You're the one that I want
14 Um sobrevivente
Notas iniciais
– Alô?
– Oi Killian, aqui é o Henry.
– Henry? Meu Deus, que felicidade!
– Eu não tenho muito tempo para falar. Zelena me trouxe para um casarão abandonado longe de tudo. Venham logo, por favor. Ela disse que vai me matar até amanhã! Rápido, por favor.
– Estou indo aí. Aonde é, mais ou menos?
– Perto da floresta. Só isso que sei.
– Como conseguiu um celular?
– Não importa. Venham, Zelena está vindo!
– Ok. Tchau.
Acho que meus planos para hoje a noite vão mudar. Por mais que eu não me importasse (nem um pouco) de ficar na casa da Emma de noite, a ligação de Henry muda tudo. Eu precisava ir até ele. Liguei para Emma:
{ligação on}
– Alô?
– Oi Emma. Henry ligou.
Ela ficou um tempo sem responder. Fiquei com medo de que ela tivesse desmaiado, ou algo do tipo.
– Emma? — perguntei
– Que ótimo! Onde ele está? Zelena fez o que? Ele se machucou? Como ele conseguiu um telefone?
– Eu não sei Emma. Ele disse que está em uma casa abandonada, perto da floresta. Eu vou ir para lá imediatamente.
– Eu vou junto.
– Não Emma. Você ainda está muito frágil. Sem contar que, no primeiro passo que você desse naquele lugar, ela te mata.
– Ok. Se precisar de algo, me ligue.
– Tudo certo.
– Tome cuidado. Sério, não quero te perder.
– Está tudo bem. Vou conseguir seu filho de volta.
– Obrigada por tudo. Tchau e boa sorte.
– Tchau
{ligação off}
Avisei Graham e dei partida em meu carro até a floresta. Foi difícil achar uma casa abandonada. Na verdade, foi difícil achar uma casa. Quando eu não esperava mais nada, encontrei uma casa toda pintada de preto, parecida com aquelas casas retratadas em filmes de terror. O lugar era de dar medo. Henry deve ter se assustado muito ao entrar na casa.
Aprontei minha arma e a coloquei no bolso. Zelena não ficará nada feliz em me ver. Acho que ela ainda deve ter hematomas no rosto do dia em que a ataquei. Ela pode ter ficado livre até agora, mas é bom ela aproveitar esses momentos de liberdade que lhe restavam. Em breve, ela apodrecerá na cadeia.
Cheguei na casa e abri a porta. Ela estava meio emperrada, mas com um pouco de força, ela foi aberta, fazendo um ruído baixinho. A casa devia ser muito velha. Zelena deve estar escondida em algum lugar. Espero que ela não tenha machucado Henry. Fui abrindo várias portas, até que ouvi gritos vindos de um lugar subterrâneo. Achar a passagem que me levaria até lá seria um pouco complicado. A casa estava escura e era impossível de enxergar algo.
Eu estava caminhando quando sinto que pisei em uma parte de madeira frouxa. Fui examinar e achei uma pequena portinha que levaria até algum lugar. Torcendo para acertar, abri a porta e desci as escadas colocadas abaixo. Acho que eu não devo ter feito muito barulho, pois os berros continuavam extremamente altos. Parecia uma discussão. Acho bom eu ir para lá logo.
Chegando lá, avistei Henry atrás de uma grade, parecida com aquelas de prisão. Zelena o segurava pelo pescoço, enforcando-o.
– Largue-o! — ordenei
Zelena parecia ter levado um susto. Ela deu um pulo! Enquanto Henry abria o maior dos sorrisos.
– Olha só quem veio! O galã esquentadinho! Era só o que me faltava...
– Olha só Zelena, você passou dos limites. Se achou que sairia impune disso tudo, estava errada. Largue Henry logo, antes que eu tenha que te tirar daí.
Ela largou Henry. Me estranhou que ela tenha desistido tão rápido. Mas ela é Zelena. Adora guardar o melhor para o final.
Ela passou pela porta da cela. Apenas um detalhe. A trancou, com Henry ainda dentro de lá.
– Não dê um pio, se não sua mãe vai arcar com as consequências. — disse Zelena para Henry.
Então ficou claro para mim que o motivo pelo qual Henry foi com Zelena foi porque ela ameaçou matar Emma.
– Você não vai encostar um dedo em Emma.
– Ah é? O que pode me impedir?
– Eu. — falei enquanto apontava a arma para ela — Vai ter que passar por cima de mim.
– E um galãzinho desses pode me impedir? — ela disse rindo — Você tem um rostinho tão bonitinho. Por que não usa isso para algo bom?
– Já chega. Solte Henry ou eu atiro.
Ela simplesmente pulou em cima de mim. Socava minha cara com força. Eu não conseguia revidar, ela me prensava no chão com muita força. Ela era muito mais forte do que parecia. Tentei de tudo para sair dali, mas eu não conseguia. Ela segurava minhas mãos, fazendo com que eu não conseguisse pegar minha arma. Ela tirou uma faca do bolso. Henry gritava por socorro, enquanto Zelena mandava que ele ficasse quieto. Ela colocou a faca na frente de minha garganta. Ela teria me matado, se eu não tivesse ouvido um grito.
