Youth Gone Wild - Reescrevendo
3 Help!
Notas iniciais
Help!
Thalia chegou em casa ainda com os fones de ouvido, tocando uma playlist dos Beatles, e subiu as escadas correndo para o seu quarto. Não estava muito afim de conversa hoje, e sua mãe sempre a bombardeava de perguntas quando a morena voltava da escola. Ela jogou a mochila no chão e desabou na cama.
Thalia tinha certeza de que ia se ferrar.
Ter que criar uma banda pro colégio foi a pior ideia que o Diretor D já teve, e olha que ele era muito bom em fazer os alunos passarem vergonha. Mas aí Luke veio com a brilhante ideia de fazer uma banda de rock, que tinha como única falha o fato de que isso só faria a garota se ferrar mais ainda.
Mas Thalia tentou não pensar nisso enquanto tomava um banho relaxante e vestia uma roupa mais confortável. Desceu para lanchar alguma coisa. Encontrou a mãe fazendo alguns cookies na cozinha.
– Thalia querida. – sua mãe disse ao vê-la entrar. – Por que não me ajuda?
– Agora não, mãe. – a morena resmungou, já dando meia volta. – Tenho coisas para fazer.
– E eu posso saber o que são essas coisas?
– Não.
Thalia saiu sem esperar resposta. Voltou para o quarto e viu que tinha uma mensagem do Castellan no celular.
O Percy topou entrar.
Yes!, pensou. Menos um problema a ser resolvido. Agora só faltavam mais três.
Muito muito, muito obrigada.
Logo chegou uma resposta.
E aí, você vai fazer o que na bendita banda?
Não sei. Se eu não achar ninguém melhor, vou ser a vocalista, apesar de que não quero ser o “centro das atenções”.
Relaxe. Tenho certeza de que eu vou roubar a cena quando a gente subir no palco.
A garota se permitiu dar uma gargalhada com o comentário de Luke. Não era todo mundo que conseguia arrancar um bom humor dela.
Uhum, vão criar até um fã clube pra você.
Aposta quanto?
Nada, idiota.
Thalia quase pode ouvir o loiro rindo do outro lado.
Tenho que estudar. Nos falamos mais tarde.
Vai, nerd.
A morena se levantou e foi buscar o IPod. Colocou na playlist do Green Day e se permitiu ouvir um pouquinho. Mais ou menos meia hora depois, a Grace ouviu a porta da sala batendo, provavelmente o irmão mais novo chegando do colégio. Talvez ele posse me ajudar, pensou. Não sabia se o irmão tocava algum instrumento, mas com certeza conhecia alguém que sim.
Thalia esperou um tempinho e depois se dirigiu até o quarto de Jason. O garoto estava jogado na cama, ainda com o uniforme do time de futebol americano do colégio. Eles não se pareciam muito – o único jeito de saber que eram irmãos era os olhos elétricos que ambos possuíam.
– Hey Jason. – chamou a garota, batendo na porta.
O loiro despertou do celular, onde provavelmente trocava mensagens com a namorada. Puff.
– Thalia? – ele ergueu uma sobrancelha.
– Então, sabe como é que é. – a Grace mais velha começou, entrando no quarto e conferindo antes se a mãe não estava no corredor para ouvir. – Eu meio que me meti em encrenca.
– Como sempre. – Jason bufou.
– É, mas dessa vez o negócio foi um pouco mais sério.
– E onde eu entro nisso?
– Você podia me ajudar, talvez.
– Olha Thalia, eu não quero ser rude nem nada, mas realmente não estou interessado em me meter nas suas confusões.
– Só preciso de um pequeno favor seu. Preciso que me arranje algum amigo ou amiga sua que saiba tocar algum instrumento.
– Ih, vai criar uma banda agora é? Nem pense em treinar na garagem.
– A banda é parte da confusão.
O loiro deu um riso nervoso.
