Yume no Naka He
10 Capítulo 10 - Congele o Tempo que Ficou pra Trás
“Foi ouvido o grito de socorro que clamava e suplicava por um único abraço, um único conforto, eu não tinha nada até encontrar você, eu não via nada até tocar você, o resto dos meus dias foram sumindo como plumas ao vento, em uma parque qualquer era apenas eu e o pôr-do-sol que se afastava mais e mais a cada dia que passava, contudo, no alto daquela torre, eu consegui ver que não havia limites depois do suposto finito colocado como princípio de cada um, há um oceano completo que nem as estrelas poderiam contar, mais vasto do que o sorriso daquela criança que um dia me fez parar de chorar, eu persegui esse sorriso e no fundo, eu pensei ter me lembrado, o que era realmente importante, finalmente eu soube porque não poderia mais estar aqui.”
Como em uma última ceia, Chiwa apenas deixava suas lágrimas rolarem até o chão de maneira contínua, não se quer se esforçava para manter a calma, seus olhos perdiam o brilho que sua mãe tanto se orgulhava, era o último dia para poder enxergar a lua partir do céu, o amanhã seria enaltecido pelo calor eterno, onde estivera guardada toda sua vida, todo seu destino. A garota tentava se levantar, mas estava sonsa, com um movimento, ia de boca ao chão, Nijima corria para ajuda-la, a levantara lentamente, mas a menina, em uma atitude bruta, se depatia em seus braços, querendo fugir, querendo ir para outro lugar, que não seja perto das pessoas que a fizeram sorrir pela primeira vez. Nijima segurava sua mão, e tentava olhar em seus olhos, que apenas olhavam para o céu, distantes, procurando o infinito.
Nijima: Se controle Chiwa-San, o que aconteceu? Por favor pare, você tá muito nervosa.
Minori corria para chamar ajuda da mansão, mas ao ver isso, Chiwa reagira:
Chiwa: Não vá, por favor! Não vá até a mansão, eu imploro...
Ia parando de chorar aos poucos, mas ainda soluçava, seu corpo todo tremia, Minori se aproximava da mesma, e colocando a mão em seu rosto, tentara a aliviar:
Minori: Está tudo bem, estamos todos aqui agora, não é mesmo? Não vai acontecer nada.
O sorriso da menina por segundos, conseguia acalmar a angústia da garota, mas ela abaixara a cabeça, e olhava diretamente para o colar que Nijima usava, de alguma forma, aquilo prendia sua atenção, a menina segurava o choro e o soluço e algo, bem profundo de sua mente, se liberava, era tinha rápidos deja-vus, só via a silhueta de um garoto todo manchado de sangue andando em um estrada de fogo, ela pegava o colar de Nijima, e rapidamente o soltava e olhada em seus olhos, Minori ficara enciumada, mesmo sem ter motivos para isso, fazia uma expressão um pouco desconfortável com a cena que via, Nikame percebendo isso, criaria um assunto:
Nikame: Mas o que aconteceu? Tinha muita pimenta na pipoca e por isso saiu chorando?
Minori: *Mas hein? D:’*
Chiwa olhava seriamente para Nikame, mas segundos depois, soltara uma grande gargalhada, o garoto havia conseguido distraí-la e animá-la, mas ao ver que era noite, e que o dia já ia surgir, fechava seus olhos e abaixando a cabeça dizia com a voz baixa:
Chiwa: Pessoal...obrigada por tudo, eu me divertir demais mas, agora, não podemos mais nos ver, é melhor irem embora e me deixarem.
Nijima: Você só pode tá brincando, né? Como não nos veremos mais!? Não somos amigos? Amigos não podem se ver sempre? Amigos não fazem promessas? Não dividem o lanche? Amigos não confortam uns aos outros em qualquer momento? Amigos não vão até o além para ajudar quem precisar? Por que apenas iríamos te deixar? Não há sentido nisso! Mesmo que esse mundo esteja de cabeça pra baixo, eu nunca vou abandonar alguém que criou um laço com a gente, pode ter certeza.
