Zombie Attack
7 I - A porta.
Notas iniciais
Assim que a ouvi corri em direção à sala, Lara estava de joelhos, no chão, segurando o lado de um tapete.
– É um tapete, porque algum problema? (Eu)
– Você não viu o que tem embaixo dele. (Lara)
Lara retirou o tapete e escondido de baixo dele havia uma “porta”, que pelo visto se abria para fora, podendo estar trancado por dentro, mas com as ferramentas certas poderíamos abri-la.
– Como você a encontrou? (Eu)
– É que, meio que, eu estava passando pelo tapete e consegui tropeçar nela. Pensando que pudesse ser uma arma retirei o tapete, e assim que eu vi decidi te avisar antes de tomar qualquer decisão. (Lara)
– Será que tem como abrir? (Eu)
Lara tentou abrir segurando nas duas extremidades da “porta“ e puxando, mas não obteve êxito, ela estava trancada por dentro como nós pensamos, aqueles filhos da mãe levaram todas as ferramentas que tínhamos nas mochilas, e estávamos muito cansados para procurar por alguma. Lara colocou o tapete por cima novamente e com os olhos semiabertos me disse para irmos dormir para que no dia seguinte nós tentássemos abrir. Lara subiu para o quarto e eu me arrumei no sofá, a luz do dia entrava por uma fresta aberta no canto da janela, pensando como o dia foi longo e pelo que passamos eu acabei adormecendo.
Não sei quanto tempo se passou, mas quando acordei as nuvens não estavam mais no céu, e o azul claro tinha se transformado em uma mistura de cores roxas, rosas, azuis escuras, e pela mesma fresta que antes a luz do dia entrava, agora a lua clareava o ambiente.
Levantei-me, e menos cansado me voltei para o chão, agora para tentar abrir aquela “porta“. E mais uma vez confirmando que por fora não conseguiríamos abrir, a menos que tivéssemos a chave ou as ferramentas, no caso não tínhamos nenhuma delas. Apoiado no sofá eu me levantei e depois subi as escadas para ver como Lara estava, esparramada na cama ela dormia, devia estar mesmo morta de sono, a deixei dormir um pouco a mais, não sabia pelo que havia passado, comecei a procurar por chaves e qualquer tipo de ferramentas nos outros locais da casa, em um deles só havia uma cama e uma poltrona, no quarto onde Lara estava eu não iria procurar, pois poderia atrapalhar seu sono, e por último no banheiro só produtos de higiene e uma tesourinha, sem encontrar nada do que procurava frustrado sentei na poltrona que havia no quarto. Lara acordou e me viu na porta do outro quarto sentado na poltrona, se levantou, aproximou-se e perguntou há quanto tempo eu estava acordado, e porque não havia a acordado.
– Acabei de acordar também e resolvi procurar por ferramentas para abrir aquela “porta” embaixo do tapete. E resolvi deixa-la dormir por mais um tempo, para que não tivesse sono enquanto estivermos fora tentando atravessar a ponte. (Eu)
– Tudo bem, e encontrou algo? (Lara)
– Só uma tesourinha que não acho que vá servir para abrir a porta. (Eu)
– Tem mais alguma outra coisa com ponta? (Lara)
– Essa tesoura que eu tirei de um morto lá fora, mas não vejo como você vai abrir. (Eu)
– A porta estava trancada por dentro, então a chave também deve estar lá, mas com duas tesouras acho que consigo abrir. (Lara)
Entreguei a tesoura que havia colocado no bolso, ela caminhou até o banheiro e pegou a tesourinha, e desceu a escada. Segui-a e ao descer passando pela porta de entrada percebi que um gato havia pulado o portão e aglomerado empurrando e tentando entrar para pega-lo havia vários deles, mas não me preocupei muito, pois eram em pequena quantidade para derrubar o portão, ou até mesmo entrar.
Lara foi até a sala e agachou retirando o tapete dali colocou as duas tesouras na fechadura e ficou mexendo nela. Sem entender muito, lembrei-me de como nos filmes e seriados algumas pessoas abriam as portas com pequenos grampos e ferramentas que não foram feitas para isso.