– Solte-o!
Consegui olhar para trás. Era Emma.
P.O.V Emma
Killian demorava muito eu não conseguia esperar, então resolvi procurar a casa. Demorei um pouco para achá-la. Achei uma passagem subterrânea. Eu ouvia gritos, gritos de Killian. Meu coração apertou e eu desci imediatamente.
Avistei Henry na cela. Ele tinha marcas de mãos no pescoço. Chorava no canto da cela. Deu um pulo quando ouviu minha voz e foi até a porta. Corri em sua direção.
– Filho!
– Mãe! Não posso sair daqui. Zelena vai me matar. Vá ajudar Killian.
Olhei na direção de Killian e vi Zelena com uma faca na garganta dele. Corri na direção deles e gritei:
– Solte-o!
Zelena soltou Killian imediatamente. Ela me encarou com os olhos cheios de fúria.
– Emma, pedi para ficar em casa! — disse Killian, enquanto pegava fôlego
– Não, a presença dela aqui é perfeita! — disse Zelena — Por que eu estava machucando os seus amores, se quem eu quero mesmo machucar, está bem na minha frente?
– Zelena, eu nunca fiz nada para você. Neal gostar de mim não é minha culpa. Por que me odiar tanto?
– Você tirou tudo o que eu tinha. Então vai pagar por isso.
Zelena voou em cima de mim. Ela me segurava com muita força. Vi Killian vindo por trás. Ele parecia pegar algo do bolso de Zelena. Foi quando entendi o que estava fazendo. Ele pegou uma chave. Zelena me soltou e foi atrás dele. Ela corria rápido, mas Killian era mais veloz. Antes que ele abrisse a porta para Henry, ela agarrou seu braço com muita força. Corri até lá e ajudei Killian. Enquanto ele tentava abrir a porta, Zelena pegou uma arma do chão. Killian foi encostando em seu bolso. Provavelmente tinha deixado a arma cair do bolso. Ela apontou a arma para minha cabeça. Henry estava desesperado.
– Largue a chave, se não eu atiro no seu amorzinho.
Killian largou a chave e olhou para mim. Seu olhar parecia desesperado. Eu estava tão desesperada quanto ele.
– Zelena, pare de descontar nos outros. Quem você quer machucar está aqui. Deixe Henry escapar e fique comigo.
– Não Emma!
– Brilhante ideia.
– Se você prometer que vai deixá-los em paz, pode ficar comigo.
– Que motivo eu teria para incomodá-los?
A cena se passou muito rápido. Killian gritava para que eu não fizesse nada. Até que ouvi um tiro e vi Zelena caída no chão, mas ainda com vida.
David e Mary apareceram. David tinha uma arma na mão. Ele parecia ter atirado nos pés de Zelena. Atrás deles, Graham apareceu. Ele correu até Zelena e colocou algemas em suas mãos.
Eu estava extremamente aliviada. Killian abriu a cela de Henry e ele correu para me abraçar.
– Filho! Nunca mais faça isso de novo!
– Ela disse que te matava se eu fosse junto com ela.
Graham já arrastava Zelena até o carro de policiais. Fiquei abraçada junto de Henry durante muito tempo.
– Obrigada por ter vindo, mãe. Ela teria me matado.
– Acho que não é a mim que você tem que agradecer. — eu disse, olhando para Killian. Ele estava escorado na parede.
Henry correu na direção de Killian e o abraçou.
Mary veio até mim e me abraçou também.
– Emma! Que bom que está tudo bem!
– Obrigada por ter vindo Mary! Como chegou até aqui?
– Estávamos passando pela floresta quando ouvimos gritos vindos de longe. Graham estava conosco e ele deu sua arma para David. Corremos e vimos Zelena em cima de você. David atirou nos pés dela e Graham a algemou.
– David! Muito obrigada!
Ele também me abraçou.
– Não há de que. Mas acho que tem alguém que merece mais agradecimentos do que qualquer um de nós, não é? — David olhava para Killian. Fui na direção dele.
– Acho que finalmente teremos um pouco de paz, não é? — ele perguntou
– Killian, desculpe por tudo. Se não fosse por mim, você não teria passado por tudo isso. Eu entendo se você não quiser mais nada comigo.
– Tá brincando Emma? Foi você que me salvou. Eu estava em um momento obscuro. Eu era alguém frio, desde que Milah tinha morrido. Por sua causa, eu não sou mais.
Nos beijamos. Sem dúvidas, foi o melhor beijo de todos. Quando precisamos de ar, eu sussurrei:
– Quantas vezes mais você terá que me salvar?
– Quantas vezes precisar.
Continuamos a nos beijar. Sentimos que todos estavam nos assistindo, mas não ligamos. Naquele momento, só existiam nós. Apenas nós.
– Eu te disse, sou um sobrevivente.
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