Yume no Kakera (2.0)

5 A súbita decisão...


Levantei tonta.

Minha cabeça latejava.

Não sabia quando havia adormecido ou como havia parado na minha cama.

Mas nada disso importava.

Arrastei me até o espelho, e não me surpreendi com meu estado...

Meus olhos estavam inchados de tanto chorar, meus cabelos completamente desalinhados, e pálida.

Sem o menor ânimo, tentei pelo menos dar um jeito cabelo e no rosto.

Minha família ficaria preocupada se me visse assim.

Penteei sem pressa os fios, e coloquei um pouco de maquiagem no rosto para esconder minha olheiras.

Só então desci.

Estavam todos reunidos para tomar café.

Me esforcei para parecer animada com a conversa, e aparentemente ninguém desconfiou.

Falei com a minha mãe que não estava me sentindo bem para ir no colégio naquele dia.

Ela queria que eu você direito pra o médico, mas consegui convencê-la de que estava apenas cansada.

Voltei para meu quarto e me certifiquei de que a janela estava trancada.

Só então pude me jogar na cama.

Minha cabeça estava em um turbilhão.

Pensava em tudo e em nada ao mesmo tempo.

Devagar, passei uma das mãos pela minha barriga já bem redonda.

"Será que agi de forma errada?"- pensei.

Apesar de tudo Inuyasha era o pai das crianças e tinha o direito de sabe que elas existiam.

"Ele ficaria feliz em saber que eu era a mãe dos filhos dele?"

Ele nunca gostou de crianças.

Vivia implicando com o Shippou, mesmo quando o pobrezinho não tinha feito nada.

Suspirei pesadamente.

-Eu não vou permitir que vocês sejam vistos como um fardo...-falei acariciando meu ventre- Vocês terão todo o amor de que precisam aqui.

Estava decidido.

Não voltaria para a Era Feudal.

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Desci apressada as escadas, ignorando os gritos da minha mãe que diziam que eu poderia cair.

Estava muito atrasada só para variar.

Hojo-kun me esperava na porta com um sorriso no rosto.

Retribuí o gesto.

-Como vai os meus afilhados?- ele passou de leve a mão na minha barriga.

-Estão ótimos, e aparentemente tem pernas fortes. Ficaram me chutando a noite inteira!-comentei rindo.

- Isso não deveria acontecer só no sexto mês?- O garoto falou preocupado

Balancei os ombros.

-Eles são apressadinhos que nem a mãe.

Rimos juntos e fomos andando.

Realmente eu parecia ter bem mais do que cinco meses.

Não só pelo tamanho do meu ventre e sim pelo desenvolvimento dos bebes.

Na ultima vez que fomos fazer a ultra-som, descobrimos que os bebes estava praticamente formados.

Exceto pelas orelhas do menino.

O médico ficou bastante supreso, e tentou me acalmar.

Mas mal sabia ele que eu tinha total certeza do porque daquilo...

O garoto seria Hanyou como o pai era.

E eu tinha minhas duvidas se a menina era de fato humana.

Mas ninguém exceto minha mãe sabia disso.

Caminhamos tranqüilamente pelas ruas de Tóquio.

Minhas roupas gigantes, faziam com o que passássemos sem chamar atenção.

Só quem fosse muito detalhista perceberia a saliência da minha barriga.

Não demorou muito para que chegássemos no museu.

Levantei uma das sobrancelhas, sem entender.

Mas o garoto apenas riu e disse que eu iria gostar.

Entramos no lugar amplo.

Instantaneamente fiquei arrepiada.

A primeira coisa que eu vi foi um grande cartaz que dizia:

15º Exposição da história do Japão Feudal.

-O-o que?-gaguejei.

Não conseguia mover um músculo dali.

-A algum tempo atrás você me disse que adorava o Japão antigo. Por isso fiz essa surpresa para você.

Sussurrei um obrigada, enquanto forçava minhas pernas a se mexerem.

Tinha um mal pressentimento sobre o que me esperava ali, mas precisava continuar.

Apertando o braço que Hojo me estendia seguimos para as alas.

O garoto começou a me guiar, contando detalhadamente a história de cada objeto que estava ali.

Fingia estar interessada, quando na verdade mal estava ouvindo o que ele dizia.

Meu coração acelerava a cada passo que dávamos.

Mesmos com os vidros, parecia que eu estava lá novamente.

As mesma roupas e armas que usavam naquela época criavam forma me movimento na minha cabeça.

-Agora vamos para a minha ala favorita- Hojo me tirou dos meus pensamentos.

Concordei, e viramos a esquerda no largo corredor.

E nada no mundo poderia me preparar para o que eu vi.

Bem no centro da sala estava o lendário kimono feito com a pele de ratos-fogo.

Uma roupa que poderia ser jogada nas chamas mais fortes, e sair sem nenhum estrago.

O kimono do meu querido Inuyasha.

Corri até lá, sem acreditar no que meus olhos viam.

- Não pode ser.-sussurrei

O garoto que estava ao meu lado, sem saber do meu desespero começou a explicar.

-Realmente é uma roupa muito bonita. Diz a leda que foi usada por um Hanyou muito poderoso a décadas atrás. Uma roupa quase indestrutível.

-Esse Hanyou...- perguntei sem desviar os olhos da oupa. Minha voz estava embargada, e inutilmente tentei faze-la parar de tremer- O que aconteceu com ele?

-Diz a lenda, que depois de uma batalha bem sangrenta, o hanyou sai bastante ferido.

Então outros yokai aproveitando de sua fraqueza, resolveram atacá-lo a noite quando este estava em sua forma humana.

Puxei o garoto pela camisa. As lágrimas já corriam livremente pelo meu rosto.

- E o que aconteceu com ele, Hojo?? Me diga logo!! O que aconteceu com o dono desse kimono??

-Ele morreu.

Soltei-o instantaneamente.

Hojo me olhava preocupado, mas eu não o enxergava.

“O meu Inuyasha....está morto?”- pensei desesperada.

Me virei para o kimono, e li cuidadosamente o que a placa dizia.

Era exatamente a mesma história que Hojo havia me contado.

Com apenas um detalhe a mais: isso teria acontecido há aproximados quinhentos anos.

Sem pensar duas vezes, comecei a correr.

Hojo gritou meu nome, mas eu ignorei.

Precisava chegar o mais rápido possível em casa.

Havia uma pequena a chance de ainda não ter acontecido essa tragédia.

E eu lutaria com todas as minhas forças para mudar essa história.

Iria salvar o Inuyasha.