Yuiitsu No Reigai
32 Capítulo 32 - Watashi no te o hoji shi tsudzukeru
Notas iniciais
Sim, eu me atrasei uma semana, mas... Entendam, férias, art block, outras obrigações...
E eu me sinto realmente mal, sendo que o último capítulo eu tive bastante reviews, pelo que me lembro. Enfim, obrigada, cari miei, por isso.
Enfim, era para eu postar ontem, mas só consegui terminar de escrever hoje.
E eu odiei o capítulo! Ficou muito mal escrito! *meio para baixo hoje*
E vocês vão me matar ;n;
Enfim, boa leitura.
A neve caia lentamente, embora com intensidade, naquela manhã de fevereiro, com seu céu invernal acinzentado. As ruas pouco movimentadas naquela região de Winchester permaneciam na mesma calmaria, mesmo que com um horário consideravelmente tarde, sendo que a maioria da movimentação era resultante do sinal alto que soou dentro do grande orfanato-internato, a Wammy’s House. A lareira ligada aquecia o primeiro andar, o fogo crepitando calmamente, e embora os andares acima, mais especificamente o dos dormitórios – considerando certos cômodos, principalmente –, fossem frios, todas aquelas mudanças ocorridas no decorrer do ano que havia se passado proporcionavam um calor interno que nem o mais rigoroso inverno poderia desmanchar.
Eram 12h30min, o horário em que a última aula, considerada como aula extra, terminava, liberando alunos afoitos para saírem pela cidade, se jogarem em suas camas ou, em alguns casos, estudar um pouco mais. A maioria deles descia para o refeitório ou para os jardins, antes deixando seus pertences em seus quartos, e esse seria o caso de Mihael e Mail, caso o loiro, ansioso, não tivesse puxado o amado pela mão apressadamente ao que saíram da sala de aula, antes se despedindo dos amigos. O guiou escada acima, rumando para a área onde se localizava a biblioteca, o mais novo questionando ao outro o porquê de tanta pressa, risonho. Sem levar muito tempo, logo se encontravam frente à grande porta de madeira escura que dava entrada para um dos locais mais impressionantes dali. Antes de adentrarem a sala, Mihael segurou uma das mãos de Mail, enquanto a outra era posicionada na maçaneta dourada e opaca.
- Feche os olhos. – Ele pediu sorrindo, e Mail riu em resposta, selando as pálpebras, uma das sobrancelhas arqueadas em dúvida. O loiro então girara a maçaneta com calma, empurrando a porta com um dos pés, enquanto sua mão agora livre envolvia a outra do ruivo; Não conteve o seu olhar, pousando-o na aliança prateada no anelar da mão direita de ambos, sorrindo levemente. Guiou o amado lentamente para dentro da sala, antes conferindo se tudo estava de acordo com o que havia planejado, constatando tal fato com um suspiro. Caminharam até a escrivaninha empoeirada e com alguns livros sobre si, Mihael soltando as mãos do ruivo e pegando cuidadosamente algo que repousava sobre o tampo largo, o escondendo atrás das costas. Posicionou-se então atrás de Mail, sua cabeça sobre o ombro do mais baixo e sua boca próxima ao ouvido do outro, que já tinha as bochechas tingidas em um tom rosado, mexendo os dedos impacientemente.
- Posso abrir?
- Não... – Mihael riu, o provocando. Mail, que conhecia o loiro tão bem quanto este o conhecia, estufou as bochechas em irritação, sabendo que, na verdade, o loiro apenas estava se divertindo um pouco.
- Mihael Keehl! – Ele exclamou, o cenho franzido. Mihael riu, suspirando.
- Desculpe, não pude evitar... Pode abrir... – Sussurrou calmamente, sem tirar os olhos do rosto do amado, pretendendo captar todas as suas expressões. Mail não ousou demorar, tamanha era sua ansiedade que desde pequeno não conseguia controlar, logo os belos e verdes orbes brilhantes miravam uma maleta de madeira escura, grossa e consideravelmente grande. – Feliz Aniversário, Matt! – o loiro disse calmamente, rindo enquanto fitava o namorado boquiaberto, piscando freneticamente – Vamos, não vai abrir?
