Zodiacals Generation - fic interativa
5 A Princesa Prateada
Notas iniciais
Clã Moorou – “Os amados pela Lua”
E pudemos, finalmente, voltar a acompanhar um clã “normal”, por assim dizer. Desta vez uma viagem longa sobre o mar até ao grande continente americano superior cujo está abençoado, curiosamente, por mais de um clã salvador. Mas no momento quero focar apenas num deles. O Clã Moorou! Clã da noite, da Lua e da salvadora de pinças afiadas, Cancêr.
Ah! Mas não me entendam mal! O seu nome verdadeiro não é Cancêr! Admitam que isso seria sem sombra de dúvidas... estranho. A esta “anja” dão o nome de...
– Idiota...
Bem... não (pelo menos não que eu saiba).
Neste momento, ao analisar o espaço ao redor, não se conseguiria perceber muita coisa se não fosse pelo grande ecrã iluminado bem ao centro da parede principal do cómodo. O local encontra-se imerso num breu pesado e abafado por uma aura nada boa vinda de um sofá mais à frente. A pequena criatura aí sentada emana uma espécie de... ódio e irritação profunda quase palpáveis.
– Como é que ela se atreve a expulsar-me do meu próprio quarto... – resmunga a figura jovem entre dentre enquanto salta de canal em canal sem parar.
A jovem a que me refiro é Caroline Moorou, herdeira da antiga Anjo Cancêr, mas, por alguma razão, a mais nova de três filhos.
O pequeno ser de cabelos aloirados e um grande laço rendado no topo da cabeça permanece encolhido num cadeirão grande o suficiente para ela se deitar e dormir, enrolada num cobertor grosso e com ornamentos de ursinhos fofos e corações. Algo do tipo seria motivo (bem grande) de vergonha para qualquer um, mas, por alguma razão, Carol consegue ter 16 anos e ainda parecer uma criança pequena e totalmente fofa.
– Ela vai ver... Enquanto ela estiver a dormir eu vou até lá e arranco-lhe os rins pelo nariz!
Certo... talvez não tããão fofa e infantil como dava a entender.
De repente ouvem-se passos no corredor o que devolve o silêncio aterrador à sala de cinema particular. O clap clap constante torna a atmosfera envolvente quase como magicamente pesada. Na mente da jovem mestra já passeavam milhares de monstros sanguinários, de presas afiadas, seis olhos e três cabeças, com escamas ou espinhos e, provavelmente, um ou dois pares de asas de aço capazes de destruírem o teto com um leve baloiçar. Com isto em mente, Carol salta rapidamente de onde estava sentada para se proteger na lateral da poltrona, com os olhos intrigantes e lilases a espreitar por cima do apoio para os braços e o corpo completamente envolto na coberta carinhosa como se tal objeto a fosse fazer ficar invisível aos olhos alheios.
No momento em que a porta se abre... o que entra no cómodo era mil vezes pior que qualquer monstro...!
Leslie...
Para os novatos aqui, Leslie é a filha mais velha da família e suposta herdeira do clã. Digo... isto antes de Caroline completar 10 anos e todos perceberem que, por alguma razão do destino traiçoeiro, fora a mais nova dos três a ficar com os poderes de cura além de, é claro, todos os outros poderes! Desde aí que as duas irmãs se odeiam mutuamente. A mais velha por culpar a irmã da sua falta de capacidades psíquicas e a mais nova por não gostar de ser constantemente inferiorizada pela outra.
Então sim, para Caroline, Leslie conseguia ser pior do que muitos dos seus pesadelos.
Ah! E sim, também era dela que a jovem mestra falava quanto à tortura por ser expulsa do próprio quarto.
– Eu sei que estás aqui, Caroline! – resmunga a mais velha, enquanto entra na sala fechando a porta atrás de si. – Esqueceste-te da TV ligada, idiota!
Ela estava a fazer de propósito e Carol sabia-o. Infelizmente para Leslie, “apelidos carinhosos” não é um dos pontos fracos da herdeira do clã. Muito pelo contrário! A jovem loira adora ouvir e ver a irmã a perder a compostura e a rebentar em palavrões quando estava (supostamente) sozinha no quarto! É de louvar a quantidade de palavras novas que a mais nova já aprendeu só com isto.
Leslie apressa-se a ligar as luzes, a desligar o aparelho eletrónico, a abrir as grandes janelas (que incomodam um pouco a visão da loira que estava perto de uma delas) e a voltar a desligar as luzes. Por alguma razão... Leslie ainda não conseguia ver a irmã.
