Yuiitsu No Reigai

16 Capítulo 16 - Kin'iro no gogo (PT 3)


Notas iniciais
Yo, minna :3
Bem, como dito no post anterior, essa seria a ultima e 3ª parte do capítulo (Apesar de o nome não ter nada, absolutamente nada, a ver com esse capítulo), e eu a postaria no começo da semana. Aqui está.
O CAPÍTULO NÃO TEM FOFURA (Um pouquinho só no fim) E SE VOCÊ TEM ESTOMAGO FRACO E IMAGINA AS CENAS PERFEITAMENTE QUANDO LÊ ALGO, ACONSELHO NÃO LER. Está fortinho o capítulo, e eu dei uma viajada legal, mas eu queria fazer algo desse tipo assombrado hoho~ -q Certo, certo, vamos lá...
O tanoshimi

Capítulo 14

Kin'iro no gogo

金色の午後

PT — 2

O céu ainda não estava escuro por completo, mas sim acinzentado, com algumas nuvens repentinas e negras. A mudança de tempo contribuíra ainda mais para a ansiedade dos garotos, que acreditavam que a presumível chuva que viria dali a pouco tornaria as coisas ainda mais assustadoras. As bicicletas avançavam agora com calma, deslizando sobre o asfalto da rua vazia. O topo da alta casa era visível com mais facilidade, as janelas quebradas e o telhado encardido e gasto. O vento forte e sussurrante bagunçava-lhes os cabelos e ao chegarem à rua sombria um estouro iluminou o negror do céu. Os garotos estavam a algumas casas de distância do alvo desejado e pararam para observa-las. Todas fechadas, com a pintura desgastada e as paredes encardidas; Os jardins, quando possuíam, cinzentos e mortos, e a cerca de ferro enferrujado. Pensaram, num breve minuto, se havia pessoas habitando os recintos, mas a ideia se dispersou quando, ao longe, rangidos foram ouvidos. Era constante, havendo uma pequena pausa, e os garotos logo reconheceram o som e de onde vinha, arregalando os olhos. Engoliram em seco e, não mais sentados nas bicicletas, às empurravam pela rua, se aproximando da casa. E lá estavam elas, as maçanetas áureas e opacas, sem esperanças de serem tocadas, presas à porta desgastada de madeira corroída pelos anos. O barulho diminuía ou aumentava, à medida que o vento realizava os mesmos atos. Detrás da casa, ainda havia uma parte pequena do gramado cinza, e dali vinha o som. Permaneceram na calçada, após apoiarem as bicicletas na cerca de estacas, e tentarem ver o que, ao certo, acontecia. Viram, então, um balanço, como presumiam, embora estivesse vazio; Se movimentava para frente e para trás, como se alguém empurrasse outra pessoa ali sentada, no retângulo de madeira furado nas laterais. Sabiam que o movimento era por causa do vento – Ou tentavam acreditar em algo semelhante – mas o balançar era tão reticulado que nem o mais meticuloso vento conseguiria movimenta-lo de tal forma. O rangido vinha dos metais enferrujados, constataram, que prendia o balanço único. Provavelmente naquela mansão existira alguma criança, ou algum adulto desocupado e despreocupado, que vivia a vida como a da anterior. Se ainda não existir...

O vento forte levou o balanço mais ao alto, a despeito de ainda reto, como se aquilo fora o impulso dos braços de alguém. Os raios, inicialmente, deram um resmungo sem sentido, um muxoxo quase inaudível, mas logo disparara um flash no cinzento céu, vindo acompanhado de um esbravejado rugido apavorante; Era o sinal de partida, a ultima badalada do relógio sonoro e celeste.

