Zombie Attack

26 II - Culpado ou Inocente?


Notas iniciais
Cleber planejou tudo ou a culpa é dos outros rapazes?

Em uma sala improvisada, um juiz é chamado para decidir o que eles fariam com Cleber... O juiz, um homem alto, de olhos verdes, com uma peruca branca, como de costume nos filmes, aponta o martelo em direção a Cleber, que contava com a ajuda de um advogado.

Começamos a entrar e nos arrumar nos bancos, quando Cleber fora trazido e logo em seguida os outros dois.

Arrumando seus óculos e aproximando uma ficha de sua face, ele começou.

— Caso número 02, Cleber contra W e Z. (Juiz)

Ao ler a ficha o juiz espantou-se.

— W e Z? Quais os nomes verdadeiros deles? Alguém sabe? (Juiz)

Como ninguém se pronunciou ele continuou, olhando em direção a Cleber.

— A defesa pode começar. (Juiz)

Todos estavam com roupas casuais, nada muito diferente, mas ambos os advogados utilizavam terno e gravata e agiam conforme pude ver algumas vezes na televisão.

Se eu fosse chutar, eu diria que ambos realmente eram advogados antes dessa mudança no mundo. (Eu)

— Meritíssimo, o meu cliente me disse que os dois cavalheiros o atacaram assim que ele saiu do elevador, ele apenas defendeu-se. — Falou o advogado ao levantar-se daquele banco de madeira, pego no refeitório, que improvisaram para eles se sentarem. (Advogado de Defesa)

— Permissão da palavra meritíssimo! (Advogado de Acusação)

O juiz arrumou novamente seus óculos e apontou o martelo para ele.

— Permissão concedida! (Juiz)

O advogado acusador levantou-se e arrumou sua gravata.

— Muito pelo contrario, meus clientes afirmam que o cavalheiro ali sentado. – Ele aponta para Cleber. – Chamou-os ao andar e os mandou atacarem-se ou ele acabaria com ambos... Então com a recusa, ele sacou uma arma e atirou... Mas por sorte acabou errando e explodindo o combustível. (Advogado de Acusação)

Cleber levantou-se rapidamente e enquanto apontava seu dedo indicador na direção dos dois disse.

— Mentira, foi tudo uma grande mentira, eles armaram pra me matar... (Cleber)

O juiz pôs-se a bater o martelo.

— Ordem! Ordem, o senhor, senhor Cleber não foi autorizado a falar, sente-se, seu advogado é quem fala pelo senhor. (Juiz)

— Perdão meritíssimo. (Cleber)

Cleber então se sentou e o advogado voltou a falar.

— Após errar o tiro, a sala encheu-se de fumaça e meus clientes tentaram escapar pelo elevador, mas o senhor Cleber deve tê-lo trancado ao entrarem todos no andar, ou impedido de alguma maneira da porta ser aberta. (Advogado de Acusação)

— Então o cavalheiro nocauteou um de meus clientes e o jogou dentro do submarino, creio eu que para acabar com ele depois, meu outro cliente tentou salva-lo, mas também foi nocauteado e por sorte as testemunhas chegaram ao andar antes que ele matasse meu cliente. (Advogado de Acusação)

— Meritíssimo, creio eu que o senhor me deu a palavra, mas logo em seguida o cavalheiro ao lado argumentou e contou todo o lado dele... Mas a versão que meu cliente me explicou foi a seguinte. (Advogado de Defesa)

— Ele pegou o elevador à procura de Maria, a encarregada de explicações e ajuda aos novatos. Mas ao entrar no mesmo, logo em seguida, os dois indivíduos que não tem identidades entraram junto dele. Chegando ao andar um deles sacou a arma e disse que o matariam para ser o líder do grupo de caça. Errou o tiro e acertou o combustível, jogando-os para longe e saindo fumaça para todos os lados, meu cliente conseguiu se esconder escorando na parede e passando rapidamente por eles, quando um deles ficou para apagar o fogo o outro foi em direção a Cleber, que o nocauteou e o jogou dentro do submarino. O segundo acabou com o fogo e saiu à procura dos dois, mas quando estava sendo nocauteado por Cleber o elevador para no andar e as testemunhas o pegaram nessa situação. (Advogado de Defesa)

— Isso é tudo meritíssimo. (Advogado de Defesa)

Novamente arrumando seus óculos, o juiz apontou o martelo em direção ao advogado de acusação

— Essas testemunhas que você citou, poderia apresenta-las? (Juiz)

— Sim, o primeiro cidadão que eu chamo a depor... Rafael... (Advogado de Acusação)

Então meio surpreso, mas sabendo que eu seria chamado, levantei-me da cadeira plástica, onde atrás dos bancos improvisaram para o resto das pessoas sentarem... e caminhei até a frente dos advogados.

