Yuiitsu No Reigai

14 Capítulo 14 - Kin'iro no gogo(PT 1)


Notas iniciais
Yo minna! *w* Como vão, chibis?
Bem, a princípio, sim, será dividido em duas partes, se não ficaria absurdamente grande (Lá para os seus 6000 e alguns algarismos, ou até mais)
2º: REIRA-CHAN, SUA FOFA, OBRIGADA PELA RECOMENDAÇÃO ♥
3º: Vocês vão me matar por estar enrolando tanto. seja com o beijo, o caso do Matt, o lemon, enfim, o que realmente interessa à vocês, mas eu PRECISO de só mais dois capítulos até o caso do Matt, o 15 sendo a parte dois e o 16 contando um pouco sobre o Near, pois, bem, ele pode ter um espacinho, convenhamos (Near haters, não precisam ler, hai?)
Enfim, a ideia do capítulo todo veio... Ouvindo Legião ♥ e Beatles ♥ Mas isso não importa. O tanoshimi :3

Capítulo 14

Kin'iro no gogo

金色の午後



Winchester — 1º de Julho, 2005.


O sinal soou alto como de costume naquela décima primeira tarde de verão, ecoando por toda Wammy’s House. Junto dele, as vozes agitadas e alegres, que se espalhavam pelos corredores ao que os alunos saiam das salas de aula e corriam por estes. Era 1º de Julho, a primeira sexta-feira do 7º mês do ano e o inicio das férias de verão. Com rapidez, as salas se esvaziavam, restando apenas alguns alunos em uma dessas. Estes preferiam sair depois da agitação nos corredores, a despeito de suas próprias ansiedades.

O homem de cabelos castanhos claros, já adulto e com aparência cansada, embora aliviada, arrumava seus papéis quando o garoto ruivo chegou tímido à sua mesa e pigarreou. Sr. Tyler levantou o olhar e logo reconheceu os olhos verdes de seu melhor aluno da matéria que lecionava, História. Sorriu gentil, sendo retribuído pelo ruivo.

– Com licença, Senhor Tyler. Desculpe por interromper. – Falou em tom baixo, polidamente. O professor levantou a cabeça, sem preocupações e ainda sorrindo.

– Sem problemas, Mail. O que lhe trás aqui? – Guardou a ultima pasta que lhe restava e fechou a bolsa de couro pesada.

– Lembra-se da lista de livros que o senhor iria me passar?

– Ah! Que bom que me lembrara! – Abriu um dos pequenos bolsos da bolsa, tirando dali um pedaço dobrado de papel pautado, onde sua caligrafia mencionava diversos livros sobre os assuntos que interessavam Mail em sua matéria. O garoto, sempre que possível, arrumava um espaço em seu tempo para algo que, juntamente dos desenhos e dos jogos, gostava de fazer: ler. Ia à biblioteca escondida em um dos andares da Wammy’s, onde livros forravam a parede em uma estampa bela e em várias viagens, e sempre que possível pegava a quantidade de livros que convinham com seu tempo, muitas vezes pegando para ler os de Mihael ou Nate, e os relatos fantasmagóricos e horripilantes, escolhidos por Beyond.

O jovem sorriu, segurando entre os dedos o papel e fez um breve aceno com a cabeça. O professor segurou a bolsa em uma das mãos, antes ajeitando a gravata enlaçada em seu pescoço por um nó refinado. Sorriu para o aluno.

– Obrigado, Professor- Digo, Senhor Tyler. – O garoto coçou a nuca em um gesto envergonhado e o homem riu, enquanto caminhava em direção à porta. – Boas Férias!

– Não há de que, Mail. Boas Férias a vocês todos também. – Sorriu para os garotos ao fundo da sala, acenando com a mão e sendo retribuído da mesma forma, com um “Boas Férias” em uníssono. Logo já caminhava pelo corredor de madeira, longe do recindo.

Mail apressou o passo até Mihael, que segurava sua bolsa transversal por uma alça pequena. Sorriu como agradecimento e a ajeitou sobre o corpo, ainda segurando o papel. Os outros cinco garotos, já de pés, caminharam até a porta e saíram calados, Nate a fechando de forma silenciosa. Ao seu lado, Beyond apertou os punhos e seu sorriso sádico, como de praxe, foi se alargando. Respirou fundo e levou os punhos ao ar.