Os garotos respiraram fundo e olharam a casa por uma ultima vez; As paredes descascadas onde os tijolos eram visíveis, as janelas quebradiças e sérias, e as maçanetas instigantes. Na área dos joelhos de Mail, a essa altura, o jeans já estava completamente tingido pelo sangue e obviamente ardia, mas o ruivo não pensava em nada além da casa. Seu corte na testa agora não sangrava tanto, mas uma gota descia sorrateira pela tez alva; O lenço anteriormente branco, apesar de agora vermelho, era preso pelos dedos com força. Mihael o olhou de soslaio, procurando pelo rosto amado um sinal que lhe indicasse se realmente deviam adentrar o pavoroso domicílio, e como esperado, não via nada além de ansiedade e um brilho aventureiro envernizar o verde belo. Impresumivelmente, os lábios carnudos do ruivo se curvaram nos cantos e ele olhou de soslaio para o amigo. A troca de olhares não necessitava de palavras, e logo nos lábios finos um sorriso quase igual ao outro, no mar dos orbes azuis uma onda atrevida se elevou e resplandeceu a imensidão. Outro resmungo, agora impaciente, vindo do céu os impulsionou. Mail encarou a maçaneta.

- Chegou a hora. – Embora escondesse, sua voz soava animada e convincente. Esticou a perna, ainda um pouco manco e com uma ardência petulante nos joelhos, embora não desse o mínimo de atenção para tais fatores. E Então a sola de seu sapato tocara a grama, seguida dos outros garotos, com cautela e calma. Estavam no território proibido, tinham a consciência, e não havia algo mais audaz ou instigante.

...

Deram algo que se aproximava de 30 passos até chegarem ao degrau baixo, onde um tapete encardido e não pisado há anos descansava sobre. Beyond ouvia os batimentos ansiosos; Já entrara em casas abandonadas e particularmente assombradas, mas aquela era demasiada instigante. A mão foi lentamente de encontro com a maçaneta que, surpresa, foi girada com calma e um pouco de dificuldade pela ferrugem, o ferro angustiantemente se raspando ao outro, gerando um som desconfortável. Para a felicidade deles, a porta encontrava-se aberta e eles respiraram fundo antes de qualquer outro movimento. Logo se adiantaram e Beyond empurrou com leveza e calma a porta de madeira que rangeu, cortando o silêncio momentâneo. Depararam-se com um estreio corredor de madeira, empoeirado e com quadros na parede descascada. O ultimo a entrar, Mail, fechou a porta e segurou um espirro. Isso não é bom... Pensara, se lembrando dos problemas respiratórios enquanto tampava o nariz, mas logo fora disperso pelo lugar frio. Near abraçava os próprios braços, mordendo o lábio inferior apreensivo; Não achava que aquilo terminaria de uma forma agradável e em nada lhe agradava a ideia de que poderia se perder pelo recinto, mas Beyond notava cada sinal expresso pelo albino. Corou, mas com um rápido movimento enlaçara seu braço ao de Near, o “prendendo” consigo de forma protetora. Não olhou para o garoto com intenção de esconder as bochechas vermelhas, mas este as notava de leve ao que olhou confuso. Seu coração falhou uma batida e a vermelhidão nas bochechas adensou-se, mas ele sorriu.

Mail observava tudo de forma curiosa e meticulosa. Passou os dedos sobre uma das molduras de madeira presas as paredes; o vidro desta estava quebrado, com alguns pedaços sobre o chão, e os rostos na foto eram borrados. Observava também, quando possível, o chão. Ansioso, resolveu quebrar o silêncio com um sussurro.

- Será que há rostos nesse piso? – Focava os olhos sobre as manchas em uma parte dele. Os amigos olharam-no, confusos;

- De onde tirou isso, Matt? – Raito questionou, também sussurrando.

- De um livro de histórias. A misteriosa face de Belmez, que diz que o chão de uma casa possuíam rostos tristes... E são assustadores! Tenho aqui a história, se quiserem vê-la depois e comprovarem que a queda não me fez ficar louco. – Riu baixo, revirando os olhos com a surpresa no rosto dos amigos, que pensavam exatamente isso. Beyond, por sua vez, resolveu perguntar.

- Por que leva isso consigo?

- Bem, queria, quando houvesse oportunidade, investigar isso em algum lugar apropriado. E aqui é perfeito. – Sorriu, os olhos brilhantes.