– Pronto está aberto, mas colocaram alguma coisa do outro lado na maçaneta então para abrir precisamos forçar ou retirar de lá. (Lara)
– E como faremos isso? (Eu)
– Você pisa nessa “porta“ como se estivesse tentando matar a barata mais forte e resistente do mundo, até ela ceder e se quebrar. (Lara)
– Bom exemplo. (Eu)
– Obrigado. (Lara)
Ficamos rindo por algum tempo do que ela disse, mas depois voltamos para a tentativa de abri-la.
– O que você acha que tem lá embaixo? (Eu)
– As casas construídas antigamente, guardavam uma passagem que levava para um abrigo subterrâneo antibombas, com medo das guerras eles enchiam de suprimentos e armas caso algo ocorresse de errado e eles precisassem se abrigar, ou um porão normal, vai ficar essa duvida no ar. (Lara)
Tentei destruir a porta, mas era muito resistente, do outro lado devia ter uma arma ou alguma barra de aço impedindo que se destruísse.
– Você procurou em todos os locais da casa, mas só encontrou essa tesourinha, não é mesmo? (Lara)
– Na verdade eu não queria te atrapalhar então não procurei no quarto onde você estava dormindo. (Eu)
– Então continua tentando ai que eu vou procurar pelo quarto. (Lara)
– Tudo bem. (Eu)
Lara subiu correndo a escada enquanto eu continuei tentando destruir a porta, o que parecia impossível. Até que me dei conta do que eu estava fazendo de errado, já havia notado antes que a porta se abria para fora, então porque raios eu estava tentando “empurra-la“ com chutes. Lara gritou do quarto algo sobre achar uma caixa de ferramentas de baixo do armário, mas com poucas coisas. Desceu a escada trazendo a caixa e falando o que havia encontrado.
– Achei uma chave de fenda, dois alicates, uma serrinha, uma furadeira e bateria pra ela, com metade da carga, além de alguns parafusos e pregos. (Lara)
– Metade da carga deve ser o suficiente para abrir. (Eu)
– Se souber onde furar sim. (Lara)
– Você sabe usar, não sabe? (Eu)
– Claro que sei, pensa que sou quem? (Lara)
– A Lara, mas não pensei que soubesse fazer tanta coisa. (Eu)
– Era uma pergunta retórica, mas sim eu sei. (Lara)
– Ah, ok então. (Eu)
Lara segurou com uma das mãos a furadeira e me mandou verificar se o barulho não chamaria a atenção deles. Fiquei de trás da janela, observando quanto o número deles aumentou por tentar pegar aquele gato. Antes havia três, depois o número aumentou para sete, e agora já havia mais de dez, mas muito aglomerados para poder contar e ter certeza de quantos seriam.
– Acho que não seria a melhor hora para fazer tanto barulho. (Eu)
– Por quê? (Lara)
– Um gato pulou o portão há pouco tempo e lá agora estão aglomerados mais de dez para tentar pega-lo. (Eu)
– O que faremos, vamos esperar que eles consigam pegar o gato e depois invadam a casa? (Lara)
– Não precisa mais, o gato já passou o portão para fora e está correndo com vários deles seguindo-o. (Eu)
– Coitado, nem sabe o que está acontecendo, e mesmo assim pensa em fugir. (Lara)
– É, mas agora que ele se foi os canibais foram atrás dele, então você já pode furar. (Eu)
Ela posicionou a furadeira no canto da “porta“ e abriu um buraco nela, fazendo isso nos quatro cantos. Usando a serra fez uma linha ligando os dois pontos de cada lado, então serrou até as laterais, perguntei se não queria ajuda, mas ela disse que estava bem, era só eu vigiar a garagem. Segurou nas duas laterais, onde os buracos que ela havia feito estavam, e retirou aquela porta que agora mais parecia com uma tampa, na maçaneta estava uma corda, a pior coisa para se proteger uma porta conseguiu nos impedir, mas agora já estava aberta. Olhamos juntos lá para onde agora não havia mais uma porta.
Havia uma escada e uma imensa escuridão, o que nos esperaria lá embaixo?
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