– Finalmente livres! – Gritou e automaticamente recebeu um cascudo do irmão. – Lawliet! Até mesmo hoje!?

– Desculpe, tenho mania... – O gêmeo riu de leve, bagunçando os cabelos naturalmente desarrumados do de orbes vermelhas, que revirou os olhos, sorrindo. Logo eles já desciam as escadas de madeira quando Mail parou, nos últimos degraus até o piso térreo.

– Desculpe, mas eu tenho que- Mal terminara de falar e Mihael já puxava seu braço, rindo e subindo as escadas em direção à biblioteca. – É bem rápido! – Gritou para os amigos que o esperavam, sorrindo e assentiram. Sentiu o costumeiro olhar malicioso de Beyond surgir efeito em suas bochechas, mas continuou preso ao braço do loiro.

Dois andares acima, Eles percorreram pelo extenso corredor empoeirado e deserto, parando numa porta de madeira escura envelhecida, larga e diferente das demais. Mihael girou a maçaneta dourada e logo entravam na secreta e grande biblioteca da Wammy’s House.

Mail abriu o papel e percorreu os olhos até um dos títulos que mais lhe chamou atenção. Como de costume, tratava-se da II Guerra Mundial. Percorreu pelas diversas seções, seu dedo passando pelas lombadas dos diferentes mundos contidos em folhas e palavras, sentindo-as deixarem seu dedo sujo de poeira, mas ele não via problemas naquilo, pelo contrário: Era uma sensação única, tão boa quanto aspirar as fragrâncias das páginas, sejam antigas ou novas. Parou ao que achara o livro em meio a vários outros, com suas diferentes capas, assuntos e títulos, tamanhos e autores, mas sempre com a incrível magia contida em cada obra literária. Puxou o calhamaço com o dedo indicador e o apertou contra o peito, com o braço e a mão esquerda envolvendo-o. Saiu do estreito corredor e fez um sinal com a mão para que Mihael o aguardasse e o mesmo assentiu, despreocupado e sentindo o aroma agradável de livros, que lhe lembrava Mail.


Ele mal se dava conta de tão automático, mas, no final, tudo lhe lembrava Mail. Desde um simples risco em uma folha branca de papel até a aparência do céu, sempre tão magnífico.


O garoto percorreu mais alguns corredores. Mihael ouvira múrmuros baixos, mas já sabia do que se tratava. Os irmãos Jones; Arthur, o mais velho, de 15 anos, e Annie, de 9 anos. Normalmente, nunca eram vistos fora da biblioteca, e pouco se sabia sobre os misteriosos irmãos, apenas que Arthur fora abandonado na porta do orfanato com Annie, em seus poucos primeiros dias de vida, em seus braços. A despeito disso, a garota era gentil como o irmão, mas ambos de poucas palavras, amigos dos livros e com um contato não muito aprofundado com o grupo dos garotos, mas considerável, principalmente com Mail. “O orfanato está praticamente deserto. É uma oportunidade de vocês saírem um pouco, tentem” O ruivo disse baixo e gentil, enquanto afagava os alaranjados cabelos da menina, que lhe abraçava. Annie via Mail como um segundo irmão, mesmo que sem conversas longas. Arthur, com sua habitual calmaria, ergueu os ombros, como se fosse pensar no assunto, uma de suas mechas negras tampando os olhos, o deixando com o olhar ainda mais melancólico. Mail sorriu e deu de ombros, como se dissesse que deixaria a escolha com quem realmente devia. “Obrigado pela visita, Matt” O mais velho disse baixo e deixou que um sorriso fosse desenhado em seus lábios esbranquiçados. Mail retribui, com seu costumeiro “Não há de que” e acenou com a mão, antes dando à mais nova algumas balas que achara no bolso. “Mais tarde eu trago outras coisas” e se foi, após o agradecimento dos Jones.

