Notas iniciais
Boa leitura!

#Ruby Leens

Já ouviu falar em uma luz no fim do túnel? Pois é, eu acabei de vê-la. Todos nós vimos. Um recomeço para o nosso fim. Uma segunda chance. O que quero dizer é... A porta se abriu.
Não tínhamos mais escapatória, não tínhamos como matar tantos zumbis, e quando me entreguei de braços abertos à morte, uma saida surgiu do nada, literalmente.
Chrystal havia pulado a janela e estava apertada no pequeno cômodo onde um interfone ficava solitário. Não havia porta, mas de repente, lá estava ela. Branca como as paredes. A porta se abriu revelando uma luz extremamente forte que fez minha cabeça doer.
— Vamos, entrem, rápido — Gritou um garoto do outro lado da porta.
Agarrei Scarlett pelo braço e a arrastei comigo. Ela estava em choque, não podia culpa-la, a garota vira mais mortes em uma semana que em toda a sua vida. E logo a sua mãe? Eu sabia o quanto Lett e Briana eram próximas, como melhores amigas, dividiam segredos e tudo o mais. Ela estava arrasada. Tinha certeza de que quando ela saisse do choque, choraria por horas e jamais seria a mesma novamente.
Corremos todos para a porta, em fila indiana. Eu e Lett encerramos a fila e quando finalmente, passamos pela porta, o garoto a fechou imediatamente e a porta tornou a desaparecer na parede branca. O pai de Lett, Henri, havia realmente feito um bom trabalhou planejando a segurança daquele lugar.
— Estão bem? Algum de vocês está mordido? — Perguntou o garoto.
Ele era magro, de estatura mediana, seus cabelos loiros estavam despenteados e os olhos castanhos estavam aflitos, como se se perguntasse se fora uma boa ideia nos acolher.
— Não, estamos bem. — Respondeu Henri, que assumira um tom frio após a morte de Briana. Ele estava, visivelmente, fazendo um grande esforço para não chorar ou demonstrar fraqueza.
— Ótimo. Como encontraram este lugar? — Perguntou o garoto um tanto desconfiado.
— Sou Henri Dylan, ajudei seu pai a planejar a segurança deste banking.
— Ah, Sr. Dylan, desculpe, havia me esquecido de você, faz bastante tempo, não?
— Pode me chamar de Henri — Disse ele forçando um sorriso — Sim, faz bastante tempo.
Scarlett ao meu lado se mexeu, aparentemente ela também estava fazendo um esforço incrível para permanecer forte.
— Obrigada por abrir a porta, você nos salvou. — Disse ela olhando o garoto com um olhar de análise.
— Lett! — Disse o garoto se aproximando para abraça-la.
Ela o abraçou relutante. Atrás de mim Nefarius se mexeu desconfortável lançando um olhar furioso ao garoto.
O garoto se afastou.
— Você esta ótima — Disse ele.
— Hã, obrigada.
— Certo, tenho certeza de que estão cansados. Temos umas 20 suítes aqui, posso mostrar a vocês, se acomodem como desejarem.
— Certo, obrigado — Disse Henri.
O garoto nos guiou até um corredor grande com 10 portas de ferro de cada lado, cada porta tinha uma placa enumerada em cima.
— Fiquem à vontade. Vou preparar algo para comerem, tomem um banho e quando estiverem prontos, a cozinha é a primeira porta à direita. — Disse ele.
Agradecemos e cada um de nós entrou num quarto.
O quarto era pequeno, havia uma cômoda de 4 gavetas com uma luminária e alguns livros empilhados em cima, uma cama de casal e uma porta pequena que dava para um pequeno banheiro com ducha quente. Na cômoda haviam roupas de diversos tamanhos, nas duas primeiras gavetas, roupas femininas, nas duas últimas, masculinas. Revirei as duas primeiras gavetas a procura de roupas que coubessem em mim.
Por fim, escolhi calças de couro e blusa colada. Tomei uma ducha revigorante e aproveitei para lavar os cabelos.
Deitei na cama para descansar a mente alguns minutos. A cama era macia e confortável, sentia vontade de nunca mais levantar dela. Que pensamento preguiçoso!
Me levantei e comecei a olhar as capas dos livros. Nada interessante.
Resolvi ir a cozinha. Abri a porta e sai. As portas dos outros quartos estavam fechadas. Eu não sabia em que quarto Scarlett estava, então resolvi não sair por ai batendo em todas as portas e interrompendo cochilos e devaneios. Segui pelo corredor na direção contrária aos quartos e entrei na primeira porta a direita.
A cozinha era grande e todos os móveis de material metálico. Um cheirinho delicioso adentrou minhas narinas e por impulso, lembrei-me da sopa da Sra. King. Imediatamente, senti pena da pobre senhora.
— Ah, oi. — Disse o garoto.
Percebi que eu era a primeira a chegar lá.
— Olá! — Respondi.
— Sente-se, estou fazendo espaguete com almôndegas. — Disse o garoto. — A propósito, acho que não nos apresentamos. Sou Willie Johnson. — Ele ergueu a mão.
— Ruby Leens — Disse pegando em sua mão — Precisa de ajuda? — Perguntei.
— Não, pode ficar a vontade.
Me sentei em uma das cadeiras.
— Você está aqui a muito tempo? — Perguntei.
— Desde o início.
— Esteve sempre só?
— Meu pai esteve comigo nos três primeiros dias, teve de sair e... Não voltou. — Respondeu ele baixando a cabeça.
— Sinto muito — Falei. Ele assentiu.
Lett entrou na cozinha brandindo um sorriso fraco.
— Iai, beleza? — Perguntou ela, fazendo parecer que nada havia acontecido até então
— Beleza — Respondeu Willie sorrindo — Então, meu pai disse que precisava pegar alguma coisa, mas não voltou. Talvez ele tenha conseguido passar pelos zumbis e se esconder em outro lugar, ou — Ele hesitou — Tenha acontecido o pior.
— Vamos torcer para que ele esteja se escondendo, não? Seu pai era um cara legal. — Disse Lett.
— Você o conhecia? — Perguntei.
— Meu pai me trouxe aqui quando estava ajudando Jimmy a construir o banking. Foi quando Nef teve de ir embora, eu estava me sentindo muito pra baixo e ele achou que seria bom ter alguém para... Hum... brincar. — Disse ela.
Nefarius entrou na cozinha seguido por Daryl e Michonne.
— Meu nome? — Disse Nef indo em direção a Lett.
— Iai — Disse Daryl para Willie — Valeu por abrir a porta, achei que ia morrer esperando uma porta brotar na parede.
— Ah, tudo bem. — Disse Willie. E se virando para Nef — Então você é o famoso Nefarius?
Nef pareceu confuso. Estava em pé perto da porta com os braços envolta da cintura de Lett.
— Famoso? — Perguntou ele.
— Bom, Lett aí — Willie apontou para Lett com uma colher de pau — Me falou muito sobre você. — Percebi uma pontada de ressentimento em sua voz.
— Falou? Quando? — Perguntou Nef olhando para Lett com um sorriso torto.
Scarlett assumiu um tom de púrpura.
— Anos depois de você ir morar com seu pai. — Respondeu ela.
— E o que ela disse? — Perguntou Nef para Willie como se Scarlett não estivesse ali.
Willie respondeu numa imitação horrível da voz de Scarlett.
Ele era meu melhor amigo, estava sempre comigo, eu gostava dele, sabe? Mas ele foi embora e eu não tenho mais ninguém, e nem quero ter.
Todos começaram a rir, inclusive Daryl que mantinha sempre o rosto sério. Scarlett agora estava vermelha como um pimentão.
— Valeu Willie. — Murmurou ela baixando a cabeça.
— E posso saber como foi que você despertou esse lado sentimental dela? Não é sempre que a gente vê isso por aqui. — Disse Nef.
— Ah, foi fácil. Pedi ela em namoro. — Respondeu Willie em tom casual como se dissesse: Pedi a ela para comprar o pão.
Lett bateu a mão na testa. Nefarius parecia que havia sido atropelado por centenas de elefantes acompanhados de búfalos.
— O que foi? — Perguntou Willie.
— Ah, nada, só você que foi um tanto direto. — Falei.
— Hã... O que tem de mais? Ela não aceitou cara. — Disse ele para Nef.
Nef aspirou uma grande quantidade de ar como se finalmente pudesse voltar a respirar.
— Espaguete? — Perguntou Willie, pousando uma panela na mesa. Os pratos, talheres e copos já haviam sido postos.
— Vou ter que aceitar, estou morta de fome — Disse Michonne quebrando o clima.
— E ta com uma cara muito boa — Acrescentou Daryl.
— Não é só a cara, Willie é um ótimo cozinheiro — Disse, enfiando uma almôndega na boca.
— Obrigada! — Agradeceu Wille, sorrindo.
Nef e Lett se sentaram à mesa e se serviram.
Chrystal, Vênus e Fred entraram na cozinha, nos cumprimentaram e começaram a se servir.
— Querem que eu faça um suco? — Perguntou Willie.
— To aceitando — Falou Chrystal com a boca suja de molho.
Willie abriu a geladeira e tirou de lá algumas laranjas.
— Deixa que eu te ajudo — Falei me levantando e pegando algumas laranjas para cortar.
— Obrigada!
— Você salvou nossas vidas, nada mais justo.
Ele sorriu.
— Já disse, não foi nada de mais. Vai ser até divertido ter vocês aqui.
Sorri.
Fizemos o suco e servimos para todos.

