algo mais específico. E espera aí, nós não estávamos indo para o norte? — Kimberly franziu a testa.

Drake deu de ombros.

–Vamos fazer o seguinte, a gente para na próxima cidade, aposto que eles vão ter um mapa em algum lugar, e aproveitamos para descansar um pouco e comer — sugeri.

–Ou nós podemos ser mais inteligentes, usando o GPS do carro.

Eu ri de novo.

–Parece que alguém está começando a reparar nos detalhes.

A risada dela foi algo muito mais perto do sarcasmo do que da alegria, mas eu percebi que no fundo ela estava orgulhosa.

–Ainda assim, nós precisamos de algum lugar para passar a noite, parar deve ser uma boa ideia — Erika disse.

Notas finais
E aí o que acharam? Comentem cupcakes :3