Passou em mais uma das seções, a procura de mais duas obras literárias. Apesar de seus afazeres escolares, devorava as palavras dos livros com uma rapidez incontável, ainda mais quando era um assunto de seu interesse. Olhou atentamente, procurando por mais um título mencionado nas linhas do papel, até que ouviu passos leves sobre a madeira, logo Mihael aparecera segurando um livreto, de uma grossura mediana, mas não apoucada, de tamanho relativamente pequeno; Nos lábios finos um sorriso.

– Lembra-se disso? – Estendeu o livro ao ruivo, que ergueu as sobrancelhas e não conseguiu conter um sorriso se apossar de seus carnudos lábios. Os olhos brilhantes percorriam por toda a capa de um livro de contos de terror que Beyond, um ótimo leitor do tema, os contava nas noites sem sono dos ternos anos infantis, em seu próprio quarto, na companhia do irmão e o amigo deste e, vez ou outra até mesmo na companhia de Matsuda, Sayu e Misa, a despeito da Yagami caçula às vezes se assustar ou ter os ouvidos tampados pelo irmão que receava os pesadelos da garota. No grupo, obviamente, incluía-se Mail, Mihael e Nate, que por sua vez, por se sentar ao lado do de orbes escarlate, quando se assustava – Pois geralmente as histórias eram contadas em noites de trovões e fortes chuvas, ventos que faziam um irritante pedaço solto de metal em um dos postes frente ao internato bater-se contra este, gerando um som assustador. E o modo em que Beyond entoava as frases tornava tudo mais realista – segurava-se em seu braço ou apertava-lhe a mão, tão próxima da sua. E convenhamos, os contos não eram nada fracos para crianças por volta de seus 7 ou 8 anos, a idade em que a biblioteca fora realmente desvendada. Mas para Beyond não havia algo mais divertido que suas arrepiantes leituras na madrugada.

– Por Zeus! – Exclamou, tirando um riso baixo do loiro. – Beyond vai se sentir o psicopata mais feliz do mundo se ver isso! Lembro-me muito bem de muitas histórias aqui, algumas reais que chegaram até a aparecerem naquele livro que o Sr. Watari deixou que eu ficasse com, de mistérios.

– Vamos levá-lo, nem que seja para apenas relembrar aqueles tempos.

– Os melhores que eu poderia ter... – o ruivo sorriu, os olhos brilhantes ao pensar naquela época tão boa, em que fizera seus primeiros amigos, em que retomara os sentidos levados embora com a vida de sua mãe e sua felicidade, e em que conhecera o seu melhor amigo, sua primeira e maior paixão. Mihael, entorpecido pelo brilho dos orbes verdes, deixou um sorriso estampado nos lábios por um bom tempo, concordando. Suspiraram ao mesmo tempo e riram corados por isso, Mail desviando do olhar carinhoso vindo dos olhos azuis e voltando a procurar pelo título. Puxara um com cuidado, em seguida, na estante ao lado, estendeu os braços tentando alcançar um livro numa prateleira alta, mas sua estatura relativamente mediana baixa o impedira. Bufou resignado, voltando os pés, até então em suas pontas, ao normal; Não iria pegar o pequeno banco, embora todos precisassem para alcançar algumas prateleiras, e Mihael riu, estendendo a mão e pegando o livro com cuidado, estendendo-o de leve ao ruivo pela proximidade entre eles. O loiro sorria, o ruivo tinha os olhos franzidos, como se soubesse – e sabia – os sentidos ambíguos daquele sorriso belo e encantador. Sua bochechas enrubescidas em contraste com a tez alva iluminada pelos raios de sol que escapavam pelo vidro da janela e os fios ruivos brilhosos. Prendia um sorriso comprimindo os lábios em um “bico”, o que fez Mihael rir mais um pouco, ainda em tom baixo. Mail fechou os olhos, abanando a cabeça negativamente e pegando o livro da mão do loiro, esta se roçando despropositalmente na sua, esquentando as bochechas dos garotos; Um sorriso imperceptível brotando nos lábios de cada um. O ruivo organizou os livros entre seus braços; 3 grossos livros, somado ao de Beyond, o que resultavam em quatro. Olhou para o loiro e fez um sinal com a cabeça para que este o seguisse até a porta que novamente fora aberta com um simples girar da maçaneta. Antes de descerem as escadas, Mail se encostou à mureta e guardou os livros em sua bolsa com um pouco de dificuldade, até que Mihael se oferecera para guardar um ou dois deles na sua, já que está era mais espaçosa pelo loiro não guardar além do necessário. Mail aceitou a ajuda e lhe entregara um, que logo foi guardado e assim desceram as escadas, o ruivo com apenas o conto em mãos. No caminho, empurrou a loiro com o ombro para o lado, ainda fingindo estar emburrado.

