Yuiitsu No Reigai
27 Capítulo 27 - Itoko no saiai
Notas iniciais
Peço-lhes perdão pelos dois últimos capítulos, tão fraquinhos. Espero que esse recompense, mesmo que eu ainda ache curto e que poderia melhorar um pouquinho, mas foi o que eu consegui fazer. Atrasei um dia, também, mie scuse. Pairing do capítulo: nosso tão esperado JulianxElliot -qq (Dedicado especialmente a Reira-chan (/*-*)/ *ignorem =u=*)
Boa leitura, vejo você lá embaixo.
Capítulo 27
Itoko no saiai
いとこの最愛
Já era metade do outono. Uma brisa leve espalhava as folhas secas dos plátanos alaranjados e dourados pela calma Winchester, as levando o quão longe podia e depositando sobre as calçadas ou gramados, criando, aos pés daqueles que caminhava pelas ruas, um tapete amarelo-avermelhado; uma profusão de cores tingindo a cidade aconchegantemente fria naquela tarde de domingo de outubro. O céu tinha sua própria tonalidade, escolhida especialmente para aquela época como fazia com todas as outras; Havia tons cinza e um suave azul, quase que imperceptível, e mesmo que não houvessem as leves pinceladas rosadas, alaranjadas e com um ligeiro roxo em sua composição, comuns em certos dias outonais formando as pequeninas nuvens, a paisagem não deixava de ser bela um segundo sequer. Uma garoa fina caia e, no horizonte, o sol preparava sua despedida de forma calma e tímida, embora não perdesse sua afabilidade e influência sobre aqueles que o observavam partir. O grande internato – posteriormente orfanato – encontrava-se com sua tranquilidade habitual, mais vazio do que costumava ser em dias de semana.
Fazia poucos minutos desde que o grande sino da Wammy’s House havia soado, anunciando que já eram 17hrs. Os garotos encontravam-se sentados ao redor da mesa, como sempre tiveram costume de fazer, e conversavam com Sra. Sachiko, uma vez que a mesma tomava seu chá sentada em uma pequena cadeira ao lado do forno onde diversos scones estavam prestes a terminarem de assar. Eles não podiam enfim evitar aquela rotina todos os dias, acompanhados de seus chás em seus devidos momentos, com os acompanhamentos costumeiros; Eram ingleses, afinal. Quando paravam para analisar a situação, riam com toda essa meticulosidade, principalmente Matt que, mesmo vivendo a maior parte de sua vida na bela Inglaterra, era italiano, e seguia igualmente os costumes ingleses. Eles aproveitavam cada segundo em que estavam juntos, e as 17hrs pareciam ser o momento que mais aguardavam o dia inteiro, pela sua calmaria e conforto, e principalmente a nostalgia que o momento lhes trazia. Discutiam amenidades, faziam planos para a próxima semana, aproveitavam o entrelaçar dos dedos abaixo da mesa ou simplesmente o fato de estarem ao lado daqueles que tinham vontade de estar envolvendo e que escondiam por anos uma paixão ardente, com as bochechas afogueadas e o coração levemente palpitante.