– Ta bom, eu vou ver com uns brothers meus aqui.
– A mamãe tá fazendo cookies.
E com isso, Thalia saiu.
De nada, irmãzinha.
***
E foi essa história que Leo Valdez passou o seu almoço inteiro ouvindo. Não que ele estivesse realmente interessado – na verdade, o moreno estava mais preocupado em encarar Reyna Avila do outro lado do refeitório, com quem saíra no final de semana passado.
– Leo! – Jason exclamou para o amigo. – Acorda cara!
– Eu, oi, sim, diga. – o Valdez se voltou para a frente de novo.
– E aí, você ainda tá tocando guitarra?
– Sim, sim. A minha bebezinha continua bem ativa lá em casa.
– Então, você vai ajudar a minha irmã?
– A sua irmã não-chegue-perto-de-mim-ou-eu-te-mato?
– É, cara. A única que eu tenho.
– Acho que vou. A Reyna toca teclado, não é?
– Quem saiu com ela foi você, eu tenho namorada.
– Sim, mas vocês se conhecem. Acha que eu devo ir falar com ela?
Leo estava relativamente nervoso. Reyna era a garota mais difícil do colégio, totalmente inalcançável, por isso o moreno sempre quisera sair com ela. Milagrosamente, ela aceitou, mas tinha sido, provavelmente, o encontro mais rápido e tedioso da vida de ambos. Leo não achava que ela tinha aceitado sair com ele por acha-lo divertido nem bonito nem nada do tipo. Mas mesmo assim, ele tinha ficado vidrado na garota.
– Meu Deus, Leo! Vocês não se falaram ainda? – Jason exclamou, surpreso.
– Cala a boca, cara. – Leo respondeu. – Ela só deve estar nervosa por causa do meu charme.
– Você devia falar com ela. Quer dizer, vocês saíram e tals, então devem ter algum assunto.
– É. Eu posso aproveitar e falar com ela esse lance aí da sua irmã.
– Vá em frente.
E o Valdez foi. No caminho para a aula, ele interceptou a morena sozinha no corredor.
– Oi flor do dia. – falou, parando na frente dela.
– Valdez. – Reyna respondeu, revirando os olhos. Seus cabelos escuros estavam presos num rabo de cavalo que ressaltava as formas do seu rosto, fazendo ela parecer uma estátua antiga.
– Achei que já tínhamos pulado a fase do segundo nome.
– Olha Leo, foi muito legal você ter saído comigo e tudo mais, mas eu realmente não quero levar as coisas adiante.
O moreno tentou não se magoar com isso. Tudo bem, tudo bem. Ser rejeitado por garotas muito bonitas era praticamente a sua rotina, então ele não se importou muito. Mas ainda tinha assuntos pendentes com essa daí.
– Certo, mas não era bem sobre isso que eu ia falar. – Leo concluiu, tentando manter o sorriso.
– Ah, sim, desculpe, diga. Mas rápido, minha aula já vai começar.
– Então, a irmã de um amigo meu tá fazendo uma banda aí e ta precisando de gente para entrar. Você não me disse que tocava teclado ou algo assim?
– Eu toco, mas não acho que esse lance de banda seja muito a minha praia.
– E qual praia você prefere? Sabe, New Jersey fica aqui pertinho caso você queira uma carona.
Leo podia jurar que aquilo era a sombra de um sorriso no rosto de Reyna.
– E se eu decidir participar dessa tal de banda? – a morena perguntou, já mais descontraída.
– Bem, aí você vai poder ter o prazer da minha companhia.
– Vou pensar no seu caso.
E com isso, Reyna girou nos calcanhares, deixando o Valdez sem expressão parado no meio do corredor. Leo deu um sorriso de canto e saiu para a próxima aula. Estava de bom humor agora. De acordo com o que Piper, a namorada de Jason, lhe dissera, quando as mulheres diziam que iam pensar, é porque já tinham concordado.
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