– Obrigado. – Falou olhando de soslaio, tentando apagar as linhas que tracejavam um sorriso se apossando de seus lábios; Aquilo já estava ficando impossível.

– De nada. – Mihael riu e o deu uma cotovelada leve, quase impercebível, puxando o ruivo pelos ombros para um abraço por meio desses. Viu que o ruivo ainda tentava se manter sério, mas conhecia desde as características mais notáveis até os pormenores em relação à Mail, sabendo certeiramente qual o ponto fraco do ruivo. N’um movimento rápido, em uma das laterais das costas, cutucou rapidamente, fazendo o ruivo se contorcer de leve e se afastar, uma das sobrancelhas arqueadas e um dedo em riste para o loiro.

– Nem pense em... – O loiro sorriu, se aproximando. O ruivo ia se afastando, até bater as costas no corrimão e fechar os olhos por alguns segundos. Quando os abriu, Mihael já estava próximo demais. – Isso... Isso- Trapaceiro! – E Mihael riu, antes de fazer cócegas no amigo que já não continha o riso; Mal perceberam o quão próximos estavam, tendo os corpos colados um no outro. Mail ofegante pedia para o loiro parar, entre risos, e este atendia ao pedido do amigo, também rindo, mas não se afastando. Só então, quando sentiam as respirações quentes um do outro, é que viram a proximidade perigosa que jazia entre eles, mas seus olhos estavam muito fixos um no outros, causando aquela mistura de cores, ou vez ou outra se voltando para os lábios entreabertos e tentadores para prestarem atenção naquilo e se darem conta de que não deviam estar daquela forma. Mihael sorriu.

– Não é trapaça se, por acaso, eu sei qual é seu ponto fraco. – Disse irônico e Mail franziu os olhos, um sorriso a contra gosto inevitável resaltando às bochechas coradas fortemente. Mihael se afastou e se deu conta da demora e da possível indagação maliciosa de Beyond ao que chegassem ao térreo. Mail ainda estava um pouco estático, até que o loiro lhe puxara a mão livre, sorrindo.

– Vamos. – Falou por fim, descendo as escadas de madeira junto ao ruivo.

...


– Vocês demoraram. – Falou Beyond, com aquele seu sorriso, ao que os dois chegaram ao fim da escada. E não fora apenas Beyond, como também olhos castanhos em um traço oriental, vindos da irmã caçula de Raito, Sayu. A garota tinha conhecimento dos sentimentos que Mail nutria por Mihael ou vice-versa, e, semelhante à Beyond, não perderia a oportunidade. Os garotos olharam com tédio para os dois, a essa altura já com as mãos separadas. Mail, depois, sorriu.

– Lembram-se disso? – Levantou o livro e o primeiro que viu os olhos brilharem foi Beyond. O escarlate envernizado quase saltava.

– Não acredito! Como- Ah, que saudades desse cheiro! – Aspirou o livro ao que Mail o entregou.

– Estava no lugar mais provável para nós: Embaixo das estantes! – o loiro informou; Era lá que guardavam os livros que temiam ser retirados por outros. Não que fossem egoístas, mas declaravam “Nosso livro, nossas histórias, e só podem ser contadas pelo B.!”

– Se lembra de que você tampava meus ouvidos, nii-san? – Sayu perguntou ao irmão, com um tom incontente. – Tudo bem que eu não gostava, mas nunca fiquei sabendo de como as pessoas morriam!

– Se você ouvisse ficaria meses sem dormir. Foi para o seu bem, Sayu. – O irmão falou sério. Beyond se aproximou da garota.

