Zodiacals Generation - fic interativa
9 O Principe Indefeso
Notas iniciais
Clã Nika – “Os vencidos pela Angustia”
– Está alguém aí...? Ai...
O ambiente completamente imerso nas trevas apenas é vencido por luzes claras e sem cor no centro de toda aquela imensidão. Por de baixo da luminosidade quase cegante encontra-se um jovem de fios loiros e orbes num tom tão cristalino de cinzento como uma linda lua cheia. No entanto, apesar de toda a beleza evidente, a pequena figura encolhida possui várias marcas pelo corpo, como quando, relembra ele, o irmão mais velho o protegeu do próprio pai raivoso. Um estado triste de ser ver em tal anjo caído, com apenas um tecido branco a envolver-lhe o corpo e a cobrir uma pequena parte das feridas.
– Onde... onde é que estou...?
O jovem tenta erguer-se mas as suas pernas parecem demasiado fracas para tal.
De repente... o espaço ao seu redor ilumina-se aos poucos, como se o dia estivesse a nascer trazendo com ele uma brisa suave que lhe magoam a pele ferida ao desfolhar as flores que vão aparecendo ao seu redor.
– Querido...
O chamamento doce obriga-o a virar-se de maneira brusca. O anjo loiro já nem se lembrava da última vez que ouvira aquela voz.
– Mãe...? – pergunta, incrédulo, ao perceber a figura angelical que voa até si.
– Eu mesma, Mika – afirma com uma voz doce e um sorriso calmo – Tiveste saudades?
Sem se aperceber, o jovem começa o soltar pequena lágrimas cheias de sentimentos reprimidos. No momento em que a mulher de longos e ondulados cabelos loiros como o Sol o abraça ele não consegue conter-se e começa a soluçar fortemente.
– M-Mãe... M-Mãe de-descu-ulpa...! – pede aos prantos, abraçado à figura materna.
A mulher apenas sorri mais um pouco e afaga os cabelos macios e tão idênticos aos seus enquanto assopra provocando um som agradável e calmante, parecido com um assobio baixo.
– A culpa não foi tua, Michael... Estava destinado, só isso – diz, tentando reconfortar o filho que ainda chorava, mesmo que mais levemente.
– M-Mas... – o loiro afasta-se um pouco para olhar a mãe nos olhos – S-Se... S-Se eu não tivesse nascido... tu não...t-t-tu n-não tinhas morrido...
Então, por alguma razão, as caricias param e o sorriso gentil da mais velha torna-se numa expressão dura.
– É, tens razão – concorda, soltando-se do abraço perante as feições desesperadas do filho – Se tu não tivesses nascido ou se quer existido... – ela ergue-se de modo a ficar a olhá-lo de cima com um sorriso de desprezo — ... eu nunca teria de ter dado a minha vida pela... tua – dizendo a última palavra com nojo.
– Mãe...?
– É, tens razão! Foi isso mesmo! – a mais velha parece quase louca de raiva e afasta-se à medida que as flores começam a murchar ao mesmo tempo – Como é que nunca percebi... A culpa é totalmente tua!
– Mãe... N-Não digas i-...
– Cala-te!
Ao gritar desta forma, com os olhos arregalados em desespero e os cabelos a escurecer lentamente, todo o campo parece estremecer, assim como o jovem anjo. O seu riso era insano demais. Ela não estava em si.
– Eu odeio-te, Michael!
Com estas palavras que magoam tanto o loiro, a mulher começa novamente a flutuar em direção ao céu escurecido, mas não se vai se antes deixar uma última frase:
– Só gostava que tivesses sido tu a morrer... não eu!
..............
– Mãe!
Com este grito súbito o jovem, antes adormecido entre lençóis coloridos e peluches fofos, acaba por cair da cama levando consigo todas as coisas em cima da cama larga.
Agora que saímos daquele sonho horrendo já posso interferir e explicar tudo.
Michael le Dezed Alencard. Um nome grande para alguém tão pequeno que nem parece merecedor dos seus 16 anos. Filho mais novo da ex-Anjo Virgo da qual absorveu todos os poderes... e vida.