Chiwa abraçara fortemente Nijima, fazia isso como um último obrigado, estava feliz por ter feito amigos como eles, mas, já era tarde.
Minori dava ataques internos de euforia, ficara nervosa ao ver os dois se abraçarem, mas não tentava demonstrar, porém, era tarde, Nikame era espero e ria de canto:
Nikame: ~O ciúmes está no ar, cof cof~
Chiwa se levantava, e agora, com o tom de voz sério e confiando em seus amigos, iria lhes dizerem a verdade.
Chiwa: Eu confiei em vocês, realmente, posso lhes chamar de amigos, mas, eu quero que prometam que não irão fazer nada, e nem contar a Rin que eu disse isso, é meu único desejo, há algo que quero compartilhar.
Nijima: Não posso prometer o primeiro item mas, o segundo eu lhe garanto.
Chiwa: De qualquer forma, não há o que possam fazer...
Enquanto o relógio da igreja central da praça marcava 22:00, não restava quase ninguém por ali, o silêncio predominava por aquele lugar, era um conforto que não sentiam a algum tempo, mesmo distante, seus corações permaneciam unidos por um ideal maior, procuravam por esse destino, pelo objetivo de se reunirem mais uma vez, chegar até o fim e encontrar o que buscavam.
Chiwa: Rin-San ela.. na verdade não é minha mãe.
Minori: Mas...
Os 4 estavam novamente na frente da fonte que jorrava suas águas puras e límpidas, Nijima sentado no chão, esperava para ouvir atentamente, com os braços cruzados, ninguém sabia o que ele pensara.
Chiwa apenas olhava para baixo e prosseguia:
Chiwa: Eu fui adotada já faz 7 meses, e desde então, Rin tomou conta de mim como uma mãe, ela me deu o melhor tratamento possível, sendo de uma família rica, ela tinha todos os recursos para isso, e nesse tempo de caos, onde todos sofrem e pedem por salvação, vivendo dessa maneira, vocês se perguntam: Por que não estou feliz? Mas eu nunca fui feliz realmente. Antes de ser adotada, eu vim de muito longe, de tão distante que já nem lembro mais onde esse lugar ficava, mas eu estive lá.. tenho vagas lembranças desse tempo, foi a dois anos, e antes disso, eu não me lembro de mas nada, do meu passado, da minha infância, nada! Eu não tenho nada pra poder lembrar.. tudo que eu lembro é do meu nome e de uma pequena memória que eu tive quando era pequena. Eu e mais 4 pessoas estávamos em uma montanha vendo o sol se por, naquele dia eu vi o que realmente me importava...e sei que isso anda está dentro de mim, mesmo sem saber o que é, eu não me lembro. Voltando a dois anos atrás, eu acordei, e já estava morta
Tudo era sangue, as paredes daquele hospital, estavam todas manchadas com sangue, vários corpos no chão mutilados, eu não conseguia andar, estava deitada em uma maca no meio daquela sala, e ao cair no chão, o sangue dos mortos consumiu todo meu corpo, eu apenas gritava por ajuda, mas a porta parecia trancada, depois de 2 dias trancada ali, quase morta de fome, finalmente alguém apareceu. Pensei que essa pessoa poderia salvar a minha vida, mas, eu só pensei realmente. Era um senhor trajando roupas rasgadas, juntamente de outra garotinha, ele me resgatou, cuidou de mim durante uma semana, deu os melhores cuidados possíveis enquanto eu ainda estava de cama traumatizada com aquela cena que eu tinha visto. Me sentia confortada no fundo por estar em segurança. Depois de recuperada, eu consegui me levantar, o senhor parecia ser muito bondoso, morava em uma região agrícola, eu jamais perguntei algo sobre o hospital ou os corpos, apenas queria jogar isso fora, todas essas lembranças macabras, passava os dias ordenhando vacas, apenas vivendo uma vida normal. Ele era solteiro e tinha uma filha, a garota que estava junto dele ao me resgatar. Ela era muito gentil comigo, repartir sua refeição, sempre íamos dar uma volta no lago todo fim de tarde, porém, eis que os dias começaram a ficar mais escuros.