Mail, mesmo que surpreso, deu alguns passos rápidos para frente, levando a mão até o feixe de metal que fechava devidamente o caixote. Cuidadosamente, o colocou para cima, abrindo ansiosamente o objeto, seus olhos ainda mais brilhantes ao encontrarem o que intencionavam encontrar; Da cor mais comum, até a mais improvável, diversos lápis, novos e postos em ordem, se espalhavam pelo primeiro lance da caixa, divididos em dois: Ao separar estes, um novo lance surgia, iniciando-se por canetas, seguidos de tintas, pinceis e outros tantos materiais de arte que Mail, certamente, usaria para seus belos trabalhos. O ruivo fechou a caixa, maravilhado e cuidadoso, virando-se em seguida para trás, encontrando o namorado que sorria gentilmente de canto, ainda com a mão nas costas.
- Mello! Obrigado! N-Não precisava! – Ele comentou, abraçando o garoto com força, envolvendo-lhe o pescoço com os braços, suas bochechas adensando o tom avermelhado, os orbes cada vez mais brilhantes. O loiro revirou os olhos, rindo baixo. – É verdade! Isso é caro e-
- Shh – Mihael colocou o indicador sobre os lábios carnudos do ruivo, o silenciando. Em seguida se inclinou, fazendo com que seus narizes roçassem um no outro, suas testas juntas e os olhos presos, cada qual mergulhando naquele a sua frente. – Desde que vamos à cidade você é apaixonado por essa caixa, além do fato de que um desenhista profissional merece o devido presente, ainda mais quando é o seu ultimo ano como um colegial... — Ah, sim! – Retirou a mão escondida das costas, levando-a até os fios ruivos, depositando entre estes uma pequenina flor amarela, igual a que havia colocado no aniversário de 16 anos de Mail. O ruivo, curioso, levou as mãos até o local, tirando-a dali para olhá-la, arqueando as sobrancelhas ao que o fizera. Sentiu as bochechas afogueadas, mas não conseguiu conter o sorriso, ainda maior, que se apossava de seus lábios. Levantou o olhar, encontrando os orbes azuis, aquele mar calmo que o levava para tão longe.
- Para não perder o costume. – O mais velho riu, envolvendo a cintura do menor carinhosamente. Mail fechou os olhos, ficando de leve na ponta dos pés, alcançando os lábios finos do outro timidamente, os tocando com leveza. Mihael automaticamente fechara seus olhos, sorrindo entre o beijo, conforme retribuía; Seus dedos se entrelaçavam, uma vez que Mihael, mesmo que sem ver, tirara a flor das mãos do amado, a voltando para entre seus fios, inquietos. Suas línguas realizavam sua dança apaixonada, embora com “passos” diferentes. Havia algo naquele selar de lábios que insistia com que eles não se afastassem tão cedo, algo que juntava suas mãos com uma força extrema, e resultava em um palpitar acelerado e desesperado no coração; Eles não entendiam muito bem no momento, e sequer queriam entender, mas no fundo de tudo aquilo, havia a dor, que imperceptivelmente crescia, conforme os minutos se passavam...
Separaram-se quando o ar fizera falta, embora continuassem com os corpos juntos, tais como suas testas, os narizes roçando e a respiração quente e ofegante uma contra a outra. Não queriam se separar, não queriam deixar de sentir a textura dos lábios e experimentar os tão diversos gostos dos mesmos, de sentir o toque leve, inalar o aroma entorpecente, provar dos beijos tímidos, dos abraços que diziam tanto ao mesmo tempo em que nada diziam. Eles não queriam deixar aquela relação que travavam se desmanchar, mas algo os inquietava, e ambos gostariam muito de poder ignorar esse sentimento que, repentinamente, os tomou, sem propósito algum.
E eles esperavam que realmente não tivesse propósito, ao que ouviram, ao longe, uma porta ser fechada com força, junta de um xingamento em uma voz que Mail reconhecia muito bem, e ouviu por três sofridos anos.
...