Elliot observava os amigos com um sorriso leve, sentado no batente branco da janela quadriculada, enrolando em seu dedo o cordão fino que prendia um dos lados da cortina bege. Prestava atenção no assunto do qual os garotos falavam, mas seus pensamentos vagavam por outros fatos, e seu coração palpitava por uma ansiedade que ele presenciava todos os anos, suas bochechas adensando a vermelhidão ao que ele se dava conta do quão forte era o sentimento que nutria pelo primo. Ele voltava seus belos e brilhantes olhos esverdeados para a janela, que tinha vista para o grande portão de ferro da entrada da Wammy’s House, por onde ele esperava silenciosamente ver o parente à sua espera — sem seu guarda-chuva, pois o mesmo adorava sentir as gotas, por mais finas que fossem ou mesmo que pudessem lhe adoentar, contra sua pele. Elliot sempre o reprendia em momentos como esse, mas no fim acabava por entrar em sua casa junto do primo, ambos encharcados e rindo, na maioria das vezes sujos com um brilho infantil nos olhos, como se tivessem voltado aos seus 4 anos de idade, quando corriam pelos jardins da casa ora de Elliot, ora de Julian, brincando de qualquer coisa que lhes dessem vontade. Certamente eram repreendidos e ouviam os mais diversos sermões, principalmente vindos da família Johnson, que era sempre mais rígida que os Hainsworth. Julian apenas revirava os olhos, principalmente quando era William quem lhe dirigia as repreensões; Não que ele não gostasse do primo, mas achava que ser o mais velho não lhe dava o direito de agir como se fosse seu próprio pai; Além do fato de que Elliot passava por momentos não muito agradáveis na presença dos amigos de William. Não odiava o primo, mas evitava todo contato possível, ao contrário do que fazia com o irmão deste. “Apenas moro aqui em Oxford porque não aguentaria ouvir os sermões do Will todos os dias” Afirmou em uma das cartas que escrevia para o mais novo, tirando dele um riso mergulhado à vontade de tê-lo por perto. Vez ou outra seus olhos se desviavam do portão, e ele observava as gotas que deslizavam pelo vidro da janela embaçada ou desenhava com os dedos na mesma. Seus pés balançavam e ele não podia fazer nada para evitar o tremor em suas mãos. Certamente os outros notavam toda a ansiedade e riam, entendendo muito bem pelo que o garoto passava.
- Apenas se acalme, Elliot. Nada pode dar errado hoje, você sabe. – Comentavam, tentando tranquilizá-lo, mesmo sabendo que de nada adiantaria.
- Ah, se eu pelo menos conseguisse... Céus, estou agindo como uma garota! Me sinto simplesmente... extremamente estúpido. – Ele colocava uma das mãos no rosto, frustrado. Os outros meneavam a cabeça e riam, inclusive Sra. Sachiko, que conhecia e compreendia as escolhas dos garotos que considerava como os filhos que nunca pudera ter.
- Querido, não diga isso. Não é estupidez, e você não precisa se preocupar sobre essa sua ansiedade... É normal, você está apaixonado e o amor faz essas coisas conosco. – Ele opinava com um tom risonho e materno em sua voz, seu sotaque ainda sendo percebido em suas falas, e sorria, meneando a cabeça. Os demais riram, enquanto Elliot enrubescia o máximo que podia.
- Eu- Eu não estou-
- Elliot... Se você não está apaixonado, meu nome não é Beyond! – O moreno argumentava, com as sobrancelhas arqueadas em tom de obviedade. Os outros concordavam, e a Elliot não restava nada senão olhar através do vidro embaçado e ouvir o batimento acelerado do próprio coração, sentido os rosto afogueado com a simples menção dos seus sentimentos. Pegou a pequena xícara de porcelana sobre o batente, as mãos ainda trêmulas, e bebeu um gole do chá, tentando se tranquilizar. Sra. Sachiko se levantara da cadeira e pegara um pano, tirando de dentro do forno uma porção dos pequenos, embora altos, bolos levemente salgados, com um cheiro instigante a qualquer inglês ou apreciador da culinária do país europeu. O segundo mais novo olhou no relógio preso à parede da cozinha, constatando já ter passado quase que meia hora desde que se sentara no batente da janela e voltava os olhos constantemente para o portão. Já começava a escurecer aos poucos, e esfriava à medida em que a noite se aproximava e a chuva se intensificava sorrateiramente.
Foi então que, ainda segurando a xícara de chá após bebericar um pouco da bebida, ele voltou os olhos por uma última vez para o portão, a procura de algo que fizesse seu coração parar por breves segundos e acelerar com ainda mais intensidade do que antes contra seu peito, e fora isso o que conseguiu. Lá estava ele, vestindo um sobretudo preto e carregando uma grande e aparentemente pesada mala marrom, os fios castanhos curtos levemente molhados por ele não ter trazido consigo o guarda-chuva que a Sra. Hainsworth ou os mordomos de sua casa tanto o lembraram de pegar; Ele dizia ao primo que esquecia por pura distração, mas a verdade era que ele tentava ser o mais rápido para finalmente ver quem tanto queria ter por perto; Muitas vezes esquecia de outras coisas, tudo pelo fato de Elliot também preencher sua mente o tempo inteiro.
