Yuiitsu No Reigai
20 Capítulo 20 - Saisho no kisu
Notas iniciais
Bem, não vou demorar muito nas notas, pois tenho que cuidar do meu primo daqui a pouco ou minha mãe me mata -q (Para minha sorte ele é meio geek, e geeks se entendem)
Esse capítulo só me agradou no começo, mas então eu achei que o resto ficou muito sem graça, sem detalhes e, enfim, lastimável. Peço desculpas novamente. E também por vocês lerem minhas lamentações sobre o quão ruim ficou o capítulo (E praticamente me ameaçarem de morte)
Ficou grande, apesar disso. E o Matt ficou extremamente fofo.
Então... Otanoshimi.
Naquela manhã fria de 1º de fevereiro, a neve caia graciosamente sobre Winchester, fazendo da cidade uma paisagem alva e pacificamente agradável. Poucos carros passavam pela rua, assim como os altos e vermelhos ônibus ingleses. Como de costume, a Wammy’s House encontrava-se em sua plena calmaria matinal, com seus poucos alunos já não adormecidos.
Mihael já se encontrava acordado há muitas horas; O seu cuidado para com o melhor amigo não lhe permitia descansar sem que tivesse plena consciência de que este estivesse em condições de se cuidar sem ajuda de outros. Ele permaneceu, pacientemente e com o coração leve pela vida do amigo não ter seguido outro caminho, ao lado deste, atencioso e leal.
Contemplava o rosto alvo e marcado por cicatrizes e cortes recentes, embora permanecesse com sua doçura e pacificidade, o belo rosto angelical que há tanto observava por horas, dias e noites em que nada desejava além de decorar cada traço bem feito e sofisticado do ruivo. Mesmo suas tão sofridas marcas eram merecedoras de atenção, pois em cada uma delas uma história era presente e, caso solicitada, contada de uma forma surpreendente, em que aqueles que as escutavam se penduram em cada palavra presente. Os olhos fechados transpareciam a calma e amabilidade dos orbes verdes quando abertos, Mihael notava, pois até mesmo o fechar de olhos do garoto adormecido era diferente; Ou então eu só posso estar sobre um dos efeitos mais fortes do amor... Ele refletia, um sorriso apaixonado estampado nos lábios finos. Suspirou lentamente, acariciando a mão leve de Mail, quando este acordara; As pálpebras se desprendendo uma da outra com calma, revelando a brilhante joia verdejante que escondiam. Mihael apenas se silenciava, ainda com o sorriso nos lábios. O ruivo logo arqueou as sobrancelhas e um nó se formou em sua garganta, o coração palpitante ao lembrar-se do dia anterior. Sentou-se na cama aflito.
- Mello... Mello, Eu- Me desculpe! Eu não– Ele se enrolava nas palavras, não sabendo por onde devia começar, sentindo dolorido os dois braços — que até então não notara estarem enfaixados. Mihael apenas meneou a cabeça, permanecendo a sorrir, e sem breve aviso envolveu o amigo em um abraço acolhedor. O ruivo arregalou os olhos, mas estes logos foram tomados por uma névoa de lágrimas que os embaçou ao que sentira naquele abraço o calor e a amabilidade que sempre continham e que ele sempre sentira desde que recebera o seu primeiro; Nada podia lhe deixar tão seguro e protegido de todos os males que lhe assombravam que o abraço de Mihael. Mordeu o lábio inferior e selou as pálpebras, a respiração dificultada ao que retribui o abraço com mais força, as mãos apertando o tecido da blusa do loiro. Escutou seus batimentos calmos, uma vez que se encontrava com a cabeça em seu peito, e logo os seus tomaram o mesmo rumo, aos poucos. Mihael acariciava com calma os fios escarlates.
