Yume no Naka He

7 Capítulo 7 - Junte-se á Escuridão


Não vou deixar que tomem tudo que me pertence, mesmo que o destino seja contra, minha força de vontade é o bastante para enfrenta-lo, por que eu teria que me entregar á um futuro no qual não é digno da minha existência? Nada fazia sentido naquele lugar, nada fazia com que a luz do sol brilhasse outra vez meio a um campo de cinzas e sangue, sangue que foi derramado em prol de um único futuro, agora lavando minhas mãos eu sei que o caminho do meu destino é o que vai se tornar real, acredito até o final, que eu sempre predestinei tudo em minha volta, o local onde nós nos encontramos, era repleto de arrependimento, mas é nesse local, que eu quero ver você partir, porque é aqui que se encontra a nossa parada final.

Após serem encurralados pelo misterioso homem encapuzado, Nijima e Minori se deparavam com Ryuugu e os outros em um carro, e nesse instante, o rapaz desaparecera de suas vista, o velho homem já estava morto no chão, á pedido de Nijima, todos ali fizeram um enterro digno para este, naquele mesmo lugar, enquanto explicava o que havia acontecido, não podiam mais perder tempo parados, havia um destino a ser traçado por todos, as ruínas caíam cada vez mais depressa, o céu azul se tornava sempre mais rubro com o cair da noite, as estrelas, poucas que restavam, emergiam seu ofusco brilho diante nas nuvens de fumaça, a terra escura era coberta pelo sangue de inocentes, e isso teria de acabar.

Ryuugu: Então, já acabaram de enterrar o presunto? Agora temos que ir, não acho que os soldados são tão idiotas assim a ponto de não nos encontrarem.

Yume como sempre repreendia as falas de mal gosto do rapaz, mas de certa forma já estava acostumada, e concordava com este.

Yume: Ele tem razão Nijima-Kun, a gente tem que ir.

Com o carro, que parecia mais um furgão futurizado, havia espaço para todos.

Nijima: Mas onde diabos conseguiram isso aí?

Nikame: Ah, só matamos alguns soldados e pegamos emprestado deles.

Nijima: Mataram!? *Como ele pode falar isso tão calmamente*.

Haruka: Eu tenho um mapa aqui, tava no porta-luvas, e pelo que analisei no caminho, estamos perto do distrito de Sotoba, até Tóquio, isso levaria por volta de 2 horas ou menos, dependendo da velocidade.

Todos ficaram surpresos com o conhecimento da garota sobre a geografia do local, não esperavam isso de uma ex empregada que servia a padres corruptos.

Enquanto conversavam, Minori, por se sentir desconhecida diante de todos, ficara de lado, um pouco sem jeito, mas ao ser vista, dessa forma, por Nijima, esse se aproximara da menina, segurava sua mão, e a levava até o grupo.

Nijima: É...pessoal, não tive a chance de apresenta-la corretamente, disse que ela era uma prisioneira de onde eu fugi mas, essa é Minori, ela é uma boa garota, e vai seguir com a gente até Tóqui, por favor, se dêem bem com ela.

A garota ficara ainda mais tímida com as palavras do rapaz, se sentia uma criança, sendo que possuía a mesma idade dele.

Minori: Ah, prazer >< e Nijima-Kun, falando assim parece que é uma professora apresentando um aluno transferido no meio do ano.

Ryuugu: Não ligue pra isso, ele é idiota mesmo, vamos, entrem no carro, eu vou ali tomar um pouco d’água e já volto.

Enquanto todos iam em direção ao veículo, Ryuugu se aproximava das margens do lago, olhava para trás, e ao ver que todos estavam fora de sua visão, se ajoelhava, esmurrando o chão.

Ryuugu: DROGA! Por que... justo agora?

Ele pegava um pouco d’água e jogava em seu rosto, seu olhar parecia preocupante, algo o incomodara por dentro, tinha certa raiva, mas ao mesmo tempo apreensão, voltava-se para cima, e andava de volta ao carro.

Com todos dentro do automóvel, Nijima via que não era tão espaçoso como haviam dito, enquanto na frente, ele, Nikame e Ryuugu ficavam bem espremidos, atrás, as 3 garotas mexiam nas armas que estavam no porta-malas.

Yume: S-será que podemos usar isso mesmo?

Nijima olhava para trás com os olhos arregalados e tirava o que parecia uma Hk47 das mãos da garota.

Nijima: Mas que merda é essa? D:

Nikame: Isso? Bom, é claro que pegamos dos soldados também!

