Yume no Naka He
6 Capítulo 6 - Promessa
Eu ainda esperava, mesmo que eu a visse bem distante, eu ainda continuaria esperando, mesmo que a passagem fosse mais escura que o fundo do oceano, eu ainda iria esperar, pois por mas que as memórias se apaguem, ainda haverá vestígios no coração, é por isso então, que eu sempre continuarei esperando, até que um dia, eu possa finalmente voltar lá, naquele precioso lugar, onde fizemos nossa promessa, naquele lugar gélido e cinza, mas que com seu toque, a chama da esperança se acendia de maneira reluzente, eu sabia que se um dia eu esperasse, você iria me dar a sua mão e me puxar de volta á vida. Eu esperei, e o vento agora não pode mais parar.
Nijima mantinha a sua expressão de surpresa mediante o ato da garota, não sabia mais o que aquilo significa, mas a tranca que os prendia naquela cela, estava aberta, a estrada para fuga se iniciava, mas queria saber, queria saber como foi possível, suas memórias vagamente percorriam sua cabeça, apenas via feixes de luz passar em uma velocidade incrível, no fundo, não conseguia alcançar a parte mais distante que permanecia trancada dentro do seu peito. Ele então pegara a chave novamente, e olhando-a fixamente, tentava se lembrar, o que era aquilo?
Vagas lembranças de 3 anos atrás surgiram em sua mente, só sabia que com aquele colar, podia ir pra todos os lugares, fazer o que quisesse, e agora, talvez, as coisas começassem a quebrar o sentido, Nijima sabia que o núcleo estava sendo protegido por uma grande sombra que, caso fosse emancipada, faria seu mundo se rachar.
Nijima: Minori-Chan . . . como você sabia? O que isso significa?
Minori esboçava um leve sorriso, e simpática como sempre, colocava seus cabelos para trás, e em seguida, seu olhar voltara a ficar sério.
Minori: Eu percebi quando me trouxeram pra cá, a chave é exatamente a mesma, isso é bem estranho.
Ela olhara para o rapaz com certa desconfiança, pensava que tudo se tratava de uma armadilha preparada para ela, ia se afastando aos poucos, até que Nijima segurava sua mão.
Nijima: Não acredita mais em mim? Minori-Chan, eu realmente não entendo, como isso aconteceu, mas você não acabou de citar o destino? Você me vê como uma pessoa má?
Ao sentir o toque do garoto, Minori conseguia sentir um enorme bem estar e sensação de alívio percorrer por seu corpo, sabia que ao lado do jovem, estava segura, apesar dos acontecimentos recentes, ela iria dar a mão para ele.
Minori: Acredito que tudo isso tenha sentido, e logo, vamos encontrá-lo, mas, o mais importante agora é sairmos daqui. Não podemos simplesmente sair por aí, os prisioneiros são muitos, eles sairiam gritando, e não teríamos chances contra os dois guardas lá na frente, então precisamos pensar em algo. . .
Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos, até que de uma cela á alguns metros dali, uma lamparina se acendia, e na parede, a silhueta de dois homens mortos, com o sangue jorrado por todos os cantos, surpreendia os dois, e repentinamente, um grande homem, com roupas rasgadas, um porte físico incrível, e uma barba suja cobrindo seu rosto, aparecia na porta da cela onde haviam os corpos, e segurando a lamparina, olhava para os dois, e dizia:
- Não adianta, eu ouvi tudo, então é melhor contarem comigo.
Nijima apertara suas mãos, não sabia o que responder, mas aquilo não era bom.
- Ei, não fiquem assim, eu matei meus dois colegas só pra eles não atrapalharem, vamos, eu tenho um plano, apenas venham cá e me soltem.
Na frente da prisão, dois soldados possuindo duas katanas e algumas armas tomavam conta do local, até que os dois são deparados com Minori correndo em direção á saída, os dois sacam suas armas, e ao olharem para a garota, sangrando pelo braço, questionam:
- Você é a prisioneira 00! O que aconteceu?
Um deles mirava um revólver bem na cabeça da menina, enquanto esta, ofegante, tentava dizer alguma coisa soluçando:
Minori: O. . . o prisioneiro! Aah, o prisioneiro que colocaram comigo, ele ficou louco e tentou me matar! Ele tinha a chave pra destrancar a cela, e depois disso veio pra cima de mim, eu consegui desmaiar ele com a lamparina, façam alguma coisa!