- Matt, já passou... Esqueça esse assunto que já se foi. Você está aqui, e isso era a única coisa que realmente importava. – Mail se afastou cabisbaixo, os dedos se enroscando impacientemente. Mihael viu uma lágrima sorrateira descer pelo rosto alvo e adiantou-se para limpá-la com cuidado, aproveitando e segurando o rosto do amigo em suas mãos. Ele sorriu amavelmente. – Não quero te ver chorando hoje, sim? E gostaria de poder não te ver chorando nunca mais, mas às vezes é inevitável, não? – Sua voz era calma e o mar de seus olhos, Mail viu logo que mergulhara nestes, ainda mais tranquilo e acolhedor. O ruivo piscou algumas vezes e fungou, assentindo. Mihael aumentou seu sorriso e abraçou-o novamente. – Feliz Aniversário, Matt!
- Já havia me esquecido... O-Obrigado...! – Enrubesceu e sua timidez acentuou-se; Parecia cada vez mais difícil controlar os sentimentos que nutria ardentemente pelo melhor amigo. Tentando dispersar os pensamentos, olhou para o relógio ao lado da cama e arregalou os olhos. – Mello, iremos nos atrasar!
- Quem disse que você vai à aula hoje? – O loiro separou-os, arqueando uma das sobrancelhas e assim fez o ruivo.
- Por que não ir?
- Você não pode fazer esforço nos braços, Senhor Jeevas. – Falou cruzando os seus.
- Oras, mas escrever não exige tanto esforço assim! E– Interrompeu-se e o sangue de seu rosto dissipou, tornando o ainda mais alvo. – Mello, as pessoas já sabem? Por Gandalf, se elas souberem, não sei como poderia encara-las! Já me veem como um estranho e eu sendo extremamente envergonhado e sem jeito para lidar com as pessoas...!
- Fique calmo, Matt. – Mihael riu baixo, meneando a cabeça. – Tentei manter o assunto entre nosso grupo e Sra. Sachiko; Mas caso tenha se espalhado por meio de outras pessoas, que eles não ousem tocar no assunto. – Disse sério e Mail sorriu de leve, resultado dos momentos em que o loiro agia de forma tão protetora. Logo este, após um breve silêncio, observou – E você é realmente tão teatral quanto Beyond em certos momentos...
Mail riu baixo e lembrou-se de algo.
- Diz isso como se nunca agira com drama! Olhe só, você é loiro, de brilhantes olhos azuis e eu amo artes! Você se sairia como um incrível Dorian Gray e eu o pobre Basil Hallward... – Parou, então, subitamente de falar e arregalou os olhos, corando fortemente enquanto Mihael desatava a rir, embora corasse tanto quanto o amigo; Ambos se lembraram de certo momento no livro que leram e que, levando em consideração a comparação feita por Mail sobre os personagens, geraram um rubor em ambas as faces, embora tudo aquilo fosse cômico a seus olhos.
- Bem, se fosse apenas nos momentos em que o Dorian não mudara ainda, seria uma honra, senhor. – Mihael levantou-se da cama e fez uma reverência, tirando outro riso do ruivo. – Mas você tem que ficar hoje, Matt, pelo menos até o fim das aulas.
- Mas, Mello! Por favor... Eu- Eu não quero... – A vermelhidão das bochechas se adensava – Não quero ficar sozinho, por favor!
Mihael sentiu as maças de seu rosto arderem, embora suspirasse em seguida e revirasse os olhos; Ele entendia o fato do ruivo não desejar ficar sozinho depois do ocorrido, sabia que também era extremamente perigoso deixá-lo daquela forma, com os pensamentos vagando por mundos onde o sentimento de culpa pelo seu feito era forte e atormentavam intensamente. Já lhe bastasse o que acontecera no dia anterior, não poderia deixar nas mãos daquele que mais amava outra oportunidade de partida.