O jardim da Wammy’s House estava agitado, com diversos de seus alunos correndo em direção aos portões, rumando à cidade para aproveitar a liberdade de terem terminado o primeiro período de provas. Caminhavam despreocupados, sequer notando a presença de um carro de alto custo, preto, estacionado um pouco mais a frente dos grandes portões. A movimentação cessava aos poucos, e, sem mais delongas, aqueles que se encontravam dentro do veículo, observando atentamente, decidiram por sair do mesmo, discretamente se direcionando para a entrada do internato. Estavam em sete, seis garotos, altos e fortes, cujo olhar pesado resultava em calafrios, assim como o da 7ª pessoa, embora esta tivesse o seu ainda mais assustador. Rapidamente, ao chegarem à entrada, se misturaram entre os alunos que saiam, recebendo, vez ou outra, olhares duvidosos, mas seguindo em direção à entrada despreocupadamente, logo se deparando com o grande hall, quase que vazio, se não fosse por algumas pessoas prestes a sair e um pequeno grupo em um canto próximo às escadas; Os garotos conversavam, rindo, dois sentados no batente das altas janelas, morenos, embora um deles tivesse o cabelo levemente puxado para o ruivo, com os dedos entrelaçados, outros dois, um moreno e um de cabelos claros apenas de mãos dadas, discretamente, e outros dois, um albino e um garoto de cabelos negros, muito parecido com outro do grupo, que abraçava o menor por trás, a cabeça apoiada no topo da do mesmo. Os sete, já no centro do hall, pararam, voltando os olhos para o grupo, com repulsa.
- Eles são “estranhos”, provavelmente o conhecem... – Um dos garotos comentou, os outros assentindo.
- Só precisamos encontrá-lo e teremos tudo o que precisamos; Ninguém precisa saber quem é o nosso alvo. Vamos. – A voz irritante, até agora calada, soou, e seu dono caminhou até o grupo, um sorriso falso nos lábios que nunca sorriam.
- Com licença, garotos, mas, onde fica o andar das salas de aula? – Os garotos interromperam a conversa, se virando para verem quem lhes direcionava a palavra. O moreno que abraçava o albino sentiu um calafrio assim que encontrou os olhos azuis da pessoa, sentindo uma leve tontura repentina; Uma coisa ele sempre dizia, e ninguém poderia discordar: Um simples encontrar de olhos, e ele já conseguia determinar se aquela pessoa tinha ou não um bom coração. Não foi, certamente, o caso daquele momento. Ele já vira aquela pessoa, em alguma descrição, muito provavelmente, mas sacudiu a cabeça, respirando fundo.
- Subindo as escadas, senhora. – Sua voz saiu grave e séria, diferente do comum. Recebera um sorriso forçado em resposta, e se virou, sem sequer ser agradecido. O adulto voltou os olhos para os outros garotos, que riam baixo, um sorriso malicioso nos lábios enquanto olhavam para o moreno de cabelos levemente ruivos e o albino, os chamando com a cabeça, logo sendo seguida escada acima.
- Acho bom ficarmos... atentos...
- Então você também sentiu? – Elliot questionou à Beyond, que apertou Nate ainda mais em seus braços, uma onda de ciúme passando por si, ao mesmo tempo em que uma de dúvida. Julian, por sua vez, soltou a mão de Elliot, passando seu braço pelas costas do mesmo e o puxando mais para si, de uma forma protetora, tanto o albino quanto o moreno corando fortemente com o ato.
-Sim... Você também tem disso?
-Tenho... – Elliot sentia os batimentos se acelerarem aos pouco, temerosos. – E não tenho bons pressentimentos...
- Sim, principalmente com o Matt e o Mello estando... – Ele se interrompeu, arregalando os olhos – Bloody Hell...
- O que houve?! O que o Matt tem... Oh, céus! N-Não, isso é impossível!
- O que está acontecendo?! – Raito questionou, tão confuso quanto os outros.
- Vocês já viram olhos assim, não? – Beyond questionou, a voz levemente alterada. – Em alguma descrição que envolva o Matt!
- Descrição... – Lawliet pensou por um tempo, logo franzindo o cenho. – Não, isso não... seria possível..
- TUDO é possível, L! – Beyond jogou as mãos para o alto, levemente ofegante. – E quantos eram os garotos? Seis! E eles procuravam por alguém!