Elliot arregalou ou olhos, os lábios se entreabrindo de leve conforme ele deixava a xícara sobre o pires com as mãos ainda mais trêmulas enquanto colocava novamente os pés sobre o piso de madeira, se erguendo. Tentou desamassar suas roupas, mas sua ansiedade era tanta que ele mal conseguia pensar no que fazer. Os garotos instantaneamente notaram a agitação do amigo, sorrindo ansiosos.
- Ele chegou? – Mail perguntara em seu habitual tom baixo, levemente inclinado por Mihael envolver sua cintura, o puxando para si. Elliot concordou, piscando freneticamente e sorrindo, sendo respondido por um sorriso confiante do ruivo. Sra. Sachiko riu, tirando do bolso um molho de chaves.
- Prefere ir você mesmo? – Questionou, esticando as chaves para o garoto, que as pegou, assentindo.
- Muito obrigado, Sra. Sachiko. Eu já venho, só uns instantes. – Ele tinha a face enrubescida e as pupilas dilatadas, um brilho apaixonado envernizando seus olhos conforme em seus lábios era desenhado um sorriso doce, que ansiava para ser direcionado para o primo. Ele rumou até a entrada para o Hall e os amigos riram com tamanha agitação vinda do garoto geralmente tão calmo.
- Não tenha muita pressa, só não peguem um resfriado. – A senhora asiática comentou rindo, voltando a se sentar na cadeira ao lado do forno ainda quente, onde mais água para o chá era fervida.
Elliot caminhou tremulo pelo grande hall, escuro naquele momento, da Wammy’s House, seguindo em direção à grande porta de madeira alta, onde, ao lado, um cabide alto descansava junto de alguns casacos pendurados sobre eles. Elliot pegara o seu próprio e vestiu apressado, tentando abotoá-los com a maior pressa que podia, em seguida correndo até o outro lado da entrada, onde um conjunto de guarda-chuvas era guardado em um tipo de cilindro transparente, próprio para o objeto. Pegou um deles e respirou fundo, girando a maçaneta dourada da grande porta já aberta. Em uma das mãos segurava a pequenina chave que abria o grande portão de ferro, na outra segurava o cabo do guarda-chuva aberto, olhando para baixo, escondendo o rosto enrubescido com ajuda dos fios castanhos ligeiramente grandes. Seu coração palpitava ainda mais, e ele sentiu o vento forte da chuva fresca que caia aos poucos contra seu rosto, bagunçando de leve seus fios. Apressou o passo, já não conseguindo conter o sorriso que se formava em seus lábios. Julian não havia notado até então que alguém vinha lhe receber, muito menos o fato de que este alguém era o próprio primo. Passou a mão pelos fios levemente molhados do cabelo curto, se levantando uma vez que estava sentado sobre a própria mala. Respirou fundo, sorrindo enquanto Elliot abria o portão em silêncio.
- Ah, obrigado por vir abrir. Desculpe-me se eu estiver atrapalhando o senhor; Sou o primo de um garoto que está há alguns meses aqui, o Elliot Johnson, e acabei me atrasando para chega. – Ele disse educadamente. – Ainda bem que Winchester é pequena...
- Realmente, estava quase pensando que você não vinha... – Elliot riu baixo, levantando o rosto e apoiando o guarda-chuva em um dos ombros, após ter aberto o portão. Julian arregalou os olhos castanho-esverdeados, a boca se entreabrindo de leve e suas bochechas tomando uma leve coloração vermelha – Mas você não é de descumprir promessas.
