Yuiitsu No Reigai

22 Capítulo 22 - Heishi ya pairotto


Notas iniciais
Ohayoo~ Como vão, chibis? *tiro no meio da testa* "oh my god, they killed Iero!" Postando de manhã porque fiquei doente e não fui para a escola.
Gomeeeeeen! Eu sei que me atrasei, mas as aulas começaram e eu preciso me organizar antes; Culpem Hetalia pelo meu atraso! -n (5ª TEMPORADA, BLOODY HELL, 5ª TEMPORADA!)
Não sei onde eu vou com um capítulo tão grande! 'A'
Enfim, NANA-CHAN, OBRIGADA PELA RECOMENDAÇÃO ♥
Ore, vejo vocês lá embaixo. O tanoshimi.

Capítulo 22

Gunji oyobi hikō-shi

軍事および飛行士

A neve ainda não cessara naquele último sábado de fevereiro; Caía lentamente, tingindo de branco a cidade de Winchester, enquanto pequenos sinais da Primavera já apontavam no jardim da Wammy’s House; A abóboda celeste cinzenta, tornando a paisagem ainda mais fria, embora a cidade fosse coberta com a habitual calmaria. Uma brisa leve acariciava suavemente a tez dos garotos sentados em um dos bancos do jardim.

Mihael conversava com Lawliet e Raito, os dedos da mão direita entrelaçados aos de Mail que, sentado ao seu lado, ria de algo que Beyond contava a ele e Nate. Ao mesmo tempo, seus olhos pairavam sobre algumas crianças afastadas de onde sentavam, embora suas vozes fossem audíveis; Estavam em seis, e ele sorrira, lembrando-se de ternos anos em que fazia o mesmo acompanhado dos amigos. Beyond também já havia desviado seu olhar, sorrindo.

– Não podemos jogar assim, sem um lugar para se esconder! – Um dos garotos, os olhos azuis com um leve brilho de impaciência e os cabelos louros, objetou em alto tom de voz, cruzando os braços contra o peito. O garoto menor ao seu lado, com inocência e timidez, se encolhendo próximo ao braço do mesmo, assentindo. – E as árvores então muito perto umas das outras.

– Então temos que jogar assim. – Outro garoto, de cabelos negros e pele extremamente alva, que se parecia com um dos outros, embora mais novo, deu de ombros, raspando a sola do calçado na neve; Ao seu lado estava um menino de cabelos castanhos claros, alguns centímetros mais alto. Encostados à parede do orfanato, o garoto que se parecia com o moreno e outro, de fisionomia ainda mais jovem, com cabelos loiros quase que prateados. Beyond e Mail, já tendo passado pela mesma situação, se entreolharam.

– Vocês têm que criar uma fortaleza. Um exército sem fortaleza não é exército. – Beyond disse em tom audível, fazendo as crianças se virarem. O garoto loiro franziu o cenho.

– E como conseguimos uma fortaleza?

O ruivo e o moreno sorriram. Mail soltara a mão de Mihael, que já havia interrompido a conversa, confuso. Mail lhe sorriu gentilmente, sibilando que voltaria logo; O loiro apenas assentiu, logo entendendo do que se tratava e revirando os olhos, sorrindo.

Mail e Beyond se levantaram, caminhando até as crianças, deixando uma vala rasa no branco em que pisavam. Agacharam-se ao chegarem, ficando na altura dos garotos.

– Então temos dois exércitos... – Beyond observou, decidido a voltar por algum tempo nos ternos anos, acrescentando em suas falas a mesma fantasia que utilizava quando menor, com ajuda de sua imaginação. Mail, que fantasiava tanto quando Beyond, decidira por tomar a mesma decisão.

– Já sabem onde ficarão, soldados? – Questionou, fingindo um ar sério. Os garotos se entreolharam com um brilho intenso nos olhos, um sorriso estampado nos lábios. Logo ficaram sérios, as mãos coladas ao corpo e o peito estufado, a cabeça erguida.

– Sim, Senhor! – Responderam prontamente, tirando um riso baixo dos dois mais velhos. O loiro puxara de leve a mão do garoto menor entre eles, parando um pouco atrás de onde estavam; Os outros dois também já estavam em seus lugares.

– Ótimo. Então... – Mail pegou um punhado de neve do chão, formando uma bola. – Uma fortaleza é como um boneco de neve...

