Yume no Naka He
14 Capítulo 14 - O Verdadeiro Céu
“Agradeço sempre, todas as manhãs ao me acordar, agradeço pelas doces e gentis lembranças, que um dia, começaram a mudar o rumo da minha vida bem lentamente, e com esforço, pude encontrar o desejo que era capaz de me perseguir, a onde quer que eu fosse, aquele brilho que você deixou em mim estava presente, conseguia ver através dos meus medos, sua voz chegava para me encorajar, depois desse dia, nunca mais me prendi naquele quarto frio, encontrei o meu lugar, e é nele, que irei te recompensar. Obrigado”
O caminho era frio. Frio e quieto, tão quieto como uma sala vazia esperando para apodrecer, era uma pequena estrada de asfalto rachado, pequenas explosões eram ouvidas de longe, um brilho dourado era ofuscante á alguns quilômetros dali, o céu não se movia, o ar era morto, de alguma forma, Nijima já sabia que as esperanças de encontrar a paz, eram bem pequenas, nunca acreditou em Deus, não conseguia imaginar coisa como céu ou inferno, era um homem que vivia dos conceitos científicos, mas como todo cético, no fundo, ele queria acreditar em uma luz maior que iluminaria sua vida, quando tudo fosse apagado, lá estaria aquela calorosa luz, mas quanto mais se cansava ao caminhar, só via uma verdade assustadora. O céu era pior que a terra da escuridão. Ele havia entrado pelo portão que Misaki fez, junto desta, acompanhava Haruka em busca de seus pais. Os outros ficaram esperando, Nikame não tinha condições de caminhar ainda, e como Nijima achou perigoso, deixou que Minori, Chiwa e Yume ficassem para trás, claro, não foi nada sensato deixa-las sozinhas, mas prometeu voltar logo, tinha que cumprir sua promessa a Yume, mesmo que seja uma promessa que ia se fragmentando com o passar dos minutos.
Haruka: Nijima-Kun... vamos voltar.
Dizia Haruka, com os olhos lacrimejando, seu rosto corado e conformada com tudo, só queria ficar ao lado de seu amigo, que a levou tão longe, que a salvou de uma vida angustiante, queria ao menos poupá-lo de mais trabalho.
Nijima: Haruka-Chan...
Ele olhava para os lados, não havia sinal de vida, sinal de nada. Era apenas o asfalto rachado e a luz radiante que vi no horizonte.
Nijima: Aquela luz, se chegarmos até lá...
Misaki: Eu já fui até lá.
A garota, que agora, fazia parte do grupo de Nijima, mesmo que forçadamente, dizia que era lá, de onde aquela luz vinha, que tudo seria encontrado. Nijima e Haruka decidem verificar, mas sem colocarem muita expectativa. Também levaram em conta que poderia ser uma armadilha de Misaki, por isso, fazia ela ir sempre na frente.
Chegando até o local, os três viam uma paisagem que fazia com que suas esperanças florescem.
Haruka: Isso é sério?
Nijima: Podemos entrar?
Era um enorme portão dourado, com mais ou menos 9 metros de altura, parecia só haver um guarda tomando conta dele, de trás, a luz se emancipava cada vez mais forte, mal conseguiam olhar para frente, Haruka estava ansiosa para ver o que havia lá dentro, poderia ser realmente a entrada do céu?
Misaki: Esperem aqui vocês.
A garota caminhara em direção ao quarto, lhe dizia algumas coisa, e através de um botão, ele abria o grande portão, fazendo um barulho assustador.
Os três entravam, cobrindo seus olhos contra o forte raio de luz, e após atravessar uma barreira, essa luz diminuía, do alto de uma colina, enxergavam um vasto campo, era uma visão incrível, o contraste da grama verde trazia calma para o local, que realmente, agora, parecia com o céu que todos imaginam. Vegetações de diversos tipos, animais, água em abundância, tudo fazia parte de um ambiente habitado pela paz, haviam várias pessoas, mas, tinha algo de errado. Nenhuma delas sorria.
Haruka: Isso é estranho. Por que todos estão sentados? Isso parece o céu.
Nijima: *Tem alguma coisa errada, muito errada*
Ele olhava para Misaki, mas a jovem parecia também não entender.
Nijima: Já esteve aqui antes?
Peguntava para Misaki, enquanto esta, olhava constantemente para seu relógio.
Misaki: É a primeira vez que passo o portão.
Haruka se aproximava de um grupo, tentando descobrir alguma coisa. Sorrindo, ela perguntava para uma velha senhora
Haruka: Com licença, senhora... por que vocês estão tristes?