— Erga sua mão direita e repita. (Advogado de Acusação)

— Eu juro... (Advogado de Acusação)

— Eu juro... – Após erguer minha mão. (Eu)

— Dizer a verdade... (Advogado de Acusação)

— Dizer a verdade... (Eu)

— Nada mais que a verdade... (Advogado de Acusação)

— Nada mais que a verdade... (Eu)

Então ele continuou e citou tudo enquanto eu repetia cada palavra dita por ele.

— Senhor Rafael, o senhor é amigo de Cleber há quanto tempo? (Advogado de Acusação)

— Bem... Eu o conheci faz pouco tempo, não faz nem uma semana. (Eu)

— E nesse tempo, ele lhe pareceu diferente? Alguma vez ele atirou em alguém? (Advogado de Acusação)

— Em uma pessoa, mas é por que ele... (Eu)

Mal pude terminar e dizer que foi no Atirador do telhado que atirava na gente e ele nos salvou atirando no mesmo.

— Diga-nos senhor Rafael... O que vos foi presenciado? (Advogado de Acusação)

— Bem... Eu ouvi uma explosão e me juntei a mais quatro pessoas, se não estou enganado, no elevador, logo em seguida começamos a descer e inspecionar os andares um por um e ao final quando chegamos ao andar onde eles estavam, quando a porta se abriu, eu vi Cleber em cima daquele senhor ali – Apontei para W – apontando uma arma em sua face... Depois de o general gritar com ele, ele soltou a arma e nos informou sobre o outro que estava preso... (Eu)

O advogado se virou em direção ao povo que assistia.

— Viram? A testemunha afirmou que Cleber mantinha um cliente preso, nocauteado e com uma arma apontada para o outro. (Advogado de Acusação)

— Certo... Agora a defesa terá como contar sua versão, e se tiverem, apresentem suas testemunhas. (Juiz)

O advogado de acusação sentou-se e eu voltei para meu lugar. Agora o advogado de defesa voltou a se levantar e pôs-se a falar.

— Na realidade, a história contada a mim por meu cliente, muito pelo contrario do dito por meu colega foi que... (Advogado de Defesa)

— Cleber separou-se de Rafael, saindo à procura de Maria e entrou no elevador, logo em seguida os dois clientes do meu colega entraram também. Ao descerem do elevador Cleber foi informado que iria morrer ali, já que ele havia sido nomeado líder de seu grupo. (Advogado de Defesa)

— Então um deles puxou uma arma e tentou acertar meu cliente, que por pouco desviou, o tiro acabou acertando o combustível, após a explosão ambos ainda tentaram mata-lo, mas ele utilizou de suas habilidades para imobiliza-los. No instante que ele imobilizou o segundo, o elevador se abriu. (Advogado de Defesa)

— Certo... Agora você teria alguma testemunha para depor? (Juiz)

— Sim, eu chamo para depor, o general. (Advogado de Defesa)

O general levantou-se e caminhou ate o local, fez o mesmo que eu e então o advogado começou.

— O senhor é responsável pelo treino físico e ao mesmo tempo pelo psicológico, o senhor deu uma arma na mão de Cleber e avaliou quanto a sua mira e habilidades. (Advogado de Defesa)

— E por algum motivo lhe parece que Cleber, vamos assim supor, erraria um tiro a curta distancia? (Advogado de Defesa)

— Ele demonstrou grande manuseio e excelente pontaria, daquela distancia mesmo que nervoso ou tremendo ele não teria errado, o tiro acertaria ao menos um deles. Eu me arriscaria a dizer até que está entre os melhores que chegaram neste navio. (General)

— E os clientes de meu colega? (Advogado de Defesa)