- Não ouse tirar as ataduras e não se preocupe em molhá-las, temos tempo de fazer outras. – Apontou um dedo em riste na direção do garoto ainda sentado sobre a cama e este logo sorrira, assentindo. Levantou-se com pressa, embora cambaleasse de leve por ter machucado o tornozelo. Foi até o loiro e ligeiramente o abraçou com força, rindo, logo se pondo em direção ao banheiro. Mihael sorriu bobamente, meneando negativamente a cabeça enquanto se lembrava dos ligeiros e envergonhados abraços que o ruivo sempre lhe dera, desde crianças. Matt, encostando à parede do banheiro com um sorriso bobo nos lábios róseos, também se recordara, e com as bochechas rosadas lembrou-se que deveria ter-lhe dado o passo seguinte daqueles abraços, o ainda mais envergonhado beijo na bochecha que tirava de ambos um suspiro.
E estranhamente, junto de um amável gosto da infância, Mihael sentiu os doces e inocentes lábios contra uma de suas maças do rosto, assim como Mail sentira a tez suave contra as pétalas de seus lábios.
...
Mail e Mihael estavam sentados sobre o soalho de madeira escura do quarto já devidamente arrumado. Ambos estavam em seus uniformes, embora sem os blazers azuis acinzentados. Mail tinha as mangas da camisa branca e do cardigan cinza na metade do braço, enquanto Mihael segurava este e desfazia as ataduras com calma. Quando as tirou, pegara um algodão molhado de algum produto que Sra. Sachiko deixara com eles e passou levemente sobre os cortes; Mail mordia o lábio inferior, evitando olhar para os ferimentos. Certo momento voltou os olhos para Mihael, quando este já havia limpado e envolvido os braços em ataduras limpas e agora cuidava dos machucados na face alva e bela, a bochecha de ambos fortemente avermelhada pela proximidade dos rostos. Viu nos lábios finos do loiro um corte, o olho direito levemente inchado e abaixo do esquerdo um forte roxo, pontilhado de um vermelho forte.
- Mello, o que é isso? – Perguntou baixo, levando o indicador de leve até o ferimento do olho esquerdo. Mihael suspirou e permaneceu a limpar os ferimentos.
- Está tudo bem, não se preocupe com isso. – Mail o olhou sério, com uma das sobrancelhas arqueadas; Mihael estendia aquele olhar e revirou seus olhos azuis. – Está bem, está bem! Mas não fique preocupado ou estressado, já aconteceu e esse é o fim da história: Achei o presentinho de Nathan perto de você quando lhe encontrei, e há muito eu e Beyond já vínhamos querendo acertar aquele infeliz, por mais que eu sequer soubesse do que ele fazia com você. Aquilo foi o suficiente – e até demais – para eu não conseguir me conter; Sabe como sou uma pessoa incrivelmente paciente, principalmente quando se trata de você, não? – Falou em um tom irônico e Mail, apesar de corado, entreabriu os lábios, impressionado.
- Mello! Vocês não fizeram nada grave, fizeram? Nem se machucaram muito? Oras, vocês dois são loucos! Por isso mesmo não contava, por medo de vocês se machucarem ou de coisas piores acontecerem-
- Shh... – Mihael colocou o indicador sobre os lábios carnudos do outro. Seus olhos se encontraram, um tão brilhante quanto o outro, e logo faziam sua pintura imaginária, suas misturas belas e românticas. Seus narizes se roçavam levemente, tamanha era a proximidade entre eles. – Já aconteceu, Matt. Nada grava ocorreu, e o covarde do Nathan devia receber muito mais do que recebeu, mas fugiu antes que eu pudesse fazer outra coisa; Ele e os outros devem estar bem, e deviam agradecer por eu ter me contido o máximo que pude.
- B-Bem, menos mal... Mas não me interesso neles. Você não se machucou muito, não? – Perguntou tímido, sua voz doce e preocupada, as bochechas fortemente avermelhadas. Piscava constantemente e seus lábios pareciam tremer de leve; Seus olhos voltavam-se sempre para os lábios finos e almejados.
- Não, estou bem, infinitamente bem. – Ele disse com calma, pausadamente; Tentava se conter em diminuir aquela distância que para ele parecia tão petulante.
- E Beyond?