Em certa noite chuvosa, eu comecei a ver em meu quarto uma sombra que por trás da porta, me observava dormindo, senti medo, e corri até o senhor e ele me deixou dormir junto dele por aquele dia. Desde aquele dia, essa sombra sempre me perseguia, ia todas as noites dormir com ele, mas nas manhãs seguintes, meu corpo amanhacera dolorido, estranho, parecia que eu estava ficando doente. Hinata, sua filha, certo dia, com o calar da noite, se aproximou da minha cama, ela parecia ofegante, apenas deixou um bilhete em meu busto e saiu correndo. Nele dizia: “Vá embora amanhã mesmo, não quero que nada de mal te aconteça”. Isso podia soar como ameaça, mas eu não queria acreditar que tais palavras vinham de Hinata com a intenção de me prejudicar, talvez fosse um aviso, e realmente, era. Na manhã seguinte, acordei para tomar café, o senhor que todas as manhã parecia alegre, dessa vez, estava calado e frio. Procurei por Hinata por todos os lugares, preocupado com o que havia acontecido na noite passada, mas não pude encontrá-la, perguntei ao senhor, até que fui até seu quarto, e no lugar de sua cama com uma estampa de ursinho, não havia mais nada. O senhor disse que ela havia partido, sua mãe tinha pego sua guarda, e não podiam mais morar juntos. Talvez fosse por isso que ela havia deixado o bilhete justo ontem, sabia que iria partir. Mas eu sentia algo estranho naquele dia, entendia o sentimentos do senhor sobre a partida da sua filha mas, o bilhete me incomodava. Até que naquela mesma tarde, começou a chover de novo, deitada em meu quarto lendo um dos livros do senhor, que havia deixado em minha estante, um cheiro muito forte e desagradável corria com a água da chuva na parte de fora da casa. Curiosa, como o senhor estava dormindo, resolvi pegar o guarda-chuvas e sair para dar uma olhada, talvez algum gado dele havia morrido e o sangue estava sido trazido água pra perto do meu quarto. Mas ao sair pra fora, vi que o sangue vinha do porão no fundos daquela humilde casa. Tive medo, muito medo, mas não podia mais voltar estando lá, respirei fundo, tomei coragem, e caminhei até o local. Ao chegar perto, o cheiro estava ainda mais insuportável, tive que tampar o nariz para abrir a porta, mas eu desejei mesmo, nunca ter aberto aquilo. Lá estava o corpo de Hinata, com a cabeça toda cortada, transbordando para fora com a água que enchia o pequeno porão. Caí ajoelhada no chão, sem reação, o guarda-chuva vôou para longe, meus olhos tremiam, comecei a chorar bem baixinho para que o senhor não pudesse escutar, moravam bem longe da civilização, não havia o que fazer, apenas pedi a Deus para que me salvasse, mas ele resolveu brincar ainda mais comigo, as minhas memórias do dia em que estive naquele hospital voltaram, me lembrei de ter sido achada na mesma fazenda que eu estava, e levada até o hospital pelo senhor, que me colocou em um saco preto e me arrastou impiedosamente até o lugar. Lá, certamente era um local abandonado, também longe da civilização, quando abriram o saco onde eu estava, havia vários homens que pareciam de uma quadrilha, mais tarde descobri que eram do mercado negro, e o rapaz, o senhor em questão, estava me vendendo para eles. Porém, houve uma discussão entre eles, como prometido para o senhor, o rapazes não estavam armados para a negociação, mas o senhor mentiu, ele havia levado dois revólvers e um facão, e com isso, tirou a vida daqueles 5 homens com certa facilidade, mas não foi só isso. Depois disso, com o facão, enquanto eu estava no chão, amarrada e chorando, fechando os olhos para não ver tais cenas, ele cortou um por um, até os deixar completamente mutilados, ele gargalhava enquanto fazia tais atos, estava quase mordendo minha língua para morrer, mas algo no fundo me dizia para continuar viva. Devido ao meu choro descontrolado, o senhor ficou furioso, me golpeou com o facão, e