- Compreendo, Sherlock. – Beyond assentiu e Mail rira leve novamente. Voltaram-se para frente, seguindo o longo corredor até o fim, onde havia uma porta e um outro corredor à esquerda. Beyond girara a nova maçaneta, mas esta não reagiu; Estava emperrada. Deram de ombros e viraram o corredor, deparando com mais portas trancadas e por fim uma escadaria perigosa de madeira velha.

- Tomem cuidado onde pisam – alertou Lawliet e os outros assentiram. O moreno, não muito confiante no gêmeo de olhos escarlate, foi à frente, pisando nos degraus, sentindo a resistência; Alguns se rachavam em partes apodrecidas. E assim subiram, fazendo uma leve curva no meio do trajeto e logo chegando a um largo corredor cheio de portas, mas aos pedaços. Era uma visão assustadora. Estacas de madeira jogadas pelo chão, empilhadas; Pedaços de pano rasgados, e bastante poeira se estendia pelo lugar, junto a um cheiro estranho, familiar e que lhes deixaram apreensivos. Não, não era metal, era sangue. Havia sangue em algum lugar ali, se não em mais de um, e não foi difícil tendo Beyond por perto para encontrar, a despeito de o primeiro ter sido de uma forma injuriante. Eles observavam, quietos, o local, apesar de se esquecerem de olhar para trás, o que de qualquer forma seria um erro, acontecendo antes ou depois. Um vento forte passou pelo corredor, os arrepiando. Decerto, havia uma janela ao fim deste, mas vento algum passaria pelas frestas de vidro quebradas de tal forma. Beyond fungou, pediu para Near ficar onde estava e para tomar cuidado, logo deu passadas lentas até uma das portas, onde o cheiro de sangue era forte. Hesitou, antes de tocar a maçaneta.

- Algum de vocês revistaria os outros quartos? Mas, cuidado, não tenho certeza de que a imagem seja leve.

- Eu vou. – Raito disse e Lawliet lhe lançou um olhar apreensivo. Sussurrara-lhe para ficar junto a Nate e logo foi até à porta defronte à de Beyond. – Vou abri-la primeiro, o cheiro de sangue não é forte aqui. — E abriu com calma e tensão, se deparando com uma sala normal, empoeirada e escura. Normal até o momento em que ele notara, sobre o tapete de centro e o chão de madeira, uma poça de sangue ao lado do sofá, também com manchas vermelhas, onde estremeceu ao ver um braço branco, sem cor alguma, estendido desleixadamente e um punhado de cabelos claros, como se alguém adormecido estivesse deitado no sofá. O braço multilado deixava claro que aquela pessoa nunca mais despertaria.

- R-Raito, o que houve? – A voz de Lawliet soou preocupada com a palidez que se apossara do rosto do amigo. – Há alguém ai?

- Havia. Agora... Restara apenas o corpo. – Sua voz tremula assustou os garotos e ele fechou a porta com rapidez, embora evitasse fazer qualquer barulho; Tinha suas dúvidas sobre o ser adormecido tomar a decisão de acordar de outras formas. Engoliu em seco e partiu para outro cômodo, mas agora era a vez de Beyond. O garoto sentia os batimentos acelerados e tensos explodirem em seu peito, principalmente quando por fim virara a maçaneta; Mas então eles falharam com o empurrar da porta e a cena que lhe fora presenteada. Dois homens e duas mulheres, ambos bem vestidos rodeando uma mesinha de centro, onde um bule de chá e quatro xícaras de porcelana cara e fina descansavam. Havia bebida no bule, indicava as manchas ao redor do bico, e eram visíveis as bebidas marcando a porcelana, e provavelmente vieram das mãos de uma das mulheres, ou dos homens; Triste era dizer que isso poderia ser encarado literalmente. Nas mãos, cortes fundos e sangue tingiam de vermelho a tez agora branca dos quatro adultos. O sangue estava seco, mas nada tirava o terror daquela cena. A bebida vermelha parecia ter sido jogada nos quatro, como se houvesse em demasia no momento, pois desde os cabelos até os calçados eram tingidos de escarlate, com exceção dos olhos vidrados, cinzas e abertos, para infelicidade de Beyond. Estavam mortos, mas a forma como isso acontecera fora tão cruel que não possuíram a boa vontade de fechar-lhes os olhos. Mas claro, quem ligaria? Perto daquela abundância de sangue e cortes, um olho fechado ou aberto não faria a mínima diferença. O tapete também era tingido, como o sofá onde sentavam e a mesinha, que possuía respingos. Beyond não conseguia se mover, tamanho fora o choque.

