Zombie apocalypse - You need to survive
2 Enfim sós
Notas iniciais
#Ruby Leens
Chegamos na minha casa e pedi à Scarlett que me esperasse no meu quarto enquanto eu falava com minha mãe.
— Mãe — Gritei chamando-a.
— Aqui filha — Respondeu minha mãe — Na cozinha.
Me dirigi até ela com cuidado para não derrubar o grande jarro de flores pousado sobre o centro de vidro na sala, já que eu era extremamente desastrada.
— Como foi o primeiro dia de aula? — Perguntou ela com um sorriso gentil assim que entrei na cozinha.
— Como todos os outros — Falei sem emoção. Meu rosto estava impassível.
— Fez novas amizades? — Perguntou com meiguice.
Soltei um longo suspiro.
— Mãe, esse papel de fazer amizades é da Lett, já lhe disse isso ano passado quando a senhora me perguntou a mesma coisa.
Chamava Scarlett de Lett desde meus 12 anos, quando a conheci. Eu sou péssima em fazer amizades, por isso nem tento. Mas a Lett sempre foi super animada e extrovertida, ela ficou no meu pé o ano todo até eu conseguir conversar normalmente com ela, e até hoje somos melhores amigas.
— Filha você não pode sempre depender da Scarlett. Como vai conseguir um namorado desse jeito?
— Oras, mas eu não quero um namorado. — Falei cruzando os braços.
Minha mãe suspirou.
— Mas pelo menos tente fazer novas amizades este ano, ok?
— Está bem, vou tentar. — Menti.
— Então, queria me falar alguma coisa? — Perguntou minha mãe voltando a sorrir.
— Ah sim, a Scarlett quer saber se posso dormir na casa dela para irmos juntas à escola amanhã.
— Hum... claro, porque não?
Sorri empolgada.
— Obrigada mãe.
Ela sorriu.
— Ok, comporte-se mocinha.
— Pode deixar. — Falei sorrindo.
Sai correndo dando pulinhos de alegria e quando contei a Scarlett ela soltou um gritinho de empolgação. Ela me ajudou a arrumar minha mochila com algumas peças de roupa e todos os materiais que iria precisar para o segundo dia de aula, vez ou outra fazendo gracinhas, como por exemplo: Colocar minha calcinha na cabeça ou fazer a representação — muito realística, devo admitir — de sua queda no corredor da escola hoje mais cedo.
Quando terminamos de arrumar tudo, inclusive a bagunça que fizemos no meu quarto, já se passavam das 11:30, então decidimos passar numa lanchonete, comer alguns lanches e comprar outros para levarmos. Então, finalmente rumamos para a casa da Scarlett num nível de animação em que ríamos de qualquer coisa que se mexesse.
Chegamos a casa da Lett e fomos direto ao quarto dela para guardar as minhas coisas. O quarto dela era grande, tinha duas camas, uma ao lado da outra, separadas apenas por um criado-mudo com uma luminária branca em cima. Do lado esquerdo havia uma janela de vidro que dava para a rua acompanhada de uma cortina persiana. Logo abaixo da janela havia uma cômoda com 4 gavetas grandes. Ao lado da porta havia uma escrivaninha com um notebook em cima e acompanhada de uma cadeira de escritório com rodinhas. Na parede, ainda ao lado da porta, havia uma televisão de 29 polegadas e seu respectivo controle estava sobre o criado-mudo. O quarto todo era branco incluído paredes, chão e móveis, exceto por alguns detalhes pretos na parede. Ao me aproximar percebi que se tratavam de pássaros que voavam livres e felizes por todas as paredes se dissipando cada vez mais até acabarem na janela de vidro.
— Uau! Você fez uma bela reforma aqui. — Falei impressionada.
— Sim, ficou ótimo, não? — Respondeu Scarlett sorrindo.
— Sim, eu adorei.
— Que bom — ela estava radiante — Pode por sua mochila na cômoda ou na escrivaninha.
— Ok. — Guardei minhas coisas, depois a segui até a cozinha para falarmos com a mãe dela.
— Filha, seu irmão está muito doente, então eu e seu pai pensamos que ao invés de irmos amanhã para São Francisco, poderíamos ir hoje para cuidarmos dele. — Disse a mãe da Scarlett guardando algumas coisas (que não consegui identificar) numa mochila grande. — Ah, oi Ruby — Acrescentou com um sorriso amigável.
— Olá sra. Anders, como vai?
— Ah que isso, deixe de formalidades. Me chame de Briana ou Ana. — Disse sorrindo, e em seguida acrescentou: — Mas vou bem, e você?
— Estou bem.
— A Ruby vai dormir aqui, ok mãe? — Perguntou Lett.
— Ótimo, assim ela te faz companhia.
Nesta hora o celular da mãe de Lett tocou e ela o atendeu quase que imediatamente.
— Alô?... Sim... Ok, estou indo. — E em seguida, desligou.
— Seu pai chegou — Disse, virando-se para Scarlett — Venha fechar a porta para mim filha, por favor. Tchau Ruby, foi um prazer revê-la.
— Tchau Ana — Respondi em tom casual.
Ela sorriu.
— Bem melhor.
Scarlett acompanhou sua mãe até a porta, ganhou um beijo na bochecha de despedida e quando seus pais já estavam no carro, ela gritou:
— Tchau mãe, tchau pai, tenham uma boa viagem!
Em seguida fechou a porta e voltou sorrindo.
— Vem, vamos pro quarto. — Falou.
Ficamos resto da tarde deitadas, uma em cada cama, conversando sobre diversas coisas: Livros, séries, filmes, infância, como seria a escola este ano e etc. Às 7:00hrs pedimos pizza de quatro queijos — nossa preferida — e ficamos o resto da noite vendo filmes aleatórios na televisão da Lett e comentando os pontos positivos e negativos de cada filme, até minhas pálpebras começarem a pesar. Scarlett me ofereceu uma coberta azul — muito fofinha por sinal — que eu aceitei de bom grado.
— Se importa se eu deixar a televisão ligada? É que já me acostumei. — Perguntou ela.
— Não, claro que não. — Respondi sentindo meu corpo adormecer.
De repente já não ouvia, nem via nada.
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