A esse ponto, já não restava mais dúvida entre os garotos.
- Não podemos perder mais tempo.
...
O outro grupo subiu as longas escadas até o andar acima, se deparando com um extenso e deserto corredor, repleto de portas e armários de metal. Ao lado de um desses, um garoto corpulento, alto e com uma feição ligeiramente preocupada massageava as têmporas, se assustando ao que chamaram seu nome.
- Hey, Nathan. – Um dos garotos macilentos se aproximou, cumprimentando o garoto com um empurrão, o acordando de seus devaneios.
- Ah, então vocês vieram...
- Não, idiota, isso é um clone!
- É, um clone! – Outro garoto objetou. Nathan apenas suspirou, voltando os olhos para o garoto à sua frente.
- Então... vocês vão mesmo fazer isso?
- É claro! — Ah, vai me dizer que a garotinha agora está com pena e vai abandonar o trato!
- Não, não é isso, mas... Isso pode trazer algum tipo de-
- Nathan, eu não sou de esperar... – O garoto se apressou ameaçado.
- Escute, eu-
- Apenas diga aonde, desgraçado!
- Mas-
- VAMOS, NATHAN! — O garoto gritou, tirando do bolso uma arma, apontando a mesma para o garoto enquanto o puxava pelo colarinho da camisa, os olhos repletos de fúria.
- N-No último ou p-penultimo andar, provavelmente! – O garoto soava frio, dizendo rápido. O outro rira, soltando o colarinho do garoto e abaixando a arma. Virou-se para trás, rindo, embora parasse no meio do caminho.
- Ah, sim, Nathan, mais uma coisa...
- O-O quê?
- Posso fazer um teste? – Ele riu novamente.
- Teste? Mas que tipo- Nathan foi interrompido, e o som de três tiros seguidos completaram sua frase, o acertando no peito, manchando o uniforme.
- É... Ela está funcionando muito bem... Obrigado, Nathan, você foi muito útil... haha...
...
O som seguinte não foi uma porta batendo, e sim um tiro, e foi a vez de Mihael arregalar os olhos. Fechou o caixote com pressa, o segurando em uma mão, enquanto a outra envolvia a de Mail, o puxando para o último corredor da biblioteca, colocando a maleta embaixo de uma estante e o ruivo atrás de si, ambos atrás de uma pilha de livros a serem postos de volta nas estantes. O ruivo então levou a mão até seu cabelo, notando que a pequenina flor não se encontrava mais ali, agachando e então vendo, por um vão, a mesma caída no chão, próxima à escrivaninha. Arqueou as sobrancelhas, voltando-se para Mihael.
- Mel- O loiro tampou sua boca, o puxando mais para perto. Em seguida, um estouro cortou o silêncio do local, e a porta se abriu. Mihael prendeu a respiração, trêmulo. Ouviram passos e resmungos.
- Uma biblioteca... Seria um belo lugar para eles estarem...
- Eles não devem ser tão espertos ao ponto de se esconderem tão rápido.
- É... Pff, vamos logo, só nos resta o último andar... – O garoto parou, olhando para o chão, encontrando a pequenina flor amarela, anteriormente presa nos fios ruivos. Em seguida moveu seu pé em direção à mesma, pisando sobre ela. Mail arregalou os olhos, sentido uma pontada no peito.
- O que aconteceu, Victor?
- Uma flor ridícula. Vamos. – O garoto se virou em direção à porta, quando ouviu outro tiro, olhando para trás, irritado. – O que foi isso, Peter?!
- Ah... Só quis testar a minha também! – O garoto riu, após ter atirado na planta pisoteada. Mail escondeu o rosto no peito de Mihael, mais pálido do que de costume.
- Idiota! Pare de gastar tempo com isso! Vamos! – O outro gritou, puxando o garoto, e em seguida, a porta fora fechada com força, novamente.
Mail e Mihael ficaram em silêncio por um tempo, o ruivo ainda escolhido nos braços do outro. Passado poucos segundos, eles se afastaram, e Mihael envolveu o rosto do ruivo com as mãos, olhando fundo nos orbes verdes, tentando transparecer firmeza em seu olhar, embora estivesse aflito. Respirou fundo, sentindo as mãos do ruivo sobre as suas.