— Protesto! Creio eu que essa resposta não faria muita diferença. (Advogado de Acusação)

— Negado, sente-se, não lhe dei o direito da palavra... (Juiz)

— Desculpe. – Dizia ele se sentando. (Advogado de Acusação)

— Continue... Responda a pergunta general. (Juiz)

— O nível de tiro dos cavalheiros foram bem baixos, eu diria que ambos poderiam errar a qualquer distancia... (General)

— Certo! Obrigado. (Advogado de Defesa)

— Com a sua permissão meritíssimo, gostaria de chamar uma segunda testemunha, Tenente Vitória. (Advogado de Defesa)

— Protesto. (Advogado de Acusação)

— Negado. Pode chamar sua segunda testemunha. (Juiz)

O general caminhou de volta até sua cadeira e Vitória levantou-se, olhou pra Cleber e ele continuava paralisado, como da ultima vez, sei muito bem dessa sensação... Ele deve estar vendo os cabelos dela ao vento, mesmo sem ter quase nenhum, os olhos dela devem estar brilhando, ela deslizando pelo chão quase sem tocar no mesmo, como se voasse... Sei muito bem como é ter essa sensação... Nesse instante eu abaixei a cabeça e me veio uma tristeza profunda.

Tenente Vitória sentou-se e o advogado começou.

— A Senhora... (Advogado de Defesa)

— Senhorita. (Vitória)

Um riso geral contagiou o local, todos ao mesmo tempo, mas ao bater o martelo o juiz fez com que parassem.

— Desculpe-me, a senhorita assim como o general disse acompanhou a avaliação dos novatos. (Advogado de Defesa)

— Isso mesmo. (Vitória)

— Creio eu que a senhora... Senhorita anota todos os dados, desde que armas foram utilizadas a quantas munições e depois recolhe-as. (Advogado de Defesa)

— Exato. Mas nós sempre utilizamos a mesma arma para todas as avaliações. (Vitória)

— Por um acaso a senhorita notou em algum momento que a arma poderia ter sido levada? (Advogado de Defesa)

— De inicio ela estava lá, mas depois de avaliarmos os senhores W e Z acabou por sumir, eu cheguei a falar com um deles que disse ter deixado em cima da mesa, mas eu não a encontrei. (Vitória)

W e Z sentados se entreolharam e deram uma olhada rápida para trás, fazendo algum sinal para outra pessoa, mas eu não pude ver quem era.

— Obrigado. Meritíssimo a defesa encerra por enquanto. (Advogado de Defesa)

— Advogado de acusação prossiga. (Juiz)

Ele caminhou até a frente enquanto o advogado de defesa sentou-se.

— Senhor juiz, membros do júri, especulações são uma coisa, agora provas são outras, apenas palavras jogadas assim não provam nada, eu gostaria de lhes mostrar a gravação do andar, eu consegui pegar a gravação da câmera e vou lhes passar através do projetor. (Advogado de Acusação)

Todos prestavam atenção na parede, lá atrás apagaram a luz e esperamos para começar a ver algo quando as imagens começaram a se distorcer e algo causou alguma pane, então fomos informados de que alguém acabou esbarrando e derrubando água sobre o computador que parou de funcionar.

W e Z se olharam e abriram um sorriso, enquanto ao fundo ninguém sabia quem havia derramado água no computador.

— Quem fez isso? Diga agora, logo no momento em que mostraríamos a gravação. Isso só pode ser obra do Cleber e algum amiguinho dele. (Advogado de Acusação)

— Senhor advogado, sem especulações, assim como você disse não tem provas, então não pode apenas jogar as palavras tentando fazer com que alguém acredite. (Advogado de Defesa)

Um olhar furioso era lançado em direção ao advogado de defesa, já que ele havia utilizado as palavras que o advogado de acusação acabara de pronunciar.

— Meritíssimo, a água no computador não foi obra minha, mas creio eu que essa tenha sido uma boa estratégia para convence-los de que eles tinham um vídeo... Mas, ops, acidentalmente alguém derrubou água e eu não posso lhes mostrar... Sem mais meritíssimo. (Advogado de Defesa)

— Bem, então vou pedir para que alguém conserte e conseguirmos o mais rápido possível assistir, enquanto isso outra pessoa vai pegar a gravação deste local e nós descobriremos quem derramou a água. (Juiz)

— Perdão meritíssimo? Gravação deste local? (Advogado de Acusação)

Nesse momento o advogado começou a suar e fez uma leve cara de espanto.