A senhora apenas voltava sua face para a menina, com o olhar frio, parecia não querer responde-la. Haruka então ficava um pouco sem jeito, e em seguida, perguntava a um jovem que comia lentamente uma maçã
Haruka: Algo...aconteceu?
O jovem olhava para Haruka, Nijima e Misaki, via que eles entraram ali sem um guarda, e logo se levantara.
- Vocês são do exército?
Haruka: Exército? Do que tá falando?
- Deixe-os, eles estão mortos.
Nijima: *O quê?*
Uma mulher levantava-se, e olhando para o fundo coberto por montanhas, esticara seu braço, e com uma pequena navalha, cortava seu pulso direito, o sangue jorrava pela grama verde, seu corpo caía no chão como uma pedra.
Nijima: QUE MERDA FOI ESSA?
- Não culpe-a, muitos fazem isso todo dia. É melhor do que ser levado.
Haruka: Ser levados?
O garoto então se aproximava de Misaki, segurava seu pulso e olhava em seu relógio.
- Já é hora.
Ele olhava para um outro grupo de pessoas, distante dali, e vi que arpões perfuravam seus corpos. Helicópteros invadiam o espaço aéreo, redes eram jogadas sobre as pessoas, soldados corriam golpeando todos sem misericórdia, Haruka colocava suas mãos em sua boca, lágrimas derramavam sem parar de seus olhos, Nijima se enfurecia, o céu era artificial.
As pessoas estavam sendo capturadas e levadas com o suposto exército, que possuía o mesmo uniforme que Misaki.
Nijima: Temos que ir embora daqui, Haruka, por favor!
Haruka não o respondia, apenas chorava, Misaki estava a salva, já que fazia parte do grupo de execução, mas já não tinha mais objetivos, Otokuro era mais do que um parceiro para ela, e no instante em que o matou, sua vida também desmoronou.
- Não há como fugirem. Vejam, o portão já foi tomado.
Nijima olhava para trás, e via que estavam cercados por soldados do céu. O que mais lhe chocava, era as crianças, elas não era capturadas, eram mortas com balas na cabeça.
- Eles poupam o sofrimento delas, ao menos isso.
O garoto sorria enquanto falava.
Nijima: Do que você tá falando? O que tá acontecendo aqui!?
Misaki tomava a frente, e pretendera responder Nijima.
Misaki: É isso que você está vendo. As pessoa daqui são levadas até a área urbana de Tokyo, lá é a verdadeira casa de Deus, ou melhor, seu reino. O céu é apenas uma fachada, aqui é como uma sala de espera, velhos e crianças são mortos, pois não conseguirão trabalhar, apenas jovens e adultos são levados, quem resistir, também é morto, eu nunca cheguei até a cidade, meu trabalho é apenas do outro lado, mas, eu sei que estamos em 1810, aqui é a era feudal, e Deus, ou melhor, esse homem que se proclama Deus, está tentando fazer do Japão a primeira potencial mundial, sendo um século mais avançado do que os outros países, o que acontece aqui, é totalmente sigiloso e só o Japão tem conhecimento. Encarem a realidade, não há céu, não há inferno, é tudo a vontade do homem mais poderoso do mundo, e nós do exército, somos os privilegiados que conseguiram a vida mais digna, matando pessoas e construindo um muro de pecados. O inferno fica do outro lado, Deus e seu irmão dividiram as províncias do Japão, é tudo a mesma droga. Eu não queria acabar com suas esperanças tão cedo, por isso os acompanhei, mas agora, vocês já conseguem ver a verdade.
Haruka desabava em lágrimas. Ao seu redor, tudo que um dia sonhou, havia se afundado em escuridão. Nijima não se conformava com isso, e como sempre, tentava encorajar seus amigos com palavras que, apesar de não valerem muito no momento, eram verdadeiras
Nijima: Haruka, me escute. Eu vou encontrar sua irmã, eu vou encontrar seus pais. Nós todos vamos sair daqui certo?
Por mais que se encontrassem no vale da escuridão, ainda havia esperança. Esperança que Nijima colocara em sua ambição e coragem, não iria perder ninguém, ao se lembrar novamente de pequenas memórias do passado, seu desejo ficara ainda mais forte.
Haruka: COMO? COMO VAMOS SAIR DAQUI? OLHA ISSO...
Nijima: Eu já tenho um plano. Misaki irá nos tirar daqui.
Misaki havia entendido onde ele queria chegar. Algemava ambos, e caminhava com eles em direção a um helicóptero.
Nijima: Agora, vamos encontrar seus pais e sair dessa terra, ok?
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