– Um boneco de neve!? – A voz fina e baixa do garoto menor soara enquanto o mesmo se segurava no braço do loiro, os olhos verdes brilhantes. Mail piscou algumas vezes, assentindo com um sorriso bobo nos lábios, vendo o quanto o menor lhe lembrava de quando tinha aproximadamente a mesma idade; Não havia notado que até mesmo o tom de seus cabelos era semelhante, embora o do garoto fosse levemente castanho.

– Mas um boneco de neve vai demorar muito... – O loiro disse em um tom manhoso, enquanto o moreno assentia.

– Mas é só uma parte do boneco de neve, a de baixo. Cortada pela metade e maior. – Mail tentava se lembrar e Beyond o olhara com as sobrancelhas arqueadas, logo voltado os olhos para as crianças e girando o dedo indicador ao lado da cabeça, como se indicasse que o ruivo estivesse louco. As crianças riram, enquanto Beyond dava de ombros.

– Você está inventando, porque sempre queria montar bonecos de neve ao invés de fortalezas. – Beyond comentou, enquanto Mail revirava os olhos. – Uma fortaleza tem que ser como uma pequena montanha... – Disse enquanto juntava neve, formando um monte aos poucos. Mail deu de ombro, se ajoelhando e ignorando o frio.

– Tem tanta neve que daria para fazer outro Monte Everest... – Mail comentou enquanto juntava a neve junto dos outros garotos, fazendo o moreno rir.

– Mas podemos fazer um boneco de neve depois? – O mais novo questionou ao loiro, o tom tímido e inocente na voz e as bochechas avermelhadas pelo frio e o acanhamento. O loiro piscara algumas vezes, as bochechas fortemente coradas e os olhos azuis brilhantes. Logo sacudira a cabeça, as bochechas ainda mais afogueadas.

– C-Claro, Artie! Até mais de um.

– Verdade!?

– Claro que é! Vários bonecos pelo jardim! – O loiro sorriu, assim como o ruivo, que o abraçou com força e ligeiramente, enrubescido. Logo voltara a juntar a neve, deixando o loiro atônito, os olhos brilhantes.

Mail, que olhava de soslaio, sentiu as bochechas se aquecerem e não pode evitar o sorriso em seus lábios.

– Você me paga por não ter contado que tinha um irmão mais novo... Mello também! – Beyond sussurrou, inclinando-se para o lado de Mail, que rira. – Ou que já tiveram filhos, por mais impossível que seja nessas circunstâncias... – Comentou, um sorriso levemente malicioso, fazendo o ruivo corar fortemente enquanto ria e revirava os olhos. – Ah, é... Esqueci que você AINDA tem os pensamentos muito certinhos... Logo, logo, Senhor Jeevas...

– Beyond! – O rosto do outro estava tão vermelho quanto seus cabelos, o que fez o moreno rir.

– Vamos, há uma guerra aguardando os pequenos soldados...

...

– Estamos ganhando... – Mail cantarolou, observando as crianças. Beyond lhe dera uma cotovelada no braço.

– Não estão não! – Se curvou, pegando um punhado de neve e atirando no ruivo, que rira; Já estava fazendo aquilo desde que os menores começaram a brincar. Mail imitara o ato, mirando no moreno que se encolheu, rindo.

– Crianças, já está na hora de entrarem! – A voz doce e materna de Sr Sachiko soou no outro lado do jardim e ela arqueara as sobrancelhas ao ver Mail e Beyond; Rira baixo, meneando negativamente a cabeça. – Sentiram falta dessa época, queridos?

– Muita... – O ruivo e o moreno disseram em uníssono, suspirando e sorrindo. A mulher os sorriu suavemente, um brilho emocionado nos olhos.

– Não imaginei que encontraria meus outros dois garotinhos aqui, já tão crescidos... De qualquer forma, o café já está pronto. – Ela riu, avisando algo aos garotos da mesma forma que fazia quando os mesmos eram menores, chamando as crianças com a mão. As mesmas protestaram baixo, mas deram de ombros. Antes de irem, estufaram o peito novamente, tomando um ar sério enquanto levavam a mão direita à testa, como numa continência. Mail e Beyond riram, imitando o gesto em seguida.

– Parabéns, soldados. Foi uma luta muito justa. – Mail comentou, tornando a voz grave com um pouco de esforço.