me amarrou na única cama que havia lá, dizendo baixo em meu ouvido que se eu sobrevisse por dois dias, seria digna de ser dele. Ele então me golpeou mais uma vez, e quando adormeci, pedi a Deus mais uma vez, mesmo sabendo que ele era impiedoso, para eu não lembrar de nada ao acordar. A chuva ficava cada vez mais forte, e atrás de mim, lá estava ele, segurando o mesmo facão daquele dia, expressando o mesmo sorriso sádico, eu havia vivenciado momentos felizes com ele e Hinata, eramos uma família, mas, uma famílisa ilusória, como esse mundo em que vivemos, eu não sei porque tive que passar por isso tudo. Corri desesperadamente, me escondi dentro da casa, como morava lá, sabia onde ele guardava suas armas, indo até o local, pude encontrar um de seus revólvers, ele entrou loucamente atrás de mim, mal sabia segurar a arma, mas, naquela situação, meu dedo, instintivamente, puxou o gatilho, e quando abri os olhos, ele já estava morto em minha frente, ainda sorrindo com os olhos abertos. Foi aí que meu caminho para o inferno se tornou certo. Caminhei pela chuva tentando chegar a algum lugar, mesmo querendo não ir pra nenhum, tive que rezar pra não desejar a morte, mas ela andava me cutucando o tempo todo, até que algumas horas depois, soldados do inferno haviam me encontrado, eu estava algemada, indo direto pra um furgão. Minha cabeça ainda estava meio sonso, mas não havia como dormir com aquilo, já estava na zona da morte. A área mais devastada do Japão, Shinjuku, a cede do inferno. A pequena janela do furgão me mostrava a paisagem mirabolante que me esperava, pessoas gritando, corpos espalhados, vidas sendo corrompidas, crianças separadas de seus pais, soldados atirando, dor, sofrimento, esse mundo realmente existe? Foi o que pensei, até sentir na pele que tudo aquilo era realmente verdade. O que me impediria de perder a consciência e desejar a morte? A única libertação desse vale de lágrimas era a penitência, porque eu iria romper minha alma e continuar vivendo? No fundo algo alimentava minha singela esperança. Fui levada para dentro, ainda no primeiro dia, para o inferno. Tentei conversar, implorei, mas os soldados apenas riam de mim, um deles, me colocou em uma coleira, e me fez caminhar lentamente por uma estrada com pedaços de vidro quebrados, depois ele me ajoelhou, tive que caminhar assim durante 1 hora, estava perdendo a vontade que existia dentro de mim, meu sangue já quase se esgotara, mas era só o começo. O inferno não era um mundo jogado em chamas onde havia demônios como em fábulas e contos, era o mundo real. Pessoas reais, matavam e castigavam outras pessoas reais, o ser humano se auto destruía, era um mar de tortura e dor, haviam pessoas que tinham seus órgãos arrancados, estômagos abertos, eram forçadas e trabalhar como escravos, eu não quero mais lembrar...eu não consigo mais lembrar, pois tudo que eu vi, era pior que o inferno. Fiquei mantida lá, trabalhando em uma construção do que parecia um palácio por 2 meses, eu era uma boneca viva, não tinha mais alma, apenas obedecia sem contestar, meu corpo se movia sozinho, meus olhos não acompanhavam a realidade, a vontade de viver foi apagada permanentemente, era o que eu pensava, mas um dia, enquanto eu estava trabalhando, uma velha senhora, toda machucada e no fim da sua vida, apareceu diante de mim, ela olhou em meus olhos, e disse:
- Filha, sei que está agora apenas esperando lentamente pela morte mas, eu consigo olhar, em seus olhos, por mais que seja um brilho bem fraco, ainda há certa chama que precisa ser acessa dentro de você, não perca a fé, não perca a fé porque no fundo, se não há Deus, há ao menos algo que te faça mover para viver, enxergue isso, consiga capturar o que foi guardado a 7 palmos do seu coração, seus amigos estão te esperando, ele está te esperando, não está? Não é por isso que você está aqui?
