Yu-Gi-Oh ReV-R

4 Capítulo 4 – Reunião com um antigo inimigo. Melhorias!


Se passaram alguns dias desde meu duelo contra Gildo e Fenrir. Após voltar a ser aceito pela comunidade local de duelistas eu pude ver como as outras pessoas estavam duelando. Eu havia ficado meses sem poder jogar YuGiOh devido ao tratamento psicológico, e durante este tempo muitas coisas haviam mudado, novas cartas e arquétipos haviam surgido. Eu havia passado o resto da semana inteiro ocupado com a faculdade, mas o pouco tempo que tive fora suficiente para perceber que estava defasado. Quase perdi o duelo contra Fenrir, mesmo ele utilizando um baralho que não era competitivo enquanto eu estava com o melhor que consegui montar com minhas cartas. Se eu fosse duelar novamente contra ele e desta vez ele estivesse com seu melhor baralho eu perderia, a diferença de poder seria muito grande, bem maior do que eu conseguiria remediar com habilidade ou com o poder de meu dragão.

Porém hoje não seria um dia em que eu poderia procurar um modo de melhorar meu baralho, havia algo mais importante para eu fazer. Eu havia sido chamado para fazer uma visita ao Centro de Reabilitação Canto da Luz, onde o cara que havia duelado comigo me apontando uma arma estava internado.

O prédio era grande, com três andares de altura. Dentro dele todas as paredes eram brancas combinando com os móveis de alta qualidade, vários quadros de pintores provavelmente famosos estavam embelezando o ambiente. Este não era um lugar para pessoas comuns, provavelmente aquele cara era de alguma família rica, mas porquê alguém decidiria fazer aquilo mesmo tendo tudo que sempre quis na vida? Não consigo entender este tipo de pessoa. Mas de qualquer modo, eu fui chamado aqui para tentar ajudar este cara então para o julgar.

– Bom dia. – Era uma atendente sorridente no balcão.

– Bom dia.. estou aqui para uma visita marcada.

– É algum parente seu ou um amigo?

– Bem... eu nem conheço a pessoa que vim visitar...

– Posso ver um documento de identidade seu? – Eu entrego para ela minha carteira de identidade. – Obrigada. O sistema vai verificar se você realmente está marcado para uma visita senhor... Reyo Mottaoi?

Ela escreve meu nome no monitor, e parece que ao escrever ela fica um pouco ansiosa.

– Sim, a visita está marcada para agora. Vou lhe levar para onde ela será.

Enquanto andamos percebo que ela está mais ansiosa ainda, como se quisesse falar algo mas não soubesse como. Provavelmente reconheceu o meu nome de tanto que a mídia falou sobre meu duelo de uns meses atrás, eu havia achado que essa fama de cinco minutos já teria acabado depois de tanto tempo mas parece que os dois duelos que tive na semana passada foram mais que suficiente para fazer eu ficar nos holofotes outra vez. Situações como esta aconteceram comigo durante a semana inteira... e até agora não sabia muito bem como agir nelas.

– É aqui, pode entrar... senhor. – ela abre a porta e espera eu entrar. – Vou voltar para a secretaria, obrigada. – E me olha um pouco antes de sair.

A sala tinha tamanho médio, não haviam janelas e o único móvel era uma mesa pequena no centro. Junto com ela tinham duas cadeiras, em uma estava um homem um pouco forte e mais alto do que eu, suas duas mãos estavam estendidas e ele olhava para a mesa em que elas estavam em cima.

– Pode se sentar. – Um outro homem bem forte estava em pé no outro lado da sala, perto dele havia outra porta.

Eu me assento na cadeira em frente ao homem que estava assentado. Eu e ele ficamos nos encarando, era a pessoa que duelei na lanchonete. Parecia que ele não iria falar nada então decido começar a conversa.

– Oi... eu me chamo Reyo.

Ele me analisa por alguns segundos.

– Eu me chamo Bruno. Este ao meu lado é Senzai, um dos enfermeiros que está cuidando de mim. Eu reconheço seu rosto... mas não tenho nenhuma lembrança daquele dia.

– Você perdeu a sua memória?!

– Somente de algumas horas daquele dia, do resto de meu passado eu me lembro muito mais do que queria.

– …

– Eu sofri umas complicações de saúde após o nosso duelo, fiquei entre a vida e a morte, por isto que não me lembro direito. Era de se esperar que aquilo aconteceria com alguém que ingeriu tantas drogas, mesmo não estando acostumado a utilizá-las.