- Fez o máximo para não utilizar seus recursos psicopatas. – Mihael disse e Mail riu baixo. Ficaram em silêncio e o único som presente eram os do coração palpitante. Aos poucos aquela proximidade aumentava; Mail mexia os dedos com ansiedade e Mihael inclinava de leve a cabeça. Poucos centímetros faltavam quando então o sinal soou alto, indicando que dali 20 minutos encontrava-se o horário do início das aulas. Afastaram-se com rapidez e com as bochechas afogueadas. Levantaram-se e Mihael seguiu para o banheiro, jogando fora os algodões e guardando os curativos enquanto Mail vestia com cuidado o blazer após ter ajeitado corretamente a manga do cardigan e da camisa. Após estarem devidamente prontos, com as malas nas costas – Embora Mihael insistisse em leva-las e Mail, relutante, afirmava não estar tão pesada – Respiraram fundo e saíram do quarto, enrubescidos pelo fato de minutos atrás, embora internamente sorrissem apaixonados.
...
- Matt! – estavam sentados na escada, aguardando pelo resto do grupo quando Beyond, surpreso por ver o amigo, apressou o passo, sentando ao lado deste na escada desjeitosamente. Mail e Mihael se assustaram de leve, embora rissem baixo em seguida. – Pensei que você não viria à aula hoje!
- Achei melhor vir; Ficar trancado em um quarto sozinho é atormentador, de vez em quando. – O ruivo respondeu em voz baixa, encolhendo os ombros. Beyond assentiu e logo sorrira.
- Feliz Aniversário, maninho! – o puxou pelo pescoço em um abraço enquanto lhe bagunçava os cabelos. O ruivo riu, agradecendo enquanto os outros 3 se aproximavam.
- Bom Dia, garotos. – Lawliet cumprimentou-os, ainda de pé. – Ah, Matt! Você está melhor?
- Ah, sim, obrigado, Lawliet. – sorriu.
- Feliz Aniversário! – Raito exclamou.
- 16º Aniversário... Parece inacreditável como 11 anos se passam tão rápido... – Nate contemplou em seu tom de voz quase inaudível e Mail riu baixo, assentindo. Não lhes restou muito tempo para conversar, tão logo foi o soar do sinal 5 minutos antes de entrarem; Apenas Mihael e Beyond conseguiram conversar sobre algo, ao que o moreno o puxara pelo tecido do blazer enquanto Mail conversava com os outros.
- Vocês dois iram a algum lugar depois da ultima aula? – questionou o moreno e o loiro assentiu.
- Se não tiver problemas para ele, sim... – Ele movia os dedos com impaciência e Beyond rira. – Não tem graça. Queria ver se fosse você no meu lugar!
- Tem graça sim, Mello, mas não se preocupe, você pode se vingar daqui um tempo. Vocês dois poderão. – Deu de ombros, rindo, e Mihael revirou os olhos.
- Hey, vocês dois vão se atrasar! – Matt os chamou, um pouco ao longe. Mihael respirou fundo e os dois puseram-se a caminhar. Ao chegarem o ruivo sorriu, puxando o loiro pela manga do blazer para entrarem na sala.
...
O sinal da penúltima aula soou e os alunos saíram apressados para suas respectivas classes, abrandados por estas serem, na maioria das vezes, tranquilas. Os seis garotos aguardavam a movimentação cessar já com suas respectivas bolsas e mochilas. Mail sentia-se extremamente calmo e aliviado por não ter recebido muitos olhares vindos de seus colegas, embora alguns do grupo de Nathan e Halle – que ele notara estar com a boca levemente inchada, intrigando-o.
- Vocês... Vocês brigaram com a Halle também?
- Não poderíamos...
- Mas Misa e Sayu insistiram em tomar alguma providência. – Beyond deu de ombros e Mail tinha as sobrancelhas arqueadas, surpreso.
- Sayu nunca foi calma... – Raito observou e os gêmeos, que os conheciam desde a chegada na Wammy’s, assentiram. – Bem fizeram elas, pois Halle era a que tinha maior influência sobre os outros garotos.
