You're an asshole but I love you
1 Sr. Gold, eu preciso de uma criança.
Notas iniciais
Gold escutou o sininho da sua loja, mais um dia que tinha tudo pra ser como todos outros nos últimos 18 anos. Mas, não seria. Não passava das nove e Regina já trazia seu semblante amargo ao entrar no estabelecimento. Gold observou em silêncio, enquanto ela caminhava em sua direção, parando em sua frente, entre eles o balcão da loja. E, como Regina odiava perder tempo, foi direta no que a levou ao homem mais velho.
''Sr. Gold, eu preciso de uma criança'' Regina proferiu, seus olhos presos ao do homem.
''É uma honra, mas não estou interessado'' O homem sorriu. Como é de seu feitio ele brinca com as palavras, sabia que não era esse convite que havia recebido.
Regina controlou sua vontade em revirar os olhos ''Não assim! Quero adotar uma criança. Mas teria que esperar anos para conseguir. E é ai que você entra... ''
''Contratos... Sim, sim. Eu posso fazer isso. Terei a resposta em alguns dias''
Regina dera um leve sorriso que não atingiu os olhos. Falou em tom duro. ''Tem um dia''. Disse já se virando em direção a porta que tinha acabado de entrar. ''Procure-me amanhã na prefeitura'' Ela disse já se retirando da loja de penhores.
— SQ —
Ás nove em ponto Sr. Gold entrou na prefeitura com uma pasta em mãos.
''Bom dia! Tenho horário com a prefeita''
''Bom dia'' Respondeu e levantou a mão, como se pedisse para o homem esperar um momento e ligou no gabinete.
''Senhora prefeita. Senhor Gold está aqui, disse... Sim, sim. Desculpe. Ok.'' Kathryn levantou e abriu a porta para que o homem entrasse, pela sua expressão certamente tinha levado um esporro da prefeita.
''Kathryn. Espero que não se esqueça também que eu odeio ser interrompida.''
Kathryn assentiu ainda com a cabeça baixa, fechou a porta tentando ao máximo não fugir dali. Nada que fizesse era necessário para agradar a prefeita. Seu humor estava pior a cada dia.
***
''E então?'' perguntou a mulher.
''Vamos ver se achará bom quando eu terminar. Tenho uma boa e uma má noticia''
Regina assentiu como se pedisse para continuar. ''Nada é apenas bom pra mim'' Pensou. Tinha as mãos fechadas em punho. Sentia um frio na barriga como não sentira em anos.
''A parte boa é que tenho uma criança pra você'' Regina que vestia um semblante neutro se permitiu sorrir por meio segundo, antes de lembrar-se do porém da história.
''Mas... '' Disse a morena.
''A mãe está gravida. Presa'' Regina arregalou os olhos, Gold se apressou em completar ''Foi presa por um pequeno furto, não deseja o bebê. Tomei seu caso e consegui diminuir a pena. Ficará apenas seis meses. Mas, isso custará a você algum dinheiro''
Com um sorriso nos lábios, Regina proferiu as palavras no habitual escarnio. ''Ela terá a criança. E será minha. E ainda por cima a... a bandidinha terá a pena reduzida as minhas custas. Mas, onde está o lado ruim nisso?''
Sr. Gold se permitiu sorrir..
''A menina fez dezoito a pouco. Órfã. Não tem moradia. O juiz me devia alguns favores, por isso foi favorável à nós. Porém, exigiu uma coisa, querida... Para que ela seja solta daqui a quase seis meses, ela precisa de uma casa. E é ai que você entra.''
Sr. Gold viu a expressar de Regina, que quase nunca demostra nada, se alarmar ao perceber o que o homem queria dizer. A mulher ficaria na sua casa.
Se levantou sentindo o sangue ferver. ''Não, não, não. Você está louco? O que sugere que eu faça com uma bandida? E quanto a criança que espera? Se ela mudar de ideia? Se resolver me ameaçar depois? Isso está fora de cogitação'' Disse apressadamente, tomando-se pelo pânico. Sentindo a perda antes de ter a criança. ''Se isso é tudo acho melhor você ir'' Concluiu.
***
Kathryn separava alguns documentos que precisavam da atenção imediata da rainha, queria evitar ser mais odiada pela mulher mais velha. Ouviu a porta se abrir e Regina saiu, em seguida. A moça notou que a prefeita parecia muita mais amarga agora do que há quinze minutos, quando Gold tinha entrado pela porta.
''Kathryn, encaixe a reunião com os fornecedores amanhã. E esteja aqui para recebe-los.'' Disse já se virando pra porta. Desde que Gold saíra da sua sala sentira uma dor forte de cabeça.
Ao entrar na BMW para ir pra casa, se permitiu fechar os olhos por um instante enquanto massageava as têmporas.
''Cheguei tão perto...'' Se permitiu sonhar ser mãe. E estava tudo acabado.
***
Já em casa se serviu com uma dose dubla de uísque e se sentou na luxuosa sala da sua mansão, tinha tudo que achava que precisava. Mas, agora parecia tudo pequeno demais. E ela se sentia cansada, e não só fisicamente. Fechou os olhos e imaginou: Imaginou um bebê em seus braços, crescendo e chamando-a de mãe, ouviu o som da sua risada encher a casa e sua alma, ensinando-o a andar, contando-lhe historinhas de ninar, o pequenino pulando em sua cama depois de um pesadelo procurando conforto em seus braços. Indo a escola, crescendo, vivendo e amando-a.
***
Despertou de um cochilo depois de um sonho onde ela era feliz. Nesse sonho ela era mãe e sentia-se completa.
Tateou no sofá a procura do celular. Sabia o que devia ser feito. Discou o número e esperou. Tocou uma, duas, três vezes. Já ia desanimado quando ouviu a voz sonolenta no outro lado.
''Prefeita Mills? Sabe que horas são?''
''Gold. Faça.'' O homem ainda sonolento tardou uns segundos a entender e sorriu quando o fez.
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