— Isso mesmo, general faça o favor para nós de buscar a gravação, enquanto nós te esperamos a defesa terá a palavra. (Juiz)

O general levantou-se e caminhou por entre as cadeiras, que estavam dispostas em formato xadrez pelo chão, saindo pela porta.

O advogado de defesa andou até a frente e começou.

— Amigos, companheiros do júri, trago aqui para vocês a lista, aquela mesma que diz sobre os grupos de caça, sobre seus líderes e membros. (Advogado de Defesa)

Então ele pegou de sua mesa o mesmo papel que eu havia visto minutos antes, ao procurar por meu nome junto com Cleber, e mostrou para as pessoas, logo depois entregou ao juiz e pediu para o mesmo ler. O juiz ajeitou seus óculos, segurando em sua mão o papel e ajeitando com a outra os óculos começou a ler.

— Cleber líder do novo grupo de caça contendo Rafael, W, Z, Kevin e Cris Norris.

W e Z se olharam, dessa vez um pouco amedrontados, pensando que seria seu fim, então um áudio saiu do alto-falante e imagens começaram a sair do projetor, imagens picotadas, mas claramente mostrava Cleber saindo do elevador, sendo ameaçado com a arma e logo em seguida a fumaça subiu e dificultou qualquer coisa de ser vista.

O General chegou à sala e nos informou que a gravação do julgamento fora corrompida.

— Agora, não temos mais duvidas, Cleber é inocente. – Falou batendo o martelo. – W e Z, vocês são culpados por tentativa de assassinato! Por serem um perigo para as pessoas do navio e para si mesmos, vocês serão transferidos para nosso navio de prisioneiros! (Juiz)

Ele bateu novamente o martelo.

— Sessão encerrada! (Juiz)

— A partir de agora, fora os dois, os demais presentes aqui podem dirigir-se ao refeitório que vamos começar a nossa festa de recepção aos novatos. (Juiz)

As pessoas puseram-se andar para fora e caminhar em direção ao refeitório enquanto o suposto juiz começara a tirar sua beca e a peruca...

Cleber agradeceu ao advogado e se aproximou do juiz.

— Bem... Você disse navio prisão? (Cleber)

Eu me aproximava lembrando do que o piloto e o copiloto me disseram antes, que não teria lugar para Vitor... Então sabendo desse navio prisão eu também queria ouvir do juiz.

— Norman... Pode me chamar de Norman! (Norman)

— Certo... Norman... É... Você disse que eles seriam levados para outro navio? (Cleber)

— Sim! O navio de prisioneiros. Antes disso tudo nós utilizamos apenas para transporta-los pelo mar, mas agora ele esta servindo como uma “Prisão Marítima”. (Norman)

— Ah! Entendi... Mas assim... Eu achei que havia apenas três navios... (Cleber)

— É... São três navios aonde mantemos os civis, agora temos mais um aonde deixamos os prisioneiros, um quinto serve como estufa e começamos a plantar sementes, para quando precisarmos! (Norman)

— Vocês tem um navio inteiro para plantação? (Cleber)

— Basicamente... Mas nele fica o deposito de alimentos, então tudo o que os grupos pegam lá fora e nos trazem, é armazenado naquele navio! (Norman)

— Por fim mais um para as pessoas de patente alta controlar tudo o que acontece nos demais. (Norman)

— E por enquanto apenas temos esses! Se por acaso conseguirmos outro, nós aumentaremos a quantidade de espaço e poderemos abrigar mais pessoas. (Norman)

— Bem... Vamos nos reunir ás outras pessoas, temos uma festa pra dar. (Norman)

O juiz se afastou caminhando em direção à porta, então Cleber se despediu e virou-se para mim.

— A Maria disse que levou as roupas limpas para usarmos na festa, ao nosso quarto. (Eu)

Cleber começou a andar lentamente em direção à porta enquanto não olhava diretamente para mim.

— Eu sabia... Que você era inocente. (Eu)

Cleber manteve seu olhar fixo em frente enquanto continuava a andar.

— Então porque não disse isso a eles? (Cleber)