Yume no Kakera (2.0)

4 Uma visita inesperada....


Para minha surpresa, não só minha mãe, como meu avô e Souta receberam super bem a notícia.

E enquanto nós fazíamos nossa micro festinha, me emocionei várias vezes.

Era tanto carinho, que eu simplesmente não sabia com reagir.

Estava muito feliz, pela família maravilhosa que tinha.

-Quero que meu sobrinho seja forte como eu!- Souta exclamou mostrando os bracinhos.

- E eu quero que o meu bisneto seja lindo, é sábio como eu sou!- meu avô exclamou se vangloriando.

- E quem disse que é um menino? Não sabes o sexo da criança ainda...- minha mãe falou enquanto eu e ela desfazíamos a mesa.

Os dois olham um para a cara do outro, e ignorando completamente o comentário da minha mãe continuaram tentando adivinha como seria meu filho.

Ri, e voltei minha atenção para os pratos na pia.

Não me preocupava se fosse menino ou menina, só queria que nascesse saudável.

Mas ainda estava no princípio da gestação, e não sabia se o fato da criança ser parte hanyou, afetara alguma coisa nos exames normais.

Terminei de lavar a louça, e minha mãe me liberou da outras tarefas.

Não pensei duas vezes e fui para minha cama...

Sonhar com babadores, roupinhas e sapatos de bebê.

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-Vamos logo Kagome!- Souta me apresou pela milésima vez.

Finalmente havia chegado o dia da ultra-som.

E estavam todos muito ansiosos, aliás, não existia nenhum outro assunto aqui em casa ou na escola que não fosse esse.

Minhas amigas souberam na mesma semana, e depois do choque inicial, viviam me mimando de cuidados e presentinhos.

Até mesmo Hojo, que já era ultra super protetor comigo, virou praticamente meu nutricionista particular.

-Nem nasceu, e já é mimado desse jeito- falei tocando minha barriga bastante saliente para três meses.

Havia criado o costume de conversar com o bebê, e depois a mania pegou. Todos queria tocar na minha barriga, e fazer a mesma coisa.

Peguei meu casaco grosso de inverno, e coloquei por cima de uma camiseta leve. O tempo estava mudando e se eu pegasse o menor dos resfriados, tanto minha mãe quanto Hojo me matariam.

-Manaaaaaaa!-Souta gritou da escada de novo- Estamos lá fora esperando você!

Peguei minha bolsa apresada, mas desci as escadas com cuidado.

Mal cheguei na porta, comecei a reclamar da pressa exagerada do meu irmão.

-Souta, será que dá para de gritar que nem uma sirene pela casa?- Sabe que eu na.....-parei de falar na hora.

Souta estava parado no pátio, olhando para mim, e para o novo visitante.

Meu coração batia a mil por hora.

“Não pode ser!”- pensei tentando em vão me acalmar

-Mana...

-Souta, pode ir.- falei de modo seco- Minha mãe está esperando você no final da escadaria.

-Mas...

-Vai agora!-mandei e relutante o menino me obedeceu.

O rapaz continuava parado, em frente a CSA do poço come-ossos me encarando.

Então, devagar começou a se aproximar de mim.

-Não dê mais nem um passo Inuyasha!

O hanyou se assustou com a minha voz fria, e forte, mas não me desobedeceu.

Agradecendo mentalmente os céus por estar usando um casaco era o triplo do meu corpo, preferi não desafiar a visão avançada de Inuyasha e me virei de costas para ele.

-O que você faz aqui?- perguntei

-Kagome, eu....

-Não me venha com histórinhas Inuyasha- falei secamente- Diga o porque que veio aqui e rápido.

Ele ficou em silêncio, e mesmo de costas podia imaginar seu rosto naquele momento.

Assustado, e triste...

“Não importa o que aconteça. Não chore e muito menos se vire!”- gritei comigo mesma por pensamento.”

- O pessoal estava preocupado com você. Há meses que não aparece, pensamos que tinha acontecido alguma coisa.

Sorri amargamente, então ele estava aqui apenas por causa dos outros não é?

- Diga a eles que não tem com o que se preocupar.-respondi sem emoção na voz- No momento não poderei aparecer, mas enquanto eu estiver aqui, Kikyo poderá ir atrás dos fragmentos.

-Mas aconteceu alguma coisa com v...

-Nada seja de seu interesse.-cortei-o- Informe aos outros que estou bem de saúde, e que apenas preciso estar com a minha família agora.

Então, o silêncio reinou ali.

Podia sentir o vento gelado batendo em minhas costas.

Como se tentasse me convencer a virar e contar toda a verdade.

“Não. Ele não merece saber. Não vou permitir que meu filho seja visto como um fardo.”- pensei

- Se é só isso que tem que me dizer, acho que nossa conversa termina por aqui.- olhei para ele com o canto dos olhos- Por favor, retire-se da minha casa.

Ele concordou com um leve aceno de cabeça, e voltou para o poço.

Só quando já estava na metade da escadaria, me deixei ser entregue pelas lágrimas.

Minha mãe correu e me abraçou.Esperando pacientemente que eu me recuperasse, só entaão me perguntou o que havia acontecido.