– Espero que sejam recompensados com os biscoitos de chocolate que a Oficial Sachiko faz. – Beyond comentou e Sra Sachiko rira ao longe, assentindo. As crianças riram, logo correndo em direção à mulher. O menor acenara antes de ir, com a mesma timidez. Logo estavam sozinhos novamente.

– Ele é igual a você! Como? – Beyond questionou, fazendo o ruivo rir. Logo se viraram para trás, Mail encontrando os olhos calmos e azuis do loiro, que tinha a cabeça inclinada e um sorriso nos lábios. Sentiu as bochechas esquentarem e um palpitar no coração, embora sorrisse em resposta, não conseguindo evitar. — Enfim, sempre soube que você seria assim com crianças, não sei... Você é gentil demais para ser diferente.

– Elas veem o mundo de um jeito diferente... A mente de uma criança tem tantas coisas quanto um livro... Isso é fascinante! – Ele comentava com os olhos brilhantes; Ignorava o fato do sofrimento que seus primos lhe causavam, pois, a seu ver, eles na verdade não eram crianças.

– Já vejo que um dia serei padrinho... – O moreno comentou, tirando um riso do ruivo. Chegaram aos bancos, voltando a se sentar nos mesmo lugares. – Mello, porque não contou que tinha um irmão mais novo?

– Como? – O loiro franziu o cenho, se virando para o moreno enquanto envolvia o ruivo com os braços. Mail e Beyond riram, o ruivo meneando a cabeça antes de deitá-la no ombro de Mihael.

– Havia um garotinho igual a você quando menor; Tinha até mesmo um menor idêntico ao Matt... E quando digo idêntico, falo do fato de ele sempre estar agarrado no seu braço, se escondendo. – O ruivo corara de leve, assim como o loiro, que arqueou as sobrancelhas. – Até pensei na possibilidade de serem filhos de vocês, mas não era uma questão plausível. – Ele deu de ombros enquanto o loiro arregalava os olhos corando mais forte e os outros garotos riam baixo. No mesmo momento, Roger Ruvie, um senhor da mesma idade que Watari, responsável pela Wammy’s House na ausência do mesmo, atravessou o jardim em direção ao portão, os flocos de neve pontilhando o sobretudo amarronzado. Levava em mãos um molho de chaves que tilintavam durante o trajeto. Logo introduzira uma chave menor no cadeado, tendo a possibilidade de abrir o portão. Deu alguns passos para trás antes de inclinar a cabeça para frente num cumprimento, dando espaço para dois jovem entrarem carregando uma mala verde musgo de grande porte; Não fora possível fazer muitas observações devido à distância em que se encontravam, mas os garotos observaram o quão respeitável e sério era o semblante de um deles no momento, e o quão formal pareciam as vestes de ambos. Os jovens se inclinaram na direção de Sr. Ruvie, um sorriso respeitável e pequeno nos lábios. Em seguida se viraram para o grupo de garoto, os cumprimentando com um pequeno embora cortes gesto de cabeça, vagamente reconhecido pela distância, embora retribuído. Logo se puseram a caminhar junto de o Sr. Roger em direção à entrada da Wammy’s.

– Seria um deles um futuro militar? – Raito comentara em dúvida.

– Creio que há 98% de chances... – Lawliet, no seu modo de analise, observara. – Os outros 2% seriam no caso de eles ser extremamente educado...

– Não vejo muitas possibilidades disso nos dias de hoje... – Mihael objetou, revirando os olhos. Os outros apenas concordaram em silêncio.

Um vento forte do leste lhes arrepiou, juntamente dos flocos de neve que seguiram o mesmo trajeto em direção ao oeste. Os garotos se encolheram e Mail espirrara em seguida.

– De novo, Jeevas... – Beyond rira, comentando em voz baixa. – Acho melhor irmos, está muito frio aqui fora. – Deu de ombros, levantando-se do banco, seguido dos outros.

– Mas, afinal, o senhor não devia estar aqui, huh? – Enquanto caminhavam, Mihael, ainda com os braços ao redor de Mail, lançara um olhar admoesto em direção ao ruivo, que franzira o cenho e arqueara uma das sobrancelhas.

– Isso é injusto. Por que não posso ficar aqui fora? – Disse contumaz.

– Porque você fica doente de um segundo para o outro?

– Não fico não! – O ruivo teimou, cruzando os braços contra o peito.

– Claro que não, Matt... – Os garotos disseram em uníssono, seguindo com um riso baixo. O ruivo revirou os olhos, suspirando antes de espirar novamente.