Michael senta-se de maneira irrequieta e com o corpo completamente a tremer enquanto parece procurar algo no seu peito. Assim que encontra o pretendido parece ficar mais calmo. Aquele colar é muito especial para ele, dado pelo irmão mais velho que o ama mais que o próprio pai.
– Mika! Está tudo bem?!
– Nico... – chama com voz chorosa, mas sem conseguir realmente chorar depois daquela pesadelo – A mãe... Eu sonhei com ela.
A essa altura o mais velho já se encontra abraçado ao irmão como se tentasse acalma-lo de alguma forma. Nícolas sabia o quando o jovem herdeiro ficava vulnerável com aquele assunto. Era algo bem complicado.
– Nico...? Ela odeia-me? – pergunta o loiro, direto, e com uma expressão cansada no rosto de quem não consegue dormir.
– O quê?! Não! Claro que não! – o outro exclama preocupado, voltando a apertar o mais baixo num abraço apertado – Não sei de onde tiras essas ideias estúpidas, pirralho – murmura num resmungo, mas num tom carinhoso.
– Ela disse-me... num sonho, sabes?
– Então era um pesadelo, porque, já sabes como é...
– Os pesadelos são mentiras – completa o mais novo com um sorriso mínimo ao ter a franja desarrumada pela mão grande do irmão.
– Ui! O duende tem boa memória! – exclama Nícolas, brincalhão, erguendo-se do chão.
Com a provocação Michael consegue sorrir mais um pouco e deita a língua para fora, num gesto infantil e divertido.
– És um idiota, Nícolas – resmunga, voltando para a cama.
O loiro mais alto solta uma gargalhada de desprezo fingida com uma pose prepotente:
– Hunf! Já me basta ter o nome do velho então, por favor maninho, para ti fica Nico apenas – e termina com um piscar de olho que faz o outro sorrir.
Nesse momento uma terceira voz é ouvida no quarto. Uma voz forte e agressiva que faz com que Mika se encolha enquanto tenta esconder o colar que trás consigo.
– Fico feliz que o meu primeiro filho pense dessa forma! – exclama o homem forte à porta, com uma expressão de escárnio nada feliz. – É sempre bom saber que somos odiados, não é... Mika?
Ele fez de propósito. Estava claro e Michael sabe-o, mas é sempre doloroso estar constantemente a ser relembrado pelo próprio pai de que o seu nascimento não fora bem-vindo.
– Disso entendes bem tu, não é... Sr. Dezed? – imita o Nícolas mais novo, pronto para defender o irmão de qualquer investida do mais velho.
O homem trinca os dentes com raiva ao receber este tipo de resposta. Nícolas sempre fora o tipo de pessoa que defende com unhas e dentes que lhe é querido. Tanto que, certa vez, quando Dezed estava prestes a esmurrar um pequeno e totalmente indefeso Michael, o loiro mais velho colocou-se à frente e continuou a receber toda aquela raiva sem limites nem senso.
– A conversa não era contigo, Nícolas – resmunga entre dentes, com os olhos semi cerrados e as sobrancelhas franzidas – Agradeço que te cales!
– Não sei se percebeste que eu apenas fico aqui pelo Michael, sabes? – comenta com ironia – Assim que ele assumir o teu cargo serei o primeiro a afastar-me de ti, velho...!
– Olha o respei-...
– E tu sabes o que isso é?! – interrompe – Onde está o teu respeito pelo teu filho mais novo então?! É a ser um brutamontes que consegues ser um bom pai?!
Desde que os dois começaram a discutir que Michael permanecera agarrado a uma ponta da blusa do irmão, como que para travá-lo caso este decidisse avançar contra o homem, mesmo que ambos soubessem que Dezed venceria qualquer luta sem dificuldades.
No entanto o “papá” na parece com paciência hoje e apenas sái com um aviso:
– Só vim avisar que vai treinar comigo hoje, Michael. Não precisas de se quer pensar em fazer a mochila da escolha.
Nisto aí do quarto fechando a porta com um baque surdo.
– Não te preocupes, Mika... Vai ficar tudo bem.
– Espero bem que sim, Nico...
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