– Não ligue, irmãos mais velhos são assim mesmo. – Falou brincando, querendo provocar o gêmeo, mas o provocado fora ele próprio.

– Eu que o diga. – Mail afirmou, olhando para Beyond com um sorriso irônico. Sayu, Raito e Mihael riram, Lawliet sorria irônico e triunfante e Nate meneou negativamente a cabeça com um pequeno sorriso. Beyond, por sua vez, olhou para o amigo, a feição era um misto de incredulidade e felicidade – Afinal, era de fato considerado um irmão para Mail. Virou-se para o gêmeo, que tinha um sorriso quase tão irônico quando o do outro. Fechou os olhos, fingindo estar magoado, com suas encenações convincentes.

– Vocês... Não tem piedade em relação à minha pobre alma...!

– Não mesmo. – Mail e Lawliet confirmaram em uníssono e riram mais.

– E AINDA POSSUEM A POUCA VERGONHA DE AFIRMAREM! Sinto-me como um estranho no ninho, triste vida esta minha. – Dava inicio as suas indagações shakespearianas. – Mas... – O famoso sorriso psicopata. Segurou o livro de forma possessiva. – Eu tenho uma arma secreta...

– Agora que nos mostrou não é mais secreta, B. – Lawliet afirmou e o irmão, após alguns segundos bateu na própria testa, fazendo os garotos rirem e até mesmo ele rir.

– MAS NINGUÉM ENCENA TÃO BEM QUANTO EU, OU É TÃO PSICOPATA. Caso encerrado. – Cruzou os braços, fechando os olhos.

– Nisso temos que concordar. – Raito disse e os outros assentiram.

– Obrigado, Raito. – Agora vamos, não aguento mais ficar aqui dentro em pleno ultimo dia de aula.

– Eu vou procurar Matsuda e Misa. Até mais, meninos. – Sayu se despediu dos outros, antes bagunçando os cabelos do irmão e logo não estava mais a vista de nenhum deles. Raito arrumou os fios acastanhados e virou-se para Lawliet.

– E você dizia que ela era “um anjinho” ou coisa parecida! – Lawliet riu, confirmando.

– Em relação ao B...

– HEY! Eu não tenho problemas de audição.

– Eu sei. – Riu, enquanto caminhavam para fora do internato e logo adentravam o grande jardim. Beyond abraçou Nate súbita e rapidamente, fazendo a vermelhidão tão visível na tez extremamente branca dar cor em suas bochechas.

– Tenho apenas Near para me defender.

– Talvez porque Near já se acostumou tendo que viver desde os quatro anos no mesmo quarto que você. – Lawliet provocou, apesar de saber muito bem os motivos do albino.

– ... – Beyond sentiu as bochechas arderem e uma pontada leve no peito. Seria por isso?

– N-Não é verdade, se é nisso que está pensando, Beyond. – O menor disse em seu habitual tom baixo, notando a mudança do garoto. – É que... Bem... Eu... Não sou muito de falar, você sabe. E porque... – Beyond levou o indicador até os lábios carnudos do outro, enquanto os seus estampavam um sorriso pequeno, as bochechas rosadas de leve.

– Não se preocupe, eu entendi o que você quis dizer. – Sorriu, olhando ternamente nos olhos azuis impassíveis. Apenas espero que não tenha entendido o real motivo disso... O albino pensava. Mas, a despeito de suas dúvidas, retribui com um sorriso pequeno.

Beyond se ergueu, ainda abraçando os ombros do garotos e virou a cabeça para o lado, estranhando o silêncio. Os garotos estavam um pouco mais a frente, Mail e Lawliet vez ou outra olhando para eles, com sorrisos idênticos. Ambos sentiram a ardência nas bochechas, mas isso não motivou Beyond a soltar o garoto. Caminharam até lá, Beyond lançando um olhar ameaçador ao irmão gêmeo e o meio-irmão. Estes prenderam o riso e voltaram a caminhar a esmo pelos jardins do internato; Mail fitava o céu azul e bonito daquela tarde de verão, sem sequer uma nuvem, que tanto lembrava os olhos do melhor amigo e amor platônico. Faltavam algumas horas até o sol se pôr, mas os sinais já ficavam claros: Aquele por do sol seria quase tão magnífico quanto o que vira com Mihael na cidade. Este, por sua vez, olhava de soslaio para o ruivo sempre que podia.