...

Mail tomara o último gole de chá em sua xícara, entre intervalos de seu diálogo com Mihael e Sr. Sachiko. Ajeitara a roupa ao se levantar, em seguida agradecendo e despedindo-se da oriental, assim como fizera o loiro; Saiam da pequena cozinha das Wammy’s, passaram pelo Hall de entrada cujo cheiro de madeira era levemente forte e subiram a longa escadaria até chegarem no andar do dormitório masculino; Mail ainda não soltando a mão do loiro, o puxou de leve.

– Tenho que pegar alguns livros na biblioteca, não demorarei muito.

– Permita que eu lhe acompanhe, Sr. Jeevas? – Levara a mão do ruivo até a boca, tocando-a com o lábios finos. Mail rira, corando fortemente. Dera um sorriso, assentindo.

– Toda a permissão do mundo, Sr, Keehl. – Os orbes do ruivo brilhavam. Mihael olhou para os lados, logo aproximando agilmente seus rostos. Mail apenas riu, balançando negativamente a cabeça antes de puxar o loiro pela mão, correndo em direção à biblioteca.

Chegaram ao corredor poucos segundos depois, ofegantes, o ruivo risonho pelo fato do loiro querer para-lo. Atravessaram o corredor deserto e empoeirado, caminhando até o fim do mesmo. Mail girou a maçaneta dourada e fosca, constatando que o recinto encontrava-se trancado; Desde o momento em que os Irmãos Jones passaram a não habitar apenas a biblioteca, quem mais passava parte do tempo junto aos livros era o ruivo. Tirou do bolso do casaco uma pequena chave prateada, a introduzindo na fechadura e logo a girando, destrancando a porta. Mihael o abraçava pelas costas.

Entraram no local repleto de livros, o cheiro de suas páginas pairando no ar. Pelas pequenas janelas, a luz fraca do sol era perseguida pela poeira. Olharam ao redor, constatando que não havia nada ali senão eles, as prateleiras de madeira altas e repletas de livros com seus mais derivados cheiros, tamanhos e temas, a escrivaninha junto de algumas cadeiras e as grossas crostas de poeira que cobriam boa parte do local.Mihael fechara a porta, pegando a chave de Mail do lado de fora e trancando-a novamente; O ruivo lhe olhou confuso, com um sorriso nos lábios.

– Porque trancou?

– Seria insuportável se alguém nos atrapalhasse, não? – Puxou o ruivo pela cintura, seus rostos próximos um do outro. Mail sorriu, as bochechas avermelhadas e os lábios comichando para tocarem os do loiro.

– Nos atrapalhasse em que? – Fingiu-se se desentendido, mordendo o lábio inferior.

– Você sabe, na sua procura pelos livros... E também sabe que não se pode correr em bibliotecas, o que te impede de fugir, huh?

– Claro que sei... Por que fugiria? – Riu baixo, logo movendo a cabeça para frente, seus lábios de encontro aos finos do loiro, onde pendia um sorriso até então; O encaixe perfeito, as sensações incríveis e mágicas e o galopar apaixonado dos corações jovens. Em pouco tempo as línguas já se encontravam, realizando aquela dança bem feita e não ensaiada, decorrente do momento. O ritmo era agitado, vez ou outro calmo, embora proporcionasse o mesmo calor que os envolvia. Para a infelicidade de ambos, aos poucos o ar começava a faltar, fazendo com que as pétalas dos lábios se desencostassem. Mihael, a despeito disso, movera-se para o pescoço do ruivo, aproveitando que o cachecol não estava devidamente colocado e o beijando ali. Mail apertava de leve os ombros do loiro, vez ou outra deixando escapar um leve gemido entre sua respiração ofegante pela sensibilidade da área, as pupilas dilatadas.

– Hum... Mells, aqui não é um local... ideal para essas coisas... – Disse enrubescido. – É melhor ser atrapalhado do que questionado mais tarde sobre coisas que não... ocorreram.

Mihael deitou a cabeça no ombro do garoto, resmungando baixo e fazendo o ruivo rir. Mail esticou a mão até a chave ainda na fechadura, girando-a e destrancando novamente. Guardou a chave no bolso, em seguida levantando o rosto do loiro, o segurando com as duas mãos. Selou seus lábios por alguns segundos, de forma leve e doce, em seguida sorrindo e indo até as prateleiras com conteúdos de seu interesse. Mihael se sentara no tampo da escrivaninha, aguardando.

