Zombicide Lost Suvivors
4 Capítulo 3 – Feridas que não podem se fechar.
Notas iniciais
Doug continuava a caminhar cansado e sem querer desistir de sua busca por curativos nesse maldito hospital fedendo a merda, sangue e carne apodrecida. Ele sabia que mesmo depois de todos os surtos iniciais e as falhas tentativas de parar o vírus quando ainda não havia dominado todo o planeta que ainda existiam os suprimentos médicos em hospitais que não foram esgotados, e que com certeza seriam muito uteis agora que nessa época do ano a temperatura tendia a cair bastante e o clima se tornar um pouco mais cruel com os poucos sobreviventes.
Como se a vida não fosse suficientemente difícil de se lidar como estava agora, monstros, escassez de recursos e o resto da humanidade decaindo em loucura. Doug já não suportava mais ter que lidar com o inferno que a Terra havia se tornado, alguém que batalhou anos de sua vida para se tornar um médico e salvar vidas agora era obrigado a tira-las com armas de fogo para se defender. No início, quando ainda existiam outros por aí, ele deixava esse trabalho para eles. Mas alguns morreram nas tentativas de defesa das pessoas e outros simplesmente decidiram que não iriam viver mais nesse mundo.
Quando o ultimo de seus companheiros se foi, ele viu que era a hora de mudar e se adaptar ou apodrecer e morrer como um fraco que não sequer iria lutar por sua sobrevivência. Então resolveu se preparar: encontrou duas semiautomáticas com uma caixa de munição para cada, um colete aprova de bala e começou a rodar antigos hospitais, delegacias, supermercados e velhos prédios, não só procurando por recursos, comida e abrigo, mas também por sobreviventes. Afinal, o mundo pode ter mudado e ele se adaptado para ele, mas nunca iria deixar o dever de um médico de salvar uma vida morrer dentro de si.
Mesmo com o tempo que já havia se passado, Doug não havia perdido a aparência que tinha em seu dia-a-dia. Em seus 46 anos de idade, mantinha seu cabelo cinza e bem aparado, seus óculos redondos e grossos e expressão neutra de sempre. Se perguntava como ainda conseguia se manter em sanidade naquele mundo. Todas as pessoas com quem conviveu, por menor tempo que fosse já haviam perdido o controle e as esperanças tão rápido quanto ele já havia visto um câncer consumir uma pessoa. Era realmente uma merda que as coisas tenham ficado desse jeito, mas o erro médico dessa vez havia custado a humanidade sua sobrevivência e eles não tinham como evitar.
Continuou a vasculhar cada maldita sala daquele velho hospital até que pelo menos cada pedra, papel velho e poeira tivesse sido tirado do lugar. Mas mesmo com muita busca não encontrou nada que realmente valesse apena, tirando uma barra de cereal sabor banana, com a qual se alimento logo em seguida.
Agora sentado comendo aquela barrinha encostado na parede do corredor o silencio havia tomado conta de cada canto. Foi então que começou a escutar um leve arrastar acompanhado de um gemido. Um gemido igual há de uma criatura que não havia comido durante dias. Ele sabia que era uma daquelas mutações grotescas que haviam surgido com esse vírus, mas sabia melhor ainda que se atirasse nela para acabar com o sofrimento daquilo que um dia já foi uma pessoa, iria com certeza atrair atenção de outros que poderiam estar dentro da construção. Então resolveu se levantar e sair daquele local o mais rápido possível, antes que fosse avistado por uma dessas monstruosidades.
Começando a caminhar em direção a saída, avistou duas pessoas passando. Um homem aparentemente de sua idade e uma garota bem nova de cabelos em tons roxos.
Será que aquilo poderia ser real?....
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