- Beyond! O que- Nate, completamente preocupado, iria se aproximar do garoto, mas este logo despertou; Se para ele, que não se importava com sangue, fora chocante, faria o máximo para que Nate não visse.

- Não. Fique ai, Near. – Ele fechou a porta, ainda chocado, sentindo o estômago revirar e uma náusea forte. Engoliu em seco e parou, inexpressivo. Mail, aterrorizado, deu alguns passos para trás, com os olhos arregalados, e estremeceu, não sentindo os batimentos ao que encostara em algo. Prendeu a respiração e não ousou olhar para trás, ficara estático.

Raito abrira a outra porta e ficou ainda mais pálido. Havia quatro garotos, com seus 10 anos, em volta de um tabuleiro de jogo. Era o quarto de um deles, ou mais especificamente, do que estava deitado sobre sua cama, observando o jogo. Mas nada acontecia e o tabuleiro, anteriormente colorido, estava vermelho, manchado, assim como suas peças, cartões e cartas. A cama, de lençol azul, possuía rodas vermelhas e grandes e o garoto dormia, tragicamente. Seu corpo multilado e a roupa completamente suja de sangue. Seus olhos vidrados nos amigos, caídos no chão com o corpo igual ao seu, sem piedade alguma. Afastou-se da porta minimamente, puxando a maçaneta com a mão tremula e fechando a porta, Enquanto Beyond não sentia mais os batimentos e a náusea aumentava, vendo uma cena semelhante, embora fossem com bonecas em vez de tabuleiros, e cinco meninas, sendo que uma dessas estava sentada em uma poltrona. Todas impiedosamente feridas, mortas. O moreno se apressou em fechar a porta, antes que não conseguisse mais se conter. Lawliet se juntara a Raito para revistar o penúltimo aposento, Beyond se aproximara da ultima porta. Lawliet paralisara ao ver a cena, sendo sua primeira. Raito continuava pálido. Um senhor de meia idade lia algo em sua poltrona, um livro escarlate, a senhora descansava em sua cama vermelha; A mulher possuía uma mascara lhe cobrindo os olhos, mas um deles – melhor dizendo, a cavidade onde deviam estar – era visível. As paginas vermelhas do livro tinha sobre si os óculos redondos do senhor, respingados de gotículas cor de carmim. Fecharam a porta, inexpressivos e Beyond ao mesmo tempo, tenso, abriu a sua. Tamanha fora a surpresa ao ver algo que servia de meia resolução; Um garoto, desleixadamente jogado entre duas camas, uma grande e uma pequena, segurava uma faca grande e afiada, suja de sangue. Seu pescoço possuía uma grossa e funda risca vermelha no meio e o chão de madeira clara e velha era manchado fortemente abaixo da região. Havia um gaveteiro entre as duas camas, e uma foto emoldurada em sua base, com alguns respingos. Na imagem, o garoto de fios alaranjados estirado e morto no chão abraçava uma garotinha loira de olhos azuis como os dele. Tudo indicava que eram irmãos e que se gostavam muito. Mas Beyond estranhara; Não vira a menina em lugar algum e talvez nos quartos de Raito ela aparecera, mas aquilo lhe parecia improvável. Só então notou que perto de seus pés descansava uma folha de papel com algo escrito. Abaixou incerto e a pegou, então lendo o que informava a caligrafia tremida.

Não gostaria de ter matado Jessie, minha pequena e adorável irmã que tanto me apoiou, mas não a deixaria nesse inferno sozinha, e por pedido da própria e com um aperto enorme em meu peito a matei. Talvez não tenha a visto ainda, mas quando o fizer, não ousa encostar um dedo sequer, apenas um breve aviso.”

Beyond estremeceu e largou o papel no chão, olhando para o garoto por uma ultima vez antes de fechar a porta com pressa, desejando que ninguém encontrasse a garotinha. Também não percebera que nos lábios secos e esbranquiçados do garoto pousava um sorriso morto.