* * *

Passaram-se 15 minutos. Chrystal, Fred, Daryl, Vênus e Michonne conversavam sobre um antigo grupo de onde Daryl e Rick tinham vindo.
— Estávamos em uma fazenda, um lugar bastante afastado, parecia seguro. — Disse Daryl.
Um calafrio subiu pela minha espinha dorsal. Eu me forçava a acreditar que meus pais estavam seguros por estarem em uma casa de praia. Mas será que depois de todo este tempo eles não tinham tido a ideia de voltar para casa? Talvez não soubessem do que estava acontecendo. Eu torcia para que eles estivessem bem informados o suficiente para continuarem na casa da praia. Dos males, o menor.
Eu estava lavando os pratos, Lett secava-os, mas sua mente parecia distante. Nefarius e Willie conversavam num canto.
— O quê aconteceu? — Perguntou Chrys.
— Aconteceram várias reviravoltas, Carl, o filho de Rick atirou em um dos componentes do grupo que havia virado zumbi e o barulho acabou atraindo uma orla de zumbis que tomaram a fazenda, tivemos de fugir às pressas e o grupo acabou se dissipando.
— Lamento — Disse Chrystal.
Daryl assentiu com a cabeça.
— E você? — Perguntou Vênus a Michonne.
— Eu não fazia parte do grupo — Disse ela — Daryl, Rick e os pais de Scarlett me encontraram na floresta em Forest Hill, vagando por aí sem rumo.
— Sozinha? — Perguntou Chrys.
— Bem... Não exatamente.
— Ela estava trazendo zumbis na coleira. — Disse Daryl — Foi uma das razões para desconfiarmos dela.
— O quê? — Perguntou Vênus — Como assim na coleira?
— Quebrei a mandíbula dos dois e cortei-lhe os dois braços. O cheiro deles disfarçava o meu, assim os zumbis não me identificavam.
— Genial!
— Obrigada! — Ela sorriu.

Notas finais