Poucos minutos depois uma voz fora ouvida no lado de fora da biblioteca, acompanhada de outra. A maçaneta dourada fora girada e Mail, até então em um dos corredores, voltou para a área localizada na entrada, alguns livros em mãos. Mihael e Mail pousaram os olhos na porta, logo se deparando com dois garotos de pele alva e cabelos castanhos não muito curtos, os mesmos vistos algumas horas atrás. Pareciam-se bastante, embora um deles fosse menor que o outro e possuísse os olhos esverdeados e os traços mais leves e delicados, enquanto o outro tivesse os mais fortes e sérios, com os orbes castanhos. Este vestia um blazer azul marinho, uma calça social cinza e uma camisa branca, junta de uma gravata com um nó bem feito. O outro vestia as mesmas roupas, embora, ao invés do blazer, trajasse um cardigan cinza. O menor sorriu para Mihael e Mail, os olhos estreitados de leve.

– Então erraram ao dizer que a biblioteca estava abandonada... – Constatou, olhando envolta, maravilhado pela quantia de livros. Mail andara até a escrivaninha, deixando os livros sobre o tampo. Mihael se levantara ao que os garotos se aproximaram, esticando as mãos no ar. Os outros dois retribuíram, os olhares se encontrando; Mihael não entendera o porquê, mas algo não lhe agradou no olhar do mais alto, muito menos quando este olhar fora de encontro com o de Mail.

– Elliot Johnson. – O menor se apresentou, o tom de voz suave.

– William Johnson – O maior sorrira de leve, sua voz grave.

– Mail Jeevas, Mihael Keehl. – O loiro e o ruivo se apresentaram, mantendo o mesmo tom baixo de voz. Mail como de praxe gaguejara um pouco, a mão tremula devido à timidez que ainda possuía – E que presumia não perder.

– Devem estar estranhando o fato de garotos quase na maioridade chegarem a um orfanato-internato, não? – O mais alto questionou, os olhos em Mail. Os outros dois assentiram depois de um tempo e o mais novo rira baixo.

– Ficaremos apenas por alguns meses; Mudaremos-nos de Winchester, Will acha que lhe convém mais tanto a vida quanto a carreira militar nos Estados Unidos, enquanto eu irei para Oxford, morar por um tempo na casa de minha tia junto de meu primo, que também pretende entrar na universidade e acha melhor se fossemos juntos. Nossos pais ficarão viajando por alguns meses enquanto isso, e acharam melhor que ficássemos aqui – Ou melhor, que eu ficasse aqui, já que Will não tem o habito de ficar em casa. Os outros dois assentiram.

– Se não for muito perguntar, quantos anos vocês tem? – Mail tentava ignorar a timidez; Elliot lhe parecia alguém com quem se poderia ter uma conversa calma e arguciosa.

– Completarei 16 no mesmo dia que Will completara 18, 30 de Julho. – Mail arqueou as sobrancelhas de leve; Elliot parecia muito mais jovem. – E vocês, quantos anos?

– 16 e 17, 1º de Fevereiro e 13 de Dezembro. – Mail respondera calmamente, sorrindo.

– Ótimo gosto para livros, não? – a voz de William soou por fim, ao que este se inclinara sobre a escrivaninha, vendo os livros que Mail colocara ali. – Se interessa bastante pela 1ª e 2ª Guerra?

– A-Ah, sim. São temas muito interessantes.

– Tenho muitos livros desses e nomes também; Se lhe interessar, basta falar comigo. – A voz soou suave conforme William voltava os olhos novamente para o ruivo, um sorriso de lado pendendo nos lábios e que Mihael considerou como mal-intencionado. Havia um brilho estranho em seus olhos, o que causou no ruivo uma pontada de pânico no peito – Já conhecia aquele tipo de brilho, embora, felizmente, não vira seus resultados de forma definitiva. Ignorou, achando estar apenas fantasiando coisas a partir da mudança no olhar de Mihael quando direcionado ao mais velho.

– Eu gosto, mas prefiro um bom romance com suspense, escrito à moda da Era Vitoriana, ou até mesmo atual. – Elliot comentou com um tom doce na voz, como se dissesse sem pensar. Mail, no mesmo instante, viu no garoto um leitor semelhante a ele e um ótimo acompanhante de conversas sobre literatura.