Os guardas ficaram atentos, pegavam suas lanternas e iam em direção a cela onde supostamente estava Nijima, ao chegarem até lá, da porta, iluminavam o local, e logo atrás deles, Koshizuo, o prisioneiro que disse que poderia ajudar Minori e Nijima, segurou os dois soldados pelo pescoço, apertando fortemente, um deles, pegou sua espada e enfiou na perna do brutamontes, mas esse, nem se quer piscava, esmagava o pescoço dos dois sem problema algum, enquanto ficavam sufocados, cuspiam sangue juntamente de saliva, ele entrava na cela, jogava um deles contra a parede, e pegando a espada cravada em sua coxa, Koshizuo decaptara o primeiro soldado com apenas um sutil movimento, e o segundo, jogando na parede, rasgava sua cabeça com um corte de baixo para cima, enquanto o sangue se espalhava pelas grades e paredes da cela. Os outros prisioneiros já começavam a gritar, era questão de tempo até os guardas espalhados por ali começarem a se mexer, Nijima e Minori olham espantados para a cena que presenciaram, mas aquilo fora necessário, a ajuda do prisioneiro, agora, estavam livres para fugirem. Nijima sentia certo receio por ajudar aquele assassino, mas havia feito uma promessa, ao libertá-lo, disse que o ajudaria a escapar também, o rapaz saía todo sujo de sangue, carregando as duas katanas e algumas armas, jogara uma das espadas para o rapaz, e um revólver para Minori:
Koshizuo: Vamos dar o fora então? Ainda bem que esse molho de pimenta guardado comigo serviu pra alguma coisa, já que não ganho refeição digna a tempos.
Minori estava assustada, mas não podiam perder tempo, Nijima segura sua mão, e os três corriam dali em direção a luz que preenchia a saída daquele lugar sombrio. Ao saírem da suposta masmorra, viam que uma lua vermelha tomava conta do céu embaçado, os três corriam em linha reta tentando se distanciar do local, Minori olhava rapidamente para trás, e podia ver vários guardas os seguindo:
Minori: Nijima-Kun, eles já estão atrás da gente!
Nijima: Droga, eu não sei pra onde devemos ir, é tudo deserto por aqui, eles vão nos encontrar...
Koshizuo: Mwahahaha! Pelo visto devem ser novatos, hein?
O velho soltara uma gargalhada um tanto assustadora, juntamente de sua expressão confiante, tomava frente na corrida, e virando para esquerda, dizia enquanto sorria:
Koshizuo: Se querem escapar pra valer, vão ter que contar comigo de novo.
Os dois apenas resolviam o seguir, eles corriam em direção ao que parecia um penhasco.
Nijima: E-EI! Idiota, por ali.. não tem mais caminho D:
Koshizuo: Quem disse? No mundo, sempre há infinitos caminhos.
O homem desacelerava seus passos, segurava os braços do ‘casal’, e corria até o desfiladeiro sem temer.
Minori: O quê!? PARA!
Nijima: *Puta que paril acho que essa merda é um suicida maluco, a gente já era*
Com toda audácia, Koshizuo pulava do penhasco, mas ao olharem para baixo, havia um grande rio passando, as águas pareciam violentas, o rapaz soltava os dois, e ainda sorrindo, dizia:
Koshizuo: Se segurem, a queda vai ser dura.
Os três então caíam sobre a água, todos afundavam, um separado do outro, Koshizuo, demonstrando sua bravura, novamente segurava o braço de Minori, e a jogava como se ela fosse um pedaço de papel, até as margens próximas dali, a garota caía de costas no chão, toda molhada. Nijima conseguira se agarrar em um calho da beira, e também se salvava. Shizuo, já de pé, olhava para cima, e abaixando suas calças, mostrara seu membro para os soldados que não podiam fazer nada:
Koshizuo: MWAHAHAHAHAHA olhem para aqueles bastados, eles não podem fazer nada, malditos macaquinhos de Deus.
Nijima permanecia sem reação, tudo acontecera tão rápido que mal podia respirar, logo, se levantara, estendia sua mão para o homem, deixava sua expressão preocupada de lado, e com um sorriso confiante, agradecia:
Nijima: Obrigado tio! Eu te levei a mal no começo, pensei que era um puta de um bandido safado, estuprador, bêbado e outras coisas do tipo, mas agora vejo que estava errado, hehe.
O garoto dizia tais coisas totalmente despreocupado, acho que a adrenalina havia subido demais á cabeça dele.
Minori: # Arrepio # *ESSE IDIOTA NÃO TEM NOÇÃO DE NADA?!*
Koshizuo: MWAHAHAHA, mas você realmente acertou em tudo, menos em bêbado, faz tempo que não bebo D:
Nijima: # Arrepio 300x # *Puta que paril deixa eu pegar a Minori e...*
Minutos depois, os três caminhavam por uma aberta floresta de árvores compridas, era um dos únicos lugares que Nijima havia visto, que possuía uma vegetação rica, aquilo até lhe deixava mais calmo.
