Yume no Naka He

12 Capítulo 12 - Até o Portão do Céu


“Agora, tudo ficou para trás, o esquecimento preencheu as pequenas lacunas que faltavam naquela jornada, os dias felizes finalmente, ou previsivelmente, chegaram a seu fim, mas no final, creio que esteja feliz, pude cumprir aquilo que havia prometido um dia, pude olhar para frente e segurar a sua mão, e sem me arrepender, senti o calor e a ternura que seu coração emanava, agora eu sei que posso ir até as estrelas e fazê-las brilharem mais forte, apenas porque você me ensinou, que não importa o quão parecemos sem brilho, há uma luz que sempre se esconderá dentro de cada um.”

Silêncio. Era apenas o que acontecia. Yume olhava para o chão, não movia um músculo de seu corpo, seus olhos faziam um enorme esforço para não derramarem lágrimas gélidas, já passou o tempo em que as feridas se abririam mais ainda, agora a pedra segue a rolar morro abaixo, e foi apenas uma escolha, que a levou até esse desfecho. Nijima tremia, as lembranças do doce tempo que passou com sua melhor amiga, tudo vinha á tona, momentos de confraternidade, que poderia imaginar, que nunca acabariam, o que era aquele mundo? Para onde haviam sido levados? Embora o destino soubesse de cor as rotas para diversos finais, queria fazer o seu próprio sem aceitar as trivialidades da vida.

Nijima: Eu não vou aceitar, não importa o que você diga, jamais aceitarei um destino tão ingrato como esse.

O garoto dizia tais palavra também fitando o chão de terra, Haruka, Nikame, Ryuugu, Minori e Chiwa apenas se mantinham calados, era um assunto entre Yume e Nijima, um assunto em que o garoto deveria tomar partido, mas estava com medo, medo das palavras de sua amiga serem verdade, ao fundo, trovoadas cobriam o céu escuro, estava prestes a chover pela primeira vez em um reino de chamas, aquilo era um presságio para o despertar de um furacão.

Ryuugu: Levante-se de uma vez, porra. Não prometemos a todos que chegaríamos a nosso destino? Por que agora você sente dor? Não aguentou até aqui? Falta pouco, então deixa de ser covarde, Nijima se esforçou por você, por todo mundo, retribua isso com apenas alguns passos a mais, você consegue.

As palavras do jovem haviam surpreendido a todos, nunca esperavam que Ryuugu fosse desse jeito, por mais que Nijima e Haruka desconfiassem de si, no fundo, sentiam uma aura responsável exalar do rapaz, que dava as costas, e continuava a percorer o caminho até o portão do céu.

Minori: NIJIMA-KUN! Yume-San, todo mundo...é hora de partir.

Nijima olhava para o rosto de todos ali, estendia sua mão para Yume, e apenas esperava ela tomar alguma atitude. A garota enxugava suas últimas lágrimas, sorria da mesma maneira que sempre sorriu, transparecendo energia, Nikame respirava aliviado, um forte aperto no coração tomava conta de Nijima, mas este, sabia que teria que ser o mais forte dali, até o momento em que o sol brilhassem e iluminasse seus caminhos, iria manter Yume segura.

Nijima: Eu vou até o fim com você, se um milagre aconteceu uma vez, ele pode acontecer cem vezes. Apenas não desista de acreditar.

Yume ficava de pé, tirava a poeira de sua roupa, e depois de balançar a cabeça negativamente, ia de encontro ao corpo de Nijima, apertava suas costas com certa vitalidade, lhe dando um forte abraço:

Yume: Obrigada, por você que eu vejo pequenas esperanças aparecerem diante de uma poço infinito, você consegue trazer de volta uma vida apagada, Nijima-Kun.

Minori ficara cabisbaixa, estava feliz pela recuperação da garota, queria ver todos ali bem, mas o ciúmes que sentia de Nijima era bem aparente, tentava não demonstrar o afeto que sentia, então como sempre, tomava atitude e proferia palavras positivas:

Minori: Eu sei que falta pouco, a chuva que está por vir irá limpar todas as mágoas e sangue que ficou pelo caminho.

A mais inquieta do grupo, era com certeza Haruka. A garota, a cada passo que dava, via sua vida toda passar em um instante por seus olhos, sabia que Deus era a pessoa mais cruel que já conhecera, durante toda sua vida, sempre soube disso, mas ainda assim guardava esperanças de que o céu fosse um lugar tranquilo, de que poderia ainda ver as estrelas junto de sua querida irmã, não conseguia encaixar na cabeça a idéia de que o mundo já não era um lugar para poder se sonhar, então por que ainda guardava consigo fragmentos de um sonho que se encontrava distante? Apegada pelas palavras de Nijima, sua confiança se mantinha dura como pedra, as ruínas caíam pouco a pouco, se ficasse parada, iria apenas morrer sem ver um final, por mais que, ao chegar nas margens do céu, visse seu sonho desmoronar, queria só uma única vez, mesmo no inferno ou naquela terra desumana, agradecer sua irmã, por um dia, poder ter sonhos mais uma vez.

Nijima percebia a inquietação da garota, e enquanto todos caminhavam seguindo Ryuugu, ele segurava o ombro de Haruka, a parando.

Nijima: Sei que está com medo. Todos nós estamos. Eu quero voltar pra casa, Yume quer continuar viva, Nikame quer encontrar o lugar que sempre procurou, Minori quer saber sobre seu passado, Chiwa quer ser livre, todos nós temos objetivos distintos mas, apenas um em comum. Queremos acreditar. Acreditar que o amanhã ainda pode nascer, que a única estrela á iluminar o céu é o último desejo que saiu de todos os nossos corações. Ao chegarmos no céu, quem sabe, tudo possa estar lá, podemos encontrar seus pais, uma cura para Yume...