– Então você estava mesmo drogado?

– Sim...

– Você não deveria fazer isto! Só causará problemas para a sua vida, e também para a vida das pessoas que verdadeiramente se importam com você!

– Eu sei disso! – Ele olha para baixo serrando seus punhos, sua voz se torna baixa e melancólica. – Não acredito que minha impotência tenha me levado a este ponto... não vou cair novamente no nível em que ele quer, vou ficar mais e mais forte até que eu consiga...

Ele para e olha para mim por um instante.

– Você parece diferente Reyo.

– Diferente?

– Diferente de como você aparenta ser nos vídeos, duelando.

Sério que até esse cara viu os vídeos...

– Mas aquele não é eu. Eu sou este aqui de agora, quando duelo contra algum oponente forte, ou quando algo importante está em jogo eu... mudo. É difícil de explicar.

– Tente.

– Bem... eu normalmente não falo muito e sou queto, mas quando estou duelando eu mudo, minha voz fica mais forte, consigo me comunicar mais com meu oponente e além disto minha mente fica mais aguçada, me lembro de coisas que achava nem saber e consigo descobrir jogadas que nunca havia pensado serem possíveis de se realizar. E...

– Pode continuar.

– E além disso... tem outra coisa a mais, algo diferente. Durante o duelo eu consigo sentir meu oponente, saber o que se passa com seus sentimentos. É como se eu conseguisse olhar diretamente para sua alma...

– E você é religioso?

– Faz tempo que não vou a uma igreja. Na verdade eu nem acredito direito na existência de almas. Mas isso que está acontecendo comigo está me deixando confuso.

– Parece que você nunca falou sobre isto para alguém antes.

– É verdade... a minha psicóloga procurava me fazer esquecer sobre tudo o que aconteceu naquele dia. E agora julga que eu não precise mais de acompanhamento...

– Fazer um paciente esquecer de um evento traumático e não dar chance para ele falar são erros bem grandes. Ela parece não saber o que está fazendo.

Parecia que ele entendia bem do assunto.

– Você entende de psicologia?

– Quase cheguei a me formar. Também em computação, artes, letras e eletrônica. Posso não ter diplomas para comprovar, mas tenho o conhecimento e é disso que eu preciso e me importo.

– Tudo isso?! E quantos anos você tem?

– Vinte e três anos.

– Incrível! Você deve ser um gênio!

– Talvez, mas isto não importa. Tem mais uma coisa que quero lhe falar. Não foram os médicos que lhe chamaram, fui eu que lhe chamei aqui para conversar.

– Você?!

– Havia uma coisa em minha mente me perturbando. O que eu fiz com você foi horrível, eu tinha medo de que poderia ter te mudado para mal. Mas pelo o que vi hoje parece que não foi isso. Estou aliviado. Mas tenho uma última pergunta, você foi apenas convidado a vir aqui, ninguém o obrigou, e certamente tem coisas mais importantes para fazer do que vir conversar com alguém que quase o matou, não há muito o que se ganhar vindo aqui. Então lhe pergunto, por qual motivo você veio?

Paro e penso por um instante. A resposta não aparecia em minha mente, sentia que havia um motivo mas não podia alcançá-lo para saber seu significado. Apesar de a resposta estar dentro de mim eu não conseguiu encontrá-la.

– Parece que você ainda não percebeu, Reyo. Acredito que para chegar a esta resposta você só vai conseguir se continuar duelando.

– A resposta está nos duelos...?

– Quando você sair daqui, lá fora encontrará uma mulher. Ela é minha irmã e ela lhe dará uma caixa. Você ainda vai encontrar oponentes muito poderosos, Reyo. Seus duelos ficarão cada vez mais difíceis, eu posso ter atrapalhado a sua vida por causa daquele dia, espero que isto possa me redimir.

– Uma caixa?

– Mas não ache que é um fim. – Ele dá uma risada baixa. – Um duelista de verdade sempre tem consigo suas cartas favoritas.

Ele balança seus braços, das mangas três objetos caem e são arremessados na minha direção.

– Estas são... cartas de Deuses Egípcios?! – Elas eram de uma raridade alta, estas cartas só haviam sido distribuídas em quantidades limitadas em um evento especial há mais de quatro anos atrás, era o tipo de item que todo colecionador queria possuir.