– Matt, fique aqui. – Disse em um sussurro, sentindo o coração palpitando.
– Mello , o que-
– Fique aqui, certo? E, não importa o que acontecer, eu te amo e sempre vou estar com você, sim? — ele acariciou o rosto do amado, que respirava pesadamente, sentindo uma névoa de lágrimas marejar seus olhos. Mihael, embora com pressa, se inclinou, selando os lábios amados, sendo retribuído de forma desesperada, sentindo que uma pequenina lágrima já havia deslizado pela bochecha rosada do outro. Antes de quebrar o contato, a limpou com o polegar, como sempre teve o costume de fazer. Seus lábios, contra a vontade dos donos, então se separaram dolorosamente, as mãos entrelaçadas por mais alguns segundos, embora aos poucos fizessem o que mais temiam fazer. Mihael se levantou e respirou fundo, fechando o punho, ofegante, ouvindo o sussurro do amado ao que se pôs em direção à porta.
– Eu também, M- Mello...
...
Mihael espreitou o corredor, encostado à parte externa da porta da biblioteca, constatando que o mesmo encontrava-se vazio, sem um vestígio sequer de que alguém tivesse passado por ali no momento. Ele então parou, analisando uma das frases que ouvira: “Só nos resta o último andar”, o que dava a entender que seria o local abandonado, de portas trancadas e que não possuía nada além das grossas crostas de poeira. Respirou fundo, fechando os olhos; Uma coisa ele sabia: Eles estavam armados, e ele só tinha a coragem e a preocupação de salvar Mail, uma vez que, a partir da expressão feita pelo maior ao ouvir a voz dos garotos, viu nos olhos esverdeados há pouco tão brilhantes e felizes, o medo, a tensão. Cerrou punho, pensando por mais alguns segundos, antes de rumar para a escadaria longa que davam ao último andar, um olhar firme e determinado; A única coisa que ele precisava era do amor de Mail, e, merecidamente, era o que mais possuía.
...
Mail tremia, as mãos entrelaçadas uma na outra desde que Mihael saíra. Já fazia longos minutos desde então, e seu coração batia rapidamente, em desespero. Foi então que ouviu outro estouro, não como o da porta que batera anteriormente, mas de um tipo diferente, que ele reconheceu: Um tiro. Ao mesmo tempo arregalou os olhos, ao que, em sua mente, ele se lembrou de certo dia, aos seus três anos de idade, e das palavras que ouvira a mãe dizer:
– Matt, fique aqui. – Ela sussurrou, o escondendo no vão atrás do sofá.
– Mamãe, o que-
– Não saia daqui, certo? E, não importa o que acontecer, eu te amo e sempre vou estar com você, ouviu? — Acariciou o rosto do filho, dando-lhe um beijo na testa e logo se levantou, trêmula. Respirou fundo, fechando o punho, ouvindo a voz baixa do filho, uma última vez.
– Eu também, mamãe...
Então se deu conta de que ouvira as mesmas palavras minutos atrás, seu coração falhando diversas batidas.
- Não! – Exclamou para si mesmo, se levantando com pressa. – Não, não de novo! – Saiu de onde se escondia, correndo em direção à porta, abrindo a mesma com pressa. Analisou apenas a sua frente no corredor, e quando estava prestes a se virar para trás, algo lhe acertou no rosto, um punho em cada lado. Ouviu vozes conhecidas, que o importunaram por muito tempo, enquanto sentia um gosto de sangue nos lábios, o nariz logo sangrando. Caíra no chão após um empurrão, batendo a cabeça e ficando levemente desacordado, enquanto recebia diversos chutes, como antigamente; Sentia o corpo dolorido e a cabeça latejando, enquanto era puxado pelo colarinho da camiseta do uniforme, os olhos semicerrados, tentando recobrar a consciência, enquanto, turvos, ainda conseguiam ver os olhar pesado dos amigos de Nathan – que, pelo que observou, não eram mais amigos havia um tempo.