Ryuugu sorria ironicamente, tratava como blasfêmia as palavras de Nijima, todos no fundo, sabiam que as esperanças, não passavam de ficção.

Até que Minori, sabendo que não podia alcançar aquela única estrela distante, resolvera criar uma artificial, por mais que fosse uma estrela feita com suas mãos, ela queria acreditar em seu poder.

Minori: Nijima... me leve para o seu mundo com você! Leve todos nós, por favor, talvez seja por isso que você veio pra cá...eu não queria fazer um pedido tão egoísta mas, mas...

O garoto expressava um enorme sorriso em seus lábios, coçara a sua cabeça com a mão direita, e vislumbrando a beleza de Minori, a respondia.

Nijima: Eu estive esperando por isso o tempo todo. Vamos todos pra um mundo melhor.

Cada um ali naquele momento, cada segundo daquele momento, jamais poderiam imaginar que houvesse uma saída para o caminho do esquecimento. Era o único jeito de salvação, Nikame, esbanjando alegria por dentro, se empolgava com a idéia de ir para um mundo diferente, sem mortes, sem guerra, um mundo onde os sonhos floresciam calmamente.

Nikame: Cara, isso não vai dar merda? Digo... não somos de ‘lá’...

Nijima o olhara com reprovação, e respondia:

Nijima: E quem liga, o mundo de onde eu venho é igual a esse tempos atrás, há suas dificuldades, mas também há chances de se vencer na vida quem quiser, venha comigo.

Ryuugu: Hahahahaahaha, AHAHAHAHAHAHA! Acha mesmo que podem sair daqui? Acha mesmo que um futuro lhes aguarda? Isso é uma piada de mal gosto, vocês não sabem nada sobre o mundo. Eu não preciso mais continuar...

O garoto, dado por um ataque histérico, acabara ficando enfurecido ao ver que Minori queria seguir Nijima, sem esperanças, e sem o condutor que lhe movia, era hora de finalizar o jogo.

Ryuugu: Eu lhes desejo sorte, mas, Minori-Chan, você sabe onde é seu lugar, não sabe?

Uma forte neblina cobria o caminho dos 7, e sem poderem notar, Ryuugu havia desaparecido.

Chiwa: Pra onde... ele foi? O que tá acontecendo?

Yume: Eu tenho um mal pressentimento.

Haruka: Pessoal, eu tenho que dizer uma coisa, Ryuugu, ele...

Antes que pudesse dizer algo, um tiro acertava a perna da garota, era uma bala certeira que viera de longe, o sangue jorrava metros dali enquanto a menina caía trêmula no chão. A neblina se abaixava, Nikame e Nijima apontavam suas armas para o caminho em que a bala percorreu, e lá podiam ver duas pessoas uniformizadas, Misaki e Otokuro.

Misaki: Até que ele demorou demais, hein? Até quando pretendia brincar com essas crianças?

Otokuro: Vocês realmente nos deram trabalho viu? Aiai, quem quer se o primeiro e poupar meu tempo?

A equipe de execução havia chegado. Misaki e Otokuro pareciam não estar para brincadeira, apontavam suas armas para os seis, que apenas temiam a morte.

Haruka: Então foi o Ryuugu que contatou vocês? Foi ele!?

Misaki: Vocês são idiotas ou o quê? O garoto passou o tempo todo manipulando vocês, eu não entendo o que o chefe estava pensando, mas, sei que devemos deixar uma pessoa viva, então espero que o resto tenha uma boa morte.

Minori: Sou eu, não é?

Minori logo sabia que a pessoa que Ryuugu deixara viver, seria ela. Não entendia sua relação com o rapaz, mas percebeu pela jornada o interesse do garoto. Nijima e o resto ainda não acreditavam que haviam sido enganados.

Nijima: Antes de atirarem, poderia ao menos dizer qual era o objetivo de Ryuugu e quem era ele?

Otokuro: Não importa agora, daqui a alguns minutos vocês serão apena presuntos no chão.

Nijima: Eu tenho uma proposta. Vocês sabem o que é essa chave?

O garoto retirava o seu colar, e segurando na frente dos dois, sorria enquanto sabia que ambos tinham interesse no objeto.

Misaki: Ah, obrigado, Ryuugu estava procurando por isso.

Nijima: Estava, é?

Nijima dizia com certa expressão de ironia, era a única chance de salvação, aquele colar que guardara tantos segredos. Ele jogava o objeto para Nikame.

Nijima: Destrua-o.

Misaki: *O quê?*

Nijima: Ei, você aí, bastardo.

O rapaz, audaciosamente, apontava seu dedo para Otokuro, propondo-lhe um desafio.

Nijima: Mostre sua dignidade como homem, e lute contra mim, a aposta será essa chave que tanto almejam.

Otokuro apenas sorria, mas de algum modo, aceitava o desafio sem perguntar para Misaki.

Otokuro: E se por um acaso, um milagre acontecer e você ganhar?

Nijima: Quero que nos leve até o céu.

Otokuro jogara sua arma para Misaki, esta, o olhara com certo ar de irritação, mas seria algo tão fácil quando esmaga-los armados.

Otokuro: Muito bem, agora todos irão apreciar uma morte com minhas próprias mãos.

Notas finais
Próximo Capítulo: Nijima começa a ser massacrado por Otokuro, mas mesmo assim, não se submete ao chão, era o futuro de todos em jogo, uma luta para renascer os sonhos que apodreceram no jardim da escuridão.