-Elliot! – O mais alto sorriu, os olhos brilhando. Antes que o menor pudesse fazer qualquer movimento, foi envolvido por um forte abraço, quase sendo derrubado pelo primo, que ria e exclamava quanta falta sentira dele. Elliot não pode fazer nada senão corar fortemente com o ato, mesmo que sorrisse e retribuía tudo o que Julian lhe dizia. – Mil desculpas! Minha mãe acabou se atrasando e nos perdemos no caminho, quase que fomos para em Easthampshire . Mas, esqueçamos isso agora. Como você está? Céus, temos tanto o que conversar! – Ele dizia rapidamente, quase que tropeçando em suas próprias palavras. Elliot riu, tentando acalmá-lo.
- Estou bem, melhor ainda agora, mas vamos entrar antes que você fique doente. Veja, você está encharcado...! E o chá ainda está quente, e os scones ficaram prontos há alguns minutos.
- Oras, Ell, vamos lá, você não é igual a todos os Johnson’s, que vivem de sermões... – Ele abraçou o garoto, deitando a cabeça em seu ombro. O menor corou de leve, em seguida revirando os olhos e fazendo o primo rir. – Mas você tem razão, e não quero ficar longe de você nem mais um dia! – Ele continuou com o braço em torno da cintura do menor, segurando sua mala em uma das mãos ao que Elliot fechara o portão, o rosto enrubescido e um sorriso desenhado nos lábios róseos. Respirou fundo, os as pálpebras seladas por alguns segundos, guardando em mente aquele momento e sentindo todas as emoções que ele o proporcionava. Sua mão já não tremulava tanto quanto antes de Julian chegar, mas o coração permanecia no mesmo galope frenético, furtivo e apaixonado. O mais simples toque vindo do garoto ao seu lado fazia com que um arrepio corresse por toda sua espinha, e o simples fato de apenas encontrar os olhos castanho-esverdeados fazia com que ele se sentisse no lugar mais protegido e aconchegante do mundo, como se envolvido nos braços de Julian – Ele sabia como era se sentir daquele jeito, tantas foram as vezes em que isso ocorreu consigo. Meneou a cabeça logo em seguida, se afastando levemente apenas para envolver o braço do primo que fazia comentários sobre o internato e Winchester, o levando consigo até a entrada do grande local. Subiu os pequeninos degraus e fechou o guarda-chuva antes de abrir a grande porta, onde, perto da mesma, pendurou o objeto em um suporte de madeira. Novamente, antes que pudesse se dar conta, foi envolto por outro abraço intenso de Julian, que desta vez ficara em silêncio, apenas com um sorriso em seus lábios. Elliot tinha os braços comprimidos contra o peito do outro, uma vez que possuíssem uma diferença considerável na altura – mas nada de forma extrema. Não podendo retribuir com os braços, apenas inclinou a cabeça sobre o ombro do primo, rindo baixo, as bochechas sempre avermelhadas e os olhos esverdeados tão brilhantes quanto podiam. Logo os fechou, ambos os garotos possibilitados de ouvirem os batimentos um do outro, que seguiam o mesmo ritmo no momento acalentado. Julian afrouxou de leve os braços, deixando que Elliot também fosse possibilitado de lhe abraçar o quão forte desejava. O menor abaixou de leve os seus, apertando fracamente a blusa do maior, sentindo a respiração quente do mesmo contra suas madeixas ao que o mesmo inspirou o aroma que as mesmas exalavam. Suspirou, não querendo abrir os olhos ou se afastar do calor que lhe envolvia naquela tarde chuvosa de domingo.
- Eu senti sua falta... Já ia fazer quase um ano e meio que não nos víamos... – o menor comentou com a voz abafada, o rosto contra o peito do outro. Eles sempre se encontravam em todo fim de ano, no Halloween e no Natal, mas devido a um imprevisto por parte das duas famílias e seus trabalhos, os costumeiros encontros não puderam ocorrem e o mais próximo que Elliot e Julian conseguiram ficar foi a partir das cartas, que combinaram de abrir apenas no último dia de outubro e na noite de 24 de dezembro, mesmo que em seguida telefonariam um para o outro.