- Espero que não tenham se machucado... – Mail mordeu o lábio inferior, percebendo que o que acontecera fora por sua causa. Mihael logo notou e revirou os olhos, mudando de assunto.
- E melhor irmos logo, ou nos atrasaremos para a ultima aula. – Olhou no relógio pendurado na parede frontal a eles, notando que embora os professores sempre demorassem mais a chegar a suas classes nas ultimas aulas, estavam atrasados. Os garotos assentiram, saindo da sala. Lawliet e Raito seguiram para o mesmo caminho após se despedirem, assim como Nate. Beyond notara que, ao se despedir e ter dado alguns passos, rumando para a sala de artes, Mail fora impedido por Mihael que o puxara de leve pela mão. Segurou o riso ao ver as bochechas do ruivo coradas e apressou o passo.
- Estarei esperando na quadra. – gritou para Mihael que assentiu, logo ficando a sós com Mail. Virou-se de frente para o mesmo, esquecendo-se de suas mãos entrelaçadas; Era algo tão comum entre os dois que acontecia natural e automaticamente. A despeito disso, as bochechas de Mail encontravam-se afogueadas.
- Eu não vou demorar muito, pois o Professor, com sua calma infinita, me mataria apenas com o olhar e a Srta Misora ficaria bem preocupada. – Ele disse calmamente e Mail riu, assentindo. Logo as bochechas do loiro tornavam-se rosadas e seus batimentos acelerados. – Então, eu... Bem, como é seu aniversário e, hum, você gosta muito de passear pelos parques daqui quando está nevando, eu estava pensando se... ahm, se você gostaria de– Mail começara a rir, vendoo quão embaraçado e enrolado com as palavras encontrava-se o melhor amigo; Decerto, Mail estava tão envergonhado quanto ele, mas não pode evitar a reação que tivera. – Matt!
- D-Desculpa, Mells, não pude evitar; Você fica muito bonitinho envergonhado, sempre te disse isso! – Ele riu, apertando as bochechas vermelhas do amigo. – Mas eu aceito, sem dúvidas. – Mihael arqueou uma das sobrancelhas, em dúvida. – Sim, eu entendi o que você quis dizer. – Ele riu, os olhos verdes e inocentes brilhantes enquanto mordia de leve o lábio, onde um sorriso sincero e amável surgia. Mihael sorriu, fechando os olhos levemente, assentindo. – Estarei esperando no jardim, já que saio mais cedo que você. – Disse em tom baixo e doce, um pouco mais próximo do loiro, embora logo se afastasse. Soltou-lhe a mão e girou os calcanhares, em passos apressados para a sala de artes, enquanto acenava antes de adentrar a sala. Mihael estava levemente estático, embora despertasse em seguida, correndo em direção à quadra, sorrindo apaixonado e com os pensamentos, como de praxe, naquele que nunca ousava sair destes.
...
Mail encontrava-se sentado em um dos bancos do grande jardim da Wammy’s House, agora alvo pelo inverno, embora tão gracioso quanto nas outras estações. Já havia ido até o andar dos dormitórios, pego seu sobretudo e deixado sua bolsa guardada, embora decidira por fim leva-la, pelo fato de que tirara dela um dos livros que lia e trouxera consigo. Tremia de leve pelo frio enquanto o lia quando Mihael chegara de súbito, lhe assustando de leve ao que algo quente envolveu-lhe o pescoço.
- Acho que você gosta de ficar doente, huh? – O loiro, agora de frente para o garoto, questionou, os olhos azuis censurando o amigo que rira. Enrolava um cachecol listrado nas cores vermelho e amarelo escuro no pescoço do ruivo, enquanto no seu jazia semelhante, embora as cores fossem verde e cinza. Em sua cabeça havia um touca igualmente verde e ele vestia um sobretudo. Abaixou os goggles da cabeça do amigo e colocara nele uma touca vermelha; Mail apenas ria, as bochechas avermelhadas.