- Indo salvar seu namoradinho, Jeevas? Uma pena, vai ter que se salvar antes. – Ele riu, e outro soco fora deferido em seu rosto ferido. – Achou que só porque o idiota do Nathan parou, nós pararíamos também? Não desmanchamos tratos tão facilmente. – Não se preocupe com o loirinho arrogante e seus amigos imbecis, já estão cuidando deles.
- Ah, é! Seu aniversário não é hoje? Que tão usar realmente o presen- O garoto foi interrompido, sendo empurrado para longe, repentinamente, junto do outro que soltou Mail, ambos caindo no chão.
- Não, obrigado. Não de novo. – Mail respirava pesadamente, limpando um pouco do sangue nos lábios. Os garotos, sem reação, apenas observaram o garoto rapidamente se afastar, correndo escada acima. Ele não iria passar por aquilo de novo, não iria sofrer a partir da ordem de pessoas que foram seu pesadelo por um longo tempo; Tinha algo pelo que viver, amigos que sempre desejavam ver o ruivo com um sorriso nos lábios, irmãos, mesmo que não fossem de sangue, e aquele que lhe tirava suspiros com um simples sorriso, mãos entrelaçadas, abraços, beijos, ou somente um olhar. Ele tinha muito que viver, e não seria sozinho.
...
Mihael subiu as escadas silenciosamente, ouvindo passos mais a frente, assim como vozes irritadas. Conforme se aproximava, estas ficavam mais audíveis.
- Em nenhum lugar?! Aposto que sequer procuraram direito! – A voz esganiçada gritava, furiosa.
- Talvez eles tenham se escondido.
- E o que estão esperando?! Não sairei daqui até ver o sangue desses dois! Vamos! Vocês sabem como é o Mail, ele não pode ter mudado tanto! – Mihael arregalou os olhos com a menção do nome do amado. Fechou o punho, prendendo a respiração, pronto a subir os poucos lances de escada que davam ao ultimo pavimento, ao que sentiu mãos fortes e ásperas segurarem seus pulsos, os juntando e prendendo com força com algo semelhante a uma corda, os colocando para trás, tendo a boca tampada em seguida. Ouviu uma risada baixa.
- Não se preocupem, eu já achei um deles.
...
Mail correu até chegar aos últimos lances da escadaria, os quais subiu com calma com a intenção de ser silencioso, correndo para a parede do pequeno corredor, que dava caminho para outros poucos degraus, então o último andar. Ouviu vozes e alguns outros sons, como se alguém ou algo estivesse sendo jogado no chão, diversas vezes. Ouviu então um riso, o arrepiando; Ele conhecia o riso, o ouviu por muito tempo, e sabia o que significava ou vinha seguido deste. Aproximou-se mais, ainda de costas com a parede, tentando segurar a respiração ruidosa.
- Você devia ser mais atento, garoto. – A voz saiu como se estivesse extremamente contente com a falta de atenção. – Keehl, não é?
Mail sentiu um batimento falhar. Ele queria acreditar que aquilo não passava de um pesadelo.
- Nunca imaginei que, depois de anos, um Keehl e um Jeevas se encontrariam. Uma pena que não foi da forma que intencionávamos... – Mail franziu o cenho, confuso. – Ah, é mesmo... você não sabe da história... Interessante... – O riso novamente.
- Que... história? – O ruivo então ouviu a voz do amado, rouca e carregada de dor. Tampou a própria boca, tentando conter o mínimo barulho possível.
- Os Keehl e os Jeevas se conhecem desde o inicio da 2ª Guerra... Meu marido e seu avô eram amigos, e desde o nascimento de sua mãe e o do meu filho caçula, nossa intenção era aprofundar o laço entre as duas famílias, afinal, eram poderosos nomes na Itália, Alemanha e Inglaterra... Eles foram amigos por um longo tempo, mas então meu filho idiota conheceu uma garota, Angeline Flosi, uma vez que ele vivia mais tempo na Itália que na Inglaterra, já que nascera lá. E sua mãe conheceu outra pessoa, fazendo com que a nossa intenção fosse totalmente desmanchada. Meu filho e aquela... mulher fugiram definitivamente para a Itália, e passado alguns anos, Kristin teve você...