Mas já era tarde.

Mail, ainda prendendo a respiração, virou-se para trás, encabulado com o que sentira nas costas. Arregalou os olhos e tampou a boca de imediato; O impacto fora tanto que o ferimento, até a pouco não liberando muito sangue, voltara a tingir-lhe a tez. Tateou pela mão de Mihael e a segurou com força quando achou, sentindo as pernas amolecerem. O loiro se virou confuso e arregalou os olhos que pousavam no mesmo lugar que os do ruivo. Pendura por cordas, uma garotinha trajava um vestido rosado, com babados e laços bem feitos. Seus cabelos loiros e cacheados eram presos dos dois lados por uma fita prateada e seus olhos azuis eram penetrantes. Seus lábios rosados formavam um pequeno sorriso, e em suas mãos, presa por uma cordinha, uma boneca pendia. A despeito de tudo aquilo, as cores delicadas eram cobertas pelo vermelho do sangue jovem e inocente. Os sapatinhos pequenos e delicados possuíam respingos, e a meia branca até as canelas era tingida de vermelho. Nos braços pequeninos, fortes cortes marcavam a pele alva, assim como em seu rosto delicado. No pescoço fino, uma corda mais grossa era amarrada e presa junto ao teto, dando a impressão de que, juntamente às outras cordas, a garotinha flutuava. Mail tampava com força a boca e sentia o sangue escorrer pela testa; Mihael não respirava, com os olhos arregalados, mas segurava a mão do ruivo com a mesma força quando está a encontrou. Foi então que um vento forte passou por eles, como se alguém corresse. Mas não havia ninguém correndo, eles presumiam. Near sentira e estremeceu com o gélido ar que correu ao seu lado.

Estranhamente, o ar tinha cor. Estranhamente, não era ar ou um vento.

Foi então que os olhos mortos da garota refletiram algo, algo atrás de Mail e Mihael. Eles ouviram o barulho da chuva que chegara lá fora, do balançar excitado das árvores secas daquela rua, mas não prestaram atenção nesse som. Um risada fina, baixa e sussurrada ecoou no andar.

- P-Parem com i-isso... – Mail disse trêmulo, pausadamente. Seus olhos pareciam não querer desviar dos da menina.

- N-Não fomos nós. – Beyond, que não ousara olhar para direção alguma exceto a porta fechada do ultimo cômodo, se pronunciou.

A risada soou novamente, extremamente audível para Mihael e Mail. Os dois, com a respiração presa, então tomaram conhecimento de onde possivelmente viera o riso – Agora outro acompanhava, o tom era mais grosso. – Os olhos se desprenderam dos da garota e se colocaram na boca pequenina e anteriormente com um sorriso imperceptível; Mail e Mihael pensavam ter perdido a sanidade naquela breve visita a casa, mas viram que o sorriso da menina era claramente visível. A essa altura, Mihael já segurava a mão de Mail com mais força. A tensão fora tanta que, até então, eles mal perceberam que no batente de madeira velha e quebradiça da janela atrás da garota, uma caixinha branca e azul com detalhes dourados repousava, também suja de sangue, no formato de mãos. O ultimo vento forte passou pelo corredor, e fora tão forte que o fecho leve da caixa se abrira com facilidade, revelando um boneco pequenino, semelhante a um palhaço, que girava enquanto uma música tocava ao fundo; Era uma caixa de música. Não durou menos que 20 segundos para a melodia parar com uma nota longa, e o boneco estava reto, um sorriso maldoso desenhado que acompanhava olhos brancos. Ele parecia encarar os garotos, não importa a direção que estivessem. Mihael virá que Mail não tinha mais condições de falar. Respirou fundo, o máximo que podia, tentando achar o ar em meio à falta deste. Novamente o riso, agora mais alto e agudo.