- Que pareceram fazer questão de demorar uma eternidade... – O maior comentou, e Elliot riu baixo, assentindo. Julian sorriu ao ouvir o riso do menor, suspirando em seguida de forma apaixonada; Não havia algo que ele mais amasse ouvir do que o riso do primo, a voz dele... De uma forma resumida, não havia algo no mundo que ele amasse mais do que Elliot (e o mesmo servia para este último em relação à Julian) – Eu também senti, você não tem ideia como... E não tem tanta graça cuidar da Dolly sem você por perto. – Dolly era a irmã mais nova de Julian, Dorothy Hainsworth, que tinha apenas 4 anos; Os garotos sempre acabavam por ficarem com a pequena garota quando a mesma não tinha com quem se distrair ou quando os meninos não tinham nada para fazer além de pegarem jogos antigos de tabuleiro pertencentes ao falecido avô e terminarem-no procurando as peças que Cheshire, o filhote de British Shorthair ¹ de Julian, acabava por derrubar e brincar, as espalhando pela casa; Era o segundo felino seu que era nomeado Cheshire, sendo que o primeiro ele ganhara quando muito pequeno, com seus ternos 5 anos, e optara por esse nome a partir de sua fascinação com o conto de Lewis Carroll; Ele e Elliot sempre acabavam por querer ouvir, depois da hora do chá de um dia frio, diversos contos que a Sra. Hainsworth lhes contava, e ela sempre tinha em mãos o conto inglês de Alice no Pais das Maravilhas. Muitas vezes ria vendo o filho e o sobrinho utilizando as neologias do autor, mesmo que tais palavras fossem extremamente difíceis para pronunciar.
- Como ela está? E tia Betty? – Perguntou calmamente, sorrindo.
- Falando pelos cotovelos, as duas. – Ele revirou os olhos e o menor riu novamente, meneando negativamente a cabeça ao que a levantou de leve.
- Já era de se esperar; Está no sangue dos Hainsworth, afinal.
- Oras, mas eu não falo tanto assim... – o maior franziu o cenho e Elliot arqueou uma das sobrancelhas, ainda sorrindo.
- Claro que não, Jule... – disse irônico, enquanto, contra sua verdadeira vontade, se afastava do abraço de Julian. Segurou o braço do mesmo , enquanto com a outra mão abria novamente a porta do hall de entrada, logo ambos entrando no grande salão iluminado apenas pelo resto da luz do dia que vinha das janelas ao lado de ambas as escadarias da direita e da esquerda. Julian ficara bestificado com a grandiosidade do local antigo, observando cada mínimo detalhe de sua arquitetura inglesa e medieval. Não havia uma pessoa sequer que entrasse na Wammy’s House e não ficasse impressionada, tamanho era a meticulosidade da organização do local; O piso de madeira escuro; as paredes altas e de um tom de bege facilmente confundido com branco, tão limpas estas eram; A gelada escadaria de mármore – que não possuía degraus muito altos, uma vez que o Sr. Wammy organizara o local visando principalmente às crianças que viveriam futuramente ali, fazendo questão de colocar um extenso corrimão; O grande lustre no centro do salão, com todos os seus mínimos detalhes tão bem feitos e notados por quem analisava o local; Todos os mínimos detalhes não eram perdidos da vista de ninguém que ali entrava, o que instigava ainda mais para que prosseguissem com a análise do local, visitando todos os andares e cômodos possíveis.
Julian piscava maravilhado, mesmo que vivesse e já tivesse visitado casas tão grandes quanto aquela; Havia algo no internato que o fazia se sentir como uma criança novamente. Mal percebera que Elliot tirara a mala de sua mão e a colocara próximo ao cabide, tirando também o próprio casaco e o deixando ali; Julian também tirara o seu, uma vez que este estava molhado pela chuva. O menor segurou sua mão em um gesto automático, o puxando até a direção da cozinha e logo entrando no local.
- Desculpe a demora. – Se pronunciou ao que entrou, sorrindo timidamente. Julian havia parado no meio do caminho, chegando à porta alguns minutos depois.