Contei detalhadamente toda a história, e no final, ela apenas falou que eu devia seguir meu coração, e se ele estava dizendo para não falar nada com Inuyasha era para eu obedecê-lo.

Balancei a cabeça afirmando, e seguimos para o médico.

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O consultório era simples, mas aconchegante.

Ficamos esperando alguns minutos na sala de espera, e logo, fomos atendidas.

O médio era um antigo amigo da família, e havia cuidado da minha mãe quando ela estava esperando o Souta.

O homem era um senhor de idade, com o rosto bondoso.

Me simpatizei autenticamente com ele.

Deitei na maca,enquanto via me avô roendo as unhas de ansiedade.

De propósito, demorei bastante para me ajeitar, e para então começar a ultra-som.

Minha mãe segurava uma das minhas mãos, e juntas olhávamos para a tela.

Com cuidado o médico colocou o gel e o aparelhinho na minha barriga.

Pouco a pouco as imagens foram se formando na tela, enquanto o doutor explicava cada uma das formas.

Eu não consegui prestar muita atenção, estava admirada demais.

Era um verdadeiro milagre aquele ser crescendo dentro de mim.

Nesse meu estadão hipnótico só consegui entender algumas coisas...

Eram saudáveis. Um menino, e uma menina.

Meus gêmeos.

Não tinha palavras para explicar a emoção que eu estava sentindo.

Apenas fiquei ali, com um sorriso bobo no rosto.

Me sentindo a mãe mais feliz do mundo, e com os filhos mais lindo e perfeito do mundo.

O que mais eu poderia querer?

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Cheguei e corri direto para o telefone fazendo diversas ligações.

Minhas amigas davam gritinhos do outro lado da linha, e ficamos um tempo discutindo sobre nomes.

Cada uma dando sua opinião.

Ri muita das opções que iam deste de um simples Ken ou Sora, até Leonardo D’Caprio e Angelina Jolie.

Acabamos marcando uma reuniãozinha para terminarmos de conversar.

Desliguei o telefone, e fui até a cozinha ajudar minha mãe com o jantar.

Gostava muito de cozinhar, e felizmente, estava cada vez melhor nisso.

Mas ainda não chegava nem perto do nível da minha querida mamãe.

-Porque está tão pensativa, minha filha?- ela perguntou enquanto cortava os legumes.

-Só estava agradecendo aos céus a sorte que tive por ter uma mãe tão maravilhosa. E pedindo também para ser pelo menos um pouco como você.

Ela sorriu do jeito doce de sempre em resposta.

“ Como deve ser difícil uma criança crescer logo do carinho da mãe.... Imagino como o Inuyasha deve se sentir.”- me arrependi imediatamente do pensamento.

Durante todos esse tempo eu sempre acabava pensado nele.

E isso me irritava profundamente.

Porque mesmo depois de tudo que ele me fez, só de pensar no nome dele meu coração acelerava.

E eu não queria amá-lo, não mais.

Terminamos de preparar e servir o jantar em silêncio.

E mesmo com o clima animado da mesa, eu não consegui ficar empolgada.

Meu irmão perguntou se eu estava bem algumas vezes.

E eu sempre culpava o cansaço do dia.

Mal terminei de jantar, lavei minha lousa e me despedi do pessoal.

Dizendo que terminaria da arrumar a casa na manhã seguinte.

Como era Sábado, não iria para a escola e teria algo para ocupar minha mente.

Escovei meus dentes e coloquei meu pijama sem pressa.

Tentava me concentra em cada pequeno movimento.

Se minha mente viajasse o mínimo que fosse, acabaria pensando nele.

Fui para minha cama, virando para a parede e me cobrindo até o pescoço.

Mesmo com tantos lençóis ainda sentia um pouco de frio.

“Devo ter deixado a janela aberta”- conclui.

Mas quando estava prestes a me levantar, vejo na parede uma sombra descendo a janela.

Uma sombra alta, e que eu seria capaz de reconhecer até mesmo de olhos fechados.

Fiquei parada, fingindo que estava dormindo.

Mal conseguia respirar.

Inuyasha se aproximou lentamente de mim, e para minha surpresa acariciou de leve meu rosto.

Sua mão passava da minha têmpora até o princípio do meu pescoço.

Depois coçou a mexer no meu cabelo.

Comecei a ficar nervosa, sabia que meu coração estava acelerado, e temia que ele descobrisse que eu estava acordada.

Então, ele me deu um beijo suave na minha bochecha, sussurrando em seguida baixinho em meu ouvido:

-Eu te amo.

E antes mesmo que eu pensasse em me virar, Inuyasha já tinha partido.

Me levantei rápido e acendi a luz.

A janela estava aberta, mas não havia pegadas no chão.

Corri até ela, e não consegui ver nenhuma sombra lá fora.

Me virei e deixei meu corpo escorregar pela parede.

“Agora até minha mente está br5incando comigo.... Será que tudo o que você fez não foi o bastante, Inuyasha?”-pensei enquanto já sentindo o familiar gosto salgado na boca

- O quanto mais meu coração vai agüentar?- falei entre soluços

Mesmo sabendo que ninguém teria a resposta.

Nem eu mesma.