– Arg! Eu sei que estás aqui! Aparece, sua bastarda! – rosna a morena vagueando pela grande sala agora iluminada.
A mais velha dos três irmãos insistia em mimar o irmão Jack, irmão do meio, e a menosprezar a mais nova, Caroline, a quem trata com todas as suas forças como se a loira fosse um intruso na família. “Ela é adotada!”, resmunga cada vez que alguém comenta as diferenças entre as duas. Na verdade Caroline é apenas e unicamente, em todos os sentidos, igual à mãe, a Dama de Prata.
Mas esperem! A Dama de Prata e a Dama Dourada do primeiro episódio possuem estatutos completamente diferentes! Ouro e Prata são por si só metais nobres, o que releva a posição de ex-Anjo. Já Dourado e Prateado são apenas cores representativas, menos importantes que os anteriores.
Enquanto isso Caroline permanece quieta no seu lugar.
Os passos pesados da mais velha que vagueiam pelo cómodo com raiva e ira desmedidas fazem o coração da loira tremer de... receio. Não medo, isso nunca! Leslie é capaz de perder o seu tempo diário a tentar chatear e estilhaçar a alegria da jovem salvadora mas nunca levantaria uma mão para com a mais nova. Disso Carol tem completa certeza! Até porque... caso ela se esquecesse disso era imediatamente expulsa do clã por agredir a herdeira.
Eram apenas com estes pensamentos que Caroline se sentia um pouco superior à irmã.
– Está bem! Desisto! – exclama a morena exasperada – Mas uma hora ou outra tu vais ter de aparecer, e aí...
E sai da sala com um forte bater de porta que faz o coração palpitante correr ainda mais rapidamente depois da quase paragem de susto. Mas, por alguma razão, a loira permanece na mesma posição durante alguns minutos, mesmo depois da “irmã monstruosa” ter saído com uma enorme cara de frustração. Cautela, talvez? No entanto, no preciso momento em que a jovem mestra se ergue do seu esconderijo, a porta abre-se novamente e com uma rapidez formidável.
Leslie regressara.
Os olhos atentos a qualquer movimento e a postura “pronta para qualquer coisa” demonstram que a morena esperava encontrar Carol no momento em que esta decidisse sair da sala mas ainda assim... não a vê. Passados alguns segundos sem movimentos suspeitos, Leslie acaba por suspirar resignada e abandona o local definitivamente já que desta vez deixa a porta aberta o suficiente para se ver a figura irritada a afastar-se pelo corredor.
A loira acaba por descair o corpo e a coberta, ficando de joelhos no chão forrado enquanto suspira aliviada por ter, finamente, um pouco de paz.
– Eu é que devia estar zangada... – murmura Carol, levantando-se, com um tom de aborrecimento e incredulidade – Nunca ei de entendê-la... Hunf! – resmunga baixinho, com as sobrancelhas franzidas e as bochechas infladas, de modo infantil e doce.
– Não se zangue com ela, jovem mestra – pede uma voz calma vinda da porta.
Nos primeiros segundos Caroline fica assustada com a voz repentina mas depois apercebe-se que não se tratava de Leslie, mais uma vez, mas de Olive, a filha única de um dos seus instrutores, no caso, instrutor de etiqueta. As duas são grandes amigas e nunca se “largam” nos dias em que Caroline tem aulas, assim que termina os seus deveres.
– Não precisas chamar-me assim, Olive – esclarece a loura com um meio sorriso envergonhado – Eu já te disse que somos amigas.
No entanto, em vez de uma resposta compreensível, Olive pisca o olho direito divertida e sussurra um pequeno “shiu” atrapalhado voltando logo em seguida à pose formal que adotava sempre que estava perto de adultos.
– Creio que boa educação nunca seja demais, Miss Moorou – alerta o homem recém-chegado, com uma aparência totalmente “limpa e correta”, pousando uma mão no ombro da filha – E, felizmente... – diz, dando ênfase na segunda palavra — ... a minha filha Olive tem isso bem em mente! Agora a menina... – murmura, analítico, perdendo o seu tom de orgulho – Receio que tenha apenas 15 minutos para se preparar para a nossa aula, não é assim?
Caroline percebe que ainda estava de pijama e com o cobertor de ursinhos às costas. Talvez por isso o olhar assassino do Mr. Brooks. Oh, ou talvez por causa de os fios loiros parecerem um ninho de tão desarrumados! É...talvez seja isso.
– Só 15 minutos?! – exclama exaltada.
– E nada de gritar, menina! – avisa o homem, de certa forma, calmo.
– Arg! – rosna chateada, caminhando para sair da sala – EU NÃO ESTOU A GRITAR!
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