- K-Kristin? – Mihael franziu o cenho, com dificuldade. – Mas... ela se chamava... Margit...
- A sua verdadeira mãe era Kristin. Margit era a irmã gêmea dela. Kristin morreu no parto. – Disse despreocupada, enquanto Mihael arregalava os olhos, entendendo o porquê de ter sido tratado pela suposta mãe e pela família de uma forma tão indiferente. Ficou em silêncio, as mãos ainda presas. Seus braços doíam, assim como os diversos cortes recém feitos em sua pele, espalhados pelos braços, rosto, e pescoço. Sangrava, e aos poucos ele via sua força desvanecer, a visão levemente embaçada, mas tinha de aguentar até o último segundo. Tinha que aguentar até conseguir ver seu amado mais uma vez ou constatar que ele estava salvo. Respirou fundo, levantando o olhar.
- E o que nós temos a ver com toda essa história que já se passou? Por que o Matt ainda tem de suportar isso depois de tanto tempo?
-Porque ele é o resultado da horrível junção entre um Jeevas e um Flosi! A desonra da família! Isso faz com que ele mereça tudo isso! – Ela gritava, os olhos repletos de fúria. Em seguida riu secamente, lançando um olhar aos garotos, que sorriram sádicos, chutando o loiro; Um filete de sangue escorria pelo canto de seus lábios finos. – Ele merece a mesma infelicidade que a família teve... E depois da morte da Angeline, quem começou a fazê-lo feliz foi você, Mihael, e acho que já sabe o que isso significa.
- Não... encoste um dedo no Matt.
- Você o chama como ela... Provavelmente são deploráveis da mesma forma... – Bem, sendo assim, acho que devo fazer com você o mesmo que com ela...
Mail arregalou os olhos, sentindo-os marejados. Mordeu o lábio inferior, cerrando o punho; Ele não podia deixar aquilo acontecer de novo, ter quem amava tirado de si como sua mãe.
- Adeus, Mihael. – Ela riu, sacando a arma, prestes a apertar o gatilho, quando foi impedida por um grito, junto de passos apressados.
- Não! – Mail subiu alguns degraus, com pressa, não suportando mais ter apenas que ouvir. Mihael arregalou os olhos, e assim fez o ruivo, ao que um disparo foi ouvido, a arma, para a felicidade de Mail, não direcionada ao amado, mas sim a ele fazendo com que o tiro acertasse seu braço esquerdo. Fechou os olhos com força, sentindo aos poucos o ferimento doer fortemente, mas nada o preocupava mais do que chegar até Mihael, antes que fosse tarde. Apressou o passo, por fim chegando até a parede frente às escadas, onde o loiro o observava, os olhos repletos de desespero, por mais que estivesse aos poucos perdendo a consciência devido ao impacto dos chutes.
- Matt... Por que não ficou lá...?
- Não! Eu não posso deixar isso acontecer de novo, Mello! – O ruivo sentia as grossas e quentes gotas mancharem seu rosto, conforme ele desatava os noz da corda que prendia os pulsos do loiro. O local estava levemente cortado, uma vez que fora preso com força. Ao soltar, puxou cuidadosamente o loiro para si, de forma com que a cabeça desde ficasse contra o peito do ruivo, que o envolvia de forma protetora. – Não depois de tudo o que aconteceu...
- Matt... O que fizeram com você? Seu braço...
- N-Não importa, logo... passa. – Ele encarou os orbes azuis, que perdiam seu brilho aos poucos. – Por favor, Mello, aguente mais um pouco...
- Oras, se não é Mail Jeevas... – O ruivo levantou o olhar, encarando pela primeira vez, depois de tantos anos, o olhar frio e repulsante que tivera que suportar por três anos. Os mesmos cabelos loiros e cheios, a boca pintada de vermelho e o sorriso irônico, repleto de crueldade. Margareth Jeevas, sua avó, era a pessoa que ele mais desejava não poder mais ver. – Veio salvá-lo? Bem, está atrasado... Como sempre, o mesmo garotinho deprimente!
