Yuki no peji no ai
5 Dai 4-shō: Hazukashī
Notas iniciais

Yuki no peji no ai
Dai 4-shō:
Hazukashī.
Escrito por MrsEloi.
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Ten
Sakura contraiu as pupilas em formato de filetes verticais integradas na imensidão esmeraldina da íris ajustada a visão felina quando a borboleta de finas asas quitina de coloração azul cruzou sua lateral do seu ombro, tiritando pelo ar despreocupadamente. O inseto já a instigava há algum tempo, desde que pisara naquela região. A rosada mantinha uma distância de alguns metros de passadas atrás de Sasuke, enquanto o acompanhava ao passear pela matina tal qual todos os dias; usualmente, trajava seu quimono azulado, sem muitos contrastes na paleta de cores ou excessos de cortejos, o cabelo negrume longo e rebelde preso em uma alta presilha de ouro discreta. Apesar de não se manter extravagante, sua essência por si só ocupava esse posto. A borboleta drapeou novamente, sob as margens cálidas do lago Henkan. Sasuke rangeu o cenho, incomodado com a mana agitada da garota atrás de si. Ele sabia que algum ato impulsivo viria dali. Uma explosão de euforia a preencheu, a ponto de suas pernas magrelas trepidarem, não conseguiu se conter ao saltar súbita sob a borboleta sem medir os riscos e calcular os resultados indesejados. Claramente, a borboleta conseguiu escapar de suas garras destrambelhadas e do bote precipitado. E mais uma vez, estava submersa nas águas cristalinas, transparentes e absurdamente gélidas do lago Henkan. E convertida.
— Pelos Deuses! — o moreno praguejou ao ver a figura felina rosada completamente ensopada saltando às margens marmoreadas do lago. A garota sacolejou o corpo espontaneamente, arremessando gotículas de água do lago Henkan para todos os lados na grama verde e vívida.
A Haruno não poderia estar mais constrangida. Malditos sejam os instintos maiores que a própria racionalidade. Naquele momento, o Senhor Imperador havia descoberto sua forma felina de sete caldas e só os soberanos que governam os cinco céus seriam capazes de idealizar o quão colérico ele ficaria ao imaginar-se traído, tampouco, que ela tenha se aproveitado de sua mutação para aconchegar-se em seus braços másculos e acalentadores. Ele a consideraria dúctil e quem sabe, talvez, vulgar. Os pensamentos férteis flutuavam a ponto de leva-la à ebulição. Apostava estar corada abaixo de todo aquele pelame da face.
Sasuke dobrou os joelhos, se curvando até atingir a altura compatível à do animal, cerca de 50 centímetros de altura; com o dedo indicador, devolveu um lerdo peteleco no focinho da gata, chicoteando o vento em um estalar divertido, trazendo-a de volta à sua forma original. O moreno esmagou a vontade de rir do quão ingênua e destrambelhada a garota era, e em seu peito, libou daquela sensação de airosidade e remanso que os momentos de convívio com Sakura o fazia deleitar.
Ao converter-se, ambas as suas faces estavam vicinais o suficiente para colidir com a respiração abrasada um do outro. As sobrevestes cor rosê encharcadas e aderidas destacavam a tonalidade da pele dos ombros porcelanas de Sakura, assim como o movimentar exasperado de seu peito dispneico em um inalar ardentemente arfante. Ambas as pálpebras inferiores estavam marejadas, no qual, o Senhor Imperador jamais saberia os motivos sem especulações sonoras. Uma mente fértil criando tantas suposições infundadas, nos quais jamais, sequer passaram nos pensamentos do Imperador.
O Uchiha a empurrou de volta para o lago, tapando o rosto com o braço e saindo dali pisando duro. Ele estava embebido em constrangimento.
Sakura correu atrás do moreno, seguida de uma série de espirros consecutivos e inclino de caldas.
(...)
Sasuke descansava na varanda amadeirada e incrivelmente polida de seus aposentos apreciando o anoitecer do céu. Ao seu lado, uma silhueta felina adormecida despreocupada e ronronante. Prendeu a atenção na garota felina por mais tempo que deveria, ironizando o destino e suas travessuras. Ele sempre esteve entre as mais poderosas existências, vagou pelos mais cruéis, esmagou aqueles que o subestimaram e trouxe a mansidão dos tempos hodiernos. Protegeu o universo em distância, outrora, jamais esteve tão próximo a alguém extraordinariamente vulnerável; na qual o próprio ar pode lhe ferir a pele, delicada quanto pétalas de flores quebradiças em que se desfazem em sopros. Um homem como ele já vivera tudo. Ele pensou que sim, até então. A tanto não tem desejos, anseios e vontades, outrem agora, ele gostaria de aproveitar o máximo de tempo disponível com a garota Haruno o divertindo de maneira sutil. Seria aquele sentimento paterno? Ele jamais soubera compreender sentimentos, tampouco os teve em alguma fase de sua longa vida.
Há muito, no passado, para se tornar o ser mais forte e não possuir nenhuma possibilidade de fraqueza, removeu brutalmente seu nome do grande livro das escrituras; o Deus da Guerra jamais será capaz de amar.
O grande livro das escrituras fica localizado no Jardim Esquecido na região Oeste do Céu, sob a tutela da grande Sacerdotisa das Nuvens ll; ninguém, além dele, ousou atravessar o Céu para acessa-lo. Ali, naquele vetusto livro, está decidido o futuro amoroso de cada ser que peregrina na imensidão do universo. Ele, Uchiha Sasuke, o Deus da Guerra e o arcaico Senhor Imperador deste mundo, é incapaz de sentir amor, por quaisquer criaturas que seja. Não há como amar sem ter o nome preenchido no livro. Uma única certeza era elucidada, seja lá o for, não era amor. E aquilo o intrigava ainda mais.
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