- Onde está indo- Ah, eu pensei que você estivesse sozinho! Desculpem-me por estar interrompendo. – ele coçou a nuca de forma embaraçada, os olhos fechados e um sorriso nos lábios. Entrou no local, logo sendo apresentado por Elliot.
- Julian, essa é a Sra. Sachiko, a mãe de todos os verdadeiros moradores do orfanato. – Ele indicou a senhora, que riu baixo, meneando a cabeça negativamente, recebendo um beijo em sua mão direita como cumprimento do garoto.
- É um prazer conhecê-la, Sra. Sachiko. – Ele sorriu gentilmente, logo se endireitando novamente.
- O prazer é todo meu, querido. Você está frio...! Diga, quer leite em seu chá? – Ela perguntou preocupada e o garoto riu em resposta.
- Não se preocupe comigo, por favor.
- Bem, está tudo por aqui, se precisar. Vou deixá-los conversando à vontade e aproveitar para ver se está tudo bem com as crianças. De noite chamo vocês novamente, sim? – Ela disse amavelmente, constando se tudo estava de acordo. Os garotos assentiram e agradeceram, e logo senhora deixara a cozinha. Elliot sorriu, puxando a blusa do primo de leve.
- E esses são os garotos, finalmente.
- Hum... Nate, Lawliet... Não, Beyond... Lawliet, Raito, Matt e Mello. Estou certo? – Ele tentara acertar os nomes dos garotos, que riram e assentiram.
- Você é muito bom em suposição! – Beyond comentou, as sobrancelhas arqueadas. Logo os oito já haviam se cumprimentado – Mail ainda agia com timidez com pessoas que acabara de conhecer, embora soubesse que não devia temer travar uma amizade com Julian, que agia com toda a gentileza de sua personalidade – e iniciavam uma conversa longa, cheia de planos e ideias para o Halloween, ao mesmo tempo em que se conheciam.
Elliot não conseguia deixar de sorrir, mesmo que de forma quase imperceptível, e pequenos suspiros escapavam por entre seus lábios toda vez que Julian segurava em sua mão, escondida por baixo da mesa. Vez ou outra brincavam um com os dedos do outro, ou simplesmente mantinham os mesmos entrelaçados. Eles sempre tiveram esse tipo de relação, embora nunca deixassem claro o fato de como viam um ao outro, e por mais que tivessem todos esses momentos sem se importar de como os mesmos poderiam ser entendidos, nunca deixaram de fato claro o verdadeiro sentimentos que nutriam tão furtivamente, pelo simples medo de que o outro só agisse daquela forma por serem primos extremamente próximos e que se davam perfeitamente bem, mesmo que com seus desentendimentos e afins; era o tipo de relação onde abraços ocorriam sem motivos, com tantas emoções que eles mesmos nunca imaginariam que poderiam sentir. Mas, afinal, é realmente necessário um motivo para um abraço ou qualquer outra demonstração de um puro e verdadeiro amor?
¹ Gato de pelo curto inglês
Notas finais
Prazer em conhecê-las, sou "Yuki", uma bela puxa-saco da Inglaterra (O céu daqui de Sampa ontem me inspirou um bocado, de tão cinza). E não é por causa dessa modinha hipster boba. Não preciso citar os motivos desse meu amor por ela, enfim. (E eu também sou extremamente puxa-saco da Itália, por causa da minha descendência e, por favor, quer comida mais perfeita? -qqqqq *gordice*)
Juro que, se não fosse de tão difícil entendimento, eu escrevia usando algumas neologias do Carroll. Soa tão lindo!
"Solumbrava, e os lubriciosos touvos-" Certo, podem me ignorar completamente agora.
Chá Inglês e Scones numa tarde fria de domingo, às 17hrs. Tentem um dia. Ouvindo Beatles ou música clássica.
Chega, está ficando insano já. (Como se eu fosse muito sana...)
Espero que tenham sido recompensadas. Obrigada pelas review, e seja muito bem-vinda, Luccyane-chan (Escritora profissional?! Céus, muito obrigada!)
Ciaoo~
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