- Deprimente? – Ele nunca tivera um olhar tão dolorido quanto aquele. Seus olhos marejados não viam muito bem as coisas a sua frente, uma vez que também ficassem turvos aos poucos, mas ele ignorou tal fato. – Deprimente é saber que depois de tantos anos, você ainda guarda tudo isso! Qual o propósito de querer tanto a desgraça na vida de alguém?!
A mulher sorriu, voltando os olhos para os garotos que agora estavam de costas para a escada; Seguravam diversos objetos cortantes, entre outros, e sorriam maliciosamente, ansiosos para utilizarem seus “brinquedos”.
- Garotos, é a vez de voc- O QUE- Ela não terminou sua própria frase, uma vez que seus outros netos se viraram para trás, sendo recebidos por socos fortes, os deixando tontos. Em seguida foram empurrados de forma com que caíssem no chão, mostrando os causadores do ato. Mail e Mihael voltaram os olhos para o local, encontrando primeiramente orbes vermelhas e ameaçadoras. Beyond e os outros garotos haviam chegado, já machucados – uma vez que encontraram o grupo que anteriormente batera em Mail -, mas pareciam sequer se importar com aquilo.
- Vamos! – Beyond estralou os dedos, antes de avançar em direção aos outros garotos, que já caminhavam ameaçadoramente em direção a eles.
A mulher arregalou os olhos, furiosa, sem saber o que fazer. Apontou então a arma para Mail e Mihael, sem determinar em qual dos dois atiraria, e com pressa apertou o gatilho.
Mas nenhum som se fizera presente.
- Maldição! – Gritou, procurando em seus bolsos as balas de sua arma. Mail aproveitou o momento de distração para se afundar nos orbes azuis que tanto amava.
- Vamos, Mello, só mais um pouco... – Ele acariciou o rosto do amado com as mãos trêmulas e machucadas, sequer ligando para a dor dilacerante em seu braço. – Logo estaremos em paz, logo acordaremos desse pesadelo! – O ruivo sorriu tristonho, sendo respondido pelo loiro.
- Eu... só preciso de você ao meu lado...
- E eu estarei, Mello! Sempre, eu prometo! – Ele tentou acalmá-lo, sentindo os próprios batimentos falharem; As lagrimas desciam cada vez com maior voracidade do que antes. Mihael estendeu sua mão, tocando o rosto de Mail com calma, limpando aquelas que manchavam o rosto belo do amado. Aproveitou para sentir o rosto do mesmo, aquela textura pela qual seus dedos eram viciados.
- Eu te amo, Matt... Não se esqueça disso.
- E-Eu também te amo, Mello, mais do que qualquer coisa... – Ele soluçava baixo, tentando manter seus olhos abertos o máximo que podia.
E então um estouro foi ouvido, e tudo parou. Sentiu algo quente em sua roupa, e logo viu o tecido do casaco ainda mais sujo de vermelho.
Porém o sangue, no momento, não era o seu.
Um segundo estouro, ele arregalou os olhos, uma dor ainda mais dilacerante o atingindo, embora nada fosse tão dilacerante quanto a dor que sentia em seu peito.
E então um terceiro tiro, diferente dos dois primeiros, fora escutado, mas já era tarde demais para ver o que acontecia. Tanto Mihael, quanto Mail conseguiram ouvir o som de algo pesado caindo no chão, mas seus sentidos já estavam longe do alcance. Seus olhos se fechavam aos poucos, mas suas mãos continuaram como tinham o costume de ficar, entrelaçadas...
E então, tudo ficara escuro.
Notas finais
Eu ficaria grata se vocês adiassem minha morte para depois do dia 28; Eu queria comemorar meu aniversário e ver a nova temporada de Hetalia.
Ahemm... Eu... realmente sinto muito por ter que postar um capítulo desse, mas... é...
Bem, eu vou tentar agilizar as coisas, já que esse foi o penúltimo, sem contar o epílogo, mas tudo depende de inspiração.
Por favor, não me xinguem muito nos reviews, eu imploro *cries*
Obrigada, de qualquer forma, e buonanotte... Also, minhas condolências por alguns possíveis erros.
Condolências é uma palavra bonita *shot*
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