Depois disso, ela morreu. Não consegui entender direito o que ela disse mas, havia mesmo algo que eu tinha ocultado, minhas feridas se fechavam porque eu ainda queria viver, mas como poderia viver naquelas circunstâncias? Foi quando eu pensei que não precisava viver naquelas circunstâncias, eu não fiz nada pra viver tudo aquilo, e não iria me entregar pra Deus, Diabo, e nem pra ninguém. Resolvi um dia me juntar com alguns prisioneiros rebeldes, e tentar uma fuga. Em várias tentativas falhamos, mas, em certo dia, um dos guardas do inferno, não aguentando ver as coisas que eles mesmos faziam, resolveu nos ajudar. Ele nos levou para fora de maneira discreta, a entrada era Shinjuku, logo, a saída também. Nos separamos, todos foram para caminhos diferentes, eramos 8 prisioneiros fugitivos, porém, tudo não se passava de mais um jogo diabólico de tortura. O guarda que nos soltou, tinha apostado com outro guarda do inferno para ver quem conseguiria matar mais de nós 8, era tudo uma aposta, éramos patos na mira de caçadores jogando fichas, a caçada então começara nos arredores de Shinjuku. Os dois atiravam sem piedade, me escondi atrás de uma lixeira, não tinha forças para correr nem para chorar, esperava que um milagre me salvasse, mas no momento eu era racional demais para acreditar em algo como Deus. Finalmente, haviam me achado, o homem que me soltou, era aquele a acabar com minha vida, não tentei suplicar ou implorar para viver, naquele momento meus sonhos estavam rachados, meu orgulho era a única coisa que me mantinha séria e olhando fixamente para o homem, apenas esperando pelo disparo. Eis que, de longe, uma mulher aparece. Era uma mulher loira, seus olhos brilhavam, como os meus já brilharam um dia. Ela estava acompanhada de um rapaz com cabelos azuis e um terno bem elegante, parecia ser alguém importante daquela ala, ela cochichara alguma coisa com o senhor ao seu lado, e este, se aproximando do rapaz que estava para atirar de mim, com uma palavra, o fazia se ajoelhar. A mulher, com um doce e simpático sorriso, se aproximava de mim lentamente, e estendendo sua mão, me chamava:
- Venha, vamos pra casa.
Eu não conseguia acreditar em mais ninguém, todos haviam me traído ali, aquele mundo era consumido por podridão, era o que eu acreditava, e nada me faria mudar de idéia, mas no momento, meu coração foi entregue para aquele brilho nos olhos de Rin-San, ela com seu toque, conseguiu aquecer a minha alma que fora recolada de volta aos poucos. Os dias na casa dela eram os melhores, eu lembrei do senhor que também tinha me pegado, e imaginei que tudo aquilo seria temporário, e mais uma vez, eu acho que estava certa. Depois de 3 meses que cheguei na mansão dos Okinomiya, certo dia enquanto costurava com Rin-San, um grupo de 5 soldados liderado por um rapaz, que parecia ser bastante bruto e soberano invadiu nossa casa, Rin tinha mais dois filhos homens, eles sempre cuidavam de mim, ela então me mandou se esconder lá em cima, e mais uma vez eu não pude fazer nada. Ouvia tiros e gritos se sofrimento, não queria acreditar que tudo estava se repetindo novamente, ao descer, encontrei os corpos dos meus irmãos ensanguentados e mortos no chão, Rin, no meio dos dois, apenas chorava, ela vira-se para mim, e corria para me abraçar. Depois de algum tempo eu fiquei sabendo que eles foram mortos porque Rin estava me protegendo. Os soldados sabia da minha existência, e me queriam de volta pro inferno, Rin disse que quando me viu quase sendo morta, não aguentou, mesmo ela, todos os dias, vendo coisas do tipo por onde andava, dessa vez, ela sentiu que precisava me salvar. Ela é a esposa do primeiro tenente das forças do inferno, e tinha poder para tal. Ela queria poder salvar mais vidas, ela queria poder mudar o mundo, mas era controlada por seu marido, era apenas uma marionente como eu, mas mesmo assim, ela fazia de tudo para me salvar, até sacrificar a vida de seus dois filhos. Até que um mês depois, os soldados voltaram novamente, mas Rin não estava em casa, dessa vez, apenas o senhor que parecia o comandante entrou na mansão, os empregados tentaram dizer que Rin não estava, mas ele começou a espanca-los. Eu então desci, e me dirigindo até ele, pedi para parar, com toda gentileza, o senhor imediatamente me reconheceu, mas ele não me levou, ele queria me ver sofrer mais, por ter fugido, eu merecia uma punição maior. Ele deu 3 meses para minha sentença, disse que se caso eu fugisse, Rin seria morta e todos os empregados da casa. Ele queria que eu passasse mais tempo com Rin para que essa se apegasse a mim, e no final, todos caíssem em sofrimento. Até lá, Rin sempre me protegeu, sempre me deu amor, mesmo tendo perdido seus dois filhos, tendo sua vida destruída, ela nunca me abandonou, e ela sabe que amanhã, é a minha sentença.