– Sabem... – Beyond por fim cortou o silêncio após um vento que começava a soprar com intensidade, bagunçando-lhes os cabelos. Os garotos se viraram. – Sabem o que seria ótimo para um bom começo de férias? Uma boa aventura pela cidade, nos cantos abandonados ou misteriosos de Winchester. Ou apenas uma boa bisbilhotada um pouco além do que conhecemos. O que acham? – Os orbes escarlates brilhavam. Mihael pensou na situação e não conteve o brilho em seus olhos. Sorriu e assentiu; Gostava de sentir um pouco de adrenalina pulsando em suas veias, e o fato da ideia ter vindo de Beyond era ainda mais tentadora. Virou-se para os outros quatro garotos. Raito e Lawliet deram de ombros. Mail e Nate se olharam, indecisos. O fato de ir muito além assustava Mail, e o fato de o local em que possivelmente espiariam deixou Nate receoso. Ambas as questões envolviam seus passados, mas será que deviam mesmo temer? Ambos estavam ao lado dos amigos, do garoto que cada um nutria uma paixão desde ternos anos; Estavam protegidos.

Pareciam ter pensado na mesma coisa, pois assentiram no mesmo tempo, sem deixar de sentir receio, mas aceitaram a proposta. Beyond sorriu e puxou o braço dos garotos, empurrando Mail para Mihael de forma proposital. O loiro impediu o ruivo de cair, fazendo aquela proximidade surgir entre eles novamente, mas fora interrompida rapidamente. Mihael ajeitou os fios loiros, sem graça, e pigarreou.

– Como iremos?

Beyond foi simplista e direto.

– Bicicletas!

– Que bicicletas? Não há nenhuma-

– As escondidas, esqueceu? – Ele aumentou seu sorriso e os garotos arregalaram as sobrancelhas, lembrando-se.

– Mas... – Mail argumentou. – Elas estão enferrujadas e há apenas 3.

– Estamos em seis; dois em cada bicicleta. – Agarrou o braço de Nate com mais força, possessivo. – E elas estão perfeitamente boas para andar pela cidade.

Os garotos silenciaram-se, mas acabaram por assentir, concordando com a ideia.

– Raito, Mello, me ajudem a pegá-las, estão ali atrás. — Apontou para os fundos da Wammy’s, mais especificamente em uma portinha escondida onde se guardava apenas poeira. Seguiram até lá, deixando os demais sozinhos.

– Não se preocupem, meu irmão tem um pouco de juízo. – Lawliet sorriu de leve e os outros retribuíram ao que seguiam para fora do orfanato, na calçada larga frente aos portões e o muro alto de pedra e decoração gótica, tradicionais aos padrões da antiga Inglaterra.

Assustaram-se quando uma bicicleta em alta velocidade derrapou próxima a eles, em seguida outra com mais calma. Eram controladas por Beyond e Mihael, respectivamente. Atrás vinha Raito, as mãos no guidão, apenas andando ao lado da bicicleta com tranquilidade. As três eram aparentemente velhas, estavam empoeiradas e com algumas marcas de ferrugem. O banco era em um tamanho um tanto quanto largo por atrás vir um tipo de cesta, também usada como banco, muitas vezes e, obviamente, naquela. A despeito de tudo, inclusive de estarem uniformizados, eles não se importaram muito. Beyond se aproximou do albino, indicando a cesta e um pedaço do banco que deixara para o garoto; Near, um pouco envergonhado pelo cavalheirismo, embora gostasse,sentou-se de lado, o que facilitou a situação da divisão. Beyond também se sentara e agora aguardava os outros. Raito e Lawliet também já estavam devidamente certos na bicicleta, apenas Mail e Mihael estavam de pé.

– Mas, enfim, para onde iremos, especificamente? – Mail questionou baixo e ao mesmo tempo Mihael arregalou os olhos, se lembrando de algo genial e que contrastaria muito bem com a situação. Foi rápido ao que puxou o tecido a camisa social do ruivo até a bicicleta, onde ambos se sentaram rapidamente, Mail ainda cambaleando pela pressa do outro.