- Corram. – Mihael se apressou em dizer e, sem hesitar ou olhar para trás, puxou o braço de Mail e desceu as escadas correndo. Raito fizera o mesmo com Lawliet, assim como Beyond fizera com Near. O albino também tampara a boca com força quando viu a garota morta e pendurada, sorrindo ainda mais. As risadas os acompanhavam enquanto tentavam escapar do longo corredor que mais parecia um labirinto, estreito e com tábuas soltas no chão. Mihael protestara mentalmente, mas teria de soltar a mão do ruivo. Quando o fizera, porém, deixou que Beyond e os outros passassem na frente, pois o joelho ferido de Mail o impedia de correr com a mesma velocidade que os demais. Mail sentia o vento frio cortar-lhe a pele; Os machucados latejavam e agora ganhara novos com as tábuas da parede. Depois de acharem a saída, aflitos e perturbados, a blusa de Mail enroscara em uma tábua.

- Não, não! – Ele sussurrava com o coração palpitando agitado e tenso, puxando a blusa. Quando finalmente conseguira, parecia já ser tarde. Havia uma tábua levantada no chão, onde ele tropeçara e caíra de joelhos perto dos cacos, uns deles perfurando sua pele fina e ferida, fazendo o sangue sair com mais voracidade. Fechou os olhos, a dor insuportável. Mihael ouviu o baque sobre o chão e se virou, com os olhos arregalados. Não queria ver, caso houvesse algo, o que estava atrás de Mail. Correu até ele, o apoiando nos braços com facilidade.

- Só mais um pouco, Matt... – Ele corria até a porta, junto ao ruivo. Deram mais alguns passos doloridos e então finalmente haviam fechado a porta com força, vendo apenas o negro vulto entre o vão. Caíram sobre a grama, suados e aflitos, mas Beyond se apressou a correr até eles, ajudando Mail a levantar e pedindo ajuda a Mihael.

- Não podemos ficar aqui, nem mais um segundo nessa rua, nesse quintal! – Dizia ofegante, estava mais pálido que de costume. As gotas grossas da chuva fizeram os ferimentos de Mail arderem ainda mais, mas ele simplesmente não conseguia ligar para a dor, não depois do que viram na casa ou a seguir. O balanço, até então parado, voltou a balançar daquela forma meticulosamente reta, rangendo alto; Os garotos, a esse ponto, já estavam na bicicleta, tentando proteger as malas nas vestes e prestes a partir, quando o rangido parou e eles ouviram algo vindo de dentro da casa. Mas não queriam olhar, não ousaram perder mais tempo. Raito, Mihael e Beyond pedalaram ao mesmo tempo, com pressa embora estivessem trêmulos. Mail, tentando cobrir a testa com a mão – Já que o pano deslizara de sua mão imperceptivelmente ao que vira a garota – a despeito do medo, olhou para trás por uma ultima vez, para a janela do andar em que estavam. Embora estivessem pregadas madeiras sobre ela, impedindo a visão, ele estremeceu e viu, por uma fresta pequenina, um par de olhos azuis penetrantes, mortos e parcialmente satisfeitos. Algo branco e pequeno, com algumas manchas escuras, sobrevoava a sombria e misteriosa rua, frente a casa, mas parecia seguir os garotos. Mail, hesitante, chamou pelo loiro.

- Mello, t-tem algo... voando. – Ele não estava consciente, as palavras saiam ser serem analisadas. Mihael parou, como os outros garotos, embora não quisessem. Olharam para trás e o objeto parecia parar aos poucos, repousando sobre o asfalto. Mail estreitou os olhos e os arregalou ao reconhecer o que seria aquilo. Os outros garotos tomaram conhecimento do que era e ligeiramente pedalaram com mais força e rapidez, deixando o pano sujo do sangue da testa de Mail ali, sorrateira e misteriosamente descansando sobre a rua assombrada.

...

- Horrível!

- Assustador!

- Cruel!

Os garotos, sentados ao redor da mesa da cozinha da Wammy’s House, ainda abismados com o que presenciaram, tomavam um chá que a Sra. Sachiko, que cuidava preocupada dos seis, principalmente Mail, fizera. Watari, embora estivesse assustado com a história, parecia extremamente calmo.

- Por que foram para lá, garotos? – Perguntou, respirando fundo.