Nijima: Vocês por acaso roubaram mais alguma coisa?

Ryuugu: Bom, eu peguei essa jaqueta e a Yume umas granadas.

Nijima: ATÉ VOCÊÊÊ!?!?!?!!?!

Os 6 partiam dali em direção á Tóquio, sabiam que no caminho enfrentariam várias dificuldades, tirando o fato de que eles estavam sendo procurados, as chances de chegarem até a capital eram pequenas, mas estavam preparados para lutar, Nikame e Nijima iam para o banco de trás, e ficavam de guarda nas janelas observando o movimento na parte de fora, portando algumas armas, na frente, Minori e Haruka apenas tentavam ler o mapa, enquanto Ryuugu dirigia, esse, ainda estava estranho, permanecia calado e suando frio por parte do trajeto, olhava brevemente para Minori em certos instantes, Haruka percebia isso, mas não dizia nada. Não se passavam nem 10 minutos, e atrás dele, já surgia quatro viaturas de comando, que começavam a atirar sem exitar.

Ryuugu finalmente decidira abrir a boca, mas com certa frieza:

Ryuugu: Não se preocupem idiotas, o carro é blindado, só não coloquem a cabeça pra fora, se bem que eu nem vou ligar.

Nijima e Nikame não tinham conhecimento algum á cerca de armas, mas tinham que tomar uma atitude.

Yume: Nem pense em olhar lá pra fora – Dizia a garota enquanto olhava para seu amigo com a expressão preocupada.

Ryuugu acelerava o mais rápido que podia, era uma estrada retilínea, sem movimento algum, apenas viam de longe o horizonte coberto por neblina e rastros de sangue e casas queimando pela estrada que seguia, algumas pessoas gritavam na beira do asfalto, mas não podiam fazer nada, era como um apocalipse, literalmente, era exatamente quase um apocalipse.

Minori: Calma não precisa correr tanto.

Meio as palavra da menina, Ryuugu apenas olhava para frente tentando se concentrar, todos esperavam uma resposta grossa do mesmo, mas isso não acontecia.

Nijima: Droga, eles não param de atirar, o carro é blindado mas não vai aguentar muito tempo, se eles acertarem no pneu. . .

Ryuugu: Como se eu fosse deixar isso acontecer!

Ele atingia a velocidade máxima que podia, e sabendo as especificações do carro, ao coloca-lo no meio da estrada, dizia:

Ryuugu: Coloquem seus cintos e se preparem, Nijima e Nikami, peguem duas granadas e quando eu o fizer, acabem com eles.

Nikame: Fizer o que?

Ryuugu: Isso.

Sem esperar, o jovem dava uma brecada seca, olhava pelo retrovisor, enquanto todos eram impulsionados para frente no carro, os que os perseguiam, passariam por eles sem parar.

Ryuugu: AGORA!

Nijima atento a situação, pegava uma das granadas, e colocando a cabeça para fora do vidro, arremessava em um dos carros, e com proeza, atingia a parte inferior deste, Nikame não tivera a mesma sorte, a granada era jogada no chão, e explodia metros atrás do carro, arremessando-o para o lado. O carro que Nijima havia acertado explodia metros a frente, destroços voavam para todos os cantos, o fogo era sentido pela pele de todos que, arremessados ao chão do carro, se machucavam, mas estavam vivos, Yume olhava para trás e o último dos carros, vinha correndo em direção á eles que estavam no meio da estrada, feridos, com o furgão virado.

Yume: NIJIMA-KUN!

Nijima segurava pelo braço de Yume e a tacava para fora do veículo, Ryuugu segurava Minori, Haruka quebrava o vidro do lado direito e tentava sair, o carro se aproximava cada vez mais deles, Nikame conseguia pegar algumas armas e pular para o acostamento, Nijima era o único que ficara ali, Yume, já fora da pista, corria para pegá-lo, enquanto Ryuugu perto dela, a agarrara:

Ryuugu: Espere, e apenas observe.

Yume: *O que?*

A menos de 10 metros, Nijima deixara uma bomba armada no carro, e dava um salto com todas as suas forças, e segundos depois, ao ser atingido, os dois veículos causavam uma enorme explosão, e o garoto, conseguia se jogar atrás de um rochedo fora da estrada, por segundos. Um pneu era arremessado e atingira Nikame, que caía inconsciente no chão, as garotas corriam para o meio do deserto fora da estrada, Ryuugu ia em direção a Nikame, e Nijima tentava se levantar meio á explosão próxima de si.