Minori: Então. . . o que vamos fazer agora? Queria procurar seus amigos, né?
Koshizuo: Não tem idéia de onde eles estão? Eu posso te guiar até lá! Sou um grande conhecedor dessas terras, boy! MWAHAHAHAHAHA.
Minori: *Mesmo já tendo ouvido várias vezes, a risada dele ainda me assusta ;;*
Nijima pensativo, não podia responder com sinceridade para o homem, ele ainda era suspeito e um tanto ameaçador, mas queria de alguma forma encontrar Yumi e os outros.
Nijima: Pra falar a verdade, eu não faço idéia de onde eles estejam, não conheço muito a redondezas aqui, mas, eles com certeza estão por perto, talvez na próxima cidade.
Koshizuo: Então vamos até lá, podemos aproveitar e beber pra caramba, já que depois que você disse, me sinto uma pessoa um tanto babaca por não beber.
Nijima: *ELE REALMENTE É LOUCO*
Caminhando por mais alguns minutos, os três se deparavam com um barulho vindo de longe, quebrando alguns galhos secos com seus pés, eles se aproximavam de uma ribanceira, o ar ficava mais úmido, e de longe, através da folhagem, viam a queda de uma enorme cachoeira, algo milagrosa, onde por hora, só haviam visto caos.
Nijima e os dois se aproximavam, tinham a expressão alegre, nem tudo em seu caminho era sangue, ainda haviam partes daquele mundo que poderiam ser salvas, a beleza restante de um mundo em colapso.
Koshizuo: EI IDIOTAS O QUE ESTÃO ESPERANDO? HERE GO!
O homem segurava novamente nos braços dos dois, que já nem estavam mais surpresos.
Minori: Sério, eu desisto ;;
Os três caíam na água, uma água cristalina, pura, com uma visão recheada de flores e mata verde clara, era um lugar realmente especial, ao lado de Minori, Nijima sorria, e dizia:
Nijima: Acho que não tem problema aproveitarmos um pouco aqui, né?
Hoshizuo: # Surge do nada # Claro que não! Esse é nosso pequeno paraíso dentro do globo da morte, mwahahahaha!
Minori sorria, apenas se sentia tranquila na presença dos dois, por mais que o brutamontes parecia ser perigoso, depois de tanto tempo, ela se sentia em um mundo normal. Nijima pegara algumas frutas dos arredores, se sentava ao lado de Minori, que estava apenas de sutian e calcinha, deixando suas roupas secarem no sol, meio tímido, o garoto se aproximava, tentando não olhar para seu corpo, apesar de sentir muita vontade.
Nijima: C-com licença! Será q-que eu... bem, sabe, eu trouxe essas frutas e...
Minori apenas olhava para o rosto envergonhado do rapaz, e sorria de maneira doce, sem ter nenhuma vergonha.
Minori: É como se estivéssemos em um parque aquático, não é? Não precisa ter vergonha bobo, sente-se aqui do meu lado, você também deveria tirar as suas roupas.
O garoto ficara brevemente corado, mas se encarando por alguns segundos, os dois começavam a rir, era um momento de tranquilidade, depois do sofrimento que haviam enfrentado. Koshizuo dormira em uma rocha sombreada, os dois jovens, ficavam olhando a queda da cachoeira e sentindo a leve brisa percorrerem por seus corpos. Nijima olhava discretamente para a face da menina ao seu lado, ela apenas fitava o horizonte, como se quisesse encontrar algo, despreocupada com a vida, mantinha seu sorriso maravilhoso que tocava o coração do rapaz, distraído, ele não percebia que Minori já estava o olhando enquanto este a fitava parecendo um tarado, Nijima mais uma vez se sentira envergonhado, abaixara seu rosto todo corado, e segurando seu colar, sentia que as coisas começavam a fazer sentido.
Minori: Lembrou de alguma coisa, Nijima-Kun?
Nijima: É só que...eu sinto que já nos encontramos antes.
Minori: Será mesmo? Mas acho meio impossível...
Enquanto segurava uma manga em sua mão, Nijima fora surpreendido por uma kunai perfurando a fruta e a fincando em uma árvore atrás de onde os dois estavam, olhando para baixo, na beira da lagoa, via um rapaz encapuçado segurando várias kunais, parecia ter longos cabelos azuis, os dois se levantavam, Minori ficara atrás de Nijima, e este, perguntara:
Nijima: Quem diabos é você agora?
Com o baralho, Koshizuo havia acordado, e ao ver o rapaz misterioso com as kunais na mão, logo, pegara uma de suas katanas, e lançara contra este primeiro, que com um chute, a mandara de volta para o homem, cortando seu ombro direito.