Todos ficaram chocados com a história, Minori sentava no canto da fonte e caía aos prantos, Nikame se virava e olhava para o horizonte, mas Nijima, apenas se lenvatava, e com um sorriso em seu rosto, estendia sua mão para Chiwa, assim como Rin fez:
Nijima: Não vou deixar mais você chorar, Chiwa-San, vamos todos juntos sair desse mundo, vamos todos juntos pra um lugar melhor, não deixarei mais que o brilho do seus olhos se apague, eu juro.
Chiwa sorria, estendia sua mão mas, logo recuara, não podia mais fugir, não podia mais lutar:
Chiwa: Eu fico feliz que tenha conhecido pessoas como vocês, mas, infelizmente eu não posso mais fugir, eu decidi, meu objetivo de vida... Eu quero que Rin viva e seja feliz, eu quero que ela permaneça em pé diante desse mundo em cinzas, ela me fez feliz diante das piores adversidades, e agora quero retribuir tudo que ela fez, eu não posso ir com vocês.
Minori: Mas e se ela for junto!?
Chiwa: Impossível, há guardas espalhados por toda cidade, vejam.
Por mais que se sentiam sozinhos ali naquela praça, havia vários guardas os observando de longe.
Chiwa: Viram? Amanhã vocês devem partir, falarei para Rin preparar comida para levarem, não sei onde vocês querem chegar mas, eu acredito que vocês conseguirão!
Nijima socara uma árvore da praça, não podia aceitar um futuro ser tirado de maneira tão simples, queria poder ajudar a garota, também sentiu algo em especial quando a tocou, seu colar o trazia sensação de nostalgia, até que Minori colocou uma das mãos em seu ombro, e o chamou:
Minori: Niji-Kun, vamos indo, no caminho pensaremos em alguma coisa.
Os quatro então voltavam para a mansão, havia pouco movimento na cidade, mas os guardas, de longe, não perdiam seu foco. Ao chegarem na casa de Rin, eles se deparavam com Ryuugu, Haruka, Yume e Rin no portão principal, todos estavam de malas prontas, e Rin, com seu sorriso encantador como sempre.
Nikame: O que...tá havendo?
Yume: Apenas entrem.
Nijima e os demais que estavam fora não conseguiam entender o que estava acontecendo, Rin os acompanhava até a entrada, e no salão principal da mansão, ela comunica:
Rin: Pessoal, obrigado por tudo, obrigado por fazerem o dia da minha filha, mas, eu posso lhes pedir um último favor?
Todos olhavam curiosos para a mulher e Nijima, sendo o suposto líder do grupo, respondia:
Nijima: Tudo que a senhora quiser.
Rin: Ara ara, eu pareço ser tão velha assim? – Sorria a mulher enquanto brincava com o garoto.
Nijima: Me perdoe, a senhora é muito gost.. er, digo, bonita para ser velha, apenas quis ter educação.
Yume: O que você quis dizer antes? e__e’
Rin continuara sua conversa e, pela primeira vez, deixara seu sorriso de lado e dava lugar a uma expressão séria, determinada.
Rin: Levem minha filha com vocês, por favor, foi pra isso que os abriguei aqui, conto com vocês!
