Zombie Boy
1 O garoto que não morreu
Notas iniciais
Não betei, se achar erros, pfv me avise.
Joyce acordou cedo e preparou o café da manhã. Fez panquecas, uma tigela de cereal, encheu o copo de suco de laranja e então foi até o quarto de Will, abriu a porta devagar, observando o garoto dormir.
Ela perdeu alguns minutos parada ao lado da cama do filho, até que ele acordou.
— Mãe… — Will falou com uma voz desalinhada. — A gente já conversou sobre isso.
— Sim, sim, claro. Me desculpe, querido. — Joyce foi andando de costas até chegar na porta. — Eu só vim te chamar para tomar café, logo mais tem aula, e você não quer se atrasar no primeiro dia, não é?
— Acho que não. — Will esfregou os olhos, incomodado com a claridade.
— Eu vou te esperar na mesa. — Ela saiu do quarto.
Will sentou na cama.
Todos os dias acordava e era comum ver a mãe ou o irmão mais velho observando-o. Era constrangedor ser vigiado daquela forma. Todos os passos que dava, a cada palavra que dizia, ou mesmo quando não dizia nada.
Assim que se vestiu, foi para a cozinha onde encontrou todo o banquete preparado pela mãe. Ele não estava com muita fome, mas sentiu que precisava comer, mesmo que fosse pouco.
Desde seu retorno para casa, quando saiu do hospital, Will sentia-se preso numa redoma, e imaginou que retornar para a escola fosse a hora que ele se libertaria. Mas quando viu a mãe pegar as chaves do carro, percebeu que estava apenas no começo.
— Posso ir de bicicleta. — Ele sugeriu. — Encontro com os garotos no caminho.
— Mas nós combinamos que eu te levava e o Jonathan trás você. Inclusive ele saiu mais cedo. — Joyce buscou o casaco e arrumou a bolsa. — Já estou pronta, vamos?
Mesmo a contragosto, Will pegou a mochila e saiu de casa, entrou no carro e sentou-se. Joyce falava animadamente sobre o horário que havia reorganizado no trabalho e assim teria mais tempo para ficar em casa.
Will apenas concordava com a cabeça, mas a verdade era que ele se perdia facilmente em pensamentos, observando as árvores do lado de fora do carro.
Então, em um momento ele começou a ver o céu avermelhar-se. As nuvens carregadas pareciam feitas de sangue e uma sombra projetou-se por trás dela. Ele se assustou, pulando no banco do carro, como se tivesse retornado para o mundo inverso.
— O que foi? Aconteceu alguma coisa? Will, fala comigo. Você viu alguma coisa? — Joyce parou o carro, preocupada.
— Não, não foi nada. Eu só me assustei com um pássaro. — Ele mentiu, sabendo que, dependendo do que ele falasse, poderia ir dali direto para o hospital. E estava cansado de prolongar suas “férias”.
— Você pode me falar tudo, ok? Pode me contar as coisas que sente e vê.
— Mãe, eu estou bem. — Will a tranquilizou. — Está tudo bem.
Ele queria acreditar.
Ao chegar na escola, Will deixou o carro, não antes de Joyce fazer diversas recomendações. Ele acenou, mas a mãe não ligou o carro. Percebeu que ela ficaria ali até que ele entrasse e, em sua cabeça, estivesse seguro dentro do prédio escolar.
Will caminhou em direção a porta dupla de metal, pelo caminho, era alvo de olhares curiosos e burburinhos. Conseguia ouvir uma ou outra coisa das crianças.
— Dizem que ele foi encontrado na floresta quase morto.
— Meu pai disse que ele foi abduzido por aliens…
— … ouvi meu tio falar que ele sobreviveu comendo lasca de madeira na floresta.
Will chegou à porta da escola, virou-se e viu o carro da mãe ainda estacionado, então ele entrou e a mãe foi embora.
No corredor, parou diante do seu armário, as combinações não eram mais as mesmas, decidiu ir buscar ajuda na secretaria da escola, na volta encontrou Mike no corredor.
— Deixa que eu te ajudo. — Sugeriu Mike, pegando a mochila do colega para que ele tentasse a nova combinação.
— Não precisa, eu quero fazer isso. — Will pegou de volta a própria mochila, enquanto girava a combinação nova.
Duas garotas passaram por eles e comentaram em um cochicho.
— Olha, aquele menino que morreu.
— Não fala besteira, ele tá vivo.
— Ele é o que, um zumbi?
Elas riram e entraram no banheiro feminino.
Mike levou a mão até o ombro do amigo.
— Olha, não liga para o que essas pessoas estão falando. Daqui a pouco outra história vai tomar conta da cidade e eles vão te esquecer.
— Será que algo tão importante vai acontecer para esquecerem disso? Falaram até que estão querendo filmar um documentário sobre minha vida na cidade.
Mike riu, mas Will via sua tristeza nos olhos do amigo.
— Eles não vão permitir que façam coisas que chamem atenção da cidade. O Xerife foi bem claro quando teve aquela conversa com a gente sobre não contar nada do que vimos ou fazemos.
— Tem razão, aposto que logo o Dustin vai aprontar alguma coisa e voltar a ser o centro das atenções. — Will se permitiu sorrir um pouco.
— Vamos, vai começar a aula. E você precisa ver os novos equipamentos que recebemos no Clube, são todos de última linha.
Will concordou, fechando o armário. Antes de acompanhar Mike, ele parou para beber água. As duas garotas que haviam passado por eles no corredor o encarava seriamente. Ele pensou em falar alguma coisa, mas começou a tossir uma gosma verde, as garotas gritaram e correram. Mike veio rapidamente ver o que tinha acontecido.
— Eu estou bem, só preciso lavar o rosto. — Will afirmou, entrando no banheiro masculino. Mike foi atrás dele, mas manteve uma distância razoável.
— Que tal eu chamar os outros? Eles podem ajudar.
— Não precisa, eu estou bem, apenas engasguei com a água. Aquelas garotas que são exageradas.
— Tudo bem, então eu vou buscar um suco de maçã, quem sabe ajuda. Nos vemos na aula?
— Claro.
Mike deixou o banheiro e Will lavou o rosto. Quando outros garotos entraram no banheiro, ele entrou em um dos banheiros privativos, fechando a porta e sentando no vaso sanitários, com as pernas erguidas para não ser visto.
— Hey! Sua irmã disse que aquele garoto zumbi tava vomitando no bebedouro.
— Só falta ele morrer de novo aqui dentro e querer comer nosso cérebro.
— Como naquele filme que vimos.
Os garotos riram.
Quando o banheiro ficou em silêncio, Will permaneceu sentado, chorando. Não tinha certeza do que ele havia se tornado, e tinha medo dos outros estarem certos.
Notas finais
Beijos
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