- Pai! Aposto que se o senhor tivesse nossa idade, faria o mesmo! – Beyond, exasperado, exclamou. Lawliet, que já estava um pouco mais tranquilo, embora horrorizado, tentava acalmar o irmão. Watari riu baixo.

- Com certeza o faria. A residência dos Gates é extremamente instigante...

- Então ela tem um nome? – Mihael, que ajudava a Sra. Sachiko a limpar os ferimentos do ruivo, perguntou. Watari acenou, positivamente.

- Mas ninguém nunca ousou entrar lá e ficar por muito tempo. Muitos desistiam no corredor, como afirmavam os textos que li.

- Há... Materiais sobre a casa? Relatos, pesquisas... – Mail, levemente inconsciente, perguntava com a voz embargada e sonolenta. Não fazia muito tempo desde que desmaiara por alguns minutos, devido ao sangue perdido em demasia.

- Ah, sim, Mail. Procurarei saber onde estão, então o entregarei. – Watari sorriu ternamente.

- Muito... Ai! Obrigado... – Mihael limpava o corte no braço do ruivo. Com calma, enquanto os outros continuavam a conversar, colocou o algodão úmido com algum produto, o que causou uma ardência na área. — Mello! Está ardendo...

- Desculpe, Matt, mas terá que aguentar só mais um pouco, ou não vai curar nunca. Só mais um pouco, certo? Eu juro. – O loiro olhou fundo nos olhos verdes tão belos. Mail, mergulhando naquele azul belo e terno, sentiu as bochechas afogueadas. Mihael sorriu, acariciando de leve com o polegar o braço alvo do ruivo, onde a manga fora dobrada no ombro. O ruivo, extremamente envergonhado e corado, embora prendesse um suspiro apaixonado, baixou os olhos para os joelhos e retribuiu o sorriso. Sra. Sachiko, distraída com os dois garotos, mal percebera que já estava há um bom tempo com o algodão pressionado na testa do ruivo, também fazendo o ferimento arder.

- Sra. Sachiko! – O ruivo, ainda mais corado, chamou a atenção da mulher, que logo despertou. Ela deu um riso abafado. Mihael, levemente enrubescido, riu baixo.

- Desculpe-me, querido. – Tirou o algodão e olhou de soslaio para o loiro, que sorriu discreto, revirando os olhos.

- Sra. Sachiko! – Escutaram uma voz fina se aproximando da cozinha. No mesmo segundo, uma garotinha loira de inocentes olhos azuis, com os fios dourados e cacheados nas pontas, presos dos dois lados com laços prateados, vestindo um vestido rosa e simples, embora fosse bonito, com babados e detalhes caprichosos adentrou a cozinha, segurando uma boneca na mão esquerda. Os garotos arregalaram os olhos, ficando pálidos novamente; Mihael deixara cair o algodão de suas mãos e Lawliet segurou o irmão e Near pelo braço para que eles não escorregassem do banco. – O-O que houve? Tem alguma aranha na minha cabeça?! – A voz infantil soou inocente e assustada. Watari e Sra. Sachiko riram.

- É, teremos que providenciar muito chá e calmantes, e por bastante tempo... – O senhor riu, enchendo a caneca dos garotos paralisados.

Notas finais
VIAJEI LEGAL LOL MAS T_T EU QUERIA FAZER ALGUMA COISINHA DESSE TIPO, PELO MENOS EM UMA FIC
Enfim, se não ficou muito esclarecido, o garoto matou toda a família e ia se matar, mas então a irmã pediu que a matasse também e todo mundo morreu, viva -q
Parou com a insanidade, Iero. Certo, certo;
NEAR-HATERS(Lê-se Reira-chan), O PRÓXIMO CAP, EMBORA CURTINHO, É SOBRE O ALBINO! Apenas um aviso. MAAAAS, Depois o conflito do Matt com os valentões volta, por 2 capítulos ^^
Enfim, é isso. Desculpem-me pelos possíveis erros, pela doideira e pelo sangue em demasia desse capítulo. Até... Sexta da próxima semana, hai? *pedradas* PARA COMEÇAR BEM AS FÉRIAS T_T -q
Sayonara :3 E obrigada pelas reviews