Ryuugu pegara o garoto pelas costas, e se reunia com todos, porém, de longe, um dos soldados apontava para eles, e com um tiro, atingia o ombro de Minori, que caía no chão, como em um forte impulso, Ryuugu pegara uma das armas que estavam em pose de Nikame, e com um olhar frio e sanguinário, corria em direção ao soldado. Este, atirava várias vezes, mas não tinha êxito, Ryuugu se esquivara de maneira espetacular dos disparos, sem munição, o soldado apenas corria, mas Ryuugu, com toda calma, parava, apontava, e destroçava a cabeça do homem, que caía como pedaço de papel no chão de asfalto todo quebrado. A expressão do jovem mudara significativamente, tinha um sorriso sádico, outro dos soldados vivos, tentava atirar no rapaz, mas ele parecia não se importar, apenas começara a caçar um por um ali, como se fosse uma máquina de matar.

Ryuugu: Não ousem malditos, NÃO OUSEM!

Nijima observara de longe, abismado com o que via, ele se reunia com as garotas e com Nikame inconsciente, via Ryuugu acabar com a vida de muitos soldados sem nenhum esforço. Minutos depois, o rapaz, coberto com sangue e um sorriso irônico em sua face voltara para o grupo que se encontrava no chão duro no meio do nada naquela região, o fogo e a fumaça tomavam conta dos arredores, Ryuugu jogara sua arma para Nijima, se aproximara do mesmo, e dava um chute em seu rosto:

Ryuugu: Seu filho da puta, não faça algo imprudente assim de novo, você não é o herói daqui!

Ele se aproximava de Minori, enquanto esta, estava sobre os cuidados de Yume, o tiro haviam acertado abaixo de seu ombro, mas o ferimento era leve, apenas precisavam arrancar a bala. A menina, que havia feito um breve curso técnico de enfermagem, cuidava do ferimento, enquanto Haruka apreendia Ryuugu pela atitude com Nijima:

Haruka: Você está louco?

O garoto se levantava, todos estavam com medo de Ryuugu, a cena que presenciaram, era no mínimo insana, esse mesmo, olhava fixamente para Minori, que após fitar seu rosto, sentia um extremo medo do rapaz, que mantinha seu olhar de possessão sobre a menina. Outra viatura aparecia, eles então, não podiam perder mais tempo, tinham de seguir em frente:

Ryuugu: Vamos, não temos tempo a perder aqui.

Nijima nervoso com o rapaz, argumentara:

Nijima: Caralho, e a Minori-Chan?

Ryuugu: Eu a levo.

Nesse instante, Nikame recobrara a consciência, e aos poucos, ia se recompondo:

Nikame: O que tá acontecendo? Mãe?

Nijima: Ei cara, você consegue andar?

Os soldados desciam do carro, e meio aos escombros e fumaça das explosões, procuravam pelos fugitivos, dentro eles, estava Tomio.

Nikame: Pelo visto não terei escolha.

Meio á árvores seca, os 6, sangrando e perseguidos, corriam desesperadamente para um caminho incerto. Ryuugu carregava Minori e partia na dianteira, alguns tiros eram disparados aleatoriamente, enquanto Haruka, segurando o braço de Nijima, o avisa:

Haruka: Nijima-Kun, espere.

O rapaz diminuía seus passos, olhava para a menina sem entender:

Nijima: Han?

Haruka: Isso é estranho, o Ryuugu. Ele está tramando alguma coisa, durante a viagem, ele olhava para a Minori o tempo todo, e o que ele acabou de fazer...

Nijima se sentia desconfortável com as palavras da garota, não confiara em Ryuugu, e não deixaria que ele fizesse nada á Minori.

Todos continuavam a correr, até que em certo ponto, a neblina ficara mais densa, as árvores secas aumentavam, e vários rochedos cor de sangue tomavam conta da paisagem, já estavam exaustos, mas não ouviam mais tiros e som de pessoas os perseguindo.

Yume: Acho que já podemos parar, parece que não há mais ninguém nos perseguindo.

Nikame: Droga, eu sabia que não seria fácil.

Naquele instante, vários aviões passavam sobre os 6, eram caças, juntamente do que parecia uma nave moderna, o fim se tornava cada vez mais aparente, ao fundo, ecos de gritos de sofrimento eram ouvidos, o inferno havia chegado, a visão turva da terra perfurava o coração dos que resistiam.