– EI!! Não é permitido este tipo de objeto no centro de reabilitação! – O homem que estava em pé levanta Bruno a força. – Você irá para uma inspeção agora, veremos se está escondendo algo ilícito.

– O que é isso!? Você não pode levar ele assim a força!

– Isso é um procedimento padrão, temos que verificar se ele não está escondendo nenhuma droga.

– Hehe, minha irmã vai ficar nervosa quando souber disso. Reyo, se você quiser conversar mais com alguém, eu estarei aqui para lhe ajudar.

– E pelo visto por um bom tempo se continuar assim.

Os dois passam pela porta do outro lado da sala e ela é fechada, corro até ela e tento a abrir mas está trancada. Que tipo de lugar iria tratar alguém assim apenas por ele ter cartas?

Mesmo fazendo força não consigo abrir a porta, isto estava estranho, talvez a melhor opção seja sair daqui e conversar com a irmã dele, será que ela tem algo a ver com isso? Saio da sala e ao andar pelo corredor vejo outras portas abertas, nos outros quartos vários pacientes estavam sendo cuidados por médicos e enfermeiras, todos pareciam sorridentes e se dando bem uns com os outros, bem diferente do modo como o homem que estava acompanhando Bruno.

– Ahh você voltou senhor Reyo. – Eu havia chegado na recepção, a recepcionista estava um pouco vermelha. – Antes não deu tempo mas eu queria lhe falar que...

– Então você que é o Reyo. Oi eu sou a irmã de Bruno. Ele me pediu para lhe entregar isto aqui. – Ela me entrega uma caixa de madeira grande, estava bem pesada. – Como meu irmão está? Você conversou com ele agora a pouco não foi?

A voz dela estava bem triste.

– Sim, ele... parece ser uma pessoa boa. Ele parece determinado a mudar.

– Que bom... – Ela passa a mão no rosto para enxugar uma lágrima que havia caído. – Desde que foi internado ele tem dado muitos problemas, quase toda semana encontram alguma droga com ele, tenho medo dele nunca melhorar...

Quase... toda semana?!

– Não pode ser, ele não pareceu ser assim!

– Mas ele é... vou lá falar com ele, os horários de visita são bem estritos...

Ela estava com voz de choro, qualquer um poderia sentir que se preocupava mesmo com o irmão. Seria impossível ela estar envolvida em algo contra ele. Será que esta clínica estaria fazendo algo para manter ele por mais tempo, para ganhar mais dinheiro? Isto também não fazia sentido, esta clínica tinha um grande renome, até mesmo cantores famosos eram internados aqui as vezes, dinheiro era o que não faltava. Olho para o balcão e vejo a recepcionista atendendo a uma pessoa enquanto anota algo que alguém no telefone estava falando, mesmo com isso tudo ela parecia alegre, todos os outros funcionários pareciam estarem trabalhando assim também. Pela disposição dos funcionários seria improvável que algum deles esteja fazendo errado.

Talvez seja só minha imaginação porém... Bruno parecia estar realmente determinado, apesar de não se importar em ser levado a força. Mentindo ele não estava, disto eu tenho certeza. Mesmo assim o acompanhante dele me deixou levar as cartas. Talvez isso seja realmente um padrão normal da clínica, ele entende de psicologia, se fosse algo errado ele teria dado a entender. No final parecia que o que ele realmente queria era que eu recebesse esta caixa... ele estava mais preocupado comigo. O que será que há dentro dela?

Eu abro a caixa.

E dentro dela haviam... cartas, muitas cartas. Esse peso todo que eu estava tendo dificuldade em segurar era composto apenas por isto. Ele disse que eu deveria continuar duelando... me deu todas estas cartas e mais as suas cartas favoritas. Será que com isto eu consegui o que precisava para poder derrotar Fenrir em um duelo competitivo?

Amanhã é o dia do meu primeiro torneio desde que voltei a jogar... logo eu saberia a resposta para isto.

Notas finais
"Nem só de duelos vive uma fic de yugioh". Isso tá escrito na Bíblia, ou quase isso. Esse capítulo foi feito para avançar mais a estória do Reyo como personagem e introduzir o Bruno que terá mais importância lá na frente. Mas não se preocupem, no próximo capítulo Reyo estará participando de um campeonato.... de duplas! Quem será seu parceiro? Vejam no próximo capítulo!