Chiwa: O-o que é isso mãe!? A senhora só pode estar brincando! Esqueceu do que eu lhe disse? Esqueceu do que aconteceu!? NÃO POSSO APENAS PARTIR.
Rin: Não... eu não me esqueci de nada, e é por isso que estou lhe deixando partir, eu esperei até o último momento, eu sabia, que eles iriam chegar. Não se lembra, Chiwa, dos seu sonho naquela noite? Você acordou e foi correndo pra minha cama, chorando, dizendo que havia sonhado que várias pessoas vieram te salvar, pessoas queridas pra você, desde então, eu sempre me baseei nesse sonho para criar esperanças, você é uma garota especial, Chiwa-Chan, eu sabia que não peguei você por acaso, assim como vocês que vieram aqui, todos tem uma conexão bem importante, e o momento de dizer adeus finalmente chegou, eu cuidei de você até agora minha querida, mas terei que te deixar partir, eu quero que viva, quero que seja feliz e cumpra o seu objetivo, a luz que sempre te manteve viva no fundo, que sempre reanimou suas esperanças, vá atrás do seu grande ideal, um dia ainda iremos tomar chá e costurar juntas, vamos poder ver o pôr-do-sol muitas vezes, e iremos sempre andar de mãos dadas como mãe e filha, um dia, ainda chegaremos ao lugar que esperamos, minha Chiwa, agora se liberte.
A mulher, após as palavras, abria seus braços, Chiwa, sem ter o que dizer, corria para abraça-la fortemente. As duas ficavam ali, como um dos últimos momentos juntas. Chiwa não queria ir, mas não queria negar o pedido de sua mãe, já estava feliz, se sentia uma pessoa amada, e dessa vez, era de verdade.
Chiwa: Mãe...mamãe...obrigada por tudo...eu sei que algum dia iremos nos encontrar novamente, eu e você... todos nós pessoal, juntos iremos ver o mundo renascer, Nijima prometeu que cuidaria de mim, eu irei cumprir as suas ordens mamãe, eu vou procurar o que eu perdi a muito tempo.
Ryuugu: Rin nos contou tudo mas, antes, é preciso um plano para sairmos daqui. E eu já pensei em tudo.
Nikame: E desde quando você é o estrategista?
Ryuugu: Ei filho da puta, se querem levar a loira chorona, então é melhor me ouvirem.
Yume: Ele não respeita nem momentos tristes u_u’
Minori: Nos diga então, Ryuugu-San.
Ryuugu propunha que, como não podiam sair dali com Chiwa, que ela fosse escondida. Mas era impossível sair com ela pelas ruas e não ser notada pelos soldados, portanto, algum eles teria que ficar, e Chiwa se passaria por um dos 6. Todos discutiram o que poderiam fazer, quem seria o tal substituto, ele teria que dar um jeito de sair sozinho da cidade, por outro caminho, sem ser visto. Nikame então, por possuir um boné, se oferece, e como este mesmo chegou de boné na mansão, os guardas, se vissem alguém vestindo um boné, na escuridão da noite, pensariam que se tratava dele, mas, seria Chiwa quem estaria em seu lugar.
Nijima: Mas cara, você vai ficar bem? Vai conseguir sair?
Nikame: Eu sou o rei da fuga Nijima-Kun, não se preocupe, não vão me pegar.
Chiwa: Por que... vocês fazem tudo isso por mim hein?
Nikame: Você não merece, Chiwa-San? Somos todos amigos, não se lembra?
A garota apenas sorria, e estava determinada, chegaria a seu objetivo.
Todos se despediam, Rin dava alguns suprimentos para o grupo, e 23:00, era hora da partida.
Assim como planejado, todos os 6, com Chiwa desfarçada de Nikame com o cabelo entre o boné, saíam da mansão. Nikame iria sair 15 minutos depois pelas portas do fundo.
Chiwa, pela última vez, olhava para trás, e via Rin acenando, jamais iria se esquecer todos os momentos que passou com a mulher, era hora de seguir para o caminho onde as lágrimas nunca mais existiriam.
Fale com o autor