Ryuugu colocara Minori encostada em uma das rochas, e ficara olhando para ela, que ainda sentia dor e sangrava um pouco. Yume se aproximava, pegava alguns esparadrapos e tentava diminuir o sangramento, ela tinha um pedaço de ferro na mão que usaria para tirar a bala.

Nijima: Minori-Chan não se preocupe, Yume parece meio boba mas, ela sabe o que faz, você ficará bem.

Minori: Obrigado Nijima-Kun, me perdoe por causar tantos problemas pra vocês.

Yume: Ei, vou fingir que não ouvi a parte do boba.

Ryuugu: Idiotas, pretendem perder quanto tempo mais aqui?

Nijima ficara nervoso com o rapaz, seu sangue já fervia com tudo que acontecera, e dessa vez, não se segurava.

Nijima: Se você quer ir, então dê o fora logo, não precisamos da sua ajuda, vamos ficar aqui até a Minori se recuperar, e você, o que pretende com ela? Eu vi como a pegou desesperadamente.

Ryuugu mantinha sua expressão séria e encarava o garotos olhando profundamente em seus olhos, mantinha as mãos nos bolsos de sua calça, e inesperadamente, respondia:

Ryuugu: Façam como quiserem, eu não pretendo nada com uma semi-morta. Estou indo embora, vocês nunca chegarão a Tóquio.

Nikame interrompia o jovem, e socando um dos rochedos, retrucava:

Nikame: Nós confiamos no Nijima! Vamos definitivamente chegar até lá.

Nijima: Você não tem um objetivo, diferente dos outros aqui, todos eles querem procurar algo que perderão, por isso precisamos chegar até a capital, não importa o que aconteça, eu vou levar todos até lá, eu juro.

Ryuugu expressava um irônico sorriso, e dava as costas para todos, sem dizer nada.

Haviam se passado dois dias, os 5 haviam feito um acampamento naquele local escondido, ninguém tinha aparecido, as garrafas de água que Haruka possuía em sua bolsa já estavam no fim, a comida era pouca, não podiam mais permanecer ali, Minori ainda não conseguia andar direito, mas após Yume ter retirado a bala de seu braço, já se sentia melhor.

Nijima: Precisamos ir...

Nikame: Eu já arrumei as coisas.

Haruka: De acordo com o mapa, eu...não faço idéia de onde estamos @_@

Minori: Não se preocupem, eu já consigo andar.

Nijima: Tá tudo bem mesmo Minori-Chan?

Nikame ouvia passos vindo de trás, e apontando a arma para a neblina, via a silhueta de uma pessoa em sua frente.

Ryuugu: Pelo visto sem mim os idiotas não conseguem fazer nada mesmo.

O rapaz aparecia com sua mochila com garrafas d’água e comida, continuara a caminhar até seguir para frente.

Ryuugu: Se querem chegar até o inferno, me sigam. Mas eu logo aviso, não garanto sua sobrevivência, a partir de agora, o fogo vai queimar sem dó.

Nijima não sabia o que esperar de Ryuugu, mas naquele momento, não tinha outra escolha a não ser confiar nele. Todos se levantavam, e continuavam a caminhada. Quarenta minutos depois, fortes estrondos faziam a terra tremer, o céu ficara cada vez mais escuro e a temperatura caíra, já estavam em uma região repleta por casas abandonas meio as estradas, os sons de pessoas gritando e tiros eram ouvidos mais claramente, alguns andantes passavam por eles sem dizer nada, sentiam uma aura estranha aos arredores, o medo preenchia os corações feridos de todos que olhavam para trás, o refúgio que aguardavam era uma cela repleta de serpentes famintas. Ao chegarem em uma certa elevação, viam luzes ao fundo, um caminhão passava na estrada, abrindo caminho da neblina, e como uma visão de outro mundo, os seis, estavam se deparando com um lugar onde a única regra, era morrer.

Yume: Aquilo é...

Ryuugu: Parece que Haruka estava errada.

Nijima: Tóqui!?

A cidade possuía duas torres enormes que chegavam até o céu, as nuvens a cobriam, não se sabia qual era seu limite, os prédios eram negros metálicos, havia um enorme portão cobrindo e protegendo a entrada da cidade, mais distante, aviões e helicópteros faziam patrulha, tanques de guerra eram vistos por todas as partes, soldados ficavam em cima dos portões disparando em todos que se aproximavam, era realmente, o inferno.

Notas finais
Próximo capítulo: Sacrifique o Mundo Todo.