– Por isso mesmo você não pode sequer chegar perto do batalhão; Nossa mãe fez bem em escolher Oxford para você. – O outro comentou em tom de descaso. Elliot apenas respirara fundo, revirando os olhos.

– Mail, poderia me ajudar a achar alguns livros? – Questionou, ignorando o comentário do irmão.

– C-Claro! Acho que 9 anos passando a maior parte do tempo nessa biblioteca me ensinou a encontrar os livros com uma rapidez incontável, não querendo me gabar. – Comentou, caminhando em direção a um dos corredores enquanto Elliot o seguira, fascinado.

– Pois bem, essa é o corredor mais interessante, em minha opinião; Literatura Inglesa, Americana, Italiana e Alemã, De poemas até ficção. Os suspenses ficam por ali, os romances aqui, Shakespeare fica bem escondido, a despeito de tudo, no fim do corredor, Allan Poe, Oscar Wilde e Dickens ali, e se não me engano Rowling e Tolkien estão próximos à Carroll. Há outros tipos de literatura, esses que indiquei são os que mais costumo ler. – Ele dizia, apontando para as prateleiras que se estendiam até o teto. Elliot observava tudo atentamente, os olhos brilhantes se movimentando para todos os lados, tentando memorizar cada detalhe que Mail lhe falava com calma, embora sua atenção fosse desviada despropositalmente para o sotaque do ruivo.

– Mail, me desculpe, você é Italiano?

SI. – O ruivo respondera utilizando o idioma de seu país natal. Elliot rira de leve, ainda mais fascinado.

– Incrível... Se isso fosse possível em relação a uma biblioteca, tenho certeza que você seria nomeado Sir Mail Jeevas! Você conhece isso melhor que qualquer um, não?

– Que honra... – O ruivo riu baixo. – Mas... Acho que sim. Devo conhecer aqui mais do que me conheço... – Ah, e ali estão os de guerra, mas acho que você não tem muito... interesse, não? – Mail abaixou a voz, desconsertado. Elliot apenas suspirara, um sorriso leve nos lábios.

– Claro que gosto, e muito... O fato é que eu sempre fui desse jeito, muito calmo e reservado. Isso fez com que eu passasse a imagem de que não consigo me cuidar, de que sou muito frágil ao mundo, e claramente isso se torna um desgosto para uma família onde todos são fortes e não medem palavras com quem quer que lhes apareça; Eles valorizam mais a força do que a inteligência. Sempre, desde muito pequeno, quis ser um aviador. Mas sempre apagaram essa ideia, pensando na minha incapacidade de julgar o que é certo e errado, no ponto de vista deles. Fico feliz de estar indo para Oxford; Começarei uma nova vida lá, sem proibição de escolhas. Poder estudar o que quiser, dar valor à inteligência, ler o que quiser, andar do modo que eu desejar, amar quem eu quiser... Posso não estar certo, mas é o que mais desejo.

– Você está com toda a razão, Elliot. Mas você não disse que moraria com seu primo e tia?

– Sim, isso que mais me anima! Meu primo Julian é a pessoa que mais me compreende na família inteira; Disse que faríamos tudo que me foi proibido desde que me conheço por gente. – Elliot suspirara, um tom sonhados na voz; A conversa seguia normalmente, como se os dois garotos se conhecessem há muito. Mail hesitou por alguns segundos antes de perguntar algo ao de cabelos castanhos.

– Desculpe estar intrometendo... Mas, quando você disse sobre amar quem quisesse...

– Ah, sim... – Elliot corara fortemente. – É que... é uma calamidade, um erro fatal no ponto de vista da maioria das pessoas...

– Seria o que estou pensando? – Mail sorriu de leve; Entendia a vergonha do garoto, afinal, passara – Ou ainda passava – pela mesma situação.

– Hum... Digamos que seja a mesma preferência que Basil Hallward. – Elliot franziu o cenho e Mail rira baixo, assentindo.

– Não é erro, muito menos calamidade. Veja, eu e Mihael fazemos parte de um grupo de 6 pessoas e , acredite se quiser, os seis são da mesma preferência. – Elliot arqueou as sobrancelhas, feliz por descobrir que não era o único da mesma opção dentro do orfanato. Logo mordeu o lábio inferior, olhando para os lados e, encolhido, se aproximando do ruivo para que o mesmo escutasse seu sussurro.

– Mas passa a ser um erro quando a pessoa é Julian... – O garoto enrubesceu ainda mais e Mail apenas rira.