– Eu já sei! Venham. – Pôs os pés sobre o pedal e avançou com o ruivo ainda desajeitado às suas costas.


...


No meio do caminho, onde já haviam acostumado a controlar a bicicleta acompanhados de risos e alguns leves tombos, chegaram ao centro principal de Winchester, movimentado por trabalhadores ou pessoas que saiam para viajar. Os ônibus vermelhos pareciam mais cheios e apressados, mas ainda permanecendo com a costumeira calma inglesa. Passou-lhes pela cabeça a ideia de tomar um dos ônibus para seguirem o resto do caminho, mas havia dois fatores que lhes impediam: as bicicletas e o fato de que era muito mais interessante o trajeto seguido por elas. Parte do trajeto fora seguido com calma em meio àquela agitação nas ruas, e quando se viram livres do aglomerado insuportável, a velocidade das bicicletas fora ainda maior.

O céu já havia mudado de tonalidade àquela altura, passando de um azul claro e límpido para um misturado aos tons alaranjados pincelados pelo sol, junto dos raios fortes e amarelados, logo resultando em um rosado e incrível céu de fim de tarde. Os garotos seguiam agora por um caminho desconhecido, exceto por Mihael que conduzia-os mesmo que um tanto quanto incerto. Estavam devagar, observando a aparência da rua, tão antiga e séria, com suas casas de cores escuras e portões antigos, que rangiam ao serem abertos. O vento forte batia-se contra algumas janelas, tornando a aparência ainda mais gótica e melancólica naquela aparentemente triste e deserta rua. Um pouco mais afastada, onde não haviam muitas casas em volta e sim garagens, o que dava a entender que eram depósitos, uma mansão causou um arrepio nos garotos, que paravam aos poucos a bicicleta para observar o lugar. O jardim acinzentado, morto como todo o resto do território; Algumas arvores secas eram postas em locais diferentes, com seus assombrosos troncos vergados em diferentes direções; A caixa do correio aos pedaços, enferrujada e sem correspondência alguma lhe preenchendo; E por fim, a casa, taciturna. Suas janelas de madeira eram escuras e quebradas, as que eram feitas de vidro possuíam estes incompletos, provavelmente estilhaçados dentro da casa ou já levados pelo vento; As paredes feitas com pedregulhos, dando o ar antigo e medieval de Winchester; As telhas quebradas e entrada em más condições, a porta de madeira, com sua maçaneta fosca, sem esperanças de serem tocadas e giradas.

Os garotos ficaram mais um tempo encarando a casa, fingindo não sentirem uma leve tontura; O recinto possuía um ar pesado e escondia muitas coisas, aquilo estava claro. Os garotos ignoraram no momento e puseram-se a pedalar, sentindo um ultimo arrepio depois do vento gélido naquele verão. Mas naquela rua não havia verão, constataram, muito menos felicidade. Mail olhou para trás ao que se afastavam e embora não soubessem – mesmo que o ato de saber fosse completamente impossível em todos os sentidos – as maçanetas se enganaram.


Notas finais
UHHHHHHHHHHHHH~ -q
Vocês viram que eu tenho algo com metáforas, à essa altura, huh? EU AMO METÁFORAS (*W*)/
E também devem ter notado minha paixão por contos de terror, não? Vejam bem, eu fiquei lendo creepypasta o dia inteiro ontem! Já leram a do Majora's Mask/BEN? O garoto se chama Matt- CALADA, IEROWAAY! >.
Okay, também devem ter notado como eu tenho MUITOS parafusos a menos, e como eu sou apaixonada por livros e bibliotecas(Admito que a cena do Matt foi inspirada na Liesel passeando pela biblioteca da Sra. Hermann/Quem não leu A Menina que roubava livros devia ler, é simplesmente um dos melhores livros que já li ♥)
Bem, é isso. Obrigada pelas reviews, por estarem acompanhando e etc ♥ Próximo post, como de costume, na sexta-feira que vem :3
Ja nee e bom feriado ♥