- Há, são apenas seres infames, que desperdício. Pensei que encontraria algo de interessante vindo aqui.
A voz do rapaz era tranquila, ele se sentava no chão como se estivesse tudo normal.
Nijima: Eu perguntei, quem é..
Interrompdio, o homem colocando suas kunais no chão, dizia:
- Corram, aqui não é seguro, é só o que vos digo.
Minori: Nijima-Kun, será que ele é algum soldado? É melhor irmos embora.
Koshizuo sangrando, balançava a cabeça em sinal negativo, e olhando para cima, soltava sua macabra e extravagante risada.
Koshizuo: MWAHAHAHAHA! Você é só mais um pseudo-fodão qualquer, então? Menos mal, estamos aqui pra relaxar, não queremos brigar nem nada, por que agora não vai dar o cu hein?
O velho ficava com uma expressão repentinamente séria, parecia estar com raiva pelo ferimento que recebia, enquanto que o homem misterioso, apenas ria.
- Hahaha, patéticos mesmo. Vocês sabem o que há em Tóquio?
Nijima: O que você sabe?
A curiosidade tomava conta do garoto, enquanto Koshizuo se aproximava vagarosamente do rapaz sentado.
- O que eu sei? O que todos vêem por aí. Deus massacrando as pessoas, Deus criando o caos, Deus acabando com o mundo, é isso que eu vejo.
Minori: Então você é nosso aliado? O que sabe sobre Tóquio?
Nijima: *Ele sabe sobre Deus? Isso poderia ser crucial, precisamos saber mais*.
Interrompido novamente, Nijima se calara enquanto o homem se pronunciara mais uma vez.
- Ei, garotos. Eu só lhes dou um conselho, apenas sigam para Tóquio e sirvam a Deus fielmente, assim, vocês serão pássaros em uma gaiola, sem correntes. Mas caso queiram optar pela liberdade mesmo, vocês serão pássaros podres amarrados em uma gaiola de merda.
Koshizuo aumentava a velocidade de seus passos, e com a katana novamente em suas mãos, ficara frente a frente do homem encapuçado, e gritava:
Koshizuo: VOCÊ SÓ PODE TÁ BRINCANDO! COMO É QUE VAMOS NOS ALIAR A DEUS SEU MALDITO? VOCÊ É UM COVARDE DE MERDA, COMO PODE FAZER ISSO TUDO, SEU INÚTIL!
O homem se segurava para não cortá-lo, até que Nijima preocupado, falara:
Nijima: Koshizuo-San, não dê ouvidos a ele, vamos embora logo. Não íamos beber na próxima cidade?
Koshizuo segurava a espada perto do pescoço do rapaz, tomava por raiva, ele pensara duas vezes, e desistia de matar.
Koshizuo: Boy, se não fosse por você, eu já teria perdido o controle, mas tem razão, vamos ignorar esse verme covarde.
Virando-se para trás, Koshizuo ia em direção a Minori e Nijima, até que, ele sente suas pernas não se mexerem.
Koshizuo: O...quê?
Ao olhar para baixo, suas pernas haviam se separado de seu corpo, o rapaz misterioso, então, se levantara, e duas kunais eram vistas enfiadas em uma rocha na frente de Koshizuo.
Nijima: KOSHIZUO! Maldito, o que você fez?
- O que eu fiz? Eu dei a ele o que merecia por me chamar de covarde apenas.
O homem se aproximava de Koshizuo, que antes, se mostrava um guerreiro forte e bruto, agora, estava caído, sangrando feito um porco, com suas pernas amputadas, tentava se levantar ou se rastejar, mas era inútil, o rapaz pegando mais uma de suas kuanais, cravava na espinha do velho.
Koshizuo olhava para Nijima, chorando, e dizia com a voz fraca:
Koshizuo: Boy...salve essa menina, eu ouvi você prometendo, um homem de verdade sempre cumpre suas promessas, vá até longe, não importe como, chegue lá.
- Você fala demais, lixo.
O homem lançara sua última kunai contra a nunca de Koshizuo, que batia sua cabeça, morto no chão.
Nijima: MINORI, CORRA DAQUI!
O garoto empurrava Minori para trás, e encarava o homem que focava os dois de baixo.
- Você disse... Minori?
Nijima tremia, não sabia o que fazer, estava desarmado, até que de longe, o ronco de um carro é ouvido se aproximando.
- Droga, temos companhia boa, então acho que nos encontramos da próxima vez, Minori-Chan.
Com um rápido movimento, o rapaz sumia na floresta, e segundos depois, um furgão aparecia quebrando os galhos de algumas árvores, e dele, desciam Ryuugu, Yume, Haruka e Nikame.
Ryuugu: Parece que meu sexto sentido não é tão mal assim.
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