– Continua sendo algo normal; Não somos nós que escolhemos, afinal... Minha situação era semelhante, embora fosse com meu melhor amigo, o Mihael. Só me dei conta com 12 anos, embora já tivesse acontecido muito antes. E só soubemos que era recíproco em 1º de fevereiro, meu aniversário. Eu achava que era errado, mas é simplesmente amor, e isso não é um erro, huh?

Elliot ouvia tudo atentamente, os olhos esverdeados brilhantes. Piscou algumas vezes, em seguida sorrira, assentindo. Mail sorrira calmamente, voltando a olhar nas prateleiras. – Aqui, os romance com suspense que gosta.


– Keehl, não? – William dissera logo que os dois mais jovens foram à procura de livros. – Já ouvi falar de seu sobrenome. Uma família alemão-inglesa, certo?

Mihael apenas assentira, tentado evitar ao Maximo a troca de palavras com o moreno.

– Também já ouvi falar nos Jeevas... Uma família de bastante importância... É de se estranhar que dois sobrenomes destes estejam aqui.

– Não tínhamos interesse em seguir o mesmo caminho que eles. – O loiro disse com um tom de desgosto na voz. O outro rira de leve, pegando um dos livros que Mail deixara no tampo de madeira.

– Mail parece ser bem inteligente, e com modos muito respeitáveis. Você tem sorte em ter a companhia do mesmo... – Ele dizia com um sorriso nos lábios, olhando ao longe Mail junto de Elliot no começo do corredor, procurando algo nas prateleiras empoeiradas. Mihael apenas assentira, respirando fundo; Suas veias pulsavam de cólera. Não ousou olhar o garoto de soslaio, embora soubesse exatamente que expressão encontraria em seu rosto levemente amorenado e o brilho nos olhos castanhos; Sentiu repulsa daquele que se encontrava a seu lado, enquanto nos seus olhos um brilho de ciúmes e aversão envernizava o azul. William pigarreou.

– Elliot, tenho que tratar de alguns assuntos com o Sr. Roger e o Sr. Wammy. Já sabe onde fica nosso quarto, vá para lá quanto terminar de pegar os livros – Disse alto. Elliot saíra do corredor acompanhado por Mail, ambos com livros envoltos em seus braços. O menor assentira e William sorriu para o ruivo. – Foi um prazer conhecê-lo, Sr. Jeevas.

– I-Igualmente, Sr. Johnson. – Inclinou de leve a cabeça. Logo William voltou os olhos para Mihael, ainda sorrindo, se despedindo do mesmo apenas com o mesmo gesto de Mail. Logo caminhara até a porta, seus passos firmes ecoando pela sala. Abrira a porta e logo não se encontrava mais no local; Mail e Elliot voltaram a procurar por mais livros, enquanto Mihael desejava que os meses no qual William permanecesse na Wammy’s House passassem com a mesma rapidez de 1 minuto, ou que simplesmente os olhos castanhos nunca mais se encontrassem com os verdes que nunca saiam de sua mente.


Notas finais
Reira-chan, eu não havia ignorado seu pedido de ciúmes ^^ É que não faria com o Beyond, já que mencionei em um capítulo que o Mello não tinha ciúmes dele.
A propósito, talvez esse ciumes dure até o lemon. Não em todo capítulo, mas só vai ter um fim definitivo no capítulo do lemon. (Acho que daqui alguns capítulos)
Ah, e a biblioteca vai ter uns momentos bem... interessantes... *perv*
E QUE LINDO, VOCÊS QUEREM LOGO O B.B COM O NEAR ♥ EU TAMBÉM -Q
O garotinho parecido com o Matt foi totalmente inspirado no chibitalia. E o Elliot me lembra muito o Finny de Kuro, não sei... Fiquei ouvindo o Finny gritando "Sugoooi" na minha mente em toda cena que o Elliot aparecia.
Ah, e não precisa ter raiva do Elliot. E, sim, incesto entre primos. Estamos numa fic Yaoi, acho que não mudaria muito colocar isso.
No começo o Elliot e o William eram para lembrar a personalidade do Lovino e do Feliciano, mas eu amo o Lovi, não dá para "fazer" ele de vilão T_T
Enfim, o próximo capítulo eu não sei quando vou postar :/
Obrigada pelas reviews, se houverem leitores novos sejam bem vindos e é isso. Ja nee~ ♥