- Eu sempre me esqueço que tenho um amigo chato em relação à saúde... – Revirou os olhos enquanto o loiro meneava negativamente a cabeça, estreitando os seus. Logo o ruivo arqueou uma das sobrancelhas. – E você está usando o meu cachecol e minha touca.
- Estou; Sempre usávamos as coisas um do outro, e meu cachecol fica mais legal em você. – Deu de ombros e o ruivo riu, se levantando ao guardar o livro em sua bolsa e puxar o loiro pelo braço em direção à saída da Wammy’s.
- Por causa do meu cabelo?
- Acho que sim. – O loiro disse despreocupado.
- Mello e suas loucuras... – Sorriu, enquanto andavam agora pelas ruas calmas, olhando em volta.
Conversaram amenidades durante o caminho sem rumo que seguiam, rindo e vez ou outra provocando um ao outro, ao que enfim chegaram a uma praça deserta, em um dos cantos não movimentados de Winchester. O local era agradável, localizado em uma rua estreita e circular, com casas antigas ao redor e aparentemente vazias. A brisa era leve e agradável, assim como a neve, que lentamente caia. No parque, havia algumas árvores, bancos de madeira e até mesmo algumas mesas pequeninas juntas de bancos. Em um canto, um balanço de dois lugares. Ficaram em silêncio, apenas ouvindo o som das próprias respirações. Mail caminhou até uma árvore, a olhando com um sorriso estampado nos lábios. Mihael se aproximou, também sorrindo.
- Lembra-se dela? – Questionou o ruivo.
- Como poderia esquecer? Acho que me lembro de quase todas as arvores que ficaram marcadas por nossa “assinatura”. – Falou calmamente e Mail riu, se agachando e olhando o tronco da árvore. Apontou para uma parte deste e Mihael inclinou-se para olhar: Havia um sorriso e um coração pequenino, abaixo escrito “Matt” e “Mello” em letras de forma. Seu sorriso aumentou-se e ele suspirou. Mail, agora ajoelhado, procurava algo em sua bolsa. Aproveitando o momento de distração do amigo, Mihael caminhou até um pequenino canteiro escondido, onde algumas flores amarelas eram escondidas pela neve. Pegou um delas e a escondeu nas costas, voltando para perto da arvore, onde Mail rabiscava algo com uma tesoura que tirara da mala. Estendeu-a para Mihael, que rira e ajoelhou-se, continuando o que o amigo fizera: Uma assinatura semelhante, embora levemente alterada. Mail escrevia “Mello”, enquanto Mihael escrevia “Matt”, como sempre fizeram.
O loiro se levantara, entregando a tesoura ao amigo que a guardou, em seguida ambos caminhando em direção ao balanço. Matt tirou a neve de um dos assentou e Mihael sentara-se ao lado, embora não fosse no assento de madeira mas sim em uma barra de ferro horizontal que constituía o balanço. De suas bocas e narinas uma fumaça branca saia devido o frio. Mail movimentava os pés de leve, fitando o céu acompanhado de um suspiro. O silêncio entre eles era agradável, embora sentissem estranhamente os batimentos acelerados e ansiosos. Mihael respirou fundo e em um momento distraído do ruivo, colocara a flor sobre o cabelo do mesmo, rapidamente. Mail notara e tirou-a de lá apenas para fitá-la. Sorriu, enrubescido enquanto voltava a flor para os fios escarlate. Girou o balanço, ficando de frente para Mihael que tinha um sorriso calmo nos lábios.
- É estranho da sua parte em pegar algo na cor amarela. Você sempre presta mais atenção nas vermelhas, verdes ou escuras.
- Tenho um motivo para ter as cores verde e vermelha como favoritas. – Ele disse com calma, embora seu coração palpitasse. Mail aproximou-se mais, sorrindo docemente e encolhendo os ombros pelo frio.
- Por qual motivo? – Questionou, curioso.
- Me lembra alguém... Certo ruivo de olhos verdes, que conheci aos 6 anos de idade. – Mail arqueou as sobrancelhas, a boca entreaberta e a vermelhidão nas bochechas adensando. Logo sorriu de leve, os olhos brilhantes. Mal notavam que ao poucos se aproximavam. – Ele foi meu primeiro amigo, o primeiro que me fez sorrir e a primeira pessoa a me abraçar. Acho que viramos melhores amigos no primeiro momento em que nos encontramos, quando ele estava escondido no vão atrás da cama, assustado e perdido. – O loiro pegou as mãos do ruivo, a segurando e entrelaçando seus dedos com carinho. – Ele simplesmente virou minha vida do avesso, mas nunca imaginaria que o avesso seria tão estranhamente mágico. Deixei de ser o Mihael Keehl, arrogante e sem sentimentos, e passei a ser o Mello, que não sei muito bem como descrever, mas posso afirmar que houve uma mudança extrema nos sentimentos, transformando-me em um garoto extremamente apaixonado por 11 anos, afinal, além de ser meu primeiro amigo... – Mail apertou com mais força a mão do loiro, sentindo os batimentos acelerados ao que a distância entre eles tornara-se mínima. – Ele também foi o meu primeiro amor.
Não esperaram reação alguma, era impossível esperá-las naquela situação tão ansiada pelo dois. Eles pareciam não acreditar, acreditavam que aquilo não passava de um dos melhores sonhos possíveis, mas como poderia ser um sonho se todas aquelas sensações apaixonadas vinham com uma força tremenda até eles, se o galope dos batimentos parecia tão sincronizado um com o outro, se o fechar dos olhos lhes guardara na memória o momento mais esperado por ambos, e se os lábios carnudos se encaixavam tão perfeitamente aos finos? Tantos anos desde que aquela sensação estranha os acompanhava, aqueles momentos em que os lábios comichavam para se tocarem e experimentarem o gosto doce que possuíam e a quentura que abrangiam...! Os lábios estavam apenas selados, aproveitando cada segundo daquele momento. Afastaram-se minimamente, os narizes um contra o outro e os lábios se roçando. Mail sorriu, os olhos levemente embaçados.
- Achei mais um fato em comum entre nós dois: Partilhamos a mesma história e o mesmo sentimento. – Sua voz era baixa e ele rira de leve. – 11 anos se passaram e eu sempre tive tanto medo de tudo ao meu redor, mas você sempre esteve ao meu lado, me protegendo de tudo; Tive medo quando me dei conta de que o que eu sentia por você era amor – Eu devia ter meus 12 anos, demorei um bocado para notar... – mas você estava ali, sempre me fazendo sorrir e esquecer as minhas preocupações...
- E sempre vou estar, Matt; Dizem que as pessoas sempre têm um propósito na vida e algo pelo qual lutar, e, para mim, tudo é centrado em você, na sua felicidade. Pois você é minha vida, não só o propósito dela. E agora, depois desses tão esperados anos, eu posso finalmente dizer as famosas três palavras...
- Eu te amo. – disseram em uníssono, antes de, por fim, juntarem seus lábios novamente, experimentando cada sensação que tanto ansiavam por. E com o fechar dos olhos Mail guardou em suas memórias lembranças de seu mais importante presente.
Notas finais
FINALMENTE! Agora vou lhes explicar o porque de tantos fillers: Eu, por algum motivo não explicado, botei na cabeça que o beijo seria no capítulo 20. *todos com uma cara de WTH* E EU NEM ME LIGUEI QUE HOJE ERA DIA 20! Feliz dia do amigo e parabéns para o Tio Santos Dumont -q
Enfim, o beijo foi levíssimo, mas eu melhorarei nos próximos; Foi só para compactuar com a timidez e ESSE MEU MATT SUPER-MEGA-UKE KAWAII. (SIIIIIIIM, meu Matt é uke, meus pêsames para quem só gosta dele seme)
Enfim, me desculpem novamente. E não faço ideia de quando sai o próximo, talvez eu